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12/06 - Como a arquitetura escolar e a proposta pedagógica se complementam e beneficiam o aprendizado?
Entenda como a Fundação Bradesco promove o impacto social positivo por meio de uma educação de excelência aliada à transformação do espaço escolar Fundação Bradesco Ronaldo Aguiar O papel da arquitetura de uma escola é significativo no aprendizado. Uma arquitetura escolar alinhada ao projeto pedagógico contribui com a interação entre corpos docente e discente, estimula a criatividade dos alunos e dos profissionais, otimiza custos e promove ambientes democráticos, mais agradáveis e atrativos para o ensino. “O jeito de aprender e ensinar mudou muito ao longo dos anos. Neste sentido, a escola precisa acompanhar essas mudanças, promovendo espaços físicos que colaborem para o estímulo e a prática dessas novas vivências e maneiras de aprender”, observa a Diretora Geral da Fundação Bradesco, Denise Aguiar. A educadora, que está à frente do maior projeto de investimento social privado do país, com 40 unidades escolares próprias espalhadas por todo o Brasil, explica que cada um dos espaços de uma escola precisa estar alinhado às práticas pedagógicas que serão desenvolvidas neles. “Há espaços que precisam ser acolhedores, outros precisam estimular o senso de coletividade e há ainda aqueles que precisam estimular o desenvolvimento individual, a concentração, criatividade e a autodisciplina”. Ciente da importância de promover a integração dentro do espaço escolar, a Fundação Bradesco investe no planejamento e na arquitetura dos ambientes de cada uma de suas 40 escolas. Duas delas chamam a atenção por serem conhecidas como “escolas que são lares”: a unidade de Canuanã, localizada às margens do Rio Javaés, no Tocantins, e a de Bodoquena, que fica no pantanal sul-mato-grossense. “Nossos alunos de Canuanã (TO) e Bodoquena (MS) residem em zonas rurais e para irem até a escola mais próxima precisariam percorrer quilômetros de distância em vias pouco pavimentadas e com uma oferta de transporte diferente das grandes cidades, por isso a necessidade de morar na própria escola”, explica Denise. As duas escolas recebem, juntas, mais de 1.400 estudantes que moram nas unidades e voltam para casa ao final do semestre. Para isso, os ambientes foram planejados para oferecer aos alunos um desenvolvimento integral. O ensino de qualidade inclui atividades extracurriculares, como aulas de esportes, dança e natação. Tanto a unidade de Canuanã quanto a de Bodoquena também são moradas para os profissionais que trabalham nas escolas e oferecem, além do Ensino Fundamental e Ensino Médio, o Curso Técnico de Agropecuária. “A escola para esses alunos extrapola a vivência escolar, é o lugar do descanso, da construção de laços que, segundo muitos de nossos estudantes, se assemelha ao familiar, uma vez que é o ambiente em que passa todo o seu tempo”, diz Denise. A preocupação da Fundação Bradesco em promover um espaço acolhedor é tanta que o projeto arquitetônico de 2018 das moradas de Canuanã contou com a participação dos alunos, que apontaram suas próprias necessidades. Uma equipe de arquitetos, supervisionados por Marcelo Rosenbaum, realizou oficinas para entender as demandas dos estudantes e ouvir suas histórias. “Essa troca foi fundamental para que fosse possível capturar o que era importante para fazer com que cada espaço proporcionasse aos alunos, que também são moradores, uma experiência única e positiva durante a jornada conosco”, complementa Denise. As moradas estudantis de Canuanã ganharam o prêmio RIBA International Prize 2018, oferecido pelo Real Instituto de Arquitetos Britânicos, que escolhe, a cada dois anos, um “edifício que exemplifica a excelência do projeto e a ambição arquitetônica, além de proporcionar um impacto social significativo”. Por meio de uma escuta ativa, o time de arquitetos liderado por Marcelo Rosenbaum teve a oportunidade de cocriar com os alunos, compreendendo suas histórias e demandas. O edifício combina o resgate histórico com técnicas de construção local, valorizando a história e a tradição da região. Em Bodoquena não é diferente as moradas são modernas e acolhedoras e os espaços promovem o enriquecimento dos debates e o compartilhamento de ideias. A unidade do Mato Grosso do Sul também teve seu reconhecimento em 2019, quando ganhou o prêmio na Categoria Ambientação Destaque da 13ª Bienal Brasileira de Design Gráfico. A premiação se deu em virtude dos grafismos da então nova morada estudantil que carrega uma forte referência à cultura local. Há mais três escolas-fazendas que se dedicam à formação inicial e continuada e ao Curso Técnico em Agropecuária. São elas Rosário do Sul (RS), Garanhuns (PE) e Feira de Santana (BA). “Estar em um ambiente como o oferecido pela Fundação Bradesco inspira os alunos a cuidarem com mais carinho da escola e de seus próprios lares. Assim como as práticas pedagógicas os auxiliam a superar desafios e alçarem voos mais altos, estar em espaços projetados para eles, os estimulam a querer transformar os espaços das suas próprias comunidades”, finaliza Denise. Fundação Bradesco Ronaldo Aguiar Todos os anos, são atendidas mais de 42 mil pessoas, que, junto a tantas outras, têm sido beneficiadas nos últimos 67 anos pela Fundação Bradesco, cujo foco de atuação é oferecer oportunidades, por meio da educação, a pessoas que vivem em situação de vulnerabilidade.
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12/06 - 'Capitu não traiu!', diz americana que viralizou com 'Memórias Póstumas' e agora terminou 'Dom Casmurro'
Courtney Henning Novak, de 45 anos, lançou um desafio pessoal: ler um livro de cada país do mundo. Brasil, no entanto, fez com que ela 'traísse' o próprio regulamento. Courtney Novak terminou de ler 'Dom Casmurro' Reprodução/Instagram Após viralizar nas redes sociais depois de ler "Memórias Póstumas de Brás Cubas" – e quebrar sua própria regra decidindo ler uma nova obra do mesmo autor – a americana Courtney Henning Novak é a mais nova integrante de uma polêmica que divide os leitores de "Dom Casmurro": "Capitu não traiu!". A escritora anunciou nesta quarta-feira (12) que terminou de ler a obra de Machado de Assis e que é time Capitu. "Eu acho que o narrador não é confiável. Ele está destruído pelo seu próprio ciúme", afirma Novak em sua nova publicação. 📙"Dom Casmurro" conta a história de amor de Bentinho e Capitu e foi publicado em 1899. O tema da obra é o adultério, narrador sendo o próprio Dom Casmurro, um homem solitário, que acredita ter sido traído por sua mulher, Capitu. O enredo traz indícios de traições da mulher com o melhor amigo do marido, mas as interpretações são individuais de cada leitor. O livro foi finalizado menos de uma semana depois que Courtney afirmou que decidiu ler outro clássico do autor, pressionada por muitos comentários de brasileiros em seus vídeos. 🚫Com perdão pelo trocadilho, mas a verdade é que a americana traiu (ou não?) o regulamento de seu próprio projeto pessoal: ela pretendia ler apenas uma obra de cada país do mundo, em ordem alfabética. Mas não imaginava que encontraria Machado de Assis no caminho. "Memórias Póstumas" foi uma experiência tão arrebatadora que a obrigou, antes de partir para as nações começadas pela letra "C", a incluir um "bônus" na categoria "Brasil". Em um outro vídeo publicado também nesta semana, Novak elegeu o primeiro livro que leu de Machado de Assis como seu favorito entre os autores de países com a letra "A" e "B". Depois de finalizar "Dom Casmurro", ela comenta que a posição de obra preferida talvez esteja ameaçada. Abaixo, assista a um vídeo com sugestões de professores sobre o melhor livro de cada estado brasileiro: Qual é o melhor livro de cada estado brasileiro? Professores votam ☠️O que explica o arrebatamento por 'Memórias Póstumas de Brás Cubas'? Livro de Machado de Assis faz americana viralizar no TikTok Abaixo, confira: o que faz do livro “Memórias Póstumas de Brás Cubas” algo tão arrebatador; por que ler resumos ou adaptações é “abrir mão de uma herança milionária”. Não é a primeira vez que o talento de Machado de Assis é reconhecido internacionalmente, claro. Para citar um exemplo deste século, o escritor americano Philip Roth (1933-2018) declarou sua admiração pelo brasileiro em 2008, comparando-o ao dramaturgo irlandês Samuel Beckett (1906-1989). ➡️Hélio de Seixas Guimarães, professor de literatura brasileira na Universidade de São Paulo (USP), conta que as principais obras de Machado "estão traduzidas para praticamente todas as línguas modernas e publicadas por boas editoras de vários países". "Machado de Assis tem bastante prestígio internacional, que só fez crescer a partir da segunda metade do século 20, principalmente nos meios acadêmicos e mais cultos", explica Guimarães, que também é vice-diretor da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, em São Paulo, e coordenador da coleção “Todos os livros de Machado de Assis”, da Todavia/Itaú Cultural. E uma curiosidade: foi justamente a tradução da americana Flora Thompson-DeVeax para o inglês – versão lida por Courtney – que ampliou o alcance de “Memórias Póstumas” no exterior. “Machado sempre atingiu um público restrito fora do Brasil. Isso talvez tenha começado a mudar com a tradução recente de Thomson-DeVeaux, que teve um lançamento bem-sucedido e agora chegou às redes sociais. Tomara que isso ajude Machado de Assis a entrar em circuitos mais amplos de leitura”, diz Guimarães. A tradutora comemorou o sucesso de seu trabalho. No Twitter, Flora postou: "Eu vi o vídeo [da Courtney], gente! Fiquei feliz demais de ver alguém tendo a mesma reação que eu quando eu li 'Brás Cubas' pela primeira vez com meu português precário: espanto e indignação de não ter convivido com o Machado desde sempre". E aconselhou: "presenteiem os amigos gringos, espalhem essa alegria!". Um 'defunto-autor': “Memórias Póstumas de Brás Cubas” é contado por um “defunto-autor”: o personagem principal, Brás Cubas, traça sua própria biografia direto do túmulo. A dedicatória, apresentada logo no início da história, já deixa evidente a mistura entre ironia, humor e horror: “Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas memórias póstumas.” Não vamos aqui dar nenhum spoiler, claro. Mas veja aspectos de destaque da obra, que ajudam a explicar por que Courtney estava quase terminando as 300 páginas em um só fim de semana: ✏️Irreverência na linguagem: “Penso que o próprio livro diz o que há nele de muito especial: a mistura muito peculiar de galhofa e melancolia, de riso e seriedade. Consegue o feito de ser muito profundo, em muitos sentidos terrível, e ao mesmo tempo muito engraçado e divertido de ler. Há ali uma irreverência e uma liberdade de espírito que só encontramos muito raramente na literatura de qualquer tempo e lugar”, diz Hélio de Seixas Guimarães. 📓Revolução na literatura de seu tempo: Fernando Marcílio, professor de literatura do Curso Anglo (SP), explica como Machado de Assis quebrou o padrão do Romantismo da época. “Com ‘Memórias Póstumas de Brás Cubas’, Machado foi iniciador de uma nova estética no Brasil: o Realismo. A gente costuma dizer que ele foi um gênio porque questionou as bases da literatura de seu próprio tempo ao escrever um romance realista – realista nas bases do século XIX, desnudando a realidade humana e desfazendo as ilusões românticas", diz. "Por exemplo: Brás Cubas mede o envolvimento com uma mulher a partir do dinheiro que gastou com ela. Quer algo menos ‘amor romântico’ do que isso?” 🌎Representação do ser humano (de qualquer lugar do mundo): As críticas sociais em “Memórias” não são explícitas como em “O Cortiço”, por exemplo, de Aluísio Azevedo. Mas isso não significa que não haja uma representação dos seres humanos (e da sociedade brasileira). “As personagens machadianas querem parecer algo que não são. Brás Cubas, por exemplo, vive da aparência. E nós tínhamos, no Brasil, a mesma hipocrisia: um discurso liberal, mas em uma sociedade ainda escravocrata”, afirma Marcílio. O professor Hélio Guimarães reforça a universalidade do que é retratado na obra. “Um livro como ‘Memórias póstumas de Brás Cubas’ permite conhecer melhor não só a história e a cultura brasileiras, mas a espécie humana, pela visão de uma das pessoas mais inteligentes, sensíveis e cultas que já viveram no Brasil”, afirma. E, por mais que a representação seja fiel à realidade do século XIX, não deixa de ser atual e de gerar identificação com os novos leitores. “Lendo a obra, os jovens podem tomar consciência e enxergar a raiz e o problema de dilemas sociais com que vivemos até hoje. Os personagens são pessoas que conhecemos. Todos nós temos referências de Brás Cubas ou Marcelas [outra personagem] nas nossas vidas”, diz Heric José Palos, coordenador de literatura do Curso Etapa (SP). 🆘Por que você deve fugir dos resumos? “Memórias Póstumas de Brás Cubas” frequentemente integra a lista de obras obrigatórias de vestibulares. Esteve, por exemplo, na relação de livros da Fuvest, da Universidade de São Paulo (USP), por longos períodos, como de 2013 a 2019. Na internet, é possível encontrar dezenas de resumos da obra. Bom, você deve imaginar que nenhum professor aprovará a ideia de trocar a leitura de um livro por uma página de síntese. “É importante ler Machado, porque foi o melhor autor que produzimos no Brasil em todos os tempos. É como alguém deixar uma herança milionária, mas você recusar. Recusar Machado é recusar o que de melhor foi produzido na nossa cultura”, diz Fernando Marcílio. “O que está por trás das adaptações e dos resumos é só o que acontece, e não como acontece. É um rebaixamento do leitor. Existem edições originais com notas de rodapé explicativas que podem ser úteis para aprender e entender o desconhecido.” Heric, do Etapa, afirma também que o resumo limita qualquer percepção mais ampla ou crítica do estudante. “É fácil resumir: o livro é a história de um cara morto que conta sua própria vida. Mas não é só isso o que interessa. Não é o que ele faz, e sim por que ele faz. Lendo a íntegra, o leitor vai ter uma visão mais profunda dos personagens, com a linguagem refinada, sagaz e elegante de Machado de Assis.” Vídeos Abaixo, veja a correção de uma questão do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2023 sobre Machado de Assis: Enem 2023: correção da questão de Filosofia sobre texto de Machado de Assis
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12/06 - Senado aprova bolsa de pelo menos R$ 700 para alunos de baixa renda da graduação
Estudantes de cursos técnicos também poderão receber bolsa de R$ 300. Proposta segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa ordinária Pedro França/Agência Senado O Senado aprovou nesta terça-feira (11) um projeto que estabelece em lei o Programa Bolsa Permanência (PBP), com um auxílio de, no mínimo, R$ 700 mensais para estudantes de graduação e de R$ 300 para alunos de cursos técnicos (nível médio). A proposta segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O Bolsa Permanência está dentro da Política Nacional de Assistência Estudantil (PNAES), também prevista na matéria aprovada pelos senadores. O objetivo desse plano é evitar a evasão e incentivar o término da formação dos estudantes matriculados em instituições federais de ensino superior. A PNAES, além dessa bolsa, reúne outras 10 iniciativas, como um programa de atenção à saúde mental e um sobre alimentação saudável. Ludhmila Hajjar: Bolsa de permanência estudantil é fundamental para formação de cotista A soma de todos os benefícios não pode superar 1,5 salário mínimo por estudante, exceto no caso de indígenas e quilombolas. O Programa Bolsa Permanência existe pelo menos desde 2013, como ação do Ministério da Educação (MEC). Atualmente, o foco é atender, principalmente, estudantes quilombolas, indígenas e em situação de vulnerabilidade socioeconômica. O projeto aprovado pelo parlamento amplia a extensão do auxílio e o torna lei, para que não seja cancelado ou desidratado diante da mudança de governos. O auxílio será concedido a estudantes que não recebam bolsa de órgãos governamentais. Terá direito à Bolsa Permanência o estudante que cumprir os seguintes requisitos: a renda mensal de cada pessoa da família não pode ultrapassar um salário mínimo; o aluno deve estar matriculado em curso de graduação com carga horária igual ou maior que cinco horas por dia ou em um curso técnico; não passar dois semestres além do tempo regulamentar da graduação. A regra é diferente para estudantes indígenas e quilombolas: podem ficar até quatro semestres além do tempo regulamentar do curso; não precisam cumprir a exigência da renda ou da carga horária; o valor do auxílio será o dobro do pago para os demais alunos. VÍDEOS: mais assistidos do g1
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11/06 - Criação de cursos EaD está suspensa até março de 2025, decide MEC
Ministério diz que suspensão é parte do processo de revisão do marco regulatório da educação a distância (EaD). No mês passado, MEC definiu que cursos EAD para formação de professores devem ter metade de carga horária presencial. Sede do Ministério da Educação (MEC) em Brasília. Agência Senado/ Divulgação O Ministério da Educação (MEC) suspendeu até 10 de março de 2025 a criação de novos cursos de graduação a distância, novas vagas e polos de Ensino a Distância (EaD). A medida foi publicada em uma portaria no Diário Oficial da União na sexta-feira (7). Segundo o ministério, a decisão é parte do processo de revisão do marco regulatório da educação a distância (EaD), que tem como objetivo garantir a sustentabilidade e a qualidade dos cursos de graduação oferecidos nessa modalidade. Além da suspensão da criação de novos cursos, também estão vetados o aumento de vagas em cursos de graduação EaD e a criação de polos EaD por instituições do Sistema Federal de Ensino, inclusive por universidades e centros universitários. Total de cursos superiores com avaliação satisfatória é de 26% no EAD e 38% no modelo presencial, diz MEC Para isso, o MEC diz que irá realizar um processo de diálogo público envolvendo gestores, especialistas, conselhos federais e representantes das instituições de ensino superior e estabelecerá um cronograma para revisar o marco regulatório, que deve ser concluído até 31 de dezembro de 2024. 📅Novos cursos, aumentos de vagas e novos credenciamentos só serão liberados após a conclusão deste processo, inclusive para as instituições universitárias. "Além da avaliação sobre as possibilidades e condições de oferta de cursos específicos, o MEC pretende promover um processo de diálogo público sobre aspectos relevantes que irão orientar a revisão das atuais regras de credenciamento e autorização de cursos, formas de avaliação, parâmetros de qualidade e diretrizes da educação a distância", diz a pasta, em nota. Ainda este ano, o MEC também vai apresentar os resultados de uma consulta pública de outubro do ano passado para discutir alterações na regulação dos cursos de graduação a distância e definir as principais preocupações recebidas. Cursos EAD para formação de professores No final do último mês de maio, a pasta também homologou novas diretrizes para cursos de formação de professores, limitando o ensino a distância a 50% da carga horária e exigindo que metade do curso seja presencial. As novas regras se aplicam a cursos de licenciatura, formação pedagógica para graduados não licenciados, e segunda licenciatura. As novas diretrizes foram sugeridas em um parecer do Conselho Nacional da Educação (CNE) e definem quanto da carga horária pode ser EAD e qual a estrutura curricular dos cursos, entre outros detalhes. As principais mudanças são: Inclusão do ensino presencial no modelo EAD: os cursos EAD deverão ter 50% de sua carga horária total ofertada de maneira presencial. Ou seja, das 3.200 horas (em cursos com duração de, no mínimo, 4 anos), 1.800 devem ser presenciais. Estrutura curricular: Os cursos devem ter uma estrutura geral dividida em quatro núcleos: formação básica, formação específica da área de formação, estágio supervisionado e extensão. Formação para graduados não licenciados: Aumento da carga horária mínima na formação pedagógica para graduados não licenciados para 1.600 horas. Segunda licenciatura: Os cursos devem ter carga horária mínima de 1.200 a 1.800 horas. Pela primeira vez, maioria dos alunos matriculados na rede particular está fazendo a graduação a distância VÍDEOS: mais assistidos do g1
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11/06 - O Assunto #1.232: O rumo da União Europeia pós-eleições
A votação para o Parlamento Europeu mobiliza mais de 370 milhões de eleitores em 27 países, e a temperatura do pleito realizado no último domingo (9) indica uma extrema-direita mais forte, apesar de os partidos de centro terem mantido maioria. Você pode ouvir O Assunto no g1, no GloboPlay, no Spotify, no Castbox, no Google Podcasts, no Apple Podcasts, na Deezer, na Amazon Music, no Hello You ou na sua plataforma de áudio preferida. Assine ou siga O Assunto, para ser avisado sempre que tiver novo episódio. 🔔 O g1 agora está no Comunidades WhatsApp. Clique aqui para participar A votação para o Parlamento Europeu mobiliza mais de 370 milhões de eleitores em 27 países - é o segundo maior processo eleitoral do mundo. Além de definirem quem serão os 720 ocupantes das cadeiras do parlamento, as urnas funcionam como um termômetro da aprovação dos governantes dentro de seus próprios países. E a temperatura do pleito realizado no último domingo (9) indica uma extrema-direita mais forte, apesar de os partidos de centro terem mantido maioria. Na França, o partido de Emmanuel Macron sofreu uma derrota tão acachapante que o presidente convocou eleições parlamentares antecipadas. Na Alemanha, na Itália e na Áustria, o avanço do discurso ultranacionalista também foi visto. Para entender o que as urnas da Europa revelam sobre o futuro político da região, Julia Duailibi conversa com Kai Lehmann, professor de Relações Internacionais da USP. Ele explica como o avanço da extrema-direita mexe no jogo político europeu e analisa as possíveis consequências para a relação do Brasil com o continente. O que você precisa saber: O que é o Parlamento Europeu e quais são as funções dele na União Europeia Forte e com divergências entre si: quem é a extrema direita na Europa Partidos do centro mantêm controle do Parlamento Europeu mesmo com avanço da ultradireita Ambientalistas perdem espaço e extrema direita avança, mas conservadores mantêm domínio Após derrota nas eleições do Parlamento Europeu, Macron dissolve parlamento e convoca novas eleições na França Urnas europeias impõem surra em Macron e Scholz e consagram ascensão da extrema direita de Meloni e Le Pen O podcast O Assunto é produzido por: Mônica Mariotti, Amanda Polato, Carol Lorencetti, Gabriel de Campos, Luiz Felipe Silva e Thiago Kaczuroski. Apresentação: Natuza Nery. VEJA CORTES DO PODCAST O ASSUNTO EM VÍDEO Eleição europeia reflete crises internas Acordo entre UE e Mercosul fica mais longe
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11/06 - Governo tem semana decisiva para greve de universidades e prepara propostas; veja números
Governo dirá que não há dinheiro em caixa para reajuste salarial neste ano, só no ano que vem. Nesta segunda, o presidente Lula afirmou que a greve já está durando tempo demais. Professores das universidades federais do Ceará seguem em greve após recusarem propostas do governo. ADUFC/Reprodução O governo federal encara esta semana como decisiva para a greve de professores e técnicos de universidades federais e prepara propostas de reajustes para apresentar para a categoria em reuniões que vão ocorrer a partir desta terça-feira (11), em Brasília. As paralisações, que começaram em abril, são motivadas por demandas de reestruturação de carreira, recomposição salarial e orçamentária, além da revogação de normas aprovadas nos governos dos ex-presidentes Michel Temer e Jair Bolsonaro. A ministra Esther Dweck, da Gestão, passou a tarde de segunda (10) reunida com técnicos da pasta para fechar o que será oferecido aos professores e técnicos. O governo dirá que não há dinheiro em caixa para reajuste salarial neste ano, só no ano que vem (veja detalhes mais abaixo). Mas deve conseguir garantir revogação de algumas medidas de governos anteriores e reestruturação da carreira. Em um encontro realizado nesta segunda-feira (10) no Palácio do Planalto, com a presença de reitores de universidades e institutos federais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, juntamente com o Ministro da Educação, Camilo Santana, anunciou um plano de ação que inclui substanciais investimentos nas instituições. Foram prometidos R$ 5,5 bilhões através do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para a melhoria e expansão de infraestruturas, incluindo a construção de novos campi e hospitais universitários. Entidades ligadas às universidade consideram o valor insuficiente. Durante o anúncio, o presidente Lula fez um apelo aos reitores e aos membros da comunidade acadêmica para que busquem solucionar a greve rapidamente. Ele enfatizou que "a greve tem um tempo para começar e um tempo para terminar" e expressou preocupação com o prejuízo que o prolongamento da greve está causando aos estudantes e ao país. Em meio à greve, presidente Lula se reúne com reitores de universidades federais Propostas para professores e técnicos Veja abaixo o que o governo deve apresentar nas reuniões da semana. Para os técnicos, um reajuste dividido em duas parcelas: 9% em janeiro de 2025 5% em abril de 2026 Também será oferecida uma reestruturação de carreira que eleva os ganhos para as faixas salariais mais baixas. Para professores: Para os docentes, o governo já assinou um acordo que prevê um aumento de 9% em janeiro de 2025 3,5% em maio de 2026 Também haverá uma reestruturação na progressão de carreira que resultará em ganhos significativos, especialmente nos estágios iniciais da carreira acadêmica.
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11/06 - Novo Ensino Médio: relatora reduz carga horária das disciplinas básicas e torna espanhol obrigatório
Relatório reduz para 2,2 mil horas a carga horária das disciplinas obrigatórias, como português e matemática. Projeto está na pauta da reunião desta terça da Comissão de Educação e Cultura do Senado. A senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO) apresentou nesta segunda-feira (10) relatório em que reduz para 2,2 mil horas a carga horária das disciplinas obrigatórias, como português e matemática, do Novo Ensino Médio. O texto reestrutura novamente o ensino médio- última etapa da educação básica-, reformado em 2017. O projeto está na pauta da reunião desta terça (11) da Comissão de Educação e Cultura (CE), do Senado. Na ocasião, Dorinha Seabra vai ler o relatório. Senadores podem pedir vista- mais tempo- para analisar o texto. Depois da colegiado, a proposta ainda terá de passar pelo plenário. O relatório prevê 2,2 mil horas para a formação geral básica e 800 horas para disciplinas optativas- quando o aluno se aprofunda em alguma área do conhecimento ou investe em formação técnica e profissional. Câmara dos Deputados aprova mudanças no Novo Ensino Médio Nesse ponto, o parecer diverge da versão proposta pelo governo e aprovada pela Câmara em março, que previa 2,4 mil horas para o currículo comum (obrigatório) e 600 horas para as matérias específicas. Hoje, a lei determina 3 mil horas para cursar todo o ensino médio- 1,8 mil horas dedicadas para as matérias essenciais, sobrando 1,2 mil horas para cursos de aprimoramento. As únicas matérias que precisam constar obrigatoriamente nos três anos são português e matemática. Outra novidade trazida pela senadora é a inclusão de espanhol como curso obrigatório do ensino médio, dentro da da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Na lei atual, apenas o inglês é exigido como língua estrangeira. Pelo parecer da relatora, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), para acesso ao ensino superior, só vai considerar o currículo comum (BNCC). No caso dos cursos técnicos, até 400 horas da formação básica (BNCC) do ensino médio poderão ser reaproveitadas numa formação técnica com carga horária total de 1,2 mil horas. O ensino médio, à distância, de acordo com o relatório, só será permitido em caso de emergência, como o de calamidades públicas. "A pandemia de Covid-19 e o desastre ambiental vivido pelo Rio Grande do Sul neste ano exemplificam o quanto as redes de ensino precisam estar preparadas e amparadas pela legislação para, de forma tempestiva e articulada, garantir educação em situações de emergência", afirmou Dorinha Seabra.
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10/06 - 'Não há razão para essa greve durar o que está durando', diz Lula a reitores de universidades federais
Presidente se reuniu com reitores de universidades e institutos federais no Palácio do Planalto. Desde abril, categorias realizam greves em diversas instituições do país. O presidente Lula durante reunião com reitores de universidades e institutos federais nesta segunda-feira (10) Reprodução/Canal Gov O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez nesta segunda-feira (10) um apelo a reitores de universidades e institutos federais pelo fim das greves. Em pronunciamento no Palácio do Planalto, o petista afirmou que não há razão para uma greve durar tanto tempo e pediu que os servidores sejam flexíveis na negociação com o governo federal. "Nesse caso da educação, se vocês analisarem o conjunto da obra vocês vão perceber que não há muita razão para essa greve estar durando o que está durando. Quem está perdendo não é o Lula, quem está perdendo não é o reitor, quem está perdendo é o Brasil e os estudantes brasileiros. É isso tem que ser levado em conta. Não é por 3%, 2%, 4% que a gente fica a vida inteira de greve. Vamos ver os outros benefícios", disse Lula aos reitores. A fala causou reação do sindicato que representa o segmento, que sinalizou que a paralisação continua (veja comunicado abaixo). Desde abril, diversas categorias ligadas ao ensino federal entraram em greve. Em algumas instituições, professores e técnicos-administrativos aderiram aos movimentos. Em outros casos, apenas os professores ou somente os técnicos estão paralisados. Ao menos 53 universidades federais e 51 institutos estão em greve O Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), aponta uma defasagem de 22,71% no salário dos professores, acumulada desde 2016. Nesta segunda, o presidente da República destacou esforços da ministra da Gestão, Esther Dweck, nas negociações com os grevistas. Para o presidente, Esther colocou à disposição das categorias "um montante de recursos não recusável". "Só quero que levem isso em conta. Porque, senão, vamos falar em universidade e institutos federais, e os alunos estão à espera de voltar à sala de aula", disse. Lula, que começou a carreira política como líder sindical em São Paulo, já declarou que ninguém será punido por causa da greve. O presidente se elegeu para o terceiro mandato com discurso de valorização do ensino público. No pronunciamento que fez no Palácio do Planalto nesta segunda, o petista disse que "a greve tem um tempo para começar e um tempo para terminar". "A única coisa que não se pode permitir é que uma greve termine por inanição. Se ela terminar, as pessoas ficam desmoralizadas. O dirigente sindical tem que ter coragem de propor, tem que ter coragem de negociar, mas ele tem que ter coragem de tomar decisões que muitas vezes não é o tudo ou nada que ele apregoou", concluiu o presidente. 'Todos precisam ajudar', diz ministro O ministro da Educação, Camilo Santana, também defendeu o término da greve e criticou a paralisação por entender que este é um ato que se adota "quando não há mais diálogo, mais condições de debater ou discutir", o que não é o caso com o atual governo federal. "Acho que todos precisam ajudar para a gente sair deste impasse. Mais importante é a retomada das aulas para os nossos alunos", frisou. Camilo citou que em 2023 houve reajuste de 9% aos servidores federais e que não é possível recompor as perdas de gestões anteriores em pouco tempo. "Não podemos recompor todo processo histórico de anos em curto espaço de tempo. Há esforço enorme do governo federal, para deixar claro, e lembrar que a negociação terá impacto mais de R$ 10 bilhões", disse. Reitora da Universidade de Brasília (UnB) e presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições de Ensino Superior (Andifes), Márcia Abrahão, destacou que os salários de professores e servidores estão "defasados" e disse esperar um acordo entre governo e sindicatos nesta semana. "São trabalhadoras e trabalhadores essenciais para darmos conta de todos os desafios do país e que possuem remunerações muito defasadas, como o senhor [Lula] bem sabe, ainda mais quando comparamos com carreiras que tiveram reajuste recentemente. Há técnicos que chegam a ganhar menos de um salário mínimo. Esperamos que essa semana governo e sindicatos cheguem a situação negociada, pacificando a situação", disse Márcia. Lula encontra com representantes de universidades federais em Brasília R$ 5,5 bilhões em investimentos Antes do pronunciamento, o governo fez um anúncio de investimentos nas instituições federais de ensino. Segundo o ministro da Educação, Camilo Santana, serão R$ 5,5 bilhões em investimento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para universidades e hospitais universitários. Sindicato reage Após a fala de Lula, a Andes emitiu uma nota em que afirmou que as medidas apresentadas pelo governo representavam "pouco" e que a greve está "longe da inanição". "A recomposição orçamentária é uma das principais pautas da Greve da Educação Federal e o anúncio dos 5,5 bilhões de reais até 2026 representa algum avanço. No entanto, diante do grave quadro de sucateamento pelo qual passam nossas universidades, institutos e cefets, é pouco. Muito pouco inclusive para um governo que anuncia ter a Educação como prioridade", informou o sindicato. "A greve está muito longe da inanição. Ela segue forte, com 64 instituições paralisadas nesta segunda-feira (10) e busca a negociação efetiva, com respostas às demandas no dia 14", prosseguiu o comunicado.
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10/06 - O Assunto #1.231: Formados de mais, empregos de menos
A quantidade de trabalhadores com diploma universitário que ocupam vagas fora da própria área – e nem sequer exigem formação superior – aumentou mais de 20% em 3 anos. Você pode ouvir O Assunto no g1, no GloboPlay, no Spotify, no Castbox, no Google Podcasts, no Apple Podcasts, na Deezer, na Amazon Music, no Hello You ou na sua plataforma de áudio preferida. Assine ou siga O Assunto, para ser avisado sempre que tiver novo episódio. 🔔 O g1 agora está no Comunidades WhatsApp. Clique aqui para participar O número é recorde: 9,4 milhões de estudantes chegaram ao Ensino Superior, segundo o censo do Inep mais recente. São jovens e adultos que investem dinheiro, tempo e energia em mais anos de estudo, com a esperança de que o esforço se pague no mercado de trabalho. Mas não tem sido bem assim. A quantidade de trabalhadores com diploma universitário que ocupam vagas fora da própria área – e nem sequer exigem formação superior – aumentou mais de 20% em 3 anos. De um lado, há concentração de estudantes em poucos cursos (Pedagogia, Administração, Direito e Enfermagem somam 27% dos universitários do país); de outro, há escassez de mão de obra em setores onde há vagas (no setor de tecnologia, estima-se um déficit de 500 mil profissionais até o ano que vem). Para detalhar esses números, Natuza Nery conversa com Juliana Causin, repórter do jornal O Globo que escreveu reportagem sobre os dados mais recentes dessa desconexão entre universidade e mercado de trabalho. Participa também Ildo Lautharte, economista do Banco Mundial na área de educação e coordenador do relatório de capital humano da instituição - ele explica como investimentos em saúde e educação na formação das crianças brasileiras poderia resultado em um PIB até 158% maior. 90% dos formados não trabalham na área Investir em crianças elevaria PIB em 158% O que você precisa saber: No Brasil, 40% dos jovens com ensino superior não têm emprego qualificado Cresce o número de pessoas com ensino superior em trabalhos que não exigem essa escolaridade Inep: 85% das universidades federais e 21% das particulares têm avaliação satisfatória em cursos superiores Menos vagas e salários estagnados: por que se espera uma desaceleração do mercado de trabalho? O Globo: Formação superior cresce em dissonância com a demanda das empresas O podcast O Assunto é produzido por: Mônica Mariotti, Amanda Polato, Carol Lorencetti, Gabriel de Campos, Luiz Felipe Silva e Thiago Kaczuroski. Apresentação: Natuza Nery. VEJA CORTES DO PODCAST O ASSUNTO EM VÍDEO A desconexão entre Congresso e população A violência política em ano eleitoral
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09/06 - A saga das traduções de 'Brás Cubas': primeira versão nos EUA tem relação com o ITA e quase não foi publicada
Livro que se tornou a obra de literatura latino-americana mais vendido na Amazon após vídeo viral no TikTok ganhou a primeira versão em inglês graças ao Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), de São José dos Campos (SP). A saga da tradução de “Brás Cubas” Recentemente, o clássico de Machado de Assis se tornou o livro de literatura latino-americana mais vendido na Amazon – graças a um post no TikTok. “Por que vocês não me avisaram que esse era o melhor livro que já foi escrito?”, pergunta Courtney Henning Novak, escritora e podcaster americana e autora do vídeo viralizado. Mas o que nenhum professor de literatura do colégio te contou foi que a própria saga da tradução de “Brás Cubas” renderia um livro e tanto. “É tudo muito aleatório nessa história”, diz Flora Thomson-DeVeaux, responsável pela tradução que viralizou nos Estados Unidos. Embora seja americana, ela mora há muitos anos no Rio de Janeiro, terra de Machado. Tudo começou nos anos 50, com um economista americano formado em Harvard – e um sonho. “Esse sujeito, William Grossman, era professor de Economia do Transporte Aéreo e foi contratado para dar aulas numa escola nova que estava sendo fundada aqui, que era o ITA [Instituto Tecnológico de Aeronáutica], em São José dos Campos”, conta Flora. Chegando lá, ele perguntou a um colega qual era o maior escritor brasileiro, porque ele queria treinar o português – e a resposta, obviamente, foi Machado de Assis. E aí ele foi lá, se apaixonou perdidamente, e resolveu traduzir 'Memórias Póstumas' por conta própria. Com o trabalho finalizado, Grossman voltou para os Estados Unidos e ofereceu a tradução da obra para várias editoras, mas nenhuma parecia disposta a publicar o livro. “A mais bizarra era de uma editora falando: ‘Muito interessante esse livro que você traduziu. Eu acho que interessaria se a gente tivesse um departamento maior de livros didáticos’. Como se fosse um livro de história do Brasil”, narra Flora. Até que Grossman chegou à porta do editor de uma pequena editora chamada Noonday Press. Um cara chamado Cecil Hamley, que também se apaixonou pelo Machado, e foi assim que ele finalmente engatou nos Estados Unidos. Nos anos 90, o livro ganhou uma nova edição em inglês, dessa vez assinada por Gregory Rabassa, considerado o grande tradutor de literatura latino-americana. E, em 2020, finalmente saiu sua versão mais recente, fruto da tese de doutorado de Flora, após seis anos de muita pesquisa. “Eu fiz a tradução sem saber se ela seria publicada. Era um projeto intelectual. O que me deixa muito feliz é pensar que, depois de tudo isso, uma pessoa possa pegar a minha tradução em inglês e ter uma reação que é muito sincera e despretensiosa, e é a mesma que eu tive quando li em português, que é assim: ‘Nossa, que livro incrível!’. Isso é realização”, destaca Flora. Nunca conseguiu terminar um livro de Machado por culpa das aulas de literatura na escola? Talvez essa seja sua chance de ressignificar o trauma. “Eu queria fazer uma pequena intervenção nas aulas de literatura brasileira no ensino médio para que os professores não afogassem a radicalidade dessa obra em elogios de como Machado é importante, ‘o pai da literatura brasileira’. É impossível você rir de uma coisa se você está venerando. Eu acho que não é um livro para ser venerado, é um livro para ser curtido, degustado”, ressalta Flora. VÍDEOS DE EDUCAÇÃO Livro de Machado de Assis faz americana viralizar no TikTok
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08/06 - Enem 2024: inscrições são prorrogadas até 14 de junho; veja como participar
Ministro da Educação, Camilo Santana, afirmou que prazo foi prorrogado para que mais estudantes possam participar. Inscrições se encerrariam nesta sexta-feira (7). Prazo de inscrição para o Enem 2024 vai até 14 de junho Reprodução/Redes Sociais As inscrições para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2024 foram prorrogadas até o dia 14 de junho, segundo o ministro da Educação, Camilo Santana. Antes, o prazo terminaria às 23h59 desta sexta-feira (7). 🕗 Segundo o ministro, as inscrições foram prorrogadas para que mais estudantes tenham a oportunidade de participar do Enem. "Estudantes do Rio Grande do Sul e de todo o Brasil agora têm mais uma semana para se inscrever pela Página do Participante. Os concluintes do ensino médio em escola pública não pagam taxa de inscrição", publicou em uma rede social. 📝 Santana afirmou que quase 100% dos estudantes do último ano do ensino médio de Alagoas, Amapá, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe se inscreveram no Enem. Já em relação ao Rio Grande do Sul, mais de 70% dos alunos da rede pública que devem concluir o ensino médio neste ano estão inscritos. Tire suas dúvidas 💻 Em que site fazer a inscrição? É só entrar na Página do Participante, em enem.inep.gov.br/participante. 💰Qual é o valor da taxa de inscrição? Ela custa R$ 85 e deve ser paga até 19 de junho. Somente após o pagamento, a inscrição estará confirmada (veja passo a passo mais abaixo). 💲Quais as formas de pagamento? A taxa deve ser paga por boleto, PIX ou cartão de crédito. ❗Quem está isento da taxa precisa se inscrever no Enem? SIM! Mesmo quem conseguiu a isenção (como os alunos da rede pública) precisa se inscrever. Caso contrário, não poderá fazer a prova. 🖊️ Para que serve o Enem? Ele é uma das principais portas de entrada para a educação superior no Brasil, utilizado por instituições públicas e privadas como critério de seleção, além de ser um requisito para programas governamentais de auxílio estudantil. Não há como se inscrever no Sisu, no Prouni e no Fies sem ter feito o Enem. 🗓️ Quando as provas serão aplicadas? Em 3 e 10 de novembro. Dados necessários e etapas da inscrição Os principais passos para realizar a inscrição no Enem são: Informe seus dados pessoais: Durante a inscrição, você deverá informar o número do CPF e a data de nascimento. Preencha seus dados de contato: Forneça um endereço de e-mail único e válido, assim como um número de telefone fixo e/ou celular válido. O Inep poderá utilizar o e-mail cadastrado para enviar informações sobre o exame. Escolha onde quer fazer a prova: Indique o estado e município onde deseja realizar o exame. Língua estrangeira: Selecione a língua estrangeira (inglês ou espanhol) na qual realizará a prova. Crie seu cadastro e senha: Utilize o endereço https://sso.acesso.gov.br/ para criar um cadastro e senha de acesso que irá utilizar na Página do Participante. Anote a senha em um local seguro, pois você precisará dela para: gerar o boleto com a taxa, que o Inep chama de Guia de Recolhimento da União (GRU Cobrança); realizar alterações nos dados cadastrais; acompanhar a inscrição e obter resultados e outras funcionalidades. Verifique seus dados e anexe sua foto: Certifique-se de preencher corretamente todas as informações solicitadas, incluindo o Questionário Socioeconômico. Você também terá a opção de anexar uma foto atual, nítida e individual, seguindo as orientações fornecidas. Confirme os dados e acompanhe a situação da inscrição: Após concluir a inscrição, verifique se todos os dados estão corretos. Enem 2024: veja datas de inscrição e de aplicação das provas Disciplinas e horários Como nos últimos anos, o Enem será aplicado em dois domingos. 3 de novembro O candidato deverá fazer: 45 questões de linguagens (40 de língua portuguesa e 5 de inglês ou espanhol); 45 questões de ciências humanas; redação. 10 de novembro A prova trará: 45 questões de matemática; 45 questões de ciências da natureza. Veja os horários de aplicação (no fuso de Brasília): Abertura dos portões: 12h Fechamento dos portões: 13h Início das provas: 13h30 Término das provas no 1º dia: 19h Término das provas no 2º dia: 18h30 Cronograma do Enem 2024 Inscrições: de 27/5 a 14/6/2024 Pagamento da taxa de inscrição: de 27/5 a 19/6/2024 Pedido de tratamento pelo nome social: de 27/5 a 14/6/2024 Solicitação de atendimento especializado: de 27/5 a 14/6/2024 Resultado das solicitações de atendimento especializado: 24/6/2024 Recurso para pedidos negados: de 24/6 a 28/6/2024 Resultado do recurso: 5/7/2024 Divulgação dos locais de prova: data a ser marcada Aplicação do Enem: 3 e 10/11/2024 Divulgação do gabarito: 20/11/2024 Divulgação do resultado: 13/1/2025 VÍDEOS: Educação
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07/06 - Após viralizar com 'Memórias Póstumas', americana diz que lerá 'Dom Casmurro': 'Pressão dos brasileiros!'
Courtney Henning Novak, de 45 anos, lançou um desafio pessoal: ler um livro de cada país do mundo. Brasil, no entanto, fez com que ela 'desrespeitasse' o próprio regulamento e incluísse mais uma obra de Machado de Assis na lista. Courtney Novak começará a ler 'Dom Casmurro' Reprodução/Instagram Quando começou a ler "Memórias Póstumas de Brás Cubas", a escritora americana Courtney Henning Novak ficou tão obcecada pela obra de Machado de Assis que viralizou nas redes sociais com uma pergunta: "O que vou fazer do resto da minha vida depois que terminá-lo?”. Bom, ela decidiu que rumo tomar. 🛝📖Nesta quinta-feira (6), Courtney anunciou que devorará "Dom Casmurro", outro clássico do autor brasileiro. Com um parque de diversões ao fundo, ela tirou uma foto segurando um exemplar da obra e escreveu, na legenda, que estava "no ambiente perfeito para começar sua nova aventura". "A pressão dos brasileiros é impressionante!", declarou. Ela provavelmente se refere à enxurrada de comentários tentando convencê-la a ler a história de amor de Bentinho e Capitu, publicada em 1899. 🚫Com perdão pelo trocadilho, mas a verdade é que a americana traiu (ou não?) o regulamento de seu próprio projeto pessoal: ela pretendia ler apenas uma obra de cada país do mundo, em ordem alfabética. Mas não imaginava que encontraria Machado de Assis no caminho. "Memórias Póstumas" foi uma experiência tão arrebatadora que a obrigou, antes de partir para as nações começadas pela letra "C", a incluir um "bônus" na categoria "Brasil". Aguardemos o próximo vídeo apaixonado de Courtney com a resenha de "Dom Casmurro". Abaixo, assista a um vídeo com sugestões de professores sobre o melhor livro de cada estado brasileiro: Qual é o melhor livro de cada estado brasileiro? Professores votam ☠️O que explica o arrebatamento por 'Memórias Póstumas de Brás Cubas'? Livro de Machado de Assis faz americana viralizar no TikTok Abaixo, confira: o que faz do livro “Memórias Póstumas de Brás Cubas” algo tão arrebatador; por que ler resumos ou adaptações é “abrir mão de uma herança milionária”. Não é a primeira vez que o talento de Machado de Assis é reconhecido internacionalmente, claro. Para citar um exemplo deste século, o escritor americano Philip Roth (1933-2018) declarou sua admiração pelo brasileiro em 2008, comparando-o ao dramaturgo irlandês Samuel Beckett (1906-1989). ➡️Hélio de Seixas Guimarães, professor de literatura brasileira na Universidade de São Paulo (USP), conta que as principais obras de Machado "estão traduzidas para praticamente todas as línguas modernas e publicadas por boas editoras de vários países". "Machado de Assis tem bastante prestígio internacional, que só fez crescer a partir da segunda metade do século 20, principalmente nos meios acadêmicos e mais cultos", explica Guimarães, que também é vice-diretor da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, em São Paulo, e coordenador da coleção “Todos os livros de Machado de Assis”, da Todavia/Itaú Cultural. E uma curiosidade: foi justamente a tradução da americana Flora Thompson-DeVeax para o inglês – versão lida por Courtney – que ampliou o alcance de “Memórias Póstumas” no exterior. “Machado sempre atingiu um público restrito fora do Brasil. Isso talvez tenha começado a mudar com a tradução recente de Thomson-DeVeaux, que teve um lançamento bem-sucedido e agora chegou às redes sociais. Tomara que isso ajude Machado de Assis a entrar em circuitos mais amplos de leitura”, diz Guimarães. A tradutora comemorou o sucesso de seu trabalho. No Twitter, Flora postou: "Eu vi o vídeo [da Courtney], gente! Fiquei feliz demais de ver alguém tendo a mesma reação que eu quando eu li 'Brás Cubas' pela primeira vez com meu português precário: espanto e indignação de não ter convivido com o Machado desde sempre". E aconselhou: "presenteiem os amigos gringos, espalhem essa alegria!". Um 'defunto-autor': “Memórias Póstumas de Brás Cubas” é contado por um “defunto-autor”: o personagem principal, Brás Cubas, traça sua própria biografia direto do túmulo. A dedicatória, apresentada logo no início da história, já deixa evidente a mistura entre ironia, humor e horror: “Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas memórias póstumas.” Não vamos aqui dar nenhum spoiler, claro. Mas veja aspectos de destaque da obra, que ajudam a explicar por que Courtney estava quase terminando as 300 páginas em um só fim de semana: ✏️Irreverência na linguagem: “Penso que o próprio livro diz o que há nele de muito especial: a mistura muito peculiar de galhofa e melancolia, de riso e seriedade. Consegue o feito de ser muito profundo, em muitos sentidos terrível, e ao mesmo tempo muito engraçado e divertido de ler. Há ali uma irreverência e uma liberdade de espírito que só encontramos muito raramente na literatura de qualquer tempo e lugar”, diz Hélio de Seixas Guimarães. 📓Revolução na literatura de seu tempo: Fernando Marcílio, professor de literatura do Curso Anglo (SP), explica como Machado de Assis quebrou o padrão do Romantismo da época. “Com ‘Memórias Póstumas de Brás Cubas’, Machado foi iniciador de uma nova estética no Brasil: o Realismo. A gente costuma dizer que ele foi um gênio porque questionou as bases da literatura de seu próprio tempo ao escrever um romance realista – realista nas bases do século XIX, desnudando a realidade humana e desfazendo as ilusões românticas", diz. "Por exemplo: Brás Cubas mede o envolvimento com uma mulher a partir do dinheiro que gastou com ela. Quer algo menos ‘amor romântico’ do que isso?” 🌎Representação do ser humano (de qualquer lugar do mundo): As críticas sociais em “Memórias” não são explícitas como em “O Cortiço”, por exemplo, de Aluísio Azevedo. Mas isso não significa que não haja uma representação dos seres humanos (e da sociedade brasileira). “As personagens machadianas querem parecer algo que não são. Brás Cubas, por exemplo, vive da aparência. E nós tínhamos, no Brasil, a mesma hipocrisia: um discurso liberal, mas em uma sociedade ainda escravocrata”, afirma Marcílio. O professor Hélio Guimarães reforça a universalidade do que é retratado na obra. “Um livro como ‘Memórias póstumas de Brás Cubas’ permite conhecer melhor não só a história e a cultura brasileiras, mas a espécie humana, pela visão de uma das pessoas mais inteligentes, sensíveis e cultas que já viveram no Brasil”, afirma. E, por mais que a representação seja fiel à realidade do século XIX, não deixa de ser atual e de gerar identificação com os novos leitores. “Lendo a obra, os jovens podem tomar consciência e enxergar a raiz e o problema de dilemas sociais com que vivemos até hoje. Os personagens são pessoas que conhecemos. Todos nós temos referências de Brás Cubas ou Marcelas [outra personagem] nas nossas vidas”, diz Heric José Palos, coordenador de literatura do Curso Etapa (SP). 🆘Por que você deve fugir dos resumos? “Memórias Póstumas de Brás Cubas” frequentemente integra a lista de obras obrigatórias de vestibulares. Esteve, por exemplo, na relação de livros da Fuvest, da Universidade de São Paulo (USP), por longos períodos, como de 2013 a 2019. Na internet, é possível encontrar dezenas de resumos da obra. Bom, você deve imaginar que nenhum professor aprovará a ideia de trocar a leitura de um livro por uma página de síntese. “É importante ler Machado, porque foi o melhor autor que produzimos no Brasil em todos os tempos. É como alguém deixar uma herança milionária, mas você recusar. Recusar Machado é recusar o que de melhor foi produzido na nossa cultura”, diz Fernando Marcílio. “O que está por trás das adaptações e dos resumos é só o que acontece, e não como acontece. É um rebaixamento do leitor. Existem edições originais com notas de rodapé explicativas que podem ser úteis para aprender e entender o desconhecido.” Heric, do Etapa, afirma também que o resumo limita qualquer percepção mais ampla ou crítica do estudante. “É fácil resumir: o livro é a história de um cara morto que conta sua própria vida. Mas não é só isso o que interessa. Não é o que ele faz, e sim por que ele faz. Lendo a íntegra, o leitor vai ter uma visão mais profunda dos personagens, com a linguagem refinada, sagaz e elegante de Machado de Assis.” Vídeos Abaixo, veja a correção de uma questão do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2023 sobre Machado de Assis: Enem 2023: correção da questão de Filosofia sobre texto de Machado de Assis
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07/06 - Como vídeos virais sobre carro 'indestrutível' de Elon Musk podem ensinar conceitos da física
Dispersão de energia e lei da inércia estão relacionados com a resistência do carro a impactos e esses conceitos levam internautas a questionar como ocupantes do veículo são afetados por acidentes. Trecho de vídeo que viralizou com pessoas mostrando resistência do Cybertruck de Elon Musk Reprodução/X tra energia não pode ser criada e nem r, só transformada Nos últimos dias, viralizaram nas redes vídeos de pessoas arremessando pesos e dando pancadas no Cybertruck, o carro anunciado por Elon Musk como quase indestrutível, sem que ele quebrasse. Com a imagem, as pessoas passaram a questionar: por que os carros quebram em uma batida? E por que é esperado que eles sofram mesmo as deformações em sua lataria? A física pode explicar: isso tem a ver com a dispersão de energia. Para entender como isso acontece, é preciso relembrar um conceito básico de física: a energia não pode ser criada e nem destruída, só dissipada. Considere o seguinte: 🚙 O carro está a uma velocidade de 60 km/h. Nesse caso, a energia é a cinética, que é a energia relacionada ao movimento. 🚙 Quando ele tem um choque, o carro, automaticamente, para. ➡️ Aqui é que a gente retoma o conceito: se a energia que estava sobre o carro não pode desaparecer com o choque, o que acontece com ela? Ela se dissipa amassando as peças do carro. A energia é dissipada na batida, sendo absorvida pelas peças. Então, quando a gente vê os carros amassando, quebrando, isso é para impedir que as pessoas que estão no veículo sejam atingidas. Mulher joga peso de academia contra lataria do Cybertruck Reprodução/X O professor de física do colégio Sá Pereira, Henrique Picallo, explica que quando as peças não podem absorver a energia, ela precisa se dissipar de outra maneira e, com isso, pode atingir quem está no veículo. “Antigamente, tínhamos, por exemplo, carros com capô de metal, que não amassavam. A energia em um acidente com carros assim termina nas pessoas, que têm fraturas e ferimentos mais graves. Um carro que amassa é segurança para o passageiro”, explica Picallo. A segurança do carro é um ponto que vem sendo questionado por especialistas de carros, principalmente, nos Estados Unidos, principal mercado do veículo. A revista The American Prospect, especialista em carros, aponta que o material usado no veículo -- o aço inoxidável -- pode ser um fatal em acidentes. Na Europa, por exemplo, o peso do carro exige que motoristas tenham uma outra categoria de habilitação, que necessita de mais treinamentos. Com isso, o veículo não foi incluído no mercado europeu. Para além disso, a Tesla anunciou em abril deste ano o terceiro recall do carro por problemas no pedal que faziam com que o carro acelerasse de forma descontrolada, podendo causar acidentes. Cinto de segurança é importante Quando estamos em um carro, mesmo com a sensação de que estamos parados, na verdade não estamos. Em um veículo, a pessoa está se locomovendo na mesma velocidade do velocímetro. ➡️ Ou seja, em uma batida, o motorista e os condutores também têm energia para ser dissipada. É por isso que em uma parada abrupta, o corpo é arremessado para frente. Mais uma vez, isso se explica por um conceito da Física: É a lei da inércia, que diz que um corpo em movimento tende a permanecer em movimento. “Nos carros atuais, o cinto de segurança tem uma elasticidade que é o que permite que a energia se dissipe, você é levado alguns centímetros adiante, mas ele segura o seu corpo e impede de ser arremessado com a batida”, explica Picallo. Como é a Cybertruck, picape 'inquebrável' da Tesla
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07/06 - Enem 2024: saiba como se inscrever
Todos os candidatos interessados em participar do Enem 2024 devem se inscrever, inclusive quem teve o pedido de isenção de taxa aceito. Provas serão aplicadas em 3 e 10 de novembro. Página oficial do Inep para inscrição do Enem 2024 Reprodução O prazo para se inscrever no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2024 termina às 23h59 do dia 14 de junho. As inscrições foram prorrogadas nesta sexta-feira (7). Atenção: Candidatos do Rio Grande do Sul, estado afetado pelas enchentes, terão um prazo maior, além de isenção na taxa. A data final para inscrição destes estudantes ainda não foi informada pelo Ministério da Educação (MEC). Tire suas dúvidas abaixo: 💻 Em que site fazer a inscrição? É só entrar na Página do Participante, em enem.inep.gov.br/participante. 💰Qual é o valor da taxa de inscrição? Ela custa R$ 85 e deve ser paga até 19 de junho. Somente após o pagamento, a inscrição estará confirmada (veja passo a passo mais abaixo). 💲Quais as formas de pagamento? A taxa deve ser paga por boleto, PIX ou cartão de crédito. ❗Quem está isento da taxa precisa se inscrever no Enem? SIM! Mesmo quem conseguiu a isenção (como os alunos da rede pública) precisa se inscrever. Caso contrário, não poderá fazer a prova. 🖊️ Para que serve o Enem? Ele é uma das principais portas de entrada para a educação superior no Brasil, utilizado por instituições públicas e privadas como critério de seleção, além de ser um requisito para programas governamentais de auxílio estudantil. Não há como se inscrever no Sisu, no Prouni e no Fies sem ter feito o Enem. 🗓️ Quando as provas serão aplicadas? Em 3 e 10 de novembro. Dados necessários e etapas da inscrição Os principais passos para realizar a inscrição no Enem são: Informe seus dados pessoais: Durante a inscrição, você deverá informar o número do CPF e a data de nascimento. Preencha seus dados de contato: Forneça um endereço de e-mail único e válido, assim como um número de telefone fixo e/ou celular válido. O Inep poderá utilizar o e-mail cadastrado para enviar informações sobre o exame. Escolha onde quer fazer a prova: Indique o estado e município onde deseja realizar o exame. Língua estrangeira: Selecione a língua estrangeira (inglês ou espanhol) na qual realizará a prova. Crie seu cadastro e senha: Utilize o endereço https://sso.acesso.gov.br/ para criar um cadastro e senha de acesso que irá utilizar na Página do Participante. Anote a senha em um local seguro, pois você precisará dela para: gerar o boleto com a taxa, que o Inep chama de Guia de Recolhimento da União (GRU Cobrança); realizar alterações nos dados cadastrais; acompanhar a inscrição e obter resultados e outras funcionalidades. Verifique seus dados e anexe sua foto: Certifique-se de preencher corretamente todas as informações solicitadas, incluindo o Questionário Socioeconômico. Você também terá a opção de anexar uma foto atual, nítida e individual, seguindo as orientações fornecidas. Confirme os dados e acompanhe a situação da inscrição: Após concluir a inscrição, verifique se todos os dados estão corretos. Enem 2024: veja datas de inscrição e de aplicação das provas Disciplinas e horários Como nos últimos anos, o Enem será aplicado em dois domingos. 3 de novembro O candidato deverá fazer: 45 questões de linguagens (40 de língua portuguesa e 5 de inglês ou espanhol); 45 questões de ciências humanas; redação. 10 de novembro A prova trará: 45 questões de matemática; 45 questões de ciências da natureza. Veja os horários de aplicação (no fuso de Brasília): Abertura dos portões: 12h Fechamento dos portões: 13h Início das provas: 13h30 Término das provas no 1º dia: 19h Término das provas no 2º dia: 18h30 Cronograma do Enem 2024 Inscrições: de 27/5 a 14/6/2024 Pagamento da taxa de inscrição: de 27/5 a 19/6/2024 Pedido de tratamento pelo nome social: de 27/5 a 14/6/2024 Solicitação de atendimento especializado: de 27/5 a 14/6/2024 Resultado das solicitações de atendimento especializado: 24/6/2024 Recurso para pedidos negados: de 24/6 a 28/6/2024 Resultado do recurso: 5/7/2024 Divulgação dos locais de prova: data a ser marcada Aplicação do Enem: 3 e 10/11/2024 Divulgação do gabarito: 20/11/2024 Divulgação do resultado: 13/1/2025 VÍDEOS DE EDUCAÇÃO
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06/06 - Não minta: acertaria a questão do Pinóquio em olimpíada de matemática? Veja 3 'virais' da OBMEP anteriores ao da 'flor de Ana'
Em 2022, prova para alunos do ensino médio da rede pública 'bombou' nas redes sociais por causa de uma pergunta de lógica com o boneco de madeira. O g1 separou essa e outras duas questões da competição para testar: você conseguiria resolvê-las? Pinóquio confundiu candidatos da OBMEP em 2022 Reprodução/Pexels A questão da flor da Ana "murchou" quem tentou resolvê-la na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), aplicada na última terça-feira (4). Mas não é a primeira vez que uma pergunta dessa competição "dá um nó" na cabeça dos candidatos e viraliza nas redes sociais. 🤥Em 2022, por exemplo, alunos ficaram com raiva até do coitado do Pinóquio, que acabou virando o grande protagonista da prova do nível 3 (voltada para alunos do ensino médio). Não vale mentir: você teria acertado o desafio matemático sobre o personagem? Tente resolvê-lo mais abaixo. O quiz do g1 traz também outras duas questões de lógica que atormentaram os alunos em edições anteriores da OBMEP. Elas não exigem nenhuma conta. E aí, vai encarar? Quando sairão os resultados da OBMEP 2024? 🔢 Mais de 18,5 milhões de alunos eram esperados na terça-feira (4) para a aplicação da primeira fase da 19ª OMBEP. As provas, compostas por 20 questões de múltipla escolha, são divididas em três níveis: Nível 1 (6º e 7º anos), Nível 2 (8º e 9º anos) e Nível 3 (ensino médio). O resultado da primeira etapa deve ser divulgado em 2 de agosto, e a segunda fase será aplicada em 19 de outubro para os candidatos classificados. Vídeos Abaixo, veja a resolução da questão das flores da Ana, que viralizou na prova de 2024: 'Qual flor Ana vai ganhar?' Entenda a resolução do problema de lógica da OBMEP 2024
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05/06 - 'Qual flor Ana vai ganhar?' Veja se você acerta questão que viralizou após prova de olimpíada de matemática
Provas da primeira fase da OBMEP foram aplicadas na terça-feira (4) em todo o país. Alunos do ensino médio ficaram confusos com uma questão de lógica que constava na prova da etapa. 'Qual flor Ana vai ganhar?' Entenda a resolução do problema de lógica da OBMEP 2024 Uma questão de lógica presente na prova de ensino médio da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) 2024 deixou muitos alunos sem saber qual era a resposta correta. 🔢 Mais de 18,5 milhões de alunos eram esperados na terça-feira (4) para a aplicação da primeira fase da 19ª OMBEP. As provas, compostas por 20 questões de múltipla escolha, são divididas em três níveis: Nível 1 (6º e 7º anos), Nível 2 (8º e 9º anos) e Nível 3 (ensino médio). O resultado da primeira etapa deve ser divulgado em 2 de agosto, e a segunda fase será aplicada em 19 de outubro para os candidatos classificados. Questão da OBMEP 2024 viraliza nas redes sociais. Reprodução/X Confusos, os estudantes recorreram às redes sociais em busca de uma explicação para a pergunta, que pedia que eles apontassem qual flor uma personagem chamada Ana ganharia. O g1 conversou com Victor Pompeo, professor de matemática do Curso Anglo, para entender como chegar à resposta correta. Mas, antes de conferir a explicação, faça o teste e veja se você acertaria a resposta. 6 ÷ 2 (1 + 2) é igual a 1 ou 9? Saiba qual a resposta correta para a 'expressão numérica da discórdia' A explicação Para entender como chegar ao resultado correto, o mais indicado é analisar as informações por parte. Ana sabe a quantidade de pétalas, mas não sabe a cor: se Ana está confusa com a cor de sua flor, mas não com a quantidade de pétalas, é porque há duas flores com a mesma quantidade de pétalas, mas com cores diferentes, que podem ser a dela. Supondo que a flor de Ana tivesse quatro pétalas, apenas uma flor se encaixaria nesse perfil, portanto, não haveria dúvidas quanto a cor. A confusão acontece porque Ana viu mais de uma flor com a mesma quantidade de pétalas daquela que ela vai ganhar, mas com cores diferentes. Analisando essa informação, é possível reduzir as opções para as duas flores de três pétalas, a amarela e a roxa (ou vermelha, no quiz acima). Bia e Carla sabem as cores de suas respectivas flores: para que essa informação seja útil para limitar as opções de Ana, é preciso que ela reduza ainda mais as alternativas que Ana tem. Se Bia ficasse com a flor amarela e Carla recebesse uma flor roxa (vermelha no quiz), por exemplo, Ana continuaria confusa sobre suas opções. O mesmo aconteceria se as duas amigas recebessem duas flores amarelas, e uma delas não fosse aquela com três pétalas. Mas se Carla sabe que ela e Bia vão ganhar flores da mesma cor, e que há apenas duas flores daquela cor, restaria apenas uma flor que poderia ser a de Ana. Ou seja, se Ana vai ganhar uma flor de três pétalas, e Bia e Carla vão ganhar as flores roxas, dentre elas, uma de três pétalas, só restaria uma flor de três pétalas que poderia ser dada a Ana, a flor amarela. Por isso, a alternativa correta seria aquela correspondente à flor amarela de três pétalas.
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05/06 - Terceirização de escolas públicas é adotada nos EUA e na Inglaterra; veja diferenças para o modelo do Paraná
Estados Unidos, Chile e Inglaterra já adotam sistemas em que parte das responsabilidades do estado é transferida para empresas, ONGs ou associações de pais. Exemplo inglês parece ser bem-sucedido, mas há críticas em relação à precarização da categoria docente. 03/06/2024 - Professores, servidores e alunos da rede estadual do Paraná invadem a Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) contra o projeto de lei que pretende terceirizar a gestão administrativa de 200 colégios públicos, Curitiba (PR), nesta segunda-feira, 03 de junho de 2024. O ato acabou em confusão, com quebra-quebra, fogo no saguão do prédio e intervenção da PM. Eduardo Matysiak/Ato Press/Estadão Conteúdo Sob protestos de professores, a Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) aprovou, na terça-feira (4), o projeto de lei que terceiriza a gestão de 204 colégios estaduais (cerca de 10% dos estabelecimentos de ensino da rede). Para entrar em vigor, o texto ainda tem de ser sancionado pelo governador Ratinho Júnior (PSD). 🌎Abaixo, nesta reportagem, o g1 lista exemplos semelhantes, aplicados por outros países, de parcerias entre os setores público e privado na administração de escolas públicas. ✏️Inglaterra 'Academies' dominam 80% das escolas de ensino fundamental e médio; resultados melhoram. ➡️Como funcionam? Em 2001, o governo da Inglaterra implementou um projeto de transformar as escolas públicas que tinham desempenho acadêmico fraco em "academies": instituições fundadas pelo estado, mas administradas por entidades da sociedade civil (como organizações sociais ou empresas privadas). Diante dos resultados positivos no aprendizado das crianças e adolescentes, a iniciativa foi ampliada para o restante da rede e deixou de ser exclusiva das instituições com problemas. Atualmente, cerca de 80% das escolas de ensino fundamental e médio do país já se tornaram "academies". "A gestão passa a ser mais flexível: a escola se compromete com metas de aprendizagem e pode construir saídas mais criativas para os seus problemas. Já a instituição gestora recebe recursos para administrar [o colégio], mediante um pacto de resultados que devem ser atingidos. Está funcionando", afirma Claudia Costin, diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais da FGV. Há, ainda, "cadeias de academies", chamadas de "multi academy trusts (MATs)", em que um mesmo "patrocinador" forma uma rede de colégios parceiros que podem compartilhar experiências, investimentos e a mesma linha de conduta educacional. Escolas menores, principalmente, seriam beneficiadas por esse apoio (não só por aprenderem com outros exemplos, mas também por usufruírem de serviços contratados pelo grupo por um custo-benefício melhor). Observação: O governo continua supervisionando os índices de aprendizagem e a contabilidade dos colégios. ➡️É o mesmo projeto defendido pelo PL paranaense? Não. Diferentemente do projeto do Paraná, no exemplo inglês há interferências não só financeiras, mas também pedagógicas: a intenção da "terceirização" é justamente oferecer maior liberdade para que cada colégio, de acordo com suas necessidades, adapte currículos e decida como gastar a verba pública (com professores ou com equipamentos para sala de aula, por exemplo). Os salários dos funcionários, na Inglaterra, não são padronizados -- já no Paraná, os professores receberiam a mesma remuneração dos concursados da rede pública. ➡️Está dando certo? Segundo avaliações educacionais organizadas pelo governo da Inglaterra, houve avanço significativo no desempenho dos alunos das "academies". A maior flexibilidade na gestão favoreceu o desenvolvimento de práticas pedagógicas bem-sucedidas nas escolas. Por outro lado, críticos apontam que: as MATs estão abarcando um número excessivo de instituições de ensino, sem dar conta de administrar todas elas cuidadosamente; empresários do setor privado, sem a devida experiência no setor educacional, estariam envolvidos em responsabilidades importantes da gestão das escolas; as disparidades salariais aumentaram entre os professores; algumas "academies" adotaram processos seletivos de alunos, excluindo aqueles que não apresentavam bons desempenhos acadêmicos; os investimentos públicos na educação têm priorizado as "academies", em detrimento das escolas independentes. ✏️Estados Unidos: 'escolas charter' 'Escolas charter' levam a melhorias quase nulas no desempenho de alunos. ➡️Como funciona? As "escolas charter", criadas na década de 1980, são instituições de ensino públicas, que recebem dinheiro do governo, mas cuja administração é inteiramente feita por uma entidade privada (seja uma ONG ou uma associação de pais de alunos). Os detalhes do funcionamento variam de acordo com o estado americano em que estão localizadas. ➡️É o mesmo projeto defendido pelo PL paranaense? Não. No caso das "escolas charter", a parte pedagógica também fica a cargo do setor privado. Já no Paraná, somente as questões administrativas e financeiras seriam terceirizadas. ➡️Tem dado certo? Depende do ponto de vista. Lara Simielli, professora do Departamento de Gestão Pública na Fundação Getúlio Vargas (EAESP/FGV) e coordenadora de uma pesquisa do D3e sobre programas educacionais dos EUA, analisou os maiores estudos a respeito das escolas charter. Ao g1, ela afirmou que: o impacto no desempenho dos estudantes foi quase nulo ou muito baixo; o sistema educacional ficou mais segregado, já que os pais, com liberdade de escolher uma escola pública para os filhos, tendem a eleger uma de perfil socioeconômico e racial semelhante ao de sua família. Em casos pontuais, houve melhoria na aprendizagem de crianças e jovens. Segundo um estudo da Universidade Stanford, publicado em fevereiro deste ano, os avanços foram quase que imperceptíveis nos primeiros anos de implementação das charters, entre 2000 e 2008. Mas, de 2014 a 2019, as crianças melhoraram em matemática e em leitura. "Não é uma revolução, mas vemos pequenas melhoras a cada ano", afirma o líder da pesquisa, Macke Raymond. Apesar disso, há os seguintes riscos reportados pela imprensa americana na cobertura jornalística de escolas charter: desvios de dinheiro público; precarização nas condições de trabalho dos professores (principalmente em estados com sindicatos mais enfraquecidos); falta de critérios na contratação de docentes. ✏️Chile: 'vouchers' Projeto aumentou a desigualdade na educação. ➡️Como funciona? A "privatização" da gestão escolar no Chile é uma herança da ditadura militar de Augusto Pinochet. O país instaurou um sistema de "vouchers" -- as famílias dos alunos que fazem parte do programa podem escolher se eles estudarão em uma escola particular subsidiada pelo Estado ou em um colégio público. A opção escolhida receberá o tal "voucher", ou seja, um dinheiro pago pelo governo por cada matrícula efetuada. O objetivo é gerar uma competição entre instituições de ensino privadas e públicas, para que, em tese, todas melhorem a qualidade do serviço oferecido aos alunos. ➡️É o mesmo projeto defendido pelo PL paranaense? Não. O exemplo do Paraná, da forma como foi apresentado, não menciona a emissão de vouchers. O modelo paranaense não prevê nada parecido. ➡️Está dando certo? Não. Foi esse sistema que gerou uma marcha de estudantes (movimento Pinguim) em 2006. Segundo os manifestantes, na prática, os colégios de regiões mais pobres acabam sendo sustentados integralmente pelo dinheiro dos vouchers, mantendo-se em situação precária. Já nas escolas subsidiadas em regiões mais ricas, os pais dos alunos usam esses "cartões" apenas para abater uma parte da mensalidade, pagando o restante "do próprio bolso". Consequentemente, esses colégios recebem mais investimentos e permanecem muito à frente dos demais em questões de estrutura e de qualidade do ensino. Foram promovidos, nos últimos anos, ajustes no programa. Ainda assim, mantêm-se a segregação socioeconômica na educação, segundo relatório da Unesco, e o encolhimento do setor público. ✏️Estados Unidos: vouchers Cerca de 30 estados adotam a iniciativa; resultados são melhores que os do Chile. ➡️Como funciona? Os programas de vouchers surgiram nos EUA no início da década de 1990. Atualmente, são adotados por cerca de 30 estados e Washington, capital do país. Parte do dinheiro público da educação é transferida para escolas particulares que participam do projeto. Dessa forma, as famílias contempladas passam a poder escolher entre matricular o aluno na rede pública ou privada. São três tipos de vouchers possíveis (nem todos os estados oferecem o "cardápio" completo): Programas de vouchers tradicionais: o estado separa uma quantia que iria para escolas públicas e a direciona para o custeio de mensalidades em escolas privadas. Em geral, há pré-requisitos impostos aos colégios participantes e aos alunos beneficiados. Poupanças educacionais: diferentemente dos vouchers, esse dinheiro pode ser usado em qualquer escola particular, mesmo em uma que não aderiu ao programa. Neste caso, o estado coloca o dinheiro em uma conta individual por estudante, e o valor pode ser usado para bancar (parcial ou totalmente) a mensalidade em uma escola particular ou as despesas do homeschooling (educação domiciliar). Caso opte por uma escola privada cuja mensalidade seja maior que o valor do benefício, caberá à família arcar com a diferença de valor. Bolsas de crédito fiscal: o estado concede créditos fiscais (como desconto ou isenção de impostos) a empresas que doarem dinheiro para uma organização que gerencia bolsas escolares. Os alunos que atenderem aos requisitos e forem beneficiados pelo programa podem usar o dinheiro da bolsa para pagar mensalidades em uma escola particular. ➡️Quem é beneficiado? Importante: as instituições de ensino não são obrigadas a admitir qualquer estudante. Em muitos casos, o programa só aceita alunos inscritos que se encaixa em uma das categorias: pessoas com deficiência; crianças de famílias de baixa renda; alunos matriculados em escola pública que tenha um sistema educacional falho. ➡️É o mesmo projeto defendido pelo PL paranaense? Não. Como afirmado mais acima, o Paraná não menciona a emissão de vouchers. ➡️Tem dado certo? Para Simielli, a política pode, sim, ser positiva para o cenário educacional do país. “Entre voucher e charter [entenda mais abaixo], o voucher [nos casos em que é direcionado a grupos específicos] tem mais impacto, porque é possível selecionar os alunos que serão beneficiados. Pode ser um critério de renda, por exemplo, ou de deficiência, fazendo uma classificação de quem precisa [do auxílio]”, avalia. Projeto que permite terceirização da gestão de escolas públicas é aprovado
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05/06 - 'Capacidade de jogar, não a de pensar, é fator crucial do desenvolvimento', diz matemático de Oxford
Os seres humanos inventaram os jogos não só para se entreter, mas para ensinar coisas sobre o nosso mundo interior e exterior. GETTY IMAGES via BBC "Em uma época mais feliz, ousamos chamar a nossa espécie pelo nome de Homo sapiens", escreveu o renomado historiador cultural holandês Johan Huizinga. Ele se referia ao termo introduzido por Carl von Linné em 1758 para diferenciar os seres humanos das outras espécies animais: sapiens era aquele que sabe, o homem sábio. "Com o passar do tempo, percebemos que, no fim das contas, não somos tão racionais ​quanto o século 18, com seu culto à razão e seu ingênuo otimismo, pensava." Mais tarde, surgiu a designação de Homo faber, o homem que faz, que — para Huizinga, não era a mais apropriada. Ele propôs Homo ludens, o homem que joga, porque, na sua opinião, "sem um certo desenvolvimento de uma atitude lúdica, nenhuma cultura é possível". Embora "o jogo seja mais antigo que a cultura", afirmou ele em seu livro de 1938, pressupõe uma sociedade humana, ele destacou, "e os animais não esperavam que os humanos os ensinassem a jogar". Mas, entre os Homo sapiens, "o jogo era parte integrante da civilização em suas primeiras fases". "A civilização surge com o jogo e como um jogo, para nunca mais se separar dele". Apaixonado por jogos, Marcus du Sautoy, professor de matemática da Universidade de Oxford, no Reino Unido, concorda que "é a capacidade de jogar, e não de pensar, que tem sido crucial no nosso desenvolvimento", como escreve em Around the World in Eighty Games ("A Volta ao Mundo em 80 jogos", em tradução livre). O livro é uma jornada singular inspirada no romance de Júlio Verne "dos vários jogos loucos, fantásticos e viciantes que a nossa espécie criou". Ele se refere aos "jogos da mente" porque, embora se declare apaixonado por futebol, deixou de fora aqueles que são classificados como esporte, com uma exceção: "Não resisti à vontade de incluir o jogo de bola mesoamericano pitz". Em sua jornada, Du Sautoy revela como ganhar em diversos jogos, e como eles sempre estiveram profundamente ligados à matemática. Tabuleiro de jogo datado de por volta de 2.600-2.400 a.C. encontrado no Cemitério Real de Ur, no sul do Iraque. GETTY IMAGES via BBC Para ele, "os jogos são passaportes para outros mundos", e sua jornada não se dá apenas por lugares geográficos, mas pelo tempo. Do Jogo Real de Ur — "é extraordinário poder jogar o mesmo jogo que entretinha os babilônios há 5 mil anos" — ao jogo online de palavras Wordle, que se tornou um fenômeno em 2021, e já havia sido jogado 4,8 bilhões de vezes em 2023. Mas vamos começar do início... As regras do jogo Uma pergunta que vários pensadores fizeram é por que jogamos. Alguns, diz Du Sautoy, argumentaram que ao entender que o Universo era regido por regras, começamos a criar jogos como espaços seguros para explorá-las. Já outros sugeriram que, na verdade, são uma ferramenta para explorar o nosso mundo interior. "Acho que talvez o elemento mais importante seja o elemento social, porque os seres humanos são uma espécie altamente social", diz o professor. "Nossa consciência exige que tentemos explorar a mente do outro, porque eu tenho um mundo interno, e suponho que você também. Mas se estamos sentindo dor, a sua dor é semelhante à minha dor, o seu êxtase, o mesmo?" "Por isso, precisávamos de ferramentas para tentar explorar nosso mundo interior, e os jogos são um lugar muito interessante e seguro para fazer isso", avalia. "E se você pensar bem, um jogo praticamente precisa de uma teoria da mente. Você tem que entender que a pessoa sentada à sua frente tem uma mente diferente da sua, e vai tomar decisões diferentes. Você tem que pensar: 'Se eu fizer isso isso, o que eles vão fazer?' É um nível muito sofisticado de processo de pensamento." "Então talvez os jogos sejam tão importantes para a nossa espécie devido à nossa consciência." Mas há outra pergunta importante: o que é um jogo. "Definir o que é um jogo tem sido uma questão filosófica muito profunda, na qual (Ludwig) Wittgenstein estava muito interessado", observa Du Sautoy em conversa com a BBC News Mundo, serviço de notícias em espanhol da BBC. Entre os alunos mais pobres, só 3% têm conhecimentos adequados de matemática no Brasil, mostra Pisa O renomado filósofo austríaco (1889-1951), especializado em lógica, filosofia da matemática, mente e linguagem, "acreditava que era impossível definir o que é um jogo". "'Jogo' era seu principal exemplo de palavra que só podia ser entendida pelo ato de usá-la: isso é um jogo, aquilo não é", explica Du Sautoy em seu livro. No entanto, diz ele à BBC News Mundo, "algo que podemos concordar é que o jogo tem um conjunto de regras e, de certa forma, cada vez que você joga, você explora as consequências destas regras e tenta otimizar a maneira de alcançar um objetivo". Ele acrescenta que "um dos aspectos belos dos jogos, e é algo que alguns antropólogos e filósofos tentaram incluir na definição de um grande jogo, é que deve estar separado da vida real, ter seus próprios tempos e seu próprio senso de lugar". "Essa separação é importante: embora (os jogos) possam te ajudar a entender as coisas da vida real, você de alguma forma sai dela, e passa algum tempo naquele mundo imaginário do jogo." "É semelhante à música, com seu próprio tipo de mundo autônomo para o qual você escapa ou mergulha, e à matemática, que embora nos ajude a compreender o mundo físico que nos rodeia, é um mundo à parte e pode criar universos que não têm nada a ver com a realidade física, mas continuam sendo emocionantes de explorar por sua própria beleza interior." Para ele, isso os torna irresistíveis. "Os jogos, para mim, são uma forma de jogar matemática." A matemática é ideal para calcular as implicações das regras, por isso é uma aliada bastante natural. E está presente de uma série de maneiras nos jogos, mesmo que nem sempre seja óbvio. Em jogos como Escadas e Serpentes, em que nenhuma estratégia é usada para vencer, a matemática é importante no design do jogo. "Você tem que decidir quantas serpentes e escadas vai ter. Com serpentes demais, o jogo será impossível de ganhar, mas com escadas demais, talvez termine muito rápido." "E existe uma forma matemática de analisar um jogo como este e muitos outros, em que você lança um dado e se move pelo tabuleiro, para calcular quanto tempo leva para ganhar o jogo." Mas jogos deste tipo — incluindo os jogos de azar — não são os favoritos do matemático. Jogos de tabuleiro ajudam a turbinar o desempenho de crianças em matemática, aponta estudo Os melhores? Du Sautoy admite que adora jogos de estratégia. "Tenho uma vantagem incrível porque minhas habilidades matemáticas me permitem ganhar com frequência", afirma. "Mas meus filhos não jogam mais esses jogos comigo: preferem um em que tenham mais chance de ganhar, e isso é importante." "Eu diria que a incerteza é absolutamente essencial para o jogo." Esta é uma das cinco características que ele identificou para estabelecer quais são os melhores jogos. Um jogo nunca deve terminar antes de ter começado. Mesmo que você não seja tão bom quanto seu oponente, deve existir a possibilidade de que você ainda possa ganhar; É muito importante que o jogo não termine antes do final. Os melhores jogos são aqueles em que até o último momento existe a possibilidade de qualquer um ganhar; Embora deva haver um elemento de sorte no jogo, ele deve ser baseado em estratégia. Se não houver estratégia, o jogador se torna nada mais que uma máquina que coloca em prática as regras do jogo; Os melhores jogos são aqueles com regras simples que dão lugar a resultados complexos, ricos e variados; Um jogo precisa de uma boa história. Isso não significa que você precisa ter castelos e duendes, mas deve haver uma narrativa subjacente agradável que pode ser abstrata. Um dos jogos que reúne todas estas qualidades, destaca Du Sautoy, é o gamão. “É um dos mais antigos e um dos primeiros jogos de corrida." "Ele combina essas belas qualidades de ter um pouco de incerteza e aleatoriedade por causa dos dados, mas mesmo se você lançar mal os dados, ainda pode usar a estratégia para vencer." "Tem uma boa narrativa, porque a história pode mudar dramaticamente: você acha que está ganhando e, de repente, capturam uma peça sua e te colocam de volta ao início, e seu oponente começa a ganhar." Mas há outro mais recente que ele considera um dos melhores: Catan, que vendeu dezenas de milhões de cópias desde seu lançamento em 1995. O objetivo é povoar uma ilha composta por 19 peças em forma de hexágono. Os jogadores lançam dados e competem por território enquanto constroem cidades e negociam recursos. "Um bom jogo é também aquele em que todos estão envolvidos o tempo todo." "Alguns jogos deixam você esperando enquanto os outros fazem suas jogadas. Em Catan, quando outra pessoa está jogando, [a jogada dela] pode gerar coisas sobre as quais você precisa tomar uma decisão, e assim todos estão jogando em todo momento do jogo." Catan foi concebido por Klaus Teuber, um técnico em prótese dentária na Alemanha, país que Du Sautoy chama de "a Meca moderna dos jogos". A cidade de Nuremberg e sua "tradição na fabricação de brinquedos", diz ele, assim como a proibição após o nazismo na Alemanha de importar brinquedos de guerra, "atuaram como um catalisador para um fluxo de jogos completamente novos". Crianças que jogam videogame têm melhor desempenho cognitivo, mostra estudo A volta ao mundo em cinco jogos Por fim, pedimos a Du Sautoy que nos levasse em uma viagem: a volta ao mundo em cinco jogos, sem passar pela Europa, nem pelo norte da América do Norte. Ele aceitou o desafio, entusiasmado. E nos guia por esta jornada em primeira pessoa: "A Índia é um dos meus lugares favoritos, porque muitos jogos maravilhosos saíram de lá." "Há uma ligação entre uma cultura que ama matemática e ama jogos, e não acredito que seja coincidência." "Escolho o xadrez porque é um dos grandes jogos de estratégia que criamos e parece ter origem na Índia." "Mas era um jogo muito diferente: tinha quatro jogadores, com quatro exércitos, e você tinha que capturar o exército de outra pessoa e torná-lo seu. Por isso, agora há duas torres, dois cavalos e dois bispos — é a fusão de dois exércitos diferentes", explica. "Então que tal irmos para a China? Eu provavelmente escolheria o Go, que é outro grande jogo de estratégia." "Mas é um estilo diferente de guerra, porque no xadrez você tem muito combate corpo a corpo por meio de suas peças, nocauteando o cavalo e derrubando-o do tabuleiro, enquanto o Go é jogado em um tabuleiro de 19x19, e pouco a pouco você vai conquistando território." "É uma guerra mais lenta. E acho isso interessante, porque reflete a natureza diferente entre a Índia e a China." "Se eu tivesse que escolher um terceiro grande jogo de estratégia, seria Mancala, do continente africano." "Parece ter cerca de 6 mil anos. São pequenos poços cheios de pedras, sementes ou bolinhas de gude, que você coleta e "semeia" em outros poços, tentando capturar gradativamente mais peças que seus oponentes." Brincadeiras desenvolvem a cognição, o planejamento e controlam a impulsividade "É realmente um jogo bonito, simples, mas complexo, que, acredito eu, representa não tanto a guerra, mas a capacidade de fazer uma boa troca." "Agora, a América do Sul foi um desafio interessante: me esforcei muito para encontrar jogos anteriores à chegada dos colonizadores, pois muitos têm origem na Europa." Entre eles, há um com um atributo bastante interessante, chamado Adugo, que significa onça (na língua da tribo Bororo, na região do Pantanal brasileiro). "É um pouco como damas, mas o que chama a atenção é a assimetria do jogo, porque só há uma peça preta, e ela pode se mover de forma muito dramática pelo tabuleiro, enquanto as peças brancas só podem dar um passo." “O desafio é que a onça preta está sendo perseguida por cães brancos, que têm que capturá-la; a onça tem que saltar sobre os cachorros e basicamente matá-los." "Achei fascinante porque não tinha visto a ideia de assimetria." "Precisamos de um 5º jogo. Vamos para a Nova Zelândia?" "Lá também tive o desafio de encontrar um jogo antes da chegada dos europeus, e descobri um jogo maori chamado Mu Torere. É jogado sobre um desenho que lembra uma estrela, e tem uma estratégia muito interessante, que os jogadores maori conheciam muito bem, por isso sempre conseguiam ganhar dos europeus que desafiavam." Aí está: a volta ao mundo em cinco jogos! Brincadeiras podem ajudar no ensino da matemática
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05/06 - São Paulo terá 'Olímpiada de Redação' corrigida com auxílio de inteligência artificial
Competição será destinada para estudantes da rede pública estadual de ensino. Professores terão apoio de tecnologia presente na plataforma Redação Paulista. São Paulo terá 'Olimpíada de Redação' jcomp/Freepik A Secretaria Estadual de Educação de São Paulo (Seduc-SP) irá realizar uma "Olimpíada de Redação" com o uso de inteligência artificial para auxiliar na correção de textos. Uma resolução com o tema foi publicada na terça-feira (4). ✅ Clique aqui para seguir o canal de notícias do g1 SP no WhatsApp De acordo com a secretaria, o objetivo da olimpíada será estimular a escrita dos estudantes de escolas públicas do estado, além de desenvolver a habilidade dos alunos em Língua Portuguesa e Produção Textual. A Coordenadoria Pedagógica será responsável pela formulação dos temas das redações. Os textos serão produzidos pelos estudantes dentro da plataforma Redação Paulista. A ferramenta conta com inteligência artificial, que funciona como um assistente de correção virtual. Entenda mais abaixo. As redações que participarem da olimpíada serão avaliadas em duas etapas: Na primeira etapa, os professores terão de classificar 10% dos textos de cada escola, por ano ou série. Nesta fase, os avaliadores farão a análise dos textos com o apoio de inteligência artificial. Na segunda etapa, os textos aprovados passarão por uma nova seleção a nível municipal. Nesta fase, 5% das redações serão classificadas por meio de uma banca avaliadora composta por professores. As redações escolhidas pela banca avaliadora serão premiadas. Poderão participar da Olímpiada de Redação estudantes do 6º ao 9º do Ensino Fundamental, além dos alunos do Ensino Médio. O governo do estado ainda não divulgou uma data para a realização da olimpíada. Inteligência artificial Inteligência artificial está sendo testada para produzir material didático A ferramenta de inteligência artificial implementada dentro da plataforma Redação Paulista começou a funcionar em novembro de 2023. Dados obtidos pela TV Globo apontam que, até março deste ano, mais de 400 mil redações foram corrigidas com o auxílio do recurso. Segundo a Seduc-SP, a plataforma Redação Paulista realiza automaticamente uma correção ortográfica e gramatical do texto de cada estudante antes que ele seja enviado, "que servem para alertar o aluno a forma correta da escrita". Depois que o texto é enviado, os professores recebem informações da plataforma que indicam se foram seguidos os critérios avaliativos obrigatórios, como coerência, argumentação e adesão ao tema. A secretaria informou que todos os tópicos apontados pela inteligência artificial precisam ser validados pelo professor, que é responsável pela avaliação final da redação. Dados obtidos via Lei de Acesso à Informação mostram ainda que a Secretaria Estadual da Educação prevê gastar R$ 900 mil por mês pela ferramenta. VÍDEOS: mais assistidos do g1
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05/06 - USP perde liderança na América Latina, mas continua entre as 100 melhores universidades do mundo
'QS World University Ranking' aponta que USP foi eleita a 92ª melhor do mundo, caindo sete posições na comparação com o ano anterior. MIT, dos Estados Unidos, ficou com o 1º lugar. Praça do Relógio, na cidade universitária da USP Divulgação A Universidade de São Paulo (USP) caiu sete posições no ranking de melhores universidades do mundo, de acordo com o "QS World University Ranking", que é um reconhecido sistema de avaliação educacional. Apesar disso, a instituição continua no top 100 . 🏆 O ranking leva em consideração mais de 1.500 universidades em todo o mundo. Pelo 13º ano consecutivo, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês) conquistou a liderança global. 🌎A USP foi a eleita a 92ª melhor universidade do mundo. Já a Universidade de Buenos Aires subiu 14 posições e ficou com o 71º lugar. Com isso, a instituição brasileira perdeu a liderança na América Latina, que havia conquistado no ano anterior. O ranking leva em consideração nove critérios, com notas que vão de 0 a 100. A USP recebeu nota geral de 61,6 — queda de 1,2 na comparação com a lista de 2023. A USP recebeu melhores notas nos critérios de "resultados de emprego" (97,9), "rede internacional de pesquisa" (95,9) e "sustentabilidade" (93,6). Por outro lado, a instituição teve pior desempenho em "proporção de estudantes internacionais" (2,1) e "proporção internacional de docentes" (6,8). Além da USP, outras 34 universidades brasileiras aparecem no ranking. Veja a lista mais abaixo. 6 ÷ 2 (1 + 2) é igual a 1 ou 9? Saiba qual a resposta correta para a 'expressão numérica da discórdia' Melhores do mundo Confira a seguir as melhores universidades do mundo de acordo com o ranking: MIT (EUA) Imperial College London (Reino Unido) Universidade de Oxford (EUA) Universidade de Haward (EUA) Universidade de Cambridge (Reino Unido) Universidade de Stanford (EUA) ETH Zurich (Suíça) Universidade Nacional de Singapura (Singapura) UCL (Reino Unido) Instituto de Tecnologia da Califórnia (Estados Unidos) Brasileiras no ranking Veja abaixo as universidades brasileiras que apareceram no ranking mundial. A partir da 600ª posição, as classificações são feitas por grupo. 92: Universidade de São Paulo (USP) 232: Universidade de Campinas (Unicamp) 304: Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) 489: Universidade Estadual Paulista (Unesp) 611 - 620: Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) 671 - 680: Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) 691 - 700: Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) 691 - 700: Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) 751 - 760: Universidade de Brasília (UnB) 781 - 790: Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) 1.001 - 1.200: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) 1.001 - 1.200: Universidade Federal Fluminense (UFF) 1.001 - 1.200: Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) 1.001 - 1.200: Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) 1.001 - 1.200: Universidade Federal do Paraná (UFPR) 1.201 - 1.400: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) 1.201 - 1.400: Universidade Federal da Bahia (UFBA) 1.201 - 1.400: Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) 1.201 - 1.400: Universidade Federal de Pelotas (UFPel) 1.201 - 1.400: Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) 1.201 - 1.400: Universidade Federal de Viçosa (UFV) 1.201 - 1.400: Universidade Federal do Ceará (UFC) 1.201 - 1.400: Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) 1.201 - 1.400: Universidade Presbiteriana Mackenzie 1.201 - 1.400: Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) a partir de 1.400: Pontifícia Universidade Católica de Campinas a partir de 1.400: Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais a partir de 1.400: Pontifícia Universidade Católica do Paraná a partir de 1.400: Universidade Estadual de Londrina a partir de 1.400: Universidade Federal da Paraíba a partir de 1.400: Universidade Federal de Goiás a partir de 1.400: Universidade Federal de Uberlândia a partir de 1.400: Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro a partir de 1.400: Universidade Federal do Pará a partir de 1.400: Universidade do Estado de Santa Catarina VÍDEOS: mais assistidos do g1
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04/06 - Secretário de Educação diz que consultas públicas sobre terceirização da gestão de colégios estaduais do Paraná devem começar em 20 de outubro
Comunidade escolar de 204 unidades de ensino do estado deve ser consultada sobre modelo até o mês de novembro. Gestão de colégios públicos no Paraná por empresas começa em 2025 O secretário de Educação do Paraná, Roni Miranda, disse, em entrevista ao g1, que as consultas públicas que podem definir pela implantação da terceirização da gestão em colégios estaduais devem começar em 20 de outubro e seguir até novembro deste ano. O governo pretende implantar o modelo em 204 instituições de ensino, o que corresponde a pouco mais de 10% da rede estadual de ensino. Veja a lista das unidades abaixo. O projeto que prevê a terceirização foi aprovado nesta terça-feira (4) pela Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) por 38 votos a favor e 13 contra, sob protesto de professores, servidores e alunos que invadiram o prédio do Legislativo durante os dois dias de votação. ✅ Siga o canal do g1 PR no WhatsApp ✅ Siga o canal do g1 PR no Telegram Secretário de Educação do Paraná, Roni Miranda, afirmou que antes das consultas públicas empresas credenciadas para gestão dos colégios serão apresentadas à comunidade Anderson Carvalho/ Seed-PR Manifestantes viraram as costas enquanto deputado da base falavam a favor do projeto Giuliano Gomes/PR Press Miranda garantiu que a terceirização será implantada somente nos colégios que aprovarem a proposta nas consultas públicas. "A ideia é que o projeto comece em janeiro de 2025. A gente quer que os parceiros assumam as escolas para apoiar os diretores. Vamos publicar a licitação do serviço em agosto, setembro, e as comunidades escolares já vão saber nas consultas qual instituição que pode formar parceria, o que dá mais segurança para a votação. As consultas vão acontecer a partir de 20 de outubro até o mês de novembro", explicou. Como serão as consultas O secretário detalhou ao g1 como será a votação nas consultas. "Cada escola terá apenas uma só votação. Para valer a consulta na comunidade escolar, vai ter um quórum mínimo, que ainda não está definido, mas a princípio será de mais de 50% da participação da comunidade para que aquela consulta tenha validade", disse Roni Miranda. Segundo o secretário, audiências públicas serão realizadas antes das consultas para apresentar o plano de ação das empresas, que já estarão selecionadas para cada colégio. Miranda afirmou que as empresas selecionadas estarão cientes de que não terão o contrato assinado com o governo estadual se não forem aprovadas nas consultas. "Vamos dividir os colégios em lotes, mas se a comunidade recusar, não assinaremos os contratos, que devem ser de 12 a 24 meses, e poderão ser renovados. Vamos trabalhar com muita transparência nesse processo todo", pontuou. O secretário de Educação disse que há "muitos interessados" em participar do projeto, mas não explicou quais são essas empresas. Como os colégios foram selecionados Conforme Roni Miranda, os colégios que podem ter a gestão administrativa terceirizada foram escolhidos pela alta taxa de abandono escolar e baixos indicadores atingidos no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). De acordo com o Ministério da Educação (MEC), o Ideb é calculado a partir dos dados sobre aprovação escolar obtidos no Censo Escolar e das médias de desempenho no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Veja, abaixo, os colégios públicos do Paraná que podem receber o modelo: Colégios do Paraná que podem ter gestão administrativa terceirizada Mais assistidos do g1 PR Veja mais em g1 Paraná.
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04/06 - DF se compara aos Estados Unidos em número de pessoas com doutorado, mostra pesquisa
A cada 100 mil habitantes no DF, 21 têm doutorado, destaca estudo "Brasil: Mestres e Doutores 2024”. Nos Estados Unidos são 21,9 doutores para cada 100 mil habitantes; entenda. Instituto Central de Ciências (ICC), localizado no Campus Darcy Ribeiro da Universidade de Brasília TV Globo No DF, a cada 100 mil habitantes, 21 são doutores. O número pode ser comparado ao cenário dos Estados Unidos, que registra 21,9 doutores para cada 100 mil habitantes. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. Os dados são do estudo "Brasil: Mestres e Doutores 2024", produzido pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), órgão vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).A pesquisa foi divulgada nesta terça-feira (4), em Brasília. No Brasil, a média é de 10,2 doutores para cada 100 mil habitantes. Mesmo que outros estados tenham um número absoluto maior de mestres e doutores do que o DF, há fatores que aumentam as titulações na capital federal, de acordo com o estudo: Densidade populacional menor Média salarial maior Grande volume de pessoas altamente qualificadas atuando em todas as esferas governamentais na capital “Vale destacar que o DF é o maior importador líquido de mestres e o 5º maior de doutores, o que denota a demanda por esses profissionais altamente qualificados. [...] Brasília está acima da média nacional, mas a média nacional ainda deve crescer muito para se aproximar dos indicadores como dos EUA ou como os da Alemanha, com 34 doutores para cada 100 mil habitantes", diz a líder do projeto pelo CGEE, Sofia Daher. Veja gráfico abaixo com números de doutores e mestres a cada 100 mil habitantes de 1996 a 2021: Gráfico mostra comparação de número de doutores e mestres a cada 100 mil habitantes em 1996 e em 2021 nos estados do Brasil. Divulgação/CGEE Salários elevados Morador do DF é considerado o mais jovem pesquisador do país a concluir o doutorado Além do número mais alto de mestres e doutores por 100 mil habitantes, o Distrito Federal fica em posição de destaque quando o assunto é a remuneração desses profissionais. Enquanto a faixa salarial para esse grupo é de R$ 11,7 mil para mestres e R$ 16,2 mil para doutores no Brasil, em Brasília, a média salarial para mestres atinge R$ 18,3 mil e para doutores chega a R$ 20,5 mil. Confira abaixo a quantidade de mestres e doutores empregados no DF: Mestres empregados: 25.303 Doutores empregados: 8.536 Diferença salarial entre homens e mulheres ♂️♀️ No DF, são 4.436 doutoras e 15.627 mestres mulheres. Homens são 4.110 doutores e 14.672 mestres. Mesmo sendo a maioria no DF, a média salarial para as mulheres é menor do que a dos homens com o mesmo nível de pós-graduação. "Há uma diferença entre os salários de homens e mulheres de R$ 5,5 mil no caso dos mestres e R$ 3,3 mil no caso de doutores", explica a coordenadora do estudo, Sofia Daher. Doutores: Mulheres ganham em média R$ 17 mil e homens R$ 20,3 mil💲 Mestres: Mulheres ganham em média R$ 14,5 mil e homens R$ 20 mil💲 "Das 81 áreas do conhecimento, as mulheres ganham menos em 79 em todas as regiões do Brasil. Só ganham mais em Turismo e Museologia. Mesmo nas áreas em que há uma proporção maior de mulheres sendo tituladas, como Ciências Humanas, elas continuam ganhando menos", diz Sofia Daher. Estudo 'Brasil: Mestres e Doutores' A série de estudos "Brasil: Mestres e Doutores" reúne informações estatísticas sobre a formação e o emprego desses profissionais que se titularam no Brasil nas últimas décadas. Dividido em cinco capítulos, a edição de 2024 mostra a evolução do processo de expansão dos programas de pós-graduação e cursos de mestrado e doutorado no Brasil de 1996 a 2021. Os dados sobre os programas, cursos e titulações foram gerados a partir da Plataforma Sucupira, mantida pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), e os materiais sobre emprego formal foram coletados a partir da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho e do Emprego (MTE). LEIA TAMBÉM: ENEM 2024: Veja como se inscrever para cursinho preparatório gratuito no DF; são 240 vagas VÍDEO: Girassóis colorem paisagem no DF; veja onde fica plantação Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.
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02/06 - Por que sonho com uma prova para a qual não estudei?
'O que está acontecendo durante a noite é talvez seu cérebro dizendo... 'Eu sei que isso está te preocupando, eu sei que há coisas a serem feitas. Estou trabalhando nisso', diz professor de Oxford. Oluwatosin sonha que não se preparou para as provas BBC/ HAZEL SHEARING Em meados de 2025, Oluwatosin, de 17 anos, estará realizando as chamadas A-levels, as provas que antecedem a etapa final do processo seletivo do ensino superior no Reino Unido. E ele sabe que, à medida que esse momento se aproxima, terá o mesmo pesadelo recorrente. Oluwatosin se encontra numa sala de exames, sua prova de matemática está à sua frente, mas ele se confundiu na revisão de estatística e mecânica, e o teste está cheio de perguntas para as quais ele não se preparou. Ele acorda suando e com dor de cabeça, aliviado ao descobrir que tudo não passava de um sonho. Não é possível saber o quão comum é ter esse tipo de pesadelo, já que nem todo mundo se lembra deles. Mas por que temos esses sonhos? E há alguma maneira de evitá-los? Colin Espie, professor de medicina do sono na Universidade de Oxford, no Reino Unido, explica que nosso cérebro está acordado mesmo quando estamos dormindo. Ele está ocupado consolidando as coisas que aprendemos, construindo nossas memórias e processando nossas emoções. Mas ele também estará gerando situações — resultando no que conhecemos como sonhos. A gente costuma receber alguns poucos sinais de que nosso cérebro está processando informações. Sonhos sobre as provas, portanto, deveriam ajudar a nos "tranquilizar", já que eles querem dizer que todo esse aprendizado está sendo feito — mesmo sem que saibamos. "O que está acontecendo durante a noite é talvez seu cérebro dizendo... 'Eu sei que isso está te preocupando, eu sei que há coisas a serem feitas. Estou trabalhando nisso'", diz o professor. "Isso não quer dizer que não devemos estudar durante o dia. O cérebro só pode consolidar as coisas que estamos tentando aprender." Podemos ter muitas coisas acontecendo em nossas vidas, então por que é que as provas podem estar tendo destaque em nossos sonhos? 👉 "É muito comum sonhar com qualquer coisa que seja ameaçadora", explica Espie. Apenas porque algo é ameaçador não significa que seja ruim, ele diz, mas pode significar que é desafiador — e os exames são, quase por definição, desafiadores. "A maioria das pessoas não aguarda ansiosamente pelos seus exames, né?" "Eles estão em sua mente durante o dia, e não deveria nos surpreender que estejam em nossa mente durante a noite." Os sonhos com as provas são bem comuns, de acordo com Espie. "Praticamente todo mundo" tem esses sonhos, mesmo que não se lembre deles. "Para uma parte das pessoas, esses sonhos não irão se manifestar na consciência, e então você não estará ciente deles." "Para algumas, eles vão se manifestar um pouco mais e será ocasional. E, para outras, será um problema todas as noites." Sonhos emocionais Zuhal também já sonhou com questões que ela não fazia ideia como responder - algo que nunca aconteceu na realidade BBC/ HAZEL SHEARING Zuhal, de 19 anos, sempre sonha que está atrasada. "Eu acordo duas ou três vezes antes de meu alarme tocar, para checar a hora", diz. "Eu penso... 'Preciso dormir por mais uma hora', mas não consigo." Para o professor Colin Espie, de Oxford, a explicação é "simples". "Você consegue ter noção das horas mesmo quando está dormindo", ele diz —acrescentando que os seres humanos não tinham smartphones ou mesmo relógios no passado. 💤💤💤 Pesadelos, diz o professor, são sonhos emocionais — um sinal de que nossos sentimentos estão sendo processados enquanto dormimos. Alguns podem persistir por anos, incluindo aqueles sobre os exames. Eles podem às vezes ser "desencadeados" por emoções semelhantes e "sensações de um impasse", diz Espie — embora também possam ocorrer aleatoriamente. "Nossos cérebros categorizam coisas", diz. Quando as pessoas se deparam com outras situações difíceis, elas vão refletir e pensar, 'sim, tive algo semelhante quando estava na escola e realizava provas'. Então esses sonhos sobre as provas podem não estar relacionados a um exame em si, mas com o fato de ser testado de alguma forma. Desacelerar (e como voltar a dormir) Então, o que podemos fazer para evitar os angustiantes sonhos sobre as provas? Bem, se você realmente tiver exames chegando, o professor Colin Espie recomenda ter um bom cronograma de estudos com pausas regulares para que você possa "se tranquilizar, sabendo que tem um plano e o está colocando em prática". E evite estudar intensivamente até tarde da noite. "Se você se jogar na cama com fórmulas de matemática rodando sem parar na sua cabeça, há uma boa chance de você acabar acordando com elas ainda na sua mente no meio da madrugada", diz Espie. "Dê a si mesmo um período de desaceleração." Rose assiste à sua série favorita para pegar no sono BBC Você também pode tentar ser mais "compreensivo" consigo mesmo quando acordar de um sonho ruim. "A ansiedade, em geral — quer seja durante a noite ou durante o dia — tende a assumir a mesma forma, que é a de 'e se?'", diz o professor Espie, que também é especialista na relação entre sonhos e saúde mental. É por isso que você pode sonhar com situações como chegar atrasado para um exame ou não saber nenhuma das respostas. "Precisamos pensar sobre nossa resposta a isso", diz. "Se estamos fazendo essa pergunta a nós mesmos, provavelmente pensaríamos, 'bem, então você está ferrado, não está?'. Mas você nunca diria isso a outra pessoa." Rose, 19 anos, não sonha com as provas — ou não se lembra —, mas os exames ainda perturbam seu sono. Muitas vezes ela fica acordada até as 2 da manhã. A única solução que ela encontrou até agora é assistir Rick and Morty, um de seus programas de TV favoritos. "Isso me acalma [e me ajuda] a pegar no sono mais facilmente", ela diz. O professor Colin Espie explica que é impossível "fazer-se" dormir — você só consegue realmente adormecer. Se você se pegar olhando para o teto às 4 da manhã, ele recomenda mudar a maneira de encarar isso. Tente ficar aliviado que você pode dormir por mais três horas, em vez de se preocupar que não terá horas de sono suficientes antes do exame. Se não conseguir, tire 10 minutos (sem olhar para o celular ou relógio para contar) para se permitir voltar a dormir. E, se ainda assim, não conseguir? "Saia um pouco da cama, até você se sentir sonolento de novo. Volte para a cama e permita-se adormecer, dizendo a si mesmo que tudo bem se você acordou no meio da noite", aconselha Espie. "Apenas não entre num ciclo vicioso de tentar demais." Ele afirma que, se for de madrugada, você provavelmente ainda precisará dormir e o sono virá. "Não reaja exageradamente aos eventos que acontecem durante a noite. Confie no seu sono." Seis técnicas que podem turbinar seus estudos
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01/06 - Ao menos 53 universidades federais e 51 institutos estão em greve
Servidores federais reivindicam reestruturação de carreira, recomposição salarial e orçamentária, e revogação de normas aprovadas nos governos Temer e Bolsonaro. Professores das universidades federais do Ceará seguem em greve após recusarem propostas do governo. ADUFC/Reprodução Ao menos 54 universidades, 51 institutos federais (IFs) e o Colégio Pedro II continuam em greve desde abril, de acordo com levantamento do g1. Professores e servidores das instituições reivindicam reestruturação de carreira, recomposição salarial e orçamentária, e revogação de normas aprovadas nos governos Temer e Bolsonaro. Segundo o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andres), há uma defasagem de 22,71% no salário dos professores, acumulada desde 2016. A entidade pede uma reposição salarial que considere essa diferença. Os níveis de paralisação variam — em algumas instituições, professores e técnicos-administrativos aderiram à greve. Em outros casos, apenas os professores ou técnicos estão paralisados. No caso dos institutos federais, a greve atinge pelo menos 400 campi espalhados pelo país. Na segunda-feira (27), o governo chegou a assinar um acordo com a Federação de Sindicatos de Professores e Professoras de Instituições Federais de Ensino Superior e de Ensino Básico Técnico e Tecnológico (Proifes-Federação). No entanto, essa proposta não foi aceita pelo Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes) e pelo Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe). O Ministério da Saúde disse em nota que "as demais instituições que não assinaram o acordo terão mais prazo para levarem novamente a proposta para suas bases e poderão assinar o acordo posteriormente." LEIA TAMBÉM: Greve dos hospitais federais do RJ: funcionários relatam falta de insumos e exames adiados Acordo com Proifes e negativa de sindicatos O acordo firmado entre o governo e o Proifes prevê a reestruturação da carreira docente, um reajuste de salário de 9% em janeiro de 2025 e 3,5% em maio de 2026. Além disso, o acordo também detalha o que a entidade define como “reestruturação na progressão entre os diferentes níveis da carreira”, que garantiria uma elevação de salário para profissionais em início de carreira. Segundo o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andres), no entanto, essa valorização aconteceria “às custas de mais uma desestruturação”, pois haveria uma redução no número de graus que a carreira possui atualmente, passando de 13 para 10. Em comunicado na terça-feira (28), o Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe) declarou que “a greve não acabou”. Ainda em nota, o MEC afirmou que reforça que a pasta está “sempre aberta ao diálogo, franco e respeitoso, pela valorização dos servidores”. Com a negativa dos dois sindicatos, a greve continua em muitas instituições pelo Brasil. Veja a lista abaixo: Norte Amazonas: servidores técnico-administrativos dos 18 campi do Ifam entraram em greve no dia 15 de abril de 2024. Pará: professores e servidores da Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) continuam em greve. Também continuam paralisados os 18 campi do IFPA. Acre: na Universidade Federal do Acre (UFAC), técnicos-administrativos e professores continuam em greve, assim como 6 campi do IF do estado. Roraima: professores da Universidade Federal de Roraima (UFRR) continuam paralisado desde o dia 22 de abril. Rondônia: na Universidade Federal de Rondônia (UNIR), docentes e técnicos administrativos continuam em greve. Onze campi do IF do estado também continuam paralisados. Amapá: técnicos e docentes da Universidade Federal do Amapá estão em greve. Os trabalhos em 5 campi do IFAP também estão suspensos. Tocantins: na Universidade Federal do Tocantis, professores e técnicos continuam em greve. Três unidades do Instituto Federal também estão paralisados. Nordeste Alagoas: técnicos e professores continuam em greve na Universidade Federal de Alagoas (UFAL). 17 campi do IF do estado também estão paralisados. Bahia: na Universidade Federal da Bahia (UFBA), Universidade Federal de Recôncavo da Bahia (UFRB) e Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) professores e servidores continuam em greve; Todos os 24 campi do Instituto Federal da Bahia (IFBA), e os 14 do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano (IF Baiano) estão parados. Ceará: a Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade Federal de Cariri (UFCA), Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) estão em greve. Assim como 33 campi do Instituto Federal do estado. Maranhão: técnicos e professores continuam em greve na Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e em todos os 25 campi do IF do estado. Paraíba: técnicos da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) estão em greve. Todos os 21 campi do IF da Paraíba também seguem paralisados. Pernambuco: a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) e 5 campi do IFSertãoPE continuam paralisados. Piauí: técnicos e docentes da Universidade Federal do Piauí (UFPI) e de 17 campis do IF do estado continuam paralisados. Rio Grande do Norte: docentes e técnicos-administrativos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), da Universidade Federal do Semi-Árido (Ufersa) e o Instituto Federal do RN continuam em greve. Sergipe: técnicos e docentes da Universidade Federal do Sergipe e de 10 campi do IF do estado continuam paralisados. Sul Paraná: técnicos e docentes da Universidade Federal do Paraná (UFPR), da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) de 28 campi do IF do estado seguem em greve. Rio Grande do Sul: universidades e institutos federais suspenderam total ou parcialmente as atividades acadêmicas devido às cheias, portanto, não foram incluídos no levantamento. Santa Catarina: treze dos 15 campi do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) e os 22 campi do Instituto Federal Catarinense (IFC) estão em greve total ou parcial; a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) está em greve parcial. Sudeste Espírito Santo: professores e servidores da Universidade Federal do Espírito Santos (UFES) estão em greve desde o dia 15 de abril. Minas Gerais: Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Universidade Federal de Viçosa (UFV), Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ ), Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Universidade Federal de Alfenas (Unifal), Universidade Federal de Lavras (UFLA), Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) continuam em greve. 28 campi do IFMG e Norte do estado. São Paulo: docentes da Universidade Federal do ABC (UFABC), Universidade Federal de São Carlos e (UFSCar) e de pelo menos 6 institutos federais não estão trabalhando. Rio de Janeiro: professores e servidores da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Unirio, Universidade Federal Fluminense (UFF) e de 15 campi do Instituto Federal do estado seguem com os trabalhos paralisados. Servidores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) também continuam em greve. Centro-Oeste Goiás: técnicos da Universidade Federal de Goiás (UFG), Universidade Federal de Catalão (UFCat) e Universidade Federal de Jataí (UFJ) continuam em greve. O IFGO e IF Goiano também continuam paralisados. Mato Grosso: docentes e funcionários da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) e de 18 campi do IFMT continuam em greve. Mato Grosso do Sul: a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) e a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) de Campo Grande continua em greve. 10 campi do instituto federal do estado também estão em greve. Distrito Federal: docentes e técnicos da Universidade de Brasília (UnB) também estão em greve. VÍDEOS DE EDUCAÇÃO
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31/05 - Enem 2024: PF investiga golpe de site que simulava canal oficial para roubar taxa de inscrição
Golpistas criaram site que simulava página de inscrição e levava para página de pagamento. Taxa do Enem é de R$ 85 e Inep alerta sobre cuidados para não cair em golpe. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) acionou a Polícia Federal para investigar um falso site que imita o canal oficial de inscrições do Enem 2024. A página leva o estudante para uma aba de pagamentos, onde o golpe é aplicado. 🖊️ O exame é uma das principais portas de entrada para a educação superior, utilizado por instituições públicas e privadas como critério de seleção. Além de ser requisito para programas como Sisu, Prouni e Fies. Nesta sexta-feira, o instituto emitiu uma nota alertando para um golpe envolvendo a inscrição do exame. Pedido de taxa de isenção no Enem 2024 vai até o dia 26 de abril Reprodução/Redes Sociais Como o golpe funciona? Os golpistas colocaram no ar uma página falsa que imita a Página do Participante do Enem. No site, o estudante só precisava preencher o CPF e era levado para uma página de pagamentos, simulando a taxa de inscrição. ❗ O Enem tem taxa de inscrição de R$ 85 e em 2023, por exemplo, recebeu 2,7 milhões de inscrições. Com isso, a meta dos golpistas era fazer com que estudantes se confundissem e pagassem a taxa pelo falso site. Enem 2024: veja datas de inscrição e de aplicação das provas Investigação da PF O Inep emitiu uma nota com o alerta aos alunos sobre o golpe e informando que acionou a Polícia Federal para investigar os responsáveis pela página e derrubar o site. O g1 apurou que às 12h a página denunciada já não estava mais no ar. Página oficial do Inep para inscrição do Enem 2024 Reprodução Alerta aos alunos Antes de se inscrever, é preciso checar alguns pontos para evitar cair em golpes. Veja abaixo os cuidados: As inscrições só são feitas pelo enem.inep.gov.br/participante. A inscrição depende de um cadastro, que dá ao aluno login e senha do sistema do Inep. É por ele que, depois, é possível consultar local de prova e resultado. O boleto para o pagamento só é disponibilizado após acesso ao sistema do Inep com o login e a senha criados. O boleto emitido é do Banco do Brasil. Enem 2024: inscrições começam nesta segunda; confira o cronograma completo, valor da taxa e outros detalhes
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29/05 - Renegociação do Fies tem prazo prorrogado; estudantes podem ter desconto de até 99% na dívida
Etapa terminaria em 31 de maio, mas foi adiada pelo MEC até 31 de agosto. Valor do abatimento depende do perfil socioeconômico do aluno e do período de atraso no pagamento. FIES Marcello Casal Jr/ Agência Brasil O Ministério da Educação (MEC) prorrogou, nesta quarta-feira (29), o prazo para estudantes renegociarem suas dívidas no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) — com descontos de até 99%. A princípio, a etapa terminaria em 31 de maio, mas foi adiada até 31 de agosto de 2024. 💰Chamado de "Desenrola Fies", o programa permite que alunos [veja critérios abaixo] que financiaram as mensalidades do curso superior possam reduzir o valor que ainda estão devendo ao governo. 🪙 Para isso, devem entrar em contato com a Caixa Econômica Federal ou com o Banco do Brasil para descobrir as possibilidades de negociação. É possível fazer simulações virtuais do novo contrato. 🧑‍🎓Quem pode participar? Estudantes que tenham assinado o contrato de financiamento até 2017 e que ainda estivessem com débitos em 30 de junho de 2023. Quais os descontos? 1- Contratos vencidos e não pagos há mais de 90 dias, em 30/06/2023: desconto de 100% nos juros e de 12% no valor principal, para pagamento à vista; parcelamento em até 150 vezes, com abatimento total dos juros e das multas. 2- Contratos vencidos e não pagos há mais de 365 dias, em 30/06/2023, de alunos cadastrados no CadÚnico ou que tenham sido beneficiários do auxílio emergencial 2021: desconto de 92% no valor total da dívida; ou abatimento de 99%, caso a última prestação devida esteja com mais de 5 anos de atraso. 3- Contratos vencidos e não pagos há mais de 365 dias, em 30/06/2023, de alunos fora do CadÚnico e do auxílio emergencial: desconto de 77% na dívida consolidada. 4- Estudantes com zero dia de atraso: desconto de 12% no valor total, para pagamento somente à vista. Observações para todos os casos: Nas situações em que o parcelamento for permitido, o valor pago por mês não pode ser inferior a R$ 200. Se, após a renegociação, o estudante deixar de pagar 3 parcelas seguidas ou 5 alternadas, perderá o direito ao desconto. Abaixo, veja quantos contratos estavam com pagamento atrasado em cada estado, quando o Desenrola Fies foi anunciado (2023): Dados por estado de contratos inadimplentes do Fies MEC Vídeos Abaixo, veja vídeo sobre candidatos de medicina que gastam até R$ 18 mil para conseguir Fies na Justiça, mesmo sem nota suficiente no Enem: FIES na justiça: É possível obter financiamento mesmo sem atingir nota de corte no Enem?
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29/05 - Plano com metas da educação 'caduca' em julho; sem nova proposta do MEC, Congresso deve prorrogar o atual
Plano Nacional de Educação determina diretrizes, objetivos e estratégias para a política educacional a cada 10 anos. Expectativa na Câmara e no Senado é de que o Plano atual seja prorrogado, mas há preocupação pela falta de atualização nas metas para a educação. Novo Plano Nacional de Educação ainda não foi enviado à Câmara. Na imagem, sala de aula vazia em Cujubim Grande (RO). Jaíne Quele Cruz/g1 Falta cerca de um mês para a atual versão do Plano Nacional de Educação expirar. Ainda assim, o Ministério da Educação (MEC) não enviou ao Congresso uma nova proposta de texto para esse documento, que é essencial na definição de metas para combater o analfabetismo, universalizar a educação básica e elevar a escolaridade média da população, por exemplo. 📝 O PNE é um projeto de lei com as metas para a educação para a década seguinte que determina diretrizes, objetivos e estratégias para a política educacional. A Lei atual, composta por 20 metas, foi aprovada em junho de 2014 e tem vigência válida até o final de junho de 2024. 📊 Foi com base na meta 11 do PNE 2014-2024, por exemplo, que nasceu uma parte da política do novo ensino médio que integra a etapa ao ensino técnico. Essa meta objetivava triplicar as matrículas da educação profissional técnica (EPT) de nível médio, expandindo em pelo menos 50% da oferta nas redes públicas. Sem uma nova proposta em pauta, a Comissão de Educação e Cultura do Senado aprovou na terça-feira (28) um PL que pede a prorrogação do atual PNE até dezembro de 2025, o que permitiria um período de apreciação do novo plano — que ainda deve ser enviado pelo MEC. Agora, o texto segue para a Câmara. 👉🏾 A legislação é importante porque guia as prioridades para investimento dos governos nos âmbitos federal, estadual e municipal para a educação. Sem um novo PNE, que seria válido de 2024 a 2034, a corrida é para evitar que haja um vácuo entre o plano atual e o seguinte, de acordo com congressistas ouvidos pelo g1. Abaixo, entenda o que está em jogo e o que se sabe do novo PNE. PLs na Câmara e no Senado Com o atraso da apresentação da nova proposta pelo MEC, tanto a Câmara quanto o Senado apresentaram Projetos de Lei (PL) que pedem a prorrogação do PNE vigente. Na Câmara, foi apresentado o PL 6087/2023, de coautoria dos deputados Adriana Ventura (NOVO/SP), Soraya Santos (PL/RJ) e Filipe Martins (PL/TO). No Senado, corre o PL 5665/2023, da senadora Professora Dorinha (União/TO). O projeto da Câmara não andou, e nem chegou a ter relator definido. Já PL do Senado está em tramitação avançada, e foi aprovado pela Comissão de Educação e Cultura em sessão na terça-feira (28). Inicialmente, o texto pedia a prorrogação do PNE até 2028. No entanto, projeto foi aprovado com uma emenda que define a prorrogação até dezembro de 2025. Agora, o texto segue para a Câmara. Metas do Plano Nacional da Educação para a próxima década ainda não chegaram ao Congresso Nacional Apesar de ser a autora do PL em tramitação, a senadora Professora Dorinha diz que o cenário ideal seria um em que o novo PNE fosse aprovado o quanto antes. No entanto, ela não acredita que isso aconteça com menos de um ano. "Espero que o próximo PNE seja votado o quanto antes. O que não podemos é deixar que haja um vácuo sem metas vigentes até a aprovação", diz Dorinha. O deputado Idilvan Alencar, do PDT do Ceará, também acredita que este seja o segundo melhor cenário para que a educação do país não seja prejudicada. O ideal mesmo era que a gente já tivesse o texto do novo PNE em apreciação. Não acho que a tramitação demore o mesmo que o primeiro Plano, aprovado em 2014, mas precisamos avaliar as metas com atenção, e não votar na correria sem conhecer o Projeto. E isso deve demorar pelo menos alguns meses. A preocupação em relação ao tempo se dá pelo contexto da aprovação do PNE 2014-2024. O texto foi apresentado em 2010 e ficou em discussão até 2014, quando foi aprovado. Comparativamente, apenas em março deste ano o MEC sinalizou o início da elaboração Projeto de Lei do Plano 2024-2034. "O PNE de 2014 foi o primeiro, não havia precedentes, o que demandou mais tempo de discussão do Congresso. Mas o Plano que devemos votar agora também não é simples, porque estamos vindo de um contexto de pandemia, que impactou a educação no país, e muitas metas do PNE anterior não foram atingidas", explica Idilvan Alencar. Se o PL 5665 for aprovado em plenário do Senado, o texto será enviado para votação na Câmara e, se aprovado, segue para sanção presidencial. Novo PNE Por ora, pouco se sabe a respeito do conteúdo do novo PNE, que ainda vai ser enviado pelo MEC à Câmara dos Deputados. A expectativa de membros do Congresso é de que o documento reúna 58 novas metas. Procurado pela reportagem, o MEC informou que o texto foi elaborado e "já está no Ministério da Fazenda e no Ministério do Planejamento, para avaliação e trâmite para a Casa Civil.” No entanto, essa etapa marca apenas o início do processo de tramitação do texto, que deve ser devolvido ao MEC, e só então, enviado à Câmara para apreciação. A preocupação dos congressistas é justamente pelo tempo de tramitação do PL nas duas casas que compõem o Congresso. “Quando se fala que o primeiro PNE passou 4 anos em discussão, não tínhamos [em 2010] esse contexto de disputa ideológica que temos hoje no Congresso”, avalia Idilvan. Para a senadora Professora Dorinha, o processo só será agilizado caso haja a criação de uma comissão especial conjunta entre Câmara e Senado para realizar a apreciação do texto. Essa divisão permitiria que as duas Casas entrassem em um consenso a partir do trabalho dessa comissão. Assim, quando o texto seguisse para votação nos respectivos plenários, seria mais improvável a solicitação de alterações PL. VÍDEOS E PODCAST
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29/05 - 6 ÷ 2 (1 + 2) é igual a 1 ou 9? Saiba qual a resposta correta para a 'expressão numérica da discórdia'
Tanto no Brasil quanto no exterior, usuários das redes sociais voltam constantemente neste problema matemático que parece ter duas respostas diferentes — mas só uma delas está correta. Probleminha da discórdia: você consegue resolver essa expressão numérica? 6 ÷ 2 (1 + 2) = 1 ou 9? A discussão sobre essa expressão numérica é quase um evento sazonal nas redes sociais. Pode ter certeza que, mais cedo ou mais tarde, algum internauta vai levantar novamente o debate. Expressão numérica gera confusão na internet. Reprodução/X (antigo Twitter) E, embora haja quem defenda que o resultado é 1, a verdade é que a única resposta possível é 9. 🤔 Se você, como boa parte da internet, está confuso com essa descoberta, confira abaixo ou no vídeo acima a explicação sobre como resolver essa e outras expressões numéricas parecidas. E se você acertou o resultado, confira se o seu raciocínio estava correto. Submarino Triton: conheça o modelo com casco de acrílico e joystick que deve ser usado para viagem até o Titanic 🔣 Como entender o cálculo Antes de colocar a mão na massa, vamos relembrar o que é PEMDAS, que resume a regra da ordem de resolução para expressões numéricas. PEMDAS é uma sigla formada a partir das iniciais de parênteses, expoentes, multiplicação ou divisão, e adição ou subtração. E a ordem das palavras não é aleatória, já que é a mesma que deve ser seguida para resolver problemas matemáticos como o apresentado acima. Isso significa que, primeiro, é resolvido o cálculo dentro dos parênteses, depois os expoentes (se houver), seguidos pela multiplicação ou divisão, e, por fim, a adição ou subtração. Quando é colocado multiplicação ou divisão, e adição ou subtração, isso quer dizer que a primeira e a segunda operação têm pesos iguais. Ou seja, diferente do que muita gente acredita, a multiplicação não tem prioridade de resolução sobre a divisão, e vice-versa, nem a adição é prioritária à subtração. "Como divisão e multiplicação têm a mesma hierarquia, o mesmo grau de complexidade, as operações são resolvidas na ordem em que elas aparecem", explica Thiago Dutra, autor do Sistema Anglo de Ensino e professor de matemática. ✅ Chegando ao resultado correto Na prática, voltando à expressão apresentada acima, a resolução seria: 6 ÷ 2 (1 + 2) 6 ÷ 2 x (3) 6 ÷ 2 x 3 3 x 3 9 LEIA TAMBÉM: Plano de 10 anos com metas da educação perde validade em junho; saiba como ficam políticas de alfabetização, ensino técnico e mais ❎ E o resultado incorreto? Apesar disso, é compreensível que muita gente acredite que o resultado deveria ser 1. De acordo com Thiago Dutra, isso acontece porque as pessoas esquecem da regra de resolução das operações, e também porque o resultado de fato seria esse se houvesse uma mudança simples na apresentação do problema. "Se a ideia fosse fazer primeiro a multiplicação e depois a divisão, o que levaria ao resultado 1, seria bom colocar [a multiplicação] entre parênteses. Aí, ficaria 6 ÷ (2 x 3), e o parênteses daria a prioridade para a multiplicação", explica o professor. O cálculo seria assim: 6 ÷ (2 (1 + 2)) 6 ÷ (2 x (3) 6 ÷ (2 x 3) 6 ÷ 6 1
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28/05 - Sem previsão de novo plano do governo, Comissão do Senado aprova prorrogação da validade de metas nacionais para educação
Proposta de prorrogação das metas até o fim de 2025 segue para análise da Câmara. Executivo deveria ter encaminhado novo Plano Nacional de Educação antes de julho de 2023. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhado da primeira-dama Janja Lula da Silva, de governadores e dos ministros da Educação, Camilo Santana, e da Fazenda, Fernando Haddad, lança o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada. Arquivo/Fabio Rodrigues-Pozzebom/Divulgação A Comissão de Educação do Senado aprovou, por 16 votos a 0, nesta terça-feira (28) uma proposta que prorroga, até dezembro de 2025, a vigência do atual Plano Nacional de Educação (PNE), que estabelece um planejamento de dez anos com metas para a política educacional do país. O texto foi aprovado em meio ao descumprimento do prazo, previsto em lei, para que o Ministério da Educação encaminhasse uma revisão do PNE ao Congresso. Segundo a atual legislação, um projeto a respeito do assunto deveria ter sido enviado até o fim do primeiro semestre de 2023. Sem previsão do governo para enviar o novo PNE, que seria válido entre 2024 e 2034, parlamentares articularam a prorrogação do planejamento atual por mais quatro anos. A avaliação entre senadores é que não haveria tempo hábil e ambiente despolarizado para votar um novo plano. A proposta aprovada na Comissão de Educação nesta terça seguirá diretamente para análise da Câmara dos Deputados, desde que não haja recurso para votação no plenário principal do Senado. Caso não haja prorrogação do atual documento, o PNE deixará de valer em junho deste ano. Sancionado em 2014, o plano prevê metas que o Brasil precisa atingir até 2024 desde a educação básica até o ensino superior. A versão em vigor atualmente tramitou por quase quatro anos até ser aprovada em definitivo pelo Congresso e sancionada pela então presidente Dilma Rousseff (PT). Entre as metas previstas no atual PNE, está a ampliação do financiamento da educação pública para 10% do Produto Interno Bruto (PIB). Também consta do plano, por exemplo, a alfabetização de todas as crianças até o fim do terceiro ano do ensino fundamental. Ao todo, são 20 metas (veja mais abaixo), monitoradas por meio de 56 indicadores do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Levantamento do Inep divulgado em 2022 aponta que o nível de execução do atual PNE — isto é, quanto do trabalho previsto entre 2014 e 2024 foi cumprido — é de cerca de 40%. Relator da proposta no colegiado, o senador Esperidião Amin (PP-SC) afirmou que o texto evitará “eventual vácuo normativo” e a “ausência de norte para a educação nacional”. “Trata-se de um prazo exequível, que considera a complexidade e a dimensão do trabalho”, disse Amin. Metas do Plano Nacional da Educação para a próxima década ainda não chegaram ao Congresso Nacional Novo PNE O Ministério da Educação ainda não informou quando será enviado o projeto com o novo PNE. Nesta terça, representantes do MEC e da base aliada ao governo indicaram que o texto será encaminhado “em breve” e que deverá contar com pedido de urgência constitucional do governo — quando um projeto deverá ser apreciado em até 45 dias tanto na Câmara quanto no Senado. A sinalização foi feita pela vice-líder do PT no Senado, Teresa Leitão (PE). Segundo ela, a pasta já adaptou o conteúdo-base do PNE enviado pela Conferência Nacional de Educação (Conae) de 2024. A proposta, também segundo Teresa, já passou por avaliação da Casa Civil e aguarda ajustes do Ministério da Fazenda. Com o compromisso de acelerar o envio e a discussão da proposta, a comissão aprovou uma mudança no projeto, reduzindo a ampliação da validade do PNE. Originalmente, a proposta previa uma prorrogação para até 2028. O texto aprovado, com apoio do governo e compromisso do MEC, estabelece que as metas valerão até o fim de 2025. Metas do atual plano O atual PNE prevê 20 metas: Educação infantil: ter 100% das crianças de 4 e 5 anos matriculadas na pré-escola até 2016 e 50% das crianças com até 3 anos matriculadas em creches até 2024 Ensino fundamental: fazer com que todas as crianças de 6 a 14 anos estejam matriculadas no ensino fundamental até 2024. Além disso, garantir que, no mesmo prazo, pelo menos 95% delas concluam o fundamental até os 16 anos Ensino médio: alcançar 100% do atendimento escolar para adolescentes entre 15 e 17 anos até 2016 e elevar, até 2024, a taxa líquida de matrículas dessa faixa etária no ensino médio para 85% Educação especial: garantir que todas as crianças e adolescentes de 4 a 17 anos com necessidades especiais tenham acesso à educação básica com atendimento educacional especializado, preferencialmente na rede regular de ensino Alfabetização: alfabetizar todas as crianças, no máximo, até o fim do 3º ano do ensino fundamental Educação em tempo integral: oferecer educação em tempo integral em, no mínimo, 50% das escolas públicas e atender, pelo menos, 25% dos alunos da educação básica até 2024 Aprendizado na idade certa: melhorar a qualidade da educação e aumentar o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) em três etapas até 2021: 6,0 nos anos iniciais do fundamental; 5,5 nos anos finais do fundamental e 5,2 no ensino médio Escolaridade da população adulta: aumentar a escolaridade média da população de 18 a 29 anos, alcançando, até 2024, a média de 12 anos de estudo para as populações do campo e dos 25% mais pobres; além disso, igualar a escolaridade média entre negros e não-negros Analfabetismo dos adultos: reduzir para 6,5% a taxa de analfabetismo da população maior de 15 anos até 2015 e erradicá-la em até dez anos, além de reduzir a taxa de analfabetismo funcional pela metade no mesmo período EJA integrada à educação profissional: garantir que pelo menos 25% das matrículas da Educação de Jovens e Adultos (EJA) seja integrada à educação profissional Educação profissional: triplicar as matrículas da Educação Profissional Técnica de nível médio (EPT), assegurando a qualidade da oferta e pelo menos 50% da expansão no segmento público Educação superior: elevar a taxa bruta de matrícula da educação superior para 50% da população entre 18 a 24 anos, assegurando a qualidade, e expandir as matrículas no setor público em pelo menos 40% Titulação de professores da educação superior: garantir que pelo menos 75% dos professores da educação superior sejam mestres e 35%, doutores Pós-graduação: ampliar as matrículas na pós-graduação stricto sensu para atingir a titulação anual de 60 mil mestres e 25 mil doutores Formação de professores: criar, até 2015, uma política nacional de formação de professores para assegurar que todos os docentes da educação básica possuam curso de licenciatura de nível superior na área em que atuam Pós-graduação de professores: formar, até 2024, 50% dos professores da educação básica em nível de pós-graduação, e garantir que 100% dos professores tenham curso de formação continuada Salário do professor: equiparar, até 2020, os salários dos professores das redes públicas de educação básica ao dos demais profissionais com escolaridade equivalente Plano de carreira do professor: criar, até 2016, planos de carreira para os professores do ensino básico e superior das redes públicas, tomando como base o piso salarial nacional Gestão democrática: dar condições para a efetivação da gestão democrática da educação, com critérios de mérito e desempenho e consulta pública à comunidade escolar, até 2016 Financiamento da educação: ampliar o investimento público em educação a até 7% do Produto Interno Bruto (PIB) no 5º ano de vigência da lei, e a 10% até 2024
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28/05 - Após 'fundo do poço' na pandemia, nível de alfabetização de crianças volta a subir: 56% aprenderam a ler e escrever na idade certa
Números refletem o desempenho de crianças de 6 e 7 anos que estudam na rede pública. Ceara (85%), Paraná (73%) e Espírito Santo (68%) têm os maiores percentuais de alunos com níveis de escrita e leitura adequados para a idade. O Ministério da Educação (MEC) divulgou nesta terça-feira (28) que 56% das crianças que estudam em escolas da rede pública foram alfabetizadas na idade certa em 2023. O dado faz parte dos primeiros resultados divulgados do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, programa do governo federal lançado em julho do ano passado. 👉🏾 O Compromisso Nacional Criança Alfabetizada tem o objetivo de garantir que os alunos de 6 e 7 anos aprendam a ler e a escrever. Aderiram à iniciativa 100% dos estados e 99,8% dos municípios. Mais de R$ 1 bilhão já foi investido no programa, segundo o MEC. O patamar alcançado pela nova política é semelhante ao percentual de estudantes alfabetizados no Brasil em 2019, segundo o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), que era de 55% (entenda abaixo a diferença do atual programa para o Saeb). "É importante de comemorar, mas ainda estamos muito longe, porque não queremos apenas metade das nossas crianças alfabetizadas na idade certa, queremos 100%. Progredimos, porém ainda temos um longo caminho a percorrer", avaliou Camilo Santana, ministro da Educação. LEIA TAMBÉM: Cursos EAD para formação de professores devem ter metade de carga horária presencial, decide MEC De acordo com o ministro, mais de R$ 1 bilhão foi repassado para os estados e municípios para desenvolver políticas locais de alfabetização, garantir a construção de cantinhos de leitura em escolas, formar gestores e professores, entre outras iniciativas. Situação nos estados* Índice de crianças alfabetizadas na idade certa: Brasil - 56% Alagoas - 44% Amapá - 42% Amazonas - 52% Bahia - 37% Ceará - 85% Espírito Santo - 68% Goiás - 67% Maranhão - 56% Mato Grosso - 55% Mato Grosso do Sul - 47% Minas Gerais - 60% Pará - 48% Paraíba - 51% Paraná - 73% Pernambuco - 59% Piauí - 52% Rio de Janeiro - 52% Rio Grande do Norte - 37% Rio Grande do Sul - 63% Rondônia - 65% Santa Catarina - 61% São Paulo - 52% Sergipe - 31% Tocantins - 44% *Acre, Roraima e Distrito Federal não fizeram as avaliações estaduais em 2023, segundo o MEC. Em junho de 2023, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Educação, Camilo Santana, no lançamento do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada. Arquivo/Fabio Rodrigues-Pozzebom/Divulgação O que é o Compromisso e qual a diferença para o Saeb? O Compromisso Nacional Criança Alfabetizada foi firmado pelo MEC em 2023, com o objetivo de articular ações municipais, estaduais e federais em torno de uma meta: garantir que 100% das crianças do 2º ano do ensino fundamental saibam ler e escrever. Para que isso se torne possível, o governo criou uma ferramenta nova de avaliação, capaz de traçar um diagnóstico mais preciso da situação de cada rede. Até então, a principal prova para “medir” os conhecimentos das crianças era o Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica). Só que o foco dessa avaliação são os alunos do 5º e 9º ano do ensino fundamental e do 3º ano do ensino médio, que respondem questões de português e matemática. Há dois pontos frágeis no Saeb, no quesito de alfabetização: em 2021, as crianças de 2º ano do ensino fundamental só participaram por amostra: ou seja, não foram todas que integraram o levantamento; a avaliação é feita a cada dois anos, intervalo que impede um acompanhamento em tempo real dos problemas de aprendizagem. Como solução, no Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, avaliações aplicadas por cada estado passaram a ser integradas aos dados do Saeb. Elas são: anuais, para um monitoramento constante das crianças; e censitárias, em vez de por amostra (ou seja, todos participam). A ideia do MEC é, ao associar o Saeb e as provas estaduais, chegar a uma resposta mais precisa da situação de cada rede de ensino. VÍDEO Abaixo, veja reportagem do Jornal Nacional sobre o lançamento do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada: Governo lança programa de alfabetização infantil de R$3bi
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28/05 - Desvio de verbas para pesquisas no Instituto de Biologia da Unicamp pode chegar a R$ 1,9 milhão
Apuração detectou 220 transferências suspeitas, sendo 160 para uma conta bancária de ex-servidora suspeita. Investigada disse que está à disposição para prestar esclarecimentos. Vista aérea da Unicamp, em Campinas Antoninho Perri/Ascom/Unicamp Os desvios de verbas de pesquisa do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, revelados em janeiro deste ano, podem chegar a R$ 1,9 milhão, segundo uma apuração interna da universidade. A servidora suspeita pelo crime, Ligiane Marinho de Ávila, foi demitida em dezembro de 2023 e, desde fevereiro deste ano, é investigada pela Polícia Civil. O g1 apurou que a Unicamp detectou cerca de 220 transferências bancárias suspeitas feitas pela servidora. Ela era a responsável por cuidar da parte de pagamento dos recursos obtidos com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) pelos pesquisadores do IB. 📲 Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp Ao g1, o advogado Rafael de Azevedo, que representa Ligiane, informou que soube do inquérito nesta segunda-feira (27) e que sua cliente não foi notificada para apresentar versão dela. "Informa que está à disposição para tais esclarecimentos, informa continuar residindo no mesmo endereço", conclui a nota. Procurada pela reportagem, a Unicamp afirmou que "os fatos estão sendo objeto de apuração em Sindicância Administrativa, sendo certo que adotará todas as providências que se mostrarem cabíveis após sua conclusão". Transferências para a própria conta A maioria das transferências, cerca de 160, foi feita para a conta da própria servidora, somando um valor de R$ 1,2 milhão. Os outros 700 mil foram transferidos para duas empresas e duas pessoas físicas também alvos da investigação da Polícia Civil. As transferências suspeitas ocorreram entre setembro de 2018 e janeiro de 2024 e variaram entre R$ 400 e R$ 80 mil, cada. Nas notas fiscais, várias justificativas, como compra, transporte e manutenção de equipamentos e desenvolvimento de softwares e sites. Na última terça-feira (21), a Polícia Civil pediu à Justiça a prorrogação do inquérito, alegando que precisa de mais tempo para investigar o caso por conta do acúmulo e excesso de serviço. O Ministério Público concordou com a prorrogação, mas a Justiça ainda não decidiu. 'Notas fraudulentas' Pelo menos 27 professores do Instituto de Biologia relataram ter detectado movimentações suspeitas em verbas de pesquisa. No caso de apenas um docente, o desvio chegou a R$ 245 mil. Em petição à polícia, os professores afirmaram que uma investigação interna apurou que a investigada utilizou uma empresa aberta por ela "para emissão de notas fiscais fraudulentas, descrevendo serviços nunca prestados, na intenção de simular contratações para aparentar irregularidade na apropriação dos valores". E que ainda a suspeita "apresentou recibo fraudulento referente a serviço nunca prestado, emitido em nome de terceiros, que nunca tiveram relação com os docentes". Essa parte se refere às duas empresas e às duas pessoas que também receberam verba do IB transferida por Ligiane. Unicamp investiga desvio de verbas destinadas para pesquisa no Instituto de Biologia Pessoa de confiança À polícia, os professores explicaram que a investigada atuava na Secretaria de Apoio Institucional ao Pesquisador (SAIP), órgão responsável por operacionalizar as verbas recebidas pelo IB para pesquisa. "Na prática, após receber o depósito do financiamento da pesquisa, o docente pesquisador encaminhava a documentação pertinente (cartões, número de conta bancária e senhas) ao SAIP, e seus funcionários possuíam ampla autonomia para proceder com as movimentações financeiras e com as providências contábeis e fiscais", explicou. Em depoimento à Polícia Civil, o diretor do instituto, professor Hernandes Faustino Carvalho, confirmou integralmente as informações repassadas pelos professores e afirmou que Ligiane era uma pessoa de confiança de todos do instituto. "Ligiane sempre foi pessoa que nunca levantou nenhuma suspeita de nenhum dos docentes que com ela tiveram contato, muito pelo contrário, sempre muito atenciosa e solícita em tudo que era necessário", afirmou Hernandes. Apuração A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) apura, desde dezembro, a suspeita de desvio de recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) destinados a 27 pesquisadores que atuam no Instituto de Biologia (IB). A servidora foi demitida durante as investigações pelos seguintes motivos: Segundo a diretoria do instituto, a funcionária da Funcamp possuía uma empresa de prestação de serviços desde 2018 e, por isso, foi demitida por justa causa em 18 de janeiro deste ano; A servidora incluía notas fiscais da própria empresa e de duas outras, além de recibos forjados, nas prestações de contas dos docentes; Além disso, a servidora fazia transferência de valores para a própria conta. ➡️ Como o possível desvio foi descoberto? Em nota oficial enviada aos servidores, a diretoria do IB detalhou que, durante os meses de dezembro de 2023 e janeiro de 2024, foram identificadas “inconsistências” no trabalho de uma servidora, que era lotada na Funcamp. ➡️ O que será feito? Ainda segundo a diretoria do IB, houve um pedido para abertura de um inquérito na Polícia Civil. Além disso, a Fapesp informou que “segua analisando as prestações de contas já realizadas por parte dos pesquisadores em questão” (leia, abaixo, o posicionamento na íntegra). A Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP) afirmou, também em nota, que o caso foi apresentado no 7º Distrito Policial de Campinas no dia 1º de fevereiro, mas foram solicitadas informações adicionais para “viabilizar o registro do crime e dar direcionamento às investigações”. O que diz a Fapesp? Em nota enviada ao g1 à época, a Fapesp declarou que, caso eventuais irregularidades nas prestações de contas sejam verificadas, cobrará dos pesquisadores a devolução dos recursos. Além disso, a fundação afirmou que vai acompanhar as providências legais que estão sendo tomadas. 👇 Leia a nota da Fapesp na íntegra: "1) No ano passado, a auditoria da FAPESP detectou possíveis irregularidades num processo de prestação de contas de um pesquisador e, ao fazer pedidos de esclarecimentos, chamou atenção deste e dos outros pesquisadores para o que, posteriormente, foi identificado como um problema pela direção do IB-Unicamp. A FAPESP segue analisando as prestações de contas já realizadas por parte dos pesquisadores em questão. 2) As providências que incumbem à FAPESP consistem em apontar aos pesquisadores possíveis irregularidades nas prestações de contas. Caso eventuais irregularidades se comprovem e não sejam sanadas, a FAPESP cobrará dos pesquisadores a devolução dos recursos. Ao mesmo tempo, a FAPESP vai acompanhar as providências legais que os pesquisadores e a instituição de pesquisa à qual estão vinculados estão tomando, enquanto vítimas do apontado crime. 3) Todos os pesquisadores que recebem recursos da FAPESP devem prestar contas, segundo regras estritas constantes das normas da FAPESP. Cabe aos pesquisadores fazer a gestão financeira dos recursos que recebem e prestar contas à FAPESP sobre o uso dos recursos e sobre os resultados das pesquisas. Os pesquisadores, para executar os projetos de pesquisa, podem contar com apoio administrativo das instituições de pesquisa à qual estão vinculados, inclusive, como no caso, fundação de apoio da instituição de pesquisa. Se a instituição de pesquisa, ou sua fundação de apoio, por meio de seus servidores ou empregados, descumprem seus compromissos em relação ao combinado com os pesquisadores, naturalmente surge uma relação de responsabilidade dessas instituições para com o pesquisador". VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias da região no g1 Campinas
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28/05 - Após americana viralizar com Machado de Assis, professores votam: qual é o melhor livro de cada estado brasileiro?
Em projeto pessoal, escritora americana Courtney Novak escolheu conhecer uma obra por país do mundo e bombou no TikTok ao se apaixonar por 'Memórias Póstumas de Brás Cubas'. G1 montou o 'concurso' na versão brasileira e elegeu 'medalhistas'. Qual é o melhor livro de cada estado brasileiro? Professores votam A “culpa” desta reportagem (sim, “culpa”, porque certamente vocês discordarão de parte do texto e criticarão o g1) é da escritora americana Courtney Novak, que viralizou no TikTok ao ficar obcecada por Machado de Assis e a obra “Memórias Póstumas de Brás Cubas”. “Não sei o que vou fazer da vida quando terminar”, disse ela, no vídeo. 🌎 Courtney conheceu esse clássico da literatura brasileira durante um projeto pessoal: ela se propôs a ler um livro de cada país do mundo. Foi aí que tivemos a ideia de adaptar o mesmo desafio ao nosso território – qual seria a obra mais indicada para representar cada estado do Brasil? 📖 Quatro professores de literatura receberam a dura missão de escolher seus favoritos. Enfrentaram muitos dilemas: como tomar partido em uma batalha entre Carlos Drummond de Andrade e Guimarães Rosa, em Minas Gerais? E no Rio de Janeiro, com Machado de Assis, qual dos tantos sucessos dele seria o maior de todos? Fora as questões de “RG”. Clarice Lispector foi reconhecida como cidadã pernambucana, mas nasceu na Ucrânia; Carolina Maria de Jesus retratou a favela do Canindé, em São Paulo, apesar de ter nascido em Minas Gerais. Na classificação geral, optamos por priorizar, em cada estado, escritores em sua terra-natal. Vamos aos resultados. Quem sabe você não se inspire a encarar uma expedição literária pelo país? Veja o mapa abaixo e, em seguida, confira a sinopse de cada uma das obras mencionadas: NORTE Acre Obra: “O Seringal” (1972) Autor: Miguel Jeronymo Ferrante Enredo: O livro descreve o ciclo da borracha e as condições de trabalho dos seringueiros. Outra sugestão: O escritor José Potyguara, embora tenha nascido no Ceará (em Sobral), foi para o Acre após concluir a faculdade de direito. Passou a escrever histórias regionais sobre o estado, como “Terra Caída” (1986), que narra a chegada de três famílias que fogem da seca nordestina e chegam aos seringais, onde são exploradas por coronéis. Amazonas Obra: "Relato de um certo Oriente" (1989) Autor: Milton Hatoum Enredo: “O romance explora a identidade cultural amazonense e combina as memórias familiares com a rica paisagem da região”, explicam os professores da equipe de português do Poliedro (SP). O livro, inclusive, inspirou a criação do filme com o mesmo nome, produzido pela Globo Filmes e lançado no início de 2024. É possível acompanhar a saga de imigrantes libaneses na Amazônia brasileira com as atuações de Wafa'a Celine Halawi, Charbel Kamel, Zakaria Kaakour, Eros Galbiati e Rosa Peixoto. Outras sugestões: “Dois Irmãos”, a obra mais conhecida de Milton Hatoum, venceu o prêmio Jabuti em 2001. Amapá Obra: "Poemas do Homem do Cais" (1950-1982) Autor: Alcy Araújo Enredo: Uma seleção de 40 poemas celebra 100 anos do poeta paraense Alcy Araújo. Abrimos uma exceção neste caso, porque todos os autores que falam sobre o Acre e que foram mencionados pelos professores haviam nascido em estados vizinhos. Pará Obra: “Sumidouro” (1977) Autora: Olga Savary Enredo: O livro reúne poemas que falam sobre o exercício de ser poeta e os universos de criação do artista. Recebeu o Prêmio de Poesia 1977 pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). Outra sugestão: Adriano Soares, professor e autor do Fibonacci Sistema de Ensino, recomenda ‘Contos Amazônicos’, do paraense Inglês de Sousa. “Trata-se de uma coletânea de contos que apresentam a região amazônica, a cultura e o folclore. Meu conto preferido é ‘A festa do judeu’, que tematiza a lenda do boto”, diz. Rondônia Obra: “Cidade Morta” Autor: Otávio Afonso Enredo: Única obra autoral de Afonso – poeta, jornalista e funcionário público – é essa poesia, vencedora do Prêmio Casa de las Américas em 1980. Roraima Obra: “Makunaimãtaani – Presente de Makunaimã” Autor: Kamuu Dan Wapichana Enredo: O livro infantil bilíngue (em português e Wapichana) conta a história de indígenas que trocam as sementes de milho nativo, presentes de Makunaimã, por outras trazidas pelo Karaiwenau. Com isso, vem o problema: o milho começa a adoecer. Tocantins Obra: “Meu Primeiro Picolé” (2004) Autor: José Concesso Enredo: A obra é uma coletânea de contos, crônicas e ensaios sobre a vida do autor na pequena cidade de Rio Espera, em Minas Gerais. LEIA TAMBÉM: ▶️ ENEM 2024: Inscrições começaram nesta segunda; confira o cronograma completo, valor da taxa e outros detalhes ▶️ FINANCIAMENTO: Candidatos de medicina gastam até R$ 18 mil para conseguir Fies na Justiça mesmo sem nota no Enem ▶️ 'VISTA PEDAGÓGICA': Leia redações nota mil do Enem 2023 NORDESTE Alagoas Obra: “Vidas Secas” (1938) Autor: Graciliano Ramos Enredo: A obra, uma das mais representativas da literatura brasileira, retrata a vida de uma família de retirantes que peregrina pelo sertão nordestino. Bahia Obra: “Capitães da Areia” (1937) Autor: Jorge Amado Enredo: Amado escreve sobre meninos abandonados que crescem nas ruas de Salvador e que cometem furtos para sobreviver. O líder do grupo é Pedro Bala, de 15 anos, filho de um estivador que morreu em uma greve. É um romance com forte crítica social. Outras recomendações: Os professores entrevistados mencionaram outras duas grandes obras de Jorge Amado - “Gabriela, Cravo e Canela” (1958) e “Tereza Batista Cansada de Guerra” (1972). Ceará Obra: “O Quinze” (1930) Autora: Rachel de Queiroz Enredo: O primeiro e mais famoso romance da autora modernista descreve a grande seca de 1915 no Nordeste, por meio das histórias dos personagens Conceição, Vicente e o vaqueiro Chico Bento. Foi a obra que tornou Queiroz uma renomada escritora regionalista. Maranhão O primeiro lugar ficou dividido entre: Obra: “Úrsula” Autora: Maria Firmina dos Reis Enredo: É a primeira obra da literatura afro-brasileira. Com forte crítica à escravidão, Maria Firmina dos Reis escreve sobre a relação ultrarromântica dos jovens Tancredo e Úrsula. E: Obra: “O Cortiço” (1890) Autor: Aluísio Azevedo Enredo: Com olhar darwinista, Azevedo representa os marginalizados (como malandros, lavadeiras e trabalhadores braçais) e a forma como são orientados por seus instintos e vícios. Todos vivem no maior cortiço do Rio de Janeiro no século XIX. Paraíba Obra: “O Auto da Compadecida” (1955) Autor: Ariano Suassuna Enredo: A peça teatral, em 3 atos, é um símbolo da cultura popular, com inspiração na literatura de cordel. Ela retrata as aventuras dos amigos João Grilo e Chicó, que tentam sobreviver, com malandragem e esperteza, a um ambiente miserável no sertão nordestino. A história de Suassuna inspirou a criação de um filme homônimo, campeão de bilheteria, estrelado por Selton Mello e Matheus Nachtergaele. Pernambuco Houve um empate entre: Obra: “Morte e Vida Severina” (1955) Autor: João Cabral de Melo Neto Enredo: O poema, um clássico da literatura brasileira e do regionalismo, traz uma crítica social a partir da viagem de retirantes nordestinos. Severino e sua família, representando os sertanejos, buscam melhores condições de vida, mas encontram a pobreza e a morte na trajetória. E: Obra: “Estrela da Vida Inteira” (1965) Autor: Manuel Bandeira Enredo: A obra reúne a poesia completa de Bandeira, autor modernista que usa uma linguagem coloquial e irreverente para abordar temas como saudade, infância e solidão, sempre com viés crítico. Piauí Obra: “Os Últimos Dias de Paupéria” Autor: Torquato Neto Enredo: Torquato Neto, poeta, jornalista e cineasta piauiense, foi um importante nome do Tropicalismo. A obra é uma coletânea póstuma de poemas e textos jornalísticos escritos por ele. Rio Grande do Norte Obra: Conselhos a minha filha (1845) Autora: Nísia Floresta Enredo: Nísia estimula a autonomia intelectual da própria filha e demonstra preocupação com a autonomia feminina no século XIX. E, também na primeira posição: Obra: Oiteiro: Memórias de uma sinhá-moça (1958) Autor: Madalena Antunes Enredo: Primeira e única obra da autora, escrita quando ela tinha 78 anos, narra a infância da autora em Ceará Mirim na década de 1920. Sergipe Obra: “Feijão de cego” (2009) Autor: Vladimir Souza Carvalho Enredo: A obra é uma coletânea de 33 contos que retratam a cultura do agreste de Sergipe no século XX. CENTRO-OESTE Goiás Obra: “Poemas dos Becos de Goiás e Estórias” (1965) Autor: Cora Coralina Enredo: O primeiro livro de Cora Coralina, publicado quando ela tinha 75 anos, traz uma reflexão sobre o cotidiano dos becos de Goiás e as inquietações humanas. Foi um sucesso e alçou a autora ao posto de uma das maiores poetas mulheres do século XX. Mato Grosso Obra: Livro sobre nada (1996) Autor: Manoel de Barros Enredo: O livro traz poemas curtos, que subvertem a linguagem usual para mostrar que o eu-lírico adere a “tudo o que não tem importância”. É uma das obras mais conhecidas de Manoel de Barros. Mato Grosso do Sul Obras: Jardim Fechado – Uma antologia poética (2016); Fiandeira Autora: Raquel Naveira Enredo: “Jardim Fechado” é dividido em quinze capítulos e conta a história de Raquel Naveira – ela mesma chegou a dizer que sua obra é “a voz das pessoas que vivem em Mato Grosso do Sul”. E “Fiandeira” tem referências à mitologia grega e à Revolução Industrial para falar sobre o “fazer poético” em uma mistura de prosa e poesia. SUDESTE Espírito Santo Obra: Crônicas do Espírito Santo; 50 Crônicas Escolhidas (1984) Autor: Rubem Braga Enredo: Em “Crônicas do Espírito Santo”, Braga reúne as crônicas sobre sua terra natal. Minas Gerais Obra: “Alguma poesia” Autor: Carlos Drummond de Andrade Enredo: O primeiro livro de Drummond traz poemas famosos do autor, como “Quadrilha” e “No meio do caminho”. E, empatado, vem Guimarães Rosa: Obra: “Grande Sertão: Veredas” (1956) Autor: João Guimarães Rosa Enredo: Neste romance emblemático na literatura brasileira, com um estilo de linguagem inovador, Rosa apresenta ao leitor o ex-jagunço Riobaldo, com suas lutas, medos e paixões. Rio de Janeiro Obra: Dom Casmurro (1899) Autor: Machado de Assis Enredo: Em primeira pessoa, Bentinho conta sua história de amor pela vizinha Capitu. Com críticas à sociedade brasileira do fim do século XIX, Machado de Assis escreve um grande clássico sobre temas como traição, amor e ciúmes. São Paulo Obra: Macunaíma (1928) Autor: Mário de Andrade Enredo: Considerada a obra-prima de Mário de Andrade, “Macunaíma” conta a história de um “herói sem nenhum caráter” que sai da Amazônia e vai para São Paulo em busca de sua pedra-amuleto, a muiraquitã. É um retrato da sociedade brasileira. “Trata-se de uma obra que se tornou símbolo da identidade cultural brasileira, misturando mitos, lendas e a diversidade do país”, explicam os professores do Poliedro. Outras recomendações: “As Meninas” e “Ciranda de Pedra”, de Lygia Fagundes Telles; “Quarto de Despejo”, de Carolina Maria de Jesus [a escritora nasceu em Minas Gerais, mas retrata a vida na favela de São Paulo]. SUL Paraná Obra: O Vampiro de Curitiba (1965) Autor: Dalton Trevisan Enredo: O livro reúne 15 contos, quase todos ambientados em Curitiba, para relatar, com suspenses e enigmas, o dia a dia degradante dos seres humanos. Rio Grande do Sul Obra: “O Tempo e o Vento” (1949–1962) Autor: Erico Veríssimo Enredo: A série literária, composta por sete volumes, conta a história do Rio Grande do Sul (desde a formação do estado) por meio das disputadas entre as famílias Terra, Cambará e Amaral. Santa Catarina Obra: Broquéis (1893) Autor: Cruz e Souza Enredo: O livro traz 54 poemas do autor simbolista Cruz e Souza. Com jogos de palavras e tom erudito, os textos trazem sempre a presença da cor branca (seja do luar, da neblina ou da neve) como elemento para representar a espiritualidade Outra recomendação: “Missal”, do mesmo autor, “denuncia o racismo e aborda questões existenciais e metafísicas”, afirmam os professores do Poliedro. Vídeos
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27/05 - Cursos EAD para formação de professores devem ter metade de carga horária presencial, decide MEC
Especialistas ouvidos pelo g1 dizem que novas diretrizes afetam a avaliação e a regulação dos cursos. Na imagem, lançamento do curso de licenciatura intercultural indígena, em Caruaru, em 2022 José Urbano/Divulgação O Ministério da Educação (MEC) homologou nesta segunda-feira (27) as novas diretrizes curriculares nacionais para cursos de formação de professores. A principal mudança é que o ensino à distância (EAD) só poderá ocupar até 50% da carga horária. Com isso, as faculdades devem oferecer ao menos metade do curso no modo presencial. O debate sobre o tema era acompanhado com interesse pelos especialistas no setor diante do aumento da oferta de cursos de pedagogia por universidades com notas baixas nas avaliações do MEC e do crescimento expressivo de cursos de licenciatura EAD. No caso dos futuros professores, as matrículas na modalidade EAD representam quase 40% do total no país. A decisão, publicada no Diário Oficial da União (DOU), é válida para: cursos de licenciatura, cursos de formação pedagógica para graduados não licenciados, e cursos de segunda licenciatura. As novas diretrizes foram sugeridas em um parecer do Conselho Nacional da Educação (CNE) e definem quanto da carga horária pode ser EAD e qual a estrutura curricular dos cursos, entre outros detalhes. As principais mudanças são: Inclusão do ensino presencial no modelo EAD: os cursos EAD deverão ter 50% de sua carga horária total ofertada de maneira presencial. Ou seja, das 3.200 horas (em cursos com duração de, no mínimo, 4 anos), 1.800 devem ser presenciais. Estrutura curricular: Os cursos devem ter uma estrutura geral dividida em quatro núcleos: formação básica, formação específica da área de formação, estágio supervisionado e extensão. Formação para graduados não licenciados: Aumento da carga horária mínima na formação pedagógica para graduados não licenciados para 1.600 horas. Segunda licenciatura: Os cursos devem ter carga horária mínima de 1.200 a 1.800 horas. O que muda na prática? Apesar de ser uma resolução importante, de acordo com entidades do setor da educação, o documento tem pouco impacto efetivo. Isso acontece porque as diretrizes curriculares têm papel de orientar e nortear mudanças nos currículos, e impactam mecanismos de avaliação e regulação dos cursos, como o Enade, mas não têm o poder de impor uma mudança prática imediata. Para Gabriel Corrêa, diretor de Políticas Públicas da ONG Todos Pela Educação, as novas diretrizes vão funcionar como um guia importante para mudanças necessárias na regulamentação de cursos de formação de professores. Segundo ele, essa sinalização é muito importante e promove uma articulação entre teoria e prática na formação dos profissionais. No entanto, não é o suficiente. Esse documento sozinho não vai resolver, essa não é uma normativa que resolve todos os problemas da formação dos professores no Brasil, é só um ponto importante para nortear os próximos avanços necessários. Segundo o especialista, para que as mudanças ocorram de fato, seriam necessários um programa de apoio do MEC às instituições de ensino superior para a promoção de cursos de maior qualidade, e uma iniciativa para especificar a forma com que o MEC vai avaliar a qualidade destes cursos. Ainda assim, Elizabeth Guedes, que preside a Associação Nacional das Universidades Particulares (ANUP), considera que as novas diretrizes representam o avanço e a melhoria do ensino da formação inicial de professores. "[A mudança nas diretrizes] representa o que foi o consenso em torno da necessidade de se melhorar a oferta desses cursos. E parte importante disso foi o reconhecimento de que, para formar um profissional que vai ser um bom professor dentro da sala de aula, é preciso que esse profissional esteja antes posição de aluno na sala", avalia. 'EAD não é vilão' De 2002 a 2022, o índice de professores que se formaram em cursos de licenciatura à distância, em faculdades particulares, saltou de 28,2% para 60,2%. Mesmo com o avanço do EAD no país, o desempenho dos alunos na modalidade era inferior aos da modalidade presencial. Os dados são de um levantamento da Todos Pela Educação divulgado em outubro passado. Mesmo apoiando a decisão de limitar a 50% a carga horária EAD de cursos para formar professores, Gabriel Corrêa defende que o problema não é a modalidade em si. "Também existem cursos presenciais que deixam a desejar. O grande problema são as instituições que dependem do EAD em sua forma de ser, que oferecem uma formação muitas vezes deficiente, e que não garante ao aluno o mínimo em sua preparação para se tornar professor", explica Gabriel. O especialista acredita que a melhor maneira de garantir um resultado melhor dos cursos de formação inicial de professores é definir ferramentas específicas para mensurar a qualidade dos cursos e da formação dos profissionais. Elizabeth Guedes, da ANUP, defende ponto de vista semelhante e cobra métricas específicas de avaliação da qualidade do ensino. "Só vamos saber se essas mudanças propostas agora, e outras que podem vir mais para a frente, estão funcionando e melhorando o nível de formação inicial dos nossos professores, se tivermos métricas de avaliação específicas que considerem os cursos, instituições e conteúdos aplicados", conclui. VÍDEO Abaixo, veja reportagem do Jornal Nacional sobre o debate sobre as diretrizes curriculares: Formação para professores na EAD terá mudanças
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27/05 - Em parceria com a B3, Tesouro cria Olimpíada de Educação Financeira e mira 1 milhão de alunos
Inscrições para a Olimpíada do Tesouro Direto de Educação Financeira começam em 27 de maio; provas serão realizadas em setembro. Alunos poderão estudar via plataforma virtual, e escolas com maior engajamento e desempenho médio receberão prêmios em dinheiro. Olimpíada do Tesouro Direto de Educação Financeira (Olitef) Material de divulgação do Tesouro Nacional Buscando a participação de mais de 1 milhão de alunos, a Secretaria do Tesouro Nacional, em parceria com o Ministério da Educação e com a B3 (Bolsa de Valores de São Paulo), abre nesta segunda-feira (27) as inscrições para a 1ª Olimpíada do Tesouro Direto de Educação Financeira (Olitef). As inscrições, que devem ser feitas pelas escolas, se estendem até 9 de setembro por meio do site da olimpíada. A prova está prevista para 17 de setembro. Poderão participar estudantes do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental, e da 1ª série do Ensino Médio em todo o Brasil. Segundo o governo, mais de 91 mil escolas estão aptas a participar do processo, englobando, ao todo, 19,36 milhões de estudantes. "Estamos mirando ser, de partida, a maior olimpíada de educação financeira do país", disse ao g1 o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron. Segundo ele, o objetivo é levar reflexão e discussão, de forma mais leve, aos alunos de escolas públicas e privadas em torno da educação e planejamento financeiros — temas que desempenham papel social e ajudam no desempenho escolar. De acordo com o Tesouro, os pilares da olimpíada são simbolizados por três moedas empilhadas, representando a Educação, as Finanças e os Investimentos no Futuro. "A Olitef não é apenas uma competição; é uma missão de transformação. Acreditamos que cada estudante merece acesso à educação financeira de qualidade, essencial para tomar decisões conscientes e responsáveis ao longo da vida. Nossa olimpíada é uma plataforma que capacita professores com recursos didáticos e valoriza suas carreiras, ao mesmo tempo em que prepara os alunos para gerenciar dinheiro, investir e economizar", diz o Tesouro Nacional. Banco Central faz pesquisa para saber como está o conhecimento do Brasileiro sobe Educação Financeira Plataforma de estudos e prêmios Os professores receberão formação e materiais didáticos especializados, por meio de plataforma eletrônica, e os alunos terão acesso a conhecimentos financeiros práticos. De acordo com o Tesouro Nacional, todos os alunos participantes receberão certificados digitais, e os melhores desempenhos serão premiados com medalhas. As escolas da rede pública mais engajadas, e com melhor desempenho médio, serão premiadas. As inscrições para concorrer à premiação ocorrerão em um segundo momento, ao longo de junho. Considerando o engajamento e o desempenho médio dos alunos, as duas melhores escolas públicas de cada estado receberão um prêmio de R$ 100 mil para investir na próprio local de ensino, para fazer pequenas melhorias e comprar equipamentos, por exemplo. Os professores que participarem do programa também receberão um premio de R$ 40 mil para dividir entre eles e o diretor das escolas premiadas. Entre as 54 escolas premiadas, as três melhores receberão prêmios, respectivos, de R$ 300 mil, R$ 200 mil e R$ 100 mil. O critério, nesse caso, será o uso do valor anterior, de R$ 100 mil, em prol dos alunos, de mobilização da comunidade e de impulso à educação financeira. Uma banca avaliadora definirá os vencedores nessa segunda etapa. Rogério Ceron, secretário do Tesouro Nacional, lembra que o órgão tem trazido uma série de inovações no programa Tesouro Direto — por meio do qual as pessoas físicas podem comprar e vender títulos públicos em corretoras na internet. Ele lembra que foram lançadas ações para facilitar a complementação de renda na aposentadoria e, também, o financiamento de estudos. "Queremos levar a discussão da educação e do planejamento financeiro para dentro das famílias, cada vez de forma mais popular, buscando uma linguagem mais simples. E agora estamos lançando a olimpíada da educação financeira, que visa levar à uma grande reflexão, mobilizar as comunidades e os alunos, professores das escolas públicas e privadas. A gente está com um olhar especial para as escolas públicas", explicou o secretário do Tesouro Nacional. Olimpíada do Tesouro Direto de Educação Financeira (Olitef) Material de divulgação do Tesouro Nacional
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27/05 - Enem 2024: inscrições começam nesta segunda; confira o cronograma completo, valor da taxa e outros detalhes
Todos os candidatos interessados em participar do Enem 2024 devem se inscrever, inclusive quem teve o pedido de isenção de taxa aceito. Provas serão aplicadas em 3 e 10 de novembro. Inscrições Enem 2024 Reprodução As inscrições para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2024 começaram nesta segunda-feira (27) e vão até 7 de junho. Tire suas dúvidas abaixo: 💻 Em que site fazer a inscrição? É só entrar na Página do Participante, em enem.inep.gov.br/participante. 💰Qual é o valor da taxa de inscrição? Ela custa R$ 85 e deverá ser quitada até 12 de junho. Somente após o pagamento, a inscrição estará confirmada (veja passo a passo mais abaixo). 💲Quais as formas de pagamento? A taxa deve ser paga por boleto, PIX ou cartão de crédito. ❗Quem está isento da taxa precisa se inscrever no Enem? SIM! Mesmo quem conseguiu a isenção (como os alunos da rede pública) precisa se inscrever. Caso contrário, não poderá fazer a prova. 🖊️ Para que serve o Enem? Ele é uma das principais portas de entrada para a educação superior no Brasil, utilizado por instituições públicas e privadas como critério de seleção, além de ser um requisito para programas governamentais de auxílio estudantil. Não há como se inscrever no Sisu, no Prouni e no Fies sem ter feito o Enem. 🗓️ Quando as provas serão aplicadas? Em 3 e 10 de novembro. Dados necessários e etapas da inscrição Os principais passos para realizar a inscrição no Enem são: Informe seus dados pessoais: Durante a inscrição, você deverá informar o número do CPF e a data de nascimento. Preencha seus dados de contato: Forneça um endereço de e-mail único e válido, assim como um número de telefone fixo e/ou celular válido. O Inep poderá utilizar o e-mail cadastrado para enviar informações sobre o exame. Escolha onde quer fazer a prova: Indique o estado e município onde deseja realizar o exame. Língua estrangeira: Selecione a língua estrangeira (inglês ou espanhol) na qual realizará a prova. Crie seu cadastro e senha: Utilize o endereço https://sso.acesso.gov.br/ para criar um cadastro e senha de acesso que irá utilizar na Página do Participante. Anote a senha em um local seguro, pois você precisará dela para: gerar o boleto com a taxa, que o Inep chama de Guia de Recolhimento da União (GRU Cobrança); realizar alterações nos dados cadastrais; acompanhar a inscrição e obter resultados e outras funcionalidades. Verifique seus dados e anexe sua foto: Certifique-se de preencher corretamente todas as informações solicitadas, incluindo o Questionário Socioeconômico. Você também terá a opção de anexar uma foto atual, nítida e individual, seguindo as orientações fornecidas. Confirme os dados e acompanhe a situação da inscrição: Após concluir a inscrição, verifique se todos os dados estão corretos. Enem 2024: veja datas de inscrição e de aplicação das provas Disciplinas e horários Como nos últimos anos, o Enem será aplicado em dois domingos. 3 de novembro O candidato deverá fazer: 45 questões de linguagens (40 de língua portuguesa e 5 de inglês ou espanhol); 45 questões de ciências humanas; redação. 10 de novembro A prova trará: 45 questões de matemática; 45 questões de ciências da natureza. Veja os horários de aplicação (no fuso de Brasília): Abertura dos portões: 12h Fechamento dos portões: 13h Início das provas: 13h30 Término das provas no 1º dia: 19h Término das provas no 2º dia: 18h30 Cronograma do Enem 2024 Inscrições: de 27/5 a 7/6/2024 Pagamento da taxa de inscrição: de 27/5 a 12/6/2024 Pedido de tratamento pelo nome social: de 27/5 a 7/6/2024 Solicitação de atendimento especializado: de 27/5 a 7/6/2024 Resultado das solicitações de atendimento especializado: 17/6/2024 Recurso para pedidos negados: de 17/6 a 21/6/2024 Resultado do recurso: 27/6/2024 Divulgação dos locais de prova: data a ser marcada Aplicação do Enem: 3 e 10/11/2024 Divulgação do gabarito: 20/11/2024 Divulgação do resultado: 13/1/2025 VÍDEOS DE EDUCAÇÃO
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26/05 - Maratonista que quase perdeu corrida porque marido 'soltou' filhas na pista nega ter sido boicotada por ele: 'Combinamos antes'
Ao g1, Luciana Lourenção diz que, antes da competição, planejou com o companheiro que ele a esperaria com as crianças antes da chegada, para viverem um momento 'inesquecível'. Mas, no dia da meia-maratona, ela teve de desviar das meninas para o ouro não escapar. Maratonista quase perdeu corrida porque marido 'soltou' filhas na pista 🏃‍♀️Hipótese 1: Você está disputando uma meia-maratona, com chances concretas de faturar o primeiro lugar. Quando avista a linha de chegada, a poucos metros de concluir sua (suada) missão... avista suas filhas e seu marido. As meninas, de 3 e 6 anos, entram na pista (com incentivo do pai) e correm para abraçar você. O que fazer? Desviar das crianças, adiar o abraço por uns minutinhos e garantir o ouro? Ou desistir da vitória e se entregar imediatamente ao carinho da família? A personal trainer Luciana Grandi Lourenção, de 37 anos, escolheu a primeira opção -- e virou assunto até na imprensa estrangeira. 🙅‍♂️Hipótese 2: Agora, vamos mudar o personagem. Você é o marido da corredora e levou suas duas filhas para ver a mãe competir. O que seria mais correto? Esperar a esposa antes do fim do percurso e "soltar" as meninas na pista, para que pulem na mãe e cruzem a linha de chegada com ela (com o risco de atrapalhar a competidora e deixá-la fora do pódio)? Ou aguardar mais para frente, depois do encerramento da corrida, para não colocar a medalha em risco, mas perder o momento emocionante de ver as três correndo juntas? O empresário Pedro Lourenção, de 43 anos, seguiu a estratégia número 1 -- e foi "cancelado" nas redes sociais por supostamente tentar boicotar a vitória de sua mulher. ➡️Esta meia-maratona, que aconteceu em 5 de maio, em Presidente Prudente (SP), não foi extenuante apenas pelos 21 km de percurso: virou uma competição ainda mais longa nas redes sociais, com "comentaristas" polarizados e bem velozes no julgamento. Parte deles atacou Luciana ("Custava pelo menos dar um tapinha na mãozinha das crianças?"), enquanto o restante condenou Pedro ("Que marido sem noção, hein, querida 😂, eu já teria pedido divórcio depois de ele achar que você só serve pra ser mãe”). Para entender o que de fato aconteceu naquele dia, o g1 chamou o VAR e conversou com o casal. Veja o tira-teima abaixo. Luciana Grandi Lourenção comemora conquista em prova na companhia das filhas Arquivo Pessoal V 'A gente tinha combinado antes, diz Luciana Luciana conta que, apesar de ter uma longa carreira nas corridas de rua, não havia se preparado especificamente para essa competição. Um dia antes da meia-maratona, ela elaborou um plano com o marido. "Decidimos levar as meninas para a prova, para que eu pudesse cruzar a linha de chegada com elas. Eu não estava disputando dinheiro, era uma corrida da minha cidade, e seria muito gostoso e legal criar esse momento com as crianças", conta Luciana. No decorrer do desafio, mesmo sendo um percurso dificílimo, Luciana estava na liderança -- mas com a segunda colocada ali "na cola", cerca de 30 segundos atrás. "Eu precisava chegar e pronto. Vi as meninas rapidamente, mas não consegui parar: primeiro, porque era uma descida, e eu estava muito concentrada e focada; segundo, porque a minha concorrente estava bem perto de mim", diz. "As crianças entenderam e não ficaram aborrecidas. Expliquei para elas que é muito cansativo e difícil correr uma meia-maratona." Não havia como Pedro notar, à distância, que a diferença entre as duas atletas estava tão pequena, conta a vencedora. Ele concorda. "Eu sabia que ela estava chegando, mas não vi a segunda colocada. O organizador [que narrou a competição] também não avisou que eram duas pessoas com chance de ganhar", diz o marido. 'Não fiz nada na maldade, nada para atrapalhar', afirma Pedro Luciana Grandi Lourenção com as filhas e o marido Arquivo pessoal O casal diz que ficou chocado com a repercussão do caso. Houve até quem julgasse o fato de Luciana ter abraçado um outro homem antes de voltar para ver a família. Um post que viralizou no X (antigo Twitter) insinuou que seria o "futuro namorado" da atleta. "Aquele careca que aparece no vídeo é meu irmão. Ele correu junto comigo só para me dar apoio e incentivo. 'Freou' um pouco antes da linha de chegada, para 'não roubar meu brilho'. Foi ele quem eu abracei", diz a personal trainer. "Tudo foi muito distorcido. As pessoas da internet se acham soberanas, acham que têm poder para crucificar os outros sem ver o contexto da história. Isso é doentio." Pedro diz que está evitando ler os comentários nas redes sociais. "Ficaram me chamando de sabotador. Mas saibam que foi esse 'sabotador' que fez duas ligações para que a Luciana conseguisse participar da corrida, já que as inscrições tinham terminado. Fiz de tudo para ela ir. Aos domingos, quando ela vai treinar, estamos sem a nossa funcionária, e sou eu que fico com as meninas, com o maior prazer", conta. "Não fiz nada na maldade, nada para atrapalhar." 'Limitada' ao papel de mãe? Luciana Grandi Lourenção com as filhas e o marido Arquivo Pessoal Perfis de maternidade nas redes sociais compartilharam longas reflexões sobre a importância de as mulheres serem vistas para além do papel de "mães". Luciana, no entanto, diz que nunca foi julgada por ter uma carreira e se dedicar também ao esporte. "No meu círculo, não tenho problemas com isso. E quero que as meninas me enxerguem desta forma: sou uma mãe carinhosa, mas também uma esposa, uma profissional, uma corredora. Tenho o lado da mãe que não dorme quando o filho está doente à noite, mas também participo de uma meia-maratona." Vídeos
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25/05 - Greve paralisa aulas há quase 2 meses no Instituto Federal de Sertãozinho, SP; entenda impasse
Funcionários e professores iniciaram paralisação em 3 de abril solicitando aumento salarial de até 34%, recomposição de carreiras e de orçamento da instituição. Em assembleia esta semana, profissionais rejeitaram nova proposta do governo e decidiram manter greve. Imagens do IFSP de Sertãozinho (SP), com aulas paradas há quase dois meses por causa de greve de professores Willy Gabriel Costa Peres Aulas do ensino médio ao mestrado paradas, biblioteca e diretorias ligadas a atividades de extensão sem funcionamento são alguns dos impactos de uma paralisação de funcionários e professores do Instituto Federal de São Paulo (IFSP) em Sertãozinho (SP), que já se estende por quase dois meses. Siga o canal g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Mobilizada no início de abril, como parte de uma paralisação mais ampla de instituições federais, a greve visa revisar, em até 34%, os salários, reestruturar carreiras e melhorar o orçamento para as instituições de ensino, além de solicitar medidas como a revogação da Lei do Novo Ensino Médio. Esta semana, os profissionais decidiram, em assembleia, manter a paralisação, enquanto aguardam uma nova proposta do governo federal. Enquanto isso, estudantes reclamam dos prejuízos para o andamento do ano letivo. Além de Sertãozinho, na região de Ribeirão Preto (SP) a paralisação também afeta as atividades do IFSP de Barretos (SP). "As atividades no campus estão paradas. A única que está tendo é fundamentos da matemática, porque a professora não é concursada, e aí ela não pode tirar a greve. A gente está tendo só essa aula e está prejudicando o pessoal demais", afirma Willy Gabriel Costa Peres, de 18 anos, aluno de licentiatura em química em Sertãozinho. Em nota, o Ministério da Educação informou que a pasta estará sempre aberta ao diálogo, franco e respeitoso, pela valorização dos servidores. A seguir, entenda o que se sabe sobre a greve dos servidores no IFSP de Sertãozinho e quais os impactos para as atividades no campus. Quando começou a greve e o que os profissionais pedem? Em Sertãozinho, os técnicos administrativos em educação (TAEs) e os professores do IFSP aprovaram que entrariam em greve no final de março e iniciaram a paralisação em 3 de abril. O movimento tem o intuito de pedir: recomposição salarial de 34,32% para os TAEs, em três parcelas, entre 2024 e 2026, e de 22,71% para os professores, como maneira de compensar as perdas inflacionárias que chegaram a quase 50%, segundo a categoria, entre 2028 e 2022; reestruturação nos planos de carreira; recomposição do orçamento dos institutos federais, que, segundo o movimento, corresponde a 50% do valor de 2018 diante um número de alunos maior; revogação de medidas de governos anteriores como a lei do Novo Ensino Médio e da portaria 443/2018, que estabelece preferência por empresas terceirizadas para contratação de serviços de tradução e intérprete em libras. Qual é a adesão e o que foi afetado? De acordo com o comando de greve do campus de Sertãozinho, a adesão à greve é de ao menos 78% entre docentes - dos 93, 73 estão paralisados - e de 84% entre os técnicos administrativos - 42 dos 50. "A adesão a greve no câmpus Sertãozinho foi muito forte desde o início, a maioria das aulas estão paralisadas e apenas serviços essenciais estão mantidos", informa o grupo. Em função disso, segundo o comando de greve, uma série de atividades estão paralisadas. São elas: aulas do ensino médio (com apoio do grêmio estudantil); aulas no ensino superior; aulas do mestrado profissional em educação profissional, técnica e tecnológica; biblioteca; Coordenadoria de Apoio ao Estudante; Coordenadoria do Sociopedagógico; Diretoria de Administração; Diretoria de Extensão; Diretoria de Pesquisa; Secretaria Escolar; Coordenadoria de Tecnologia de Informação; técnicos de Laboratórios. IFSP de Sertãozinho, SP Carlos Trinca/EPTV O que ainda está em funcionamento? Apesar da paralisação, o campus de Sertãozinho está aberto, com a possibilidade de acesso a: quadras esportivas pátios manutenção de atividades ligadas a iniciações científicas cursinho pré-vestibular popular cursos do centro de línguas Além disso, segundo o comando de greve, atividades essenciais foram mantidas. São elas: pagamento do Programa de Apoio e Permanência estudantil; pagamento dos contratos com fornecimento de mão de obra (vigilância, limpeza, portaria, copeiragem e distribuição de merenda); pagamento e orientação das bolsas de Ensino, Pesquisa e Extensão; orientações e trâmites dos estágios obrigatórios para conclusão de curso. Como estão as negociações com o governo? As negociações são articuladas entre o Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe) e o governo fFederal. Segundo o comando de greve do IFSP em Sertãozinho, uma assembleia foi realizada na última quinta-feira (23) para avaliação da segunda proposta apresentada pelo governo federal, não aceita pela categoria que decidiu prosseguir com a paralisação. Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região
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24/05 - Por que ditados não ajudam crianças a aprender palavras e outros erros frequentes no ensino de ortografia
Existem técnicas tradicionais de ensino de ortografia que não são apenas ineficazes. Elas podem até ser prejudiciais. Como isso é possível? A apresentação de palavras com erros de ortografia dificulta o aprendizado. Na imagem, um menino escreve na lousa. Getty Images (via BBC) Existem técnicas tradicionais de ensino de ortografia que não são apenas ineficazes. Elas podem até ser prejudiciais. Como isso é possível? Um dos mecanismos utilizados pelo nosso cérebro para aprender a ler e escrever é o chamado "aprendizado estatístico" ou implícito. Este tipo de aprendizado começa logo que nascemos. Ele se baseia na detecção de padrões regulares em acontecimentos verificados com frequência. Resumidamente, nós armazenamos o que se apresenta de forma repetida porque nosso cérebro interpreta que isso é importante para nos adaptarmos adequadamente ao ambiente à nossa volta. Aprender com as repetições Quando aprendemos a ler e escrever, entra em operação o aprendizado estatístico. 🤔 Um exemplo: como podemos aprender que "hoje" se escreve com "h"? Uma forma é observar a palavra repetidamente, para que o nosso cérebro possa armazená-la com a letra "h" correspondente. Mas o que aconteceria se a palavra "hoje" fosse, às vezes, apresentada com "h" e, em outras ocasiões, sem a sua letra inicial? Neste caso, o mecanismo de busca de padrões regulares não funcionaria adequadamente, já que ele deixaria de encontrar essa regularidade. Para um leitor que seja professor do Ensino Fundamental, pode parecer familiar a sensação de que, quando era mais jovem (antes de exercer a profissão), ele cometia menos erros de ortografia. E que, agora, depois de passar anos observando e corrigindo os erros dos seus alunos, às vezes ele é acometido pela dúvida ao escrever uma dada palavra com "ss" ou "ç", ou se ela leva ou não "h", quando antes a escrevia perfeitamente. Isso ocorre porque o cérebro do professor já observou muitas vezes palavras escritas de forma errada – como "giboia", por exemplo. Isso faz com que ele passe a ter dúvida se deve escrevê-la com "g" ou com "j". Especialistas defendem que o ditado é uma prática pouco eficaz para o ensino da ortografia. Na imagem, alunos fazem atividade na escola. Getty Images (via BBC) O problema dos exemplos errados Uma atividade muito frequente no Ensino Fundamental, em relação à ortografia, é pedir ao aluno que detecte e corrija palavras escritas com erros ortográficos. Nela, o estudante observa uma frase como, por exemplo: "O aluno pediu para mudar de acento porque não conseguia enchergar a louza" - o coreto é assento e lousa. Neste caso, a apresentação das palavras com grafia incorreta dificulta a detecção de padrões regulares, impedindo sua observação e armazenamento. Em outras palavras, ela prejudica o aprendizado. Se, cada vez que observarmos uma palavra específica escrita corretamente, imaginarmos que estamos subindo um degrau para armazenar definitivamente sua forma correta no nosso cérebro, observar a mesma palavra com a grafia fora do padrão nos faz descer vários degraus. Existem outros exercícios no ensino da ortografia que também podem ser considerados prejudiciais. Explicar as regras de ortografia reforça o aprendizado das palavras escritas corretamente. Na imagem, uma professora dá aulas de espanhol. Getty Images (via BBC) O problema do ditado A atividade mais tradicional e de maior uso no dia a dia das escolas talvez seja o ditado. Todos nós fizemos ditado ao longo da nossa vida escolar e, neste exato momento, certamente muitos estudantes estão fazendo este exercício. Além da sua alta exigência cognitiva e da grande dificuldade de atender à diversidade em sala de aula, é preciso acrescentar uma limitação fundamental: o ditado é uma atividade de avaliação e não de ensinamento. Se o estudante conhecer bem as palavras que estão sendo ditadas, ele irá escrevê-las corretamente. Mas, se elas não estiverem previamente armazenadas, o ditado não irá servir para fixá-las na memória. É uma atividade didática pouco eficaz. Quando empregamos o ditado (na sua versão tradicional, em que o docente lê em voz alta um texto que ainda não havia sido apresentado aos estudantes), não estamos ensinando ortografia. Estamos apenas avaliando o conhecimento ortográfico dos alunos. E, na escola, devemos tentar ensinar muito e avaliar pouco, não o contrário. Estratégias eficazes É preciso recordar que o nosso cérebro não entende a ortografia, mas apenas o que é repetido com frequência. Por isso, a premissa do ensino da ortografia é oferecer às crianças exemplos corretos das palavras que elas precisam aprender. Além disso, é necessário apresentar esses exemplos de forma repetida, para estimular, potencializar e facilitar o desenvolvimento adequado dos processos de aprendizado estatístico. Neste sentido, é importante garantir apresentações repetidas das palavras mais complexas do ponto de vista ortográfico, ou seja, palavras que o estudante precisa empregar muito no seu dia a dia, mas que possuem ortografia complexa. Um exemplo de paradigma é o verbo "haver" – e sua semelhança com o parônimo "a ver", que tanta dor de cabeça costuma causar entre os estudantes. Uma atividade bastante fácil de ser aplicada é a chamada "caixa de palavras". Esta técnica consiste em criar uma caixa, na qual os alunos vão incluindo palavras difíceis, cada uma em um cartão separado. Assim, eles terão essas palavras sempre acessíveis e poderão observá-las com frequência. E, quando os alunos as escreverem corretamente, poderão retirá-las da caixa, abrindo espaço para aprender novas palavras. No caso de expressões homófonas, como "haver" e "a ver", podemos acrescentar esta informação ao cartão, ou qualquer outro dado que considerarmos estimulante para o aprendizado profundo, como eventuais regras que facilitem a memorização ou palavras derivadas que mantêm ou não aquela complexidade ortográfica. A "caixa de palavras" é uma boa estratégia para superar dificuldades de ortografia. Getty Images (via BBC) Separar a ortografia das demais habilidades É importante sermos específicos, abordando a ortografia de forma independente do restante das habilidades de escrita. Quando nosso foco for colocar ideias em ordem, usar conectores ou revisar textos, é recomendável deixar a ortografia de lado. Se quisermos que os estudantes melhorem sua gramática, sintaxe, planejamento e ortografia ao mesmo tempo, muito provavelmente não conseguiremos aperfeiçoar nenhum destes aspectos. Por isso, se o nosso objetivo for a ortografia, vamos nos concentrar unicamente nela. Neste sentido, complementando a apresentação correta e frequente das palavras impulsionadas pelo aprendizado estatístico, também é benéfico ensinar explicitamente as regras ortográficas ("os prefixos 'pós', 'pré' e 'pró' exigem hífen", por exemplo). Este é um exemplo de prática tradicional recomendável. Uma alternativa ao ditado tradicional é a "cópia diferida". Ela consiste em apresentar aos alunos uma frase que contenha dificuldades ortográficas e explicá-las, pedindo em seguida que eles escrevam aquela frase. Cada complexidade ortográfica escrita corretamente é reforçada com pontos e os alunos têm a oportunidade de voltar a escrevê-la, se desejarem obter a pontuação máxima. Minimizar a possibilidade de erro A leitura pode melhorar a ortografia, exatamente porque ela nos expõe a muitas palavras de uso frequente, escritas corretamente. Mas, com as palavras menos frequentes, é necessário reforçá-las com estratégias em sala de aula. Ler muito pode ser o melhor para escrever corretamente, mas os alunos mais jovens não tiveram tempo de leitura suficiente. Por isso, eles precisam de apoio e reforço durante as aulas. Por fim, precisamos considerar que, como explica a pesquisadora espanhola Mercedes Rueda, os professores deveriam minimizar a possibilidade de erros na escrita – e, se eles ocorrerem, oferecer retroalimentação imediata. Não devemos esperar que a criança se engane, precisamos antecipá-la. Se uma criança perguntar "professor, 'hiena' tem 'h'?", não devemos responder "o que você acha? como parece melhor?" O mais eficaz é responder claramente à pergunta, sem titubear, expondo a forma ortográfica correta da palavra. Devemos responder claramente: "sim, é com 'h'". E só. * Gracia Jiménez Fernández é professora titular do Departamento de Psicologia Evolutiva e Educação da Universidade de Granada, na Espanha. Este artigo foi publicado originalmente no site de notícias acadêmicas The Conversation e republicado sob licença Creative Commons. Leia aqui a versão original em espanhol. VÍDEOS E PODCAST
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24/05 - Em escolas públicas com computador, média é de 1 equipamento para cada 10 alunos, diz estudo
Levantamento do Centro de Estudos e Pesquisas em Tecnologia de Redes e Operações mostra que quase todos os colégios têm acesso à internet, mas falta de tablets, computadores e notebooks ainda é obstáculo significativo para uma educação mais conectada. Velocidade de download só está adequada em 11% das instituições de ensino. Alunos de escola estadual no Satélite Íris, em Campinas Reprodução/EPTV 💻Menos de um terço (29%) das escolas públicas brasileiras possui algum tipo de equipamento tecnológico para os alunos acessarem a internet -- seja um tablet, um notebook ou um desktop. 📱E, mesmo nesse grupo, o número de equipamentos é insuficiente: a média é de apenas uma máquina para cada 10 estudantes. Os dados acima, divulgados nesta quinta-feira (23), fazem parte do levantamento “Panorama da qualidade da Internet nas escolas públicas brasileiras”, realizado pelo Centro de Estudos e Pesquisas em Tecnologia de Redes e Operações (Ceptro.br), do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br). Taxa de analfabetismo no Nordeste é o dobro da média do Brasil; na região, 14% não sabem ler e escrever uma carta simples A partir de informações do Censo Escolar da Educação Básica 2023 e de uma rede de monitoramento de conectividade (Medidor Educação Conectada), ficou evidente também que: ✏️A maior parte (89%) das escolas públicas tem acesso à internet, mas só 62% delas disponibilizam a rede para tarefas relacionadas à aprendizagem (algumas só usam a conexão para tarefas burocráticas na secretaria, por exemplo). 🛜Apenas 11% dos colégios com ensino fundamental e ensino médio têm planos de internet na velocidade de download considerada adequada pela Estratégia Nacional de Escolas Conectadas. Esse documento, lançado em setembro de 2023 pelo governo federal, prevê que as escolas ofereçam 1 Mbps por aluno no turno que for mais movimentado (o suficiente para fazer transmissões ao vivo). Vídeos
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23/05 - Unesp aplica neste domingo a primeira fase do vestibular de meio de ano
São 1.675 candidatos concorrendo a 160 vagas nos cursos das engenharias agronômica, civil, elétrica e mecânica de Ilha Solteira. Campus da Unesp Paola Patriarca/ g1 A Unesp vai aplicar neste domingo (26) a primeira fase do vestibular do meio do ano. As provas serão feitas em São Paulo e no interior paulista, como Bauru, Ilha Solteira, São José dos Campos e São José do Rio Preto. De acordo com a Unesp, são 1.675 candidatos concorrendo para 160 vagas nos cursos das engenharias agronômica, civil, elétrica e mecânica de Ilha Solteira. Os candidatos podem consultar o local de prova no site da Fundação Vunesp, responsável pela seleção. ✅ Clique aqui para se inscrever no canal do g1 SP no WhatsApp Aplicação da prova Na primeira fase a prova terá 90 questões de múltipla escolha das áreas de Linguagens e suas Tecnologias, Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, Ciências da Natureza e suas Tecnologias e Matemática e suas Tecnologias. A prova poderá conter questões interdisciplinares. Os portões dos prédios serão fechados às 14h, por isso os candidatos devem se apresentar a partir das 13h com documento de identidade. Também devem levar caneta esferográfica com tinta preta e régua transparente. O exame terá duração de cinco horas, com permissão para alimentação e hidratação durante sua realização. Resultados O resultado da primeira fase será divulgado em 14 de junho. Já a aplicação da segunda fase será em 23 e 24 de junho, e a divulgação do resultado final será em 12 de julho. O calendário completo está disponível no Manual do Candidato, acessível nos sites da Unesp e da Vunesp.
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22/05 - Candidatos de medicina gastam até R$ 18 mil para conseguir Fies na Justiça, mesmo sem nota suficiente no Enem; entenda riscos
Advogados usam 'brecha' da legislação para defender que o programa de financiamento não deve levar em conta o desempenho dos alunos no Enem. MEC e universidades, por outro lado, afirmam que liberar vaga por liminar pode comprometer orçamento do Fies. 'Surfando na onda', há escritórios de advocacia que prometem 'causa ganha', mas só levam estudantes a assumirem ainda mais dívidas. FIES na justiça: É possível obter financiamento mesmo sem atingir nota de corte no Enem? Em Colmeia (TO), os pais de Isadora de Sousa, de 18 anos, pagaram R$ 7,5 mil a um escritório de advocacia para que a jovem tivesse a chance de estudar medicina pelo Sistema de Financiamento Estudantil (Fies). Ela não havia cumprido o pré-requisito de atingir a nota de corte no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), mas o advogado contratado prometeu que, por meio de uma “brecha” na legislação [entenda mais abaixo], Isadora poderia financiar as altas mensalidades do curso sem depender de seu desempenho na prova. “Disseram que ia ser ‘causa ganha’ e que eu poderia me matricular na faculdade, porque teria o financiamento dali a no máximo três meses”, conta Isadora. “Bateu um medo, porque o semestre custava R$ 80 mil. Bom, seis meses se passaram, meu pai se matando para pagar meu curso… e perdemos a causa na Justiça. Tive de trancar a faculdade, porque não temos mais como arcar [com as despesas]. Estou traumatizada — me prometeram algo que era, na verdade, incerto.” ➡️Qual é a tal “brecha” na legislação? Em resumo: a lei que criou o Fies, em 2011, não mencionava o Enem como critério de seleção para o financiamento. Essa regra de considerar as notas da prova só passou a valer em 2015, após uma portaria do Ministério da Educação (MEC). Diante disso, desde 2020, advogados passaram a defender a ideia de que, como leis “valem mais” do que portarias, nenhum aluno pode ser barrado só porque não teve um bom desempenho no exame. Cobrando até R$ 18 mil, escritórios de advocacia começaram a processar a União, a Caixa Econômica Federal (que opera o Fies) e o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), reivindicando o financiamento para os clientes. 👨‍⚖️Resultados divergentes: Já houve situações em que candidatos conseguiram uma vaga no Fies com base nessa teoria, por meio de liminar – mas, na maioria das vezes, a história acaba em frustração e em mais dívidas. A Justiça, em geral, afirma que a portaria do MEC deve, sim, ser respeitada, e que liberar o financiamento para tantos alunos seria impossível do ponto de vista orçamentário. ➡️Maré de processos: Segundo o MEC afirmou ao g1, só entre janeiro e fevereiro de 2023, mais de 600 brasileiros entraram com processos judiciais pedindo que fossem aprovados no Fies mesmo sem terem alcançado a nota necessária no Enem. Não há um balanço de quantos pedidos foram deferidos (ou seja, “deram certo”). Foi uma “chuva” tão grande de processos – movidos especialmente por candidatos aos cursos de medicina –, e com tantos posicionamentos diferentes de juízes e desembargadores, que o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) deve decidir, até o fim do ano, uma resposta única para todos os casos (pelo chamado Incidente de Resolução de Demandas Repetitivas - IRDR) . Até lá, os estados dessa jurisdição (AC, AP, AM, BA, GO, MA, MT, PA, PI, RO, RR e TO, além do DF) ficarão com as decisões “congeladas”. Há advogados que apresentam uma perspectiva mais realista e explicam ao cliente, desde o início, que pleitear uma vaga do Fies por liminar pode funcionar, mas envolve um alto risco de perder o processo, dependendo da interpretação da Justiça. Outros especialistas, porém, fazem propaganda nas redes sociais (“vaga de medicina já!!”) e garantem — de forma irresponsável — que haverá sucesso. Márcia*, mãe de uma aluna que há anos busca uma forma de cursar medicina, quase acreditou em uma dessas promessas. “O primeiro escritório com que conversei disse que era certeza de sucesso. A sorte é que falei com outra advogada antes e soube que era algo incerto. Eu não poderia abrir mão de R$ 5 mil [valor cobrado para entrar com o processo], por mais que fosse o sonho da minha filha. Fiquei com muito medo”, diz. Nesta reportagem, entenda: os detalhes da tal “brecha” na legislação e por que, em casos pontuais, ela já foi capaz de dar uma vaga no Fies para quem não cumpria os pré-requisitos do programa; por que a maioria dos juízes e desembargadores não concede o Fies nessas situações; quais os riscos de buscar uma vaga por via judicial. 🖊️Mas o Enem não é obrigatório para quem busca o financiamento? Em tese, sim. Quem quiser pleitear esse “empréstimo” para pagar as mensalidades de uma faculdade privada precisa ter: renda familiar per capita de até 3 salários mínimos; nota superior a 450 pontos (média geral) nas questões do Enem e maior do que zero na redação. Dependendo do número de inscritos para determinado curso/universidade, é calculada uma nota de corte para selecionar quem será aprovado (priorizam-se os melhores desempenhos, especialmente de quem ainda não fez faculdade). As graduações em medicina são as mais concorridas. 🤔Em que se baseia essa tentativa de conseguir a vaga sem o Enem, então? Como citado no início da reportagem, desde 2020, escritórios de advocacia vêm apresentando uma teoria para embasar essa reivindicação: reforçam que a lei que criou o Fies, em 2011, não menciona o Enem entre os critérios de exigência. A necessidade de prestar o exame e atingir determinado desempenho só passou a existir em 2015, por meio de uma portaria criada pelo MEC. “Uma portaria não tem poder superior à lei federal. E outro ponto: depois que um país cria acesso a um direito social, não pode retroceder. Seria o mesmo que criar o SUS e depois passar a cobrar pelos serviços", afirma o advogado Henrique Rodrigues, responsável por um dos primeiros casos em que um aluno conseguiu o financiamento via judicial. "Por isso, se move uma ação contra o MEC, o FNDE e o governo federal [para pleitear a vaga via judicial]. Por outro lado, o MEC e instituições de ensino superior explicam que as regras que introduziram o Enem no processo seletivo do Fies existem justamente para dar sustentabilidade financeira ao programa. Seria impossível, segundo eles, dar uma vaga e uma oportunidade de financiamento a todos os alunos inscritos. “Esse tipo de judicialização quebra a lógica da política de ingresso na educação superior e gera uma competitividade desleal em relação ao aluno que se esforçou e prestou o Enem. Quem vai atrás de advogado para conseguir a vaga está furando a fila”, afirma Bruno Caetano, consultor jurídico da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes). Em um dos casos nos quais a vaga foi negada, o Superior Tribunal de Justiça manifestou preocupação a respeito da “real probabilidade de haver sério comprometimento da viabilidade econômico-financeira do Fies, dado o crescente número de medidas de natureza liminar que têm reconhecido direito a estudantes que, de acordo com as normas vigentes, não o teriam”. E há mais uma consequência temida por quem se opõe à via judicial para conseguir o Fies: em alguns casos, a Justiça concedeu não só o financiamento, mas também a vaga para um estudante que sequer estava matriculado em uma instituição de ensino. “Acaba se formando um excedente em relação ao número [de alunos] planejado inicialmente. Isso impacta a organização das atividades práticas e dos estágios”, explica Caetano, da Abmes. 🔴‘Meu pedido foi indeferido, e estou devendo R$ 60 mil’ Larissa Valença, de 21 anos, havia sido aprovada em medicina em uma faculdade privada de Olinda, mas não conseguiria bancar as mensalidades – a única alternativa, segundo ela, seria financiar o curso pelo Fies e pagar as parcelas depois da formatura. Só que, com a nota que a jovem havia tirado no Enem e com a renda de sua família, ela ficaria fora do processo seletivo. “Liguei para uma advogada, e ela me explicou que eu nem precisaria pagar a primeira mensalidade, porque a decisão judicial [que concederia o Fies] sairia em questão de 15 a 20 dias, antes da emissão do boleto”, lembra a jovem. Segundo Larissa, a profissional ainda sugeriu que a aluna apresentasse apenas o comprovante de renda da mãe – e omitisse o do pai, para não ultrapassar o limite de renda do Fies. Os tais 20 dias de prazo se passaram, mas a família de Larissa não recebeu nenhum retorno. “Começou a me bater um desespero, porque eu já estava até fazendo prova na faculdade. Na metade do 1º período [do curso], ficava vendo meus boletos vencendo, e nada de me falarem da decisão. A advogada pediu mais tempo e disse que nunca tinha perdido um processo deste”, conta Larissa. Só que, dois meses depois, em uma busca na internet, a jovem descobriu que o caso havia sido julgado como improcedente. “[No escritório], sabiam que o juiz tinha negado, porque até entraram com recurso, mas não me avisaram.” Pelas regras da faculdade, ela não pôde sequer trancar a matrícula, porque tinha cursado apenas um semestre. “Tive de abandonar o curso e voltar a estudar para o Enem. Só que estou devendo R$ 60 mil [todas as mensalidades não pagas]. Sou muito nova para uma dívida dessa. Medicina é um sonho, tentei por 3 anos, só passei a respirar quando fui aprovada. Agora, parece que parei de respirar de novo.” 🔴‘Já vendi brigadeiro e rifa para me manter’, diz estudante de medicina que trancou curso no 8º período Everton Delgado, de 32 anos, trancou o curso de medicina porque não conseguiu o financiamento Arquivo pessoal Everton Delgado, de 32 anos, já era formado em direito, mas queria estudar medicina. Depois de ser aprovado em uma faculdade privada, começou a pagar as altas mensalidades, na esperança de, em algum momento, conseguir uma vaga no Fies. No entanto, como o programa prioriza os candidatos que ainda não têm diploma, Everton ia automaticamente para o fim da fila. “Por quatro anos, paguei mais de R$ 8 mil por mês [na universidade], com a ajuda da família inteira, cada um dando um pouco. Só que tivemos problemas financeiros e não conseguimos mais”, diz Everton. Foi aí que, em julho de 2023, ele tentou a via judicial para conseguir o financiamento. Mas: A liminar (que é a ordem provisória, tomada logo no início do processo por um juiz) foi negada. Depois, no tribunal, os desembargadores proferiram a sentença: também negativa. Agora, Everton aguarda a decisão final, após recorrer e entrar com recurso no Superior Tribunal de Justiça. “O advogado foi muito sincero comigo e me avisou dos riscos. Mas eu quis tentar”, diz. “Tranquei o curso. Estou fazendo bico até conseguir achar uma solução. Já vendi brigadeiro e rifa para me manter.” 🔴‘Não me avisaram que os processos estavam congelados’ Patrícia Campos, de 37 anos, é formada em nutrição e, para mudar de carreira, prestou vestibular para medicina. Foi aprovada, mas não sabia se conseguiria bancar as mensalidades até o fim do curso. Quando viu a live de um influenciador no Instagram, descobriu que poderia tentar uma vaga no Fies por via judicial. “Minha faculdade nem tem contrato com o Fies, mas o advogado disse que a liminar poderia sair em 15 dias, e aí, eu poderia escolher outra [instituição de ensino] e me matricular. Paguei R$ 3 mil logo de cara, mas nada de vir um resultado”, conta. “Três meses depois, entrei em contato e descobri que a liminar tinha sido negada." Patrícia mora em Goiânia, que faz parte do TRF-1 – como explicado no início da reportagem, todos os processos de Goiás (e de outros estados que estão no mesmo "guarda-chuva") estão paralisados. A decisão provisória até pode ser emitida pelo juiz, mas a definitiva só sairá depois que o tribunal chegar a um consenso geral sobre o assunto. “Ninguém me avisou disso. Me venderam uma falsa esperança, porque sabiam que estava tudo bloqueado. Caí em um conto de fadas”, diz. 🔴Liminar x sentença: e se as respostas forem diferentes? O advogado Henrique Rodrigues explica que é possível haver divergências: SITUAÇÃO 1: não conseguir a liminar (ordem provisória do juiz, que precisa ser cumprida rapidamente), mas "vencer" na sentença (por decisão dos desembargadores) e garantir o Fies. Nicole Arbex, de 20 anos, conseguiu o financiamento no Fies mesmo sem a nota de corte no Enem Arquivo pessoal Foi o caso de Nicole Arbex, de 20 anos, que não atingiu nota suficiente no Enem para ser aprovada em medicina nas instituições federais. Por poucos pontos, também não passou no Prouni ou no Fies. Na Justiça, ela tentou pleitear o financiamento com o argumento de que a lei original do programa não mencionava a prova como critério de seleção. O desembargador, no entanto, negou a liminar. Depois, em segunda instância, a sentença do juiz foi positiva, e Nicole pôde iniciar os trâmites do Fies. “Foi bastante conturbado e cansativo, mas é uma luta por algo que era meu de direito. O custo inicial do processo é pesado, mas, se der certo, vale a pena”, diz. SITUAÇÃO 2: ganhar a liminar, mas depois "perder" na sentença e ficar sem o financiamento. O perigo, nesta segunda hipótese, é o aluno usar a liminar para já começar a estudar, mesmo antes de sair a sentença final. Nesse intervalo, ele estará assumindo uma dívida sem a garantia de que realmente terá o financiamento garantido até o fim do curso. Se o desembargador, meses depois, indeferir o pedido, o estudante perderá o Fies e terá de pagar as mensalidades anteriores. Esse é o temor de Júlio*, de 29 anos, que conseguiu o Fies via liminar em 2022. “Depois de 6 meses e com muita burocracia no MEC, assinei o contrato e comecei a estudar. Mas, desde então, tenho muita dificuldade para fazer os aditamentos [renovações], porque o TRF-1 derrubou minha liminar duas vezes já. Hoje, meu processo está em julgamento final. Não sei se vou continuar estudando”, conta. “Se derrubarem minha liminar, fico sem estudar e com uma dívida que eu não tinha antes. Nem sei de quanto. É tudo muito incerto neste processo, porque os julgamentos variam de um desembargador para outro. Fico triste, porque quem é de baixa renda e não recebeu ensino de qualidade tem cada vez mais dificuldade de conseguir o Fies. Mesmo com tudo isso, não me arrependo da via judicial. Era minha esperança.” Vídeos
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21/05 - Entenda o que é a linguagem neutra
Comunicação é adotada a fim de incluir membros da comunidade LGBTQIA+ que não se identificam como homem ou mulher. Nesta segunda (20), Moraes suspendeu leis que proíbem uso e ensino de linguagem neutra em cidades de MG e GO. Saiba o que é a linguagem neutra e como ela é usada para incluir pessoas LGBTQIA+. Freepik Linguagem neutra é o nome dado à comunicação oral ou escrita que aplica um gênero neutro em vez do feminino ou masculino. Oralmente, isso é feito, geralmente, substituindo os artigos masculino e feminino por um artigo neutro, que pode ser "e" ou "u", a depender da palavra. Dessa forma, ele ou ela pode virar "elu", amigo ou amiga pode virar "amigue", todos ou todas pode ser "todes", e assim por diante. ➡️ Contexto... O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu, nesta segunda-feira (20), duas leis municipais dos municípios de Ibirité (MG) e de Águas Lindas (GO) que proíbem o uso e o ensino da linguagem neutra na administração pública e nas escolas públicas e privadas. 📚 Na decisão, Moraes afirmou que a competência para legislar sobre normas gerais sobre educação e ensino é da União e lembrou que já há uma lei sobre o tema – a Lei de Diretrizes e Bases da educação (leia mais aqui). Na forma escrita da linguagem neutra, também é comum o uso de outras letras ou de elementos gráficos para neutralizar palavras femininas ou masculinas, como "todxs", "amig@", por exemplo. Migues, vamos entender o que é gênero neutro Esse tipo de comunicação é adotado a fim de incluir membros da comunidade LGBTQIA+, como pessoas trans, não-binárias ou intersexo, que não se identificam como homem ou mulher, para que se sintam representados na sociedade. Muito popular na internet e entre a população LGBTQIA+, o gênero neutro ainda não tem um modelo definido. A linguagem neutra é correta ou oficial? De acordo com a norma padrão da língua portuguesa, o papel de pronome neutro no plural é feito pelo artigo masculino. Por exemplo, se um grupo de pessoas é composto por homens e mulheres, mesmo que majoritariamente feminino, pode-se referir às pessoas do grupo como "eles" ou "todos". Por isso, vestibulares ou concursos públicos que exigem a usa da norma culta da língua não permitem o uso do gênero neutro. Mas, apesar de não ser padrão ou oficial, não significa que a aplicação da linguagem neutra seja errada (a menos que expressamente especificada). Ou até que ela não vai ser oficializada em algum momento. Em entrevista ao g1 em 2022, Jonathan Moura, que é professor de língua portuguesa, disse que não é impossível que a linguagem passe a integrar o idioma futuramente, mas alertou que isso depende da adesão pública. Uma linguagem precisa ser praticada para se manter viva, ou, neste caso, viver. Só assim ela passa a fazer parte do cotidiano das pessoas.
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21/05 - A onda de agressão a professores no mundo: 'Ficar perto da porta para sair correndo'
Em diversos países, tem sido registrada uma alta na violência em escolas, além da pressão de pais de alunos, principalmente desde a pandemia de covid-19. Casos de agressão a professores não se limitam apenas ao Brasil. Na imagem, mesa e cadeira em um aula vazia. Getty Images (via BBC) "Sinto uma forte pressão no peito. É como se estivesse me afogando. Sinto que vou cair. Nem sequer sei onde estou." Duas semanas após escrever isso, Lee-Min so, uma professora primária da Coreia do Sul, se suicidou. Embora o suicídio seja um incidente decorrente de vários fatores (leia abaixo onde procurar ajuda no Brasil), a família dela descobriu ao ler seus diários que ela estava sendo oprimida e perseguida por pais de alunos. 👉🏾 A notícia desencadeou uma onda de indignação entre os professores do país, que exigiram mais proteção. Trata-se da face mais extrema de um problema que os professores vivenciam em diversas partes do mundo: o aumento das agressões e da pressão por parte de pais e alunos. O Brasil tem registrado diversos casos de ataques violentos a professores. No ano passado, uma professora morreu e quatro pessoas ficaram feridas em ataque a escola estadual em São Paulo. Uma pesquisa realizada em 2023 pela Nova Escola e instituto Ame Sua Mente mostrou que 7 em cada 10 educadores notaram um aumento da violência e agressividade entre os alunos em 2023. O levantamento ouviu professores em escolas públicas e privadas no Brasil, em diferentes níveis de ensino. E também mostrou que 7 em cada 10 afirmam já ter tido conhecimento de algum caso de violência por parte dos alunos nas escolas onde trabalham. Enquanto isso, o que acontece em outros países? Na Inglaterra, quase um em cada cinco professores foi agredido por um aluno neste ano, segundo dados de um levantamento encomendado pela BBC, no qual 9 mil professores foram entrevistados nos últimos dois meses. Na Espanha, uma professora do ensino médio de um centro de Valência foi agredida com socos e pontapés por um aluno neste ano. Em Bogotá, na Colômbia, uma professora denunciou nas redes sociais a surra brutal que levou de uma aluna, depois de pedir a ela que não usasse o celular. Em Santiago, no Chile, um professor ficou inconsciente após ser espancado por um aluno, ao comunicar a ele, ao lado da mãe, que repetiria de ano. Mais agressões do que há dois anos Lorraine Meah, professora há 35 anos, afirma que o mau comportamento aumentou até mesmo entre as crianças mais novas. BBC Lorraine Meah é professora de escola primária no Reino Unido há 35 anos. E, na experiência dela, o comportamento dos alunos piorou nos últimos anos. Ela conta que testemunhou alunos do jardim de infância “cuspirem e xingarem” — e que o pior comportamento foi demonstrado por crianças de 5 e 6 anos, que apresentaram “tendências perigosas”, como atirar cadeiras. “Quando, em uma turma de 30 crianças, há três ou quatro que apresentam um comportamento desafiador, é difícil de lidar”, afirma Meah à BBC. No Chile, o Colégio de Professores e Professoras, organização nacional que conta com mais de 100 mil membros, realizou uma pesquisa que mostrou que 86,8% dos professores foram vítimas de insultos e ameaças feitas, principalmente, por alunos e responsáveis — ou seja, pais, mães ou representantes. No país, a ocorrência de situações deste tipo quase dobrou desde 2018. O vínculo entre professores e alunos se deteriorou, apontam especialistas. Getty Images (via BBC) Para María Elena Duarte, psicóloga chilena especializada na área educacional e clínica, uma das causas deste fenômeno é a mudança na forma como a escola e o vínculo entre professores e alunos são percebidos. “Antes era um espaço respeitado, embora este respeito tivesse a ver, na minha perspectiva, com autoritarismo e, em alguns casos, com abusos. O fim deste modelo é bom, mas, com o tempo, passamos para outro, no qual a escola perde todo o significado como instituição”, argumenta. Duarte acredita que o atual acesso a tanta informação e tecnologia tem a ver com o que chama de uma perda de significado. Segundo ela, em um mundo em que é cada vez mais fácil ter acesso a conteúdos, as escolas deveriam se adaptar e defender o processo de aprendizagem e desenvolvimento, fortalecendo o vínculo entre professores e alunos. “Como isso não acontece, uma vez que a escola, em teoria, não oferece um valor agregado, temos muitos alunos que nos dizem que assistem às aulas 'porque têm que' (assistir), mas não querem”, acrescenta. E, ao mesmo tempo, “o trabalho de potencializar o vínculo emocional e afetivo entre professores e alunos se perdeu”. “Por um lado, temos professores saturados, com condições cada vez menos ideais de trabalho, sobrecarregados. Por outro, alunos desmotivados, que não querem estar nas salas de aula... Isso não ajuda nenhuma das partes”, explica. Esta mudança social levou, em muitos casos, a uma perda de respeito — algo que, em alguns lugares, estão tentando reverter pela força da lei. Por exemplo, em várias comunidades autônomas da Espanha, os professores se tornaram figuras de autoridade por lei, como um policial. Portanto, agredir um professor equivale a desacato à autoridade. Mas isso não impediu que as agressões aos professores também aumentassem na Espanha. Protesto de professores no Chile contra, entre outras coisas, a violência nas salas de aula. Getty Images (via BBC) Novas formas de agressão Na Espanha, 91% dos professores de escolas públicas afirmaram ter problemas de convivência nas salas de aula — e oito em cada 10 sofreram agressões físicas ou verbais, segundo estudo realizado pela CSIF (acrônimo em espanhol para Central Sindical Independente e de Funcionários). Os mais frequentes são ataques físicos, como empurrões, pancadas na nuca, arremessos de objetos e denúncias falsas. Somam-se a isso novas formas de maus-tratos fora da sala de aula, como a prática de bullying online com os professores. Por trás das estatísticas, estão profissionais que têm medo de entrar nas salas de aula, como conta Teresa Hernández, coordenadora do serviço de defesa dos professores da ANPE, sindicato do magistério na Espanha, à BBC News Mundo, serviço de notícias em espanhol da BBC. “Um professor me disse que o que ele pensa quando entra na sala de aula é se posicionar mais perto da porta, caso tenha que sair correndo”, afirma. E, segundo ela, hoje não há uma maneira fácil de lidar com um conflito com um estudante. “O professor tem que garantir que não será afetado porque colocaram a perna para ele tropeçar ou riram dele porque, depois de passado um episódio de agressão, ele deve voltar para a sala de aula no dia seguinte e ser profissional, porque, além disso, mexe com ele ver o aluno na sala de aula de novo... Não é fácil”, ressalta. Isso se traduz em altos níveis de ansiedade. Hernández afirma que, dos professores que atende, cerca de 80% sofrem com ansiedade — e um grande número já está afastado com sintomas de depressão. “São dados que nos preocupam muito.” O fenômeno é semelhante no Chile, onde o número de licenças médicas associadas ao estresse aumentou no ano passado. “Muitos pensam em abandonar a profissão, e isso é grave porque é uma profissão muito bonita, vocacional e necessária”, afirma Hernández. As novas tecnologias representam novos desafios nas salas de aula. Getty Images (via BBC) Agravantes As pesquisas, os estudos e as especialistas consultadas concordam que, embora o conflito em sala de aula não seja um fenômeno novo, houve algo que o fez aumentar: a pandemia de covid-19. “A partir daí, vemos que há mais problemas de saúde mental, mais distúrbios mentais, mais comportamentos agressivos nas redes sociais”, observa Teresa Hernández. “Foi um fator de estresse gigantesco, não só porque as nossas vidas estavam em risco, mas porque o lockdown nos obrigou a olhar para nós mesmos — e ver como gerimos as nossas emoções e rotinas. E se não houver essa gestão, a situação explode como uma bomba”, acrescenta Duarte. A falta de desenvolvimento emocional acaba resultando em problemas comportamentais. “Nos últimos anos, temos chamado a atenção na ANPE para a necessidade de abordar a saúde mental da comunidade educacional, neste caso dos alunos, desde que ocorreu a pandemia”, diz Hernández. María Elena Duarte, psicóloga clínica e especialista em educação, vê os ataques a professores no Chile como um problema crescente. Divulgação (via BBC) No Reino Unido, Patrick Roach, secretário-geral do sindicato de professores NASUWT (sigla em inglês), disse à BBC que esta situação de mal-estar mental "foi agravada pelos cortes nos serviços especializados em saúde mental para crianças — que deixou nas mãos dos professores o papel de ter de suprir estas lacunas". Em alguns casos, estes serviços nem sequer existiam antes da pandemia. Duarte afirma que para muitas crianças e adolescentes o lockdown significou perder uma etapa com aprendizados valiosos: de como conviver com os colegas, e como lidar com limites. E, além disso, tiveram que gerenciar a socialização por meio das redes sociais. “Voltamos então ao espaço social com toda essa carga, e sem um trabalho de transição para nos conectar com o outro. E depois, no pós-pandemia, nos deparamos com essas situações de abuso.” Os pais também têm um papel na situação que existe nas salas de aula. Getty images (via BBC) Pais: um problema adicional? Na relação entre professores e alunos, existe um terceiro eixo que influencia muito, apontam especialistas: os pais e as mães. Atualmente, há uma tendência a reduzir a autoridade dos professores, de superproteger os filhos, e dar razão a eles em quase tudo, culpando até mesmo os professores. A psicopedagoga Mar Romera acredita que isso tem a ver, em parte, com a queda nas taxas de natalidade. “O fator determinante é que temos poucos filhos, e se você tem um jardim com 200 gerânios e uma orquídea, você foca em cuidar da orquídea. E há uma superproteção”, compara Romera. “Se os pais defendem antes de tudo os filhos, sem questionar nada, esses filhos fazem o que querem nas aulas sem consequências. O trabalho dos pais não é realizado corretamente em muitos casos, e isso nos preocupa”, afirma Teresa Hernández. Ela ressalta que o trabalho de educar as crianças e adolescentes para que se desenvolvam não pode ser responsabilidade exclusiva dos professores. “Também precisa vir de casa.” Manifestação de profissionais da área de educação na Espanha. Getty Images (via BBC) María Elena Duarte insiste que existe um problema de vínculo entre professores e alunos, que deve ser trabalhado, assim como um pai ou uma mãe deve cultivar o vínculo com os filhos. Por um lado, deve haver um trabalho socioemocional com os professores, diz ela. Mas, por outro, é preciso perceber o que está acontecendo com os alunos. “Há maus-tratos aos professores, sim, mas isso também acontece entre os alunos, que cada vez mais se tratam pior. É um problema de convivência em geral”, afirma Duarte. E, como ela diz, é uma via de mão dupla: “Se temos crianças e adolescentes que hoje não são capazes de fazer esta gestão emocional, é também porque temos adultos que não conseguiram visualizar a importância disso.” No fim das contas, tudo depende da saúde mental de todos. “Precisamos estar muito bem mentalmente, tanto os alunos, quanto as famílias e os professores. Os problemas em sala de aula são cada vez mais graves”, afirma Teresa Hernández. Os especialistas advertem que, se esta situação não for remediada e não forem criados protocolos de convivência adequados, este problema não vai ter fim. *Com reportagem adicional de Lauren Moss e Elaine Dunkley. Caso seja ou conheça alguém que apresente sinais de alerta relacionados ao suicídio, confira alguns locais para pedir ajuda: O Centro de Valorização da Vida (CVV), por meio do telefone 188, oferece atendimento gratuito 24h por dia; há também a opção de conversa por chat, e-mail e busca por postos de atendimento ao redor do Brasil; Para jovens de 13 a 24 anos, a Unicef oferece também o chat Pode Falar; Em casos de emergência, outra recomendação de especialistas é ligar para os Bombeiros (telefone 193) ou para a Polícia Militar (telefone 190); Outra opção é ligar para o SAMU, pelo telefone 192; Na rede pública local, é possível buscar ajuda também nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), em Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Unidades de Pronto Atendimento (UPA) 24h; Confira também o Mapa da Saúde Mental, que ajuda a encontrar atendimento em saúde mental gratuito em todo o Brasil. VÍDEOS E PODCAST
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21/05 - Livro de Machado de Assis faz americana viralizar no TikTok: 'O que fazer da vida depois que terminá-lo?'
Courtney Henning Novak, de 45 anos, lançou um desafio pessoal: ler um livro de cada país do mundo. Ainda faltam 100 páginas para ela terminar o representante brasileiro, 'Memórias Póstumas de Brás Cubas', mas já enfrenta praticamente uma crise de abstinência literária. Livro de Machado de Assis faz americana viralizar no TikTok “Preciso ter uma conversa com o pessoal do Brasil. Por que não me avisaram antes que este é o melhor livro já escrito? O que vou fazer do resto da minha vida depois que terminá-lo?” Esse desespero apaixonado vem de Courtney Henning Novak, escritora e podcaster americana que, aos 45 anos, diz estar totalmente obcecada por “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, obra publicada pelo autor brasileiro Machado de Assis (1839-1908) em 1881. 📖 Em um projeto pessoal, Courtney propôs-se a ler um livro de cada lugar do mundo, seguindo a ordem alfabética da lista de países, e contar suas impressões no TikTok. O vídeo sobre “Memórias”, por exemplo, já ultrapassou as 740 mil visualizações entre o último sábado (18), quando foi postado, e esta segunda-feira (20). A americana está preocupada: ainda está no começo da letra “B” e já conheceu a genialidade de Machado. “Ainda tenho de ler de Brunei até Zimbábue!”, brincou. Abaixo, nesta reportagem, confira: o que faz do livro “Memórias Póstumas de Brás Cubas” algo tão arrebatador; por que ler resumos ou adaptações é “abrir mão de uma herança milionária”. Não é a primeira vez que o talento de Machado de Assis é reconhecido internacionalmente, claro. Para citar um exemplo deste século, o escritor americano Philip Roth (1933-2018) declarou sua admiração pelo brasileiro em 2008, comparando-o ao dramaturgo irlandês Samuel Beckett (1906-1989). ➡️Hélio de Seixas Guimarães, professor de literatura brasileira na Universidade de São Paulo (USP), conta que as principais obras de Machado "estão traduzidas para praticamente todas as línguas modernas e publicadas por boas editoras de vários países". "Machado de Assis tem bastante prestígio internacional, que só fez crescer a partir da segunda metade do século 20, principalmente nos meios acadêmicos e mais cultos", explica Guimarães, que também é vice-diretor da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, em São Paulo, e coordenador da coleção “Todos os livros de Machado de Assis”, da Todavia/Itaú Cultural. E uma curiosidade: foi justamente a tradução da americana Flora Thompson-DeVeax para o inglês – versão lida por Courtney – que ampliou o alcance de “Memórias Póstumas” no exterior. “Machado sempre atingiu um público restrito fora do Brasil. Isso talvez tenha começado a mudar com a tradução recente de Thomson-DeVeaux, que teve um lançamento bem-sucedido e agora chegou às redes sociais. Tomara que isso ajude Machado de Assis a entrar em circuitos mais amplos de leitura”, diz Guimarães. A tradutora comemorou o sucesso de seu trabalho. No Twitter, Flora postou: "Eu vi o vídeo [da Courtney], gente! Fiquei feliz demais de ver alguém tendo a mesma reação que eu quando eu li 'Brás Cubas' pela primeira vez com meu português precário: espanto e indignação de não ter convivido com o Machado desde sempre". E aconselhou: "presenteiem os amigos gringos, espalhem essa alegria!". ☠️Por que é um livro tão arrebatador? “Memórias Póstumas de Brás Cubas” é contado por um “defunto-autor”: o personagem principal, Brás Cubas, traça sua própria biografia direto do túmulo. A dedicatória, apresentada logo no início da história, já deixa evidente a mistura entre ironia, humor e horror: “Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas memórias póstumas.” Não vamos aqui dar nenhum spoiler, claro. Mas veja aspectos de destaque da obra, que ajudam a explicar por que Courtney estava quase terminando as 300 páginas em um só fim de semana: ✏️Irreverência na linguagem: “Penso que o próprio livro diz o que há nele de muito especial: a mistura muito peculiar de galhofa e melancolia, de riso e seriedade. Consegue o feito de ser muito profundo, em muitos sentidos terrível, e ao mesmo tempo muito engraçado e divertido de ler. Há ali uma irreverência e uma liberdade de espírito que só encontramos muito raramente na literatura de qualquer tempo e lugar”, diz Hélio de Seixas Guimarães. 📓Revolução na literatura de seu tempo: Fernando Marcílio, professor de literatura do Curso Anglo (SP), explica como Machado de Assis quebrou o padrão do Romantismo da época. “Com ‘Memórias Póstumas de Brás Cubas’, Machado foi iniciador de uma nova estética no Brasil: o Realismo. A gente costuma dizer que ele foi um gênio porque questionou as bases da literatura de seu próprio tempo ao escrever um romance realista – realista nas bases do século XIX, desnudando a realidade humana e desfazendo as ilusões românticas", diz. "Por exemplo: Brás Cubas mede o envolvimento com uma mulher a partir do dinheiro que gastou com ela. Quer algo menos ‘amor romântico’ do que isso?” 🌎Representação do ser humano (de qualquer lugar do mundo): As críticas sociais em “Memórias” não são explícitas como em “O Cortiço”, por exemplo, de Aluísio Azevedo. Mas isso não significa que não haja uma representação dos seres humanos (e da sociedade brasileira). “As personagens machadianas querem parecer algo que não são. Brás Cubas, por exemplo, vive da aparência. E nós tínhamos, no Brasil, a mesma hipocrisia: um discurso liberal, mas em uma sociedade ainda escravocrata”, afirma Marcílio. O professor Hélio Guimarães reforça a universalidade do que é retratado na obra. “Um livro como ‘Memórias póstumas de Brás Cubas’ permite conhecer melhor não só a história e a cultura brasileiras, mas a espécie humana, pela visão de uma das pessoas mais inteligentes, sensíveis e cultas que já viveram no Brasil”, afirma. E, por mais que a representação seja fiel à realidade do século XIX, não deixa de ser atual e de gerar identificação com os novos leitores. “Lendo a obra, os jovens podem tomar consciência e enxergar a raiz e o problema de dilemas sociais com que vivemos até hoje. Os personagens são pessoas que conhecemos. Todos nós temos referências de Brás Cubas ou Marcelas [outra personagem] nas nossas vidas”, diz Heric José Palos, coordenador de literatura do Curso Etapa (SP). 🆘Por que você deve fugir dos resumos? “Memórias Póstumas de Brás Cubas” frequentemente integra a lista de obras obrigatórias de vestibulares. Esteve, por exemplo, na relação de livros da Fuvest, da Universidade de São Paulo (USP), por longos períodos, como de 2013 a 2019. Na internet, é possível encontrar dezenas de resumos da obra. Bom, você deve imaginar que nenhum professor aprovará a ideia de trocar a leitura de um livro por uma página de síntese. “É importante ler Machado, porque foi o melhor autor que produzimos no Brasil em todos os tempos. É como alguém deixar uma herança milionária, mas você recusar. Recusar Machado é recusar o que de melhor foi produzido na nossa cultura”, diz Fernando Marcílio. “O que está por trás das adaptações e dos resumos é só o que acontece, e não como acontece. É um rebaixamento do leitor. Existem edições originais com notas de rodapé explicativas que podem ser úteis para aprender e entender o desconhecido.” Heric, do Etapa, afirma também que o resumo limita qualquer percepção mais ampla ou crítica do estudante. “É fácil resumir: o livro é a história de um cara morto que conta sua própria vida. Mas não é só isso o que interessa. Não é o que ele faz, e sim por que ele faz. Lendo a íntegra, o leitor vai ter uma visão mais profunda dos personagens, com a linguagem refinada, sagaz e elegante de Machado de Assis.” Vídeos Abaixo, veja a correção de uma questão do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2023 sobre Machado de Assis: Enem 2023: correção da questão de Filosofia sobre texto de Machado de Assis
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20/05 - Governo anuncia isenção para candidatos do Rio Grande do Sul em inscrições para o Enem
Segundo ministro da Educação, Camilo Santana, estado seguirá calendário exclusivo para candidaturas. Cronograma, no entanto, ainda não foi divulgado. Demais alunos têm de 27 de maio a 7 de junho para se inscreverem no exame. O ministro da Educação, Camilo Santana, disse nesta segunda-feira (20) que candidatos do Rio Grande do Sul terão isenção na inscrição do Enem — mesmo aqueles que não se enquadram nos critérios tradicionais para receber o benefício (leia mais abaixo). Segundo o ministro, cerca de 40 mil alunos serão assistidos, o que daria algo em torno de R$ 3,5 milhões em custos para o governo. Ainda segundo Santana, o Rio Grande do Sul terá um calendário exclusivo para novas inscrições. Mas, para que isso aconteça, será necessário esperar a situação do estado evoluir — com relação aos temporais e cheias que atingem o Rio Grande do Sul desde 29 de abril. Enem 2024: veja datas de inscrição e de aplicação das provas O governo, no entanto, não deu data para divulgar esse novo calendário. O anúncio foi após reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ministros no Palácio do Planalto, em Brasília. Enem 2024 As inscrições para o Enem 2024 vão de 27 de maio a 7 de junho para todo o Brasil. Já as provas serão aplicadas em 3 e 10 de novembro. Diante do anúncio desta segunda, no entanto, o cronograma de inscrições para os gaúchos deve ser diferenciado. Camilo Santana afirmou também que o Ministério da Educação ainda não trabalha com a possibilidade de realização das provas em outras datas no Rio Grande do Sul. Segundo o ministro, como as provas estão marcadas para serem realizadas em novembro, ainda não há como avaliar se cidades gaúchas terão condições ou não de aplicar o teste. Os resultados dos pedidos de isenção da taxa de inscrição (R$ 85) do Enem foram divulgados na segunda passada (13) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) — órgão responsável pelo exame. Quem tem direito à isenção? Participantes que estão no último ano do ensino médio de escolas públicas; alunos que estudaram durante todo o ensino médio na rede pública ou como bolsistas integrais da rede privada, desde que tenham renda familiar per capita igual ou inferior a 1,5 salário mínimo (R$ 2.118); cidadãos em vulnerabilidade social, com inscrição no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico). Agora, além desses grupos, os moradores do Rio Grande do Sul também terão direito.
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18/05 - PF indicia servidora que aplicou provas por vazamento no Enem e propõe segurança adicional no CNU
Mulher que atuou na aplicação da prova admitiu ter fotografado tema da redação e enviado a uma amiga, mas a PF concluiu que o vazamento não prejudicou a prova. A Polícia Federal (PF) concluiu com o indiciamento de uma pessoa a investigação do vazamento de parte da prova do Enem, realizada em novembro de 2023. Imagem da página da redação da prova do Enem 2023 que circulou nas redes sociais Reprodução A investigação partiu de uma imagem da capa da redação do teste, que circulou pelas redes sociais minutos depois dos candidatos terem acesso ao caderno de provas. Ao todo, os trabalhos duraram seis meses, e nove pessoas foram ouvidas pelos investigadores. Uma mulher que atuou na aplicação do Enem em Belém (PA) admitiu ter feito uma fotografia enquanto a prova ainda ocorria e encaminhado a imagem que circulou nas redes sociais para uma amiga. Ela foi indiciada por divulgar de forma indevida conteúdo sigiloso em processo seletivo – com agravante por ser uma servidora pública –, crime punível com uma pena de reclusão de até 4 anos e multa. O coordenador- geral de Crimes Fazendários da Polícia Federal, Sérgio Mori, disse que "ficou comprovado que a primeira divulgação ocorreu quando as portas já estavam fechadas e as provas já estavam iniciadas, ou seja, todos os candidatos já tinham ciência do conteúdo da prova e da questão da redação". Mudanças para o Concurso Nacional Unificado Apesar dos investigadores terem concluído que o resultado do Enem não foi prejudicado, houve o entendimento de que a tentativa de fraude demonstrou a necessidade de aumentar a segurança das provas públicas. Por causa disso, os candidatos do Concurso Nacional Unificado (CNU), apelidado de "Enem dos Concursos", terão que passar por mais duas etapas de autenticação no dia da prova com a colheita da impressão digital e autentificação pela escrita. Perfil dos candidatos do Concurso Nacional Unificado g1 A sugestão foi feita pelo Ministério da Gestão e Inovação, responsável pela realização dos exames. Após a divulgação do resultado, os peritos da polícia vão analisar as digitais de todos os aprovados para garantir que as provas foram feitas pelos aprovados. A aplicação das provas do CNU estava prevista para o último dia 6 de maio, mas foi adiada por causa da tragédia no Rio Grande do Sul. O governo ainda nao divulgou a nova data oficial das provas.
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17/05 - Mapa do Censo 2022: veja os dados de alfabetização, população, idade, cor e raça, homens e mulheres e saneamento na sua cidade
Mapa do g1 reúne informações do Censo 2022 divulgadas pelo IBGE para todos os municípios do país até o momento. Novos dados do Censo 2022 divulgados nesta sexta-feira (17) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram quais as taxas de alfabetização da população em cada um dos municípios do Brasil. No recorte nacional, a pesquisa aponta que, dos 163 milhões de pessoas com 15 anos ou mais de idade, 11,4 milhões (7%) não sabem ler e escrever um bilhete simples. Considerando só a região Nordeste, o índice de analfabetismo chega a 14% — o dobro do registrado no país. Veja como o Censo mostrou a desigualdade na educação entre raças, regiões e faixas etárias Consulte, no mapa abaixo, a situação de alfabetização de seu município e outros dados do Censo 2022 divulgados pelo IBGE até o momento (população, idade, divisão entre homens e mulheres, raça e cor e acesso a saneamento): V Outros dados do Censo 2022 As informações do Censo 2022 começaram a ser divulgadas em junho de 2023. Desde então, foi possível saber que: O Brasil tem 203 milhões de habitantes, número menor do que era estimado pelas projeções iniciais; O país segue se tornando cada vez mais feminino e mais velho. A idade mediana do brasileiro passou de 29 anos (em 2010) para 35 anos (em 2022). Isso significa que metade da população tem até 35 anos, e a outra metade é mais velha que isso. Há cerca de 104,5 milhões de mulheres, 51,5% do total de brasileiros; 1,3 milhão de pessoas que se identificam como quilombolas (0,65% do total) – foi a primeira vez na história em que o Censo incluiu em seus questionários perguntas para identificar esse grupo; O número de indígenas cresceu 89%, para 1,7 milhão, em relação ao Censo de 2010. Isso pode ser explicado pela mudança no mapeamento e na metodologia da pesquisa para os povos indígenas, que permitiu identificar mais pessoas; Pela primeira vez, os brasileiros se declararam mais pardos que brancos, e a população preta cresceu. Também pela primeira vez, o instituto mapeou todas as coordenadas geográficas e os tipos de edificações que compõem os 111 milhões de endereços do país, e constatou que o Brasil tem mais templos religiosos do que hospitais e escolas juntos. Após 50 anos, termo favela voltou a ser usado no Censo. O Brasil tinha, em 2022, 49 milhões de pessoas vivendo em lares sem descarte adequado de esgoto. Esse número equivale a 24% da população brasileira. Já A falta de um abastecimento adequado de água atingia 6,2 milhões de brasileiros. Mais da metade dos 203 milhões de brasileiros – 54,8% – mora a até 150 km em linha reta do litoral. O analfabetismo continua caindo no Brasil segundo dados do Censo Demográfico do IBGE
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17/05 - Fies: prazo de convocação da lista de espera termina nesta sexta; MEC diz que está atento à situação no RS, mas não altera datas
Mesmo diante da tragédia nas inundações do Rio Grande do Sul, MEC não havia esticado calendário até a manhã desta sexta, último dia do processo seletivo. Pelo Fies, candidatos podem financiar mensalidades de faculdades privadas. Fies oferecerá 112.168 vagas nos dois processos seletivos de 2024. Marcello Casal Jr/ Agência Brasil O Ministério da Educação (MEC) confirmou, na manhã desta sexta-feira (17), que termina à meia-noite o prazo para as convocações da lista de espera do Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies) do primeiro semestre de 2024. ➡️Na última quarta-feira (15), quando questionado pelo g1 sobre um possível adiamento do calendário devido à tragédia no Rio Grande do Sul, o órgão afirmou que estava "atento à situação do Estado para todos os prazos". No entanto, até a mais recente atualização desta reportagem, nenhuma alteração no cronograma havia sido informada. Uma nota publicada no site do MEC, às 9h desta sexta, apenas reforça que é o último dia para a convocação do Fies, sem mencionar os estudantes que podem ter sido prejudicados pelas inundações no Sul. 📱Como o mecanismo de seleção e de chamada dos alunos exige entrega de documentação e formalização de contratos por meios digitais, instituições de ensino e estudantes do RS podem ter enfrentado dificuldades para concluir os processos nas regiões afetadas pelas inundações (como falta de luz e impossibilidade de entrar na própria moradia). O Fies oferece, neste 1º semestre, 67 mil vagas para que estudantes possam financiar as mensalidades de faculdades privadas e só pagá-las após a formatura. 🗓️Enem 2024: No caso da próxima edição do Exame Nacional do Ensino Médio, o ministro da Educação, Camilo Santana, postou nas redes sociais que a pasta estuda prorrogar o prazo para estudantes do Rio Grande do Sul se inscreverem na prova e solicitarem a isenção da taxa de inscrição. Enem 2024: veja datas de inscrição e de aplicação das provas Prazo do Fies havia sido prorrogado em abril, por falhas técnicas do sistema Em 26 de abril, o MEC anunciou que adiaria o prazo previsto inicialmente pelo edital para convocar alunos na lista de espera do Fies. A decisão da pasta foi comunicada após reclamações de estudantes sobre falhas técnicas e demora excessiva para a lista de espera "rodar" (ou seja, chamar novos nomes, considerando quem desistiu da vaga). Em resumo, as queixas do estudantes eram as seguintes: 💻O sistema eletrônico pelo qual eles enviam os documentos na matrícula apresentou problemas técnicos desde o início do processo, atrasando todas as etapas seguintes; 📋As listas de espera não estavam "rodando" no ritmo esperado, por isso, milhares de alunos que não foram aprovados na 1ª chamada ainda aguardavam a convocação; 📝A mesma pessoa estava sendo aprovada em mais de uma opção de curso (algo vetado pelo edital do Fies). Além disso, houve as seguintes reclamações: O edital do Fies 2024 foi publicado apenas em 7 de março, quase dois meses após a divulgação dos resultados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) — em 2023, o documento saiu em 27 de janeiro, antes das notas da prova. As inscrições do Fies terminaram em 18 de março, após algumas universidades já terem iniciado o ano letivo. Isso fez com que os aprovados, que ainda teriam todo o trâmite da pré-aprovação e da matrícula, perdessem as primeiras semanas de aula. Abaixo, entenda os detalhes dos problemas: 💻Problema 1: sistema de entrega de documentos com falhas 🔴Os alunos que foram pré-selecionados na 1ª chamada (divulgada em 28 de março) tinham de enviar, como é de praxe, uma série de documentos para a universidade. O sistema eletrônico usado pelas instituições de ensino, no entanto, apresentou problemas técnicos e atrasou esse processo. Por isso, o MEC aumentou o prazo para a etapa de conferência de dados pessoais. Segundo relatos enviados à reportagem, mesmo assim, as falhas não foram corrigidas e continuaram atrasando as matrículas. "O sistema de acesso das faculdades oscilou muito, falhou e comprometeu os prazos. Foi uma correria gigante [desde o início]", explica Rogério*, coordenador de bolsas e financiamento de uma instituição de ensino privada. "É comum termos intercorrências no Fies, mas, neste ano, foram muitas mudanças [nas regras do programa] em pouco de espaço de tempo. É como trocar o pneu com o carro andando", diz. 📋Problema 2: a lista de espera não estava 'rodando' Aconteceu, então, um efeito cascata: 🔴Quando um candidato que passou na 1ª chamada não efetiva a matrícula ou não entrega os documentos a tempo, a vaga é transferida para a lista de espera (todos os reprovados disputam essa segunda chance). Em geral, a lista "roda" várias vezes, e novos alunos vão sendo convocados. O período para essa "repescagem", segundo o edital, originalmente iria de 28 de março a 30 de abril. 🔴No entanto, jovens ouvidos pelo g1 afirmaram que a lista de espera não estava "rodando" como em anos anteriores. A primeira saiu em 28 de março, como era previsto, mas a segunda só foi divulgada em 18 de abril. 🔴Provavelmente, o que explica essa lentidão foi justamente o problema no sistema de entrega dos documentos. Formou-se um ciclo: os candidatos pré-selecionados não conseguiam completar a matrícula -> o MEC prorrogava o prazo para esses alunos entregarem os documentos --> as vagas ficavam "represadas" e não eram liberadas para as listas de espera. "Durante os 20 dias em que a lista não 'rodou', tive crises de ansiedade constantes, e não consegui ser produtiva nem no trabalho, nem nos estudos", conta Alice Rêgo, de 20 anos, de Xinguara (PA). Ela busca uma vaga em medicina. "Acho que o pessoal do MEC não tem noção do quão difícil é, porque isso mexe com um sonho gigante. Tento vestibular há 5 anos, e o Fies é minha esperança de realizar isso. Estão acabando com a minha saúde mental." Maria Eduarda Souza, de 24 anos, também ficou aflita com a lentidão das listas de espera. "Estou arrasada, porque só tem uma pessoa na minha frente [na 'fila']. Conversei com alguns alunos que foram convocados para essa mesma faculdade [em Maceió] e que não se matricularam, mas as vagas deles não foram disponibilizadas para mais ninguém depois", conta. 🔴Diante do problema nos mecanismos de matrícula, instituições de ensino ficaram com vagas do Fies ociosas: nem foram ocupadas pelos convocados na 1ª chamada, nem foram para a lista de espera. "Se continuar dessa forma, muitas vagas não serão preenchidas e muitos vão perder a oportunidade de estudar e conseguir concretizar um direito fundamental e garantido pela Constituição Federal de 1988", escreveram candidatos em um e-mail enviado ao MEC. "Precisamos ter uma prorrogação no prazo final para divulgação das listas de espera." A pasta, primeiramente, respondeu aos estudantes, em mensagem obtida pelo g1, que “não vislumbra possibilidades de prorrogação”. Depois, mudou de posicionamento e postergou a data. Jhessyka Neves, de 33 anos, havia ficado desnorteada com esse retorno. "A gente fica aguardando, paga cursinho, não sabe se vai pra frente ou pra trás, e a lista não roda. Estou vendo pelo site que tem vaga ociosa, que não tá sendo preenchida", conta a candidata a medicina. 📝Problema 3: aprovação dupla de um mesmo candidato Na segunda lista de espera divulgada pelo MEC, há elementos que não respeitam determinadas regras do programa. O Fies permite que cada candidato se inscreva em até 3 opções (A, B e C) de curso/faculdade, em ordem de preferência. Se, na 1ª chamada, a pessoa for convocada para a alternativa C, por exemplo, não terá o direito a concorrer na lista de espera para a A ou a B. ➡️Resumindo: passou em alguma das suas opções de graduação? Você pode se matricular nela ou abrir mão do Fies neste semestre. Não há chance de disputar a "repescagem" nas suas outras alternativas. Essa regra existe justamente para dar mais chance a todos os alunos que disputam o financiamento. No entanto, o sistema falhou: há registros de candidatos que já tinham sido aprovados na primeira chamada e que, ainda assim, foram selecionados novamente na lista de espera. É o caso de Marina*, que passou "direto" em uma vaga de medicina pelo Fies, mas não quis se matricular e, por isso, nem entregou os documentos para o financiamento. Automaticamente, ela já deveria ter sido excluída do processo seletivo. Só que... seu nome apareceu novamente na lista de espera do Fies, em outra opção de graduação. Ou seja: foi aprovada duas vezes. "Quando vi o e-mail com essa segunda convocação, fiquei preocupada e nervosa, porque sabia de um monte de gente que precisava da vaga e que estava apreensiva. Confrontei a faculdade, já que isso não poderia ter acontecido pelas regras do Fies. Confirmaram que meu nome estava entre os selecionados [de novo]. Enquanto isso, outras pessoas estão tentando se matricular", conta ao g1. * A pedido dos entrevistados, os nomes verdadeiros foram trocados por fictícios. Vídeos Estudantes relatam problemas no processo seletivo do Fies
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17/05 - Taxa de analfabetismo no Nordeste é o dobro da média do Brasil; na região, 14% não sabem ler e escrever uma carta simples
Dados do Censo foram divulgados nesta sexta-feira (17). Índices de alfabetização melhoraram no país em relação à última edição do estudo, de 2010, mas disparidades regionais, raciais e etárias persistem. Entre os indígenas, por exemplo, a parcela de analfabetos é quatro vezes maior que entre os brancos, mostra IBGE. No Brasil, 11,4 milhões de pessoas com 15 anos ou mais não sabem ler e escrever uma carta simples – o equivalente a 7% da população nessa faixa etária. Ainda que o problema tenha sido atenuado nas últimas décadas [veja mais abaixo], o Nordeste continua sendo a região com o índice de analfabetismo mais alto do país: 14,2%, o dobro da média nacional. Os dados, coletados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no Censo Demográfico 2022, foram divulgados nesta sexta-feira (17). ➡️Em comparação à última edição da pesquisa, de 2010, houve relativa melhora: um salto de 80,9% de alfabetizados no Nordeste para 85,79%. ➡️A disparidade regional, no entanto, continua acentuada: o Sul, com o melhor índice do país, chegou ao patamar de 96,6% de moradores que sabem ler e escrever. Além dessa desigualdade geográfica, há também diferenças gritantes dependendo: da raça - As taxas de analfabetismo de indígenas (16,1%), pretos (10,1%) e pardos (8,8%) são bem mais altas do que de brancos (4,3%). da idade - O índice nacional é menor entre os jovens de 15 a 19 anos (1,5%) e maior entre os idosos com mais de 65 anos (20,3%). Veja mais dados ao longo desta reportagem. Onde estão os piores índices de analfabetismo? ✏️No Brasil, 50 municípios têm índices de analfabetismo iguais ou superiores a 30%— 48 dessas cidades estão no Nordeste. As únicas exceções do grupo são Alto Alegre e Amajari, em Roraima, no Norte. ✏️Entre os estados, os piores números foram registrados em Alagoas (17,7%) e no Piauí (17,2%). 10 maiores índices de analfabetismo do país (entre pessoas com 15 anos ou mais) LEIA TAMBÉM RIO GRANDE DO SUL: Moradores de Porto Alegre atingidos por enchente começam a tirar de casa o que perderam NOVO DPVAT: Quem tem que pagar e como vai funcionar a volta do seguro automotivo obrigatório ARGÉLIA: O homem encontrado vivo em porão de vizinho após 26 anos desaparecido Onde há maior porcentagem de alfabetizados? Censo mostra que índice de analfabetismo no Brasil vem caindo, mas ainda é preocupante principalmente na região Nordeste Liza Summer/Pexels 📒No outro extremo, estão os 50 municípios com os menores índices de analfabetismo do país — todos no Sul e no Sudeste. 📒Já no ranking de estados e do Distrito Federal, os melhores desempenhos são de Santa Catarina (2,7% de analfabetos e 97,3% de alfabetizados) e do próprio DF (2,8% de analfabetos e 97,2% de alfabetizados). 10 menores índices de analfabetismo do país Entre a população preta, percentual de analfabetos é mais do que o dobro do registrado entre brancos 📝A taxa de analfabetismo entre brancos, no resultado nacional, é de 4,3%. Pretos (10,1%) e pardos (8,8%) apresentam mais do que o dobro desse percentual. 📝Entre indígenas, o índice é o quádruplo do apresentado pelos brancos: 16,1% de analfabetos, afirma o Censo. 📝De 2010 para 2022, a taxa de analfabetismo das pessoas indígenas caiu de 23,4% para 15,1%. A queda mais expressiva foi observada na região Norte (de 31,3% para 15,3%). Quanto às faixas etárias, a maior redução ocorreu entre pessoas de 35 e 44 anos (de 22,9% para 12%). Taxa de analfabetismo é mais alta entre os mais velhos por 'dívida educacional brasileira', diz IBGE 📖Considerando as faixas etárias dos brasileiros com mais de 15 anos, a maior taxa de analfabetos é detectada entre os idosos de 65 anos ou mais (20,3%). Segundo o IBGE, a “elevada taxa de analfabetismo entre os mais velhos é um reflexo da dívida educacional brasileira, cuja tônica foi o atraso no investimento em educação”. 📖Nas últimas décadas, esse grupo tem apresentado uma melhoria nos números: em 2000, 38% não sabiam ler e escrever cartas simples. “Nas [gerações] mais velhas, as taxas caem mais rápido, pelo processo natural de substituição e pela dinâmica demográfica de envelhecimento e morte da população”, afirma o órgão de pesquisa. 📖A tendência geral é: quanto mais nova for a pessoa, maior a probabilidade de ela ser alfabetizada. Entre jovens de 15 e 19 anos, por exemplo, o índice de analfabetismo é de 1,5%. Como o Censo funciona? 🤔 O que é o Censo? É uma pesquisa realizada pelo IBGE para coletar dados sobre a população brasileira. Ela permite traçar um perfil socioeconômico do país. 🚨 Por que ele é importante? O Censo identifica informações essenciais para a criação de políticas públicas. A partir delas, é possível direcionar os recursos financeiros da União para estados e municípios, como nas áreas de saúde, educação, habitação, transportes e energia. 📝Como os dados foram coletados? Foram três formas de participação: entrevista presencial (98,9% dos casos), por telefone (entrevistas feitas por recenseadores) ou preenchimento de formulário on-line. O Censo entrevista os brasileiros na residência habitual, seja um lar particular, coletivo (asilos) ou improvisado (nas ruas, por exemplo).
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17/05 - Sete dicas para reduzir o estresse ao estudar para uma prova
Desenvolver hábitos saudáveis ​​para lidar com o estresse vai contribuir para o seu bem-estar psicológico e emocional e, em última análise, ajudar no seu desempenho acadêmico. GETTY IMAGES via BBC Ao estudar para uma prova, você pode se sentir estressado e um pouco sobrecarregado enquanto tenta se preparar. Você não está sozinho: o estresse é parte normal da experiência humana, e fazer uma prova pode ser um momento particularmente desafiador. Mas há maneiras de gerenciar esse estresse e manter seu bem-estar. Desenvolver hábitos saudáveis ​​para lidar com o estresse vai contribuir para o seu bem-estar psicológico e emocional e, em última análise, ajudar no seu desempenho acadêmico. A seguir, estão sete dicas que podem ser úteis. 1. Respire A primeira coisa a fazer no momento que se sentir estressado é respirar fundo. Quando você começa a se sentir estressado, a frequência cardíaca aumenta, as palmas das mãos ficam suadas e a pressão arterial sobe. Se você respirar fundo algumas vezes quando essa sensação se instalar, você pode regular sua frequência cardíaca, e a experiência física do estresse pode ser reduzida. Isso pode ajudar sua mente a focar e criar espaço para decidir como gerenciar esse estresse. Depois de respirar, há outras coisas que você pode fazer para ajudar a se sentir menos estressado. 2. Estabeleça metas — e seja realista É muito importante definir metas alcançáveis ​​com as quais se sinta confortável. Não escreva tantas coisas em sua lista de tarefas a ponto de ficar ansioso só de olhar para elas. Pense no que é realisticamente alcançável dentro do tempo que você tem disponível, e estabeleça metas para tarefas de revisão que levem a um progresso contínuo. Não se esqueça de levar em consideração o tempo para o autocuidado, e lembre-se de se parabenizar por suas conquistas. 3. Faça intervalos Ninguém consegue manter o foco total em uma tarefa, como a de revisão dos estudos, para sempre. Com o tempo, a concentração nos deixa cansados ​​— e, na verdade, reduz nossa capacidade de realizar bem uma atividade. Também pode significar que precisamos de mais energia para completar uma tarefa dentro do nosso padrão habitual, e aumenta a chance de cometer erros. Por isso, fazer pausas regulares vai melhorar sua capacidade de estudar com afinco. Se você achar que está começando a ficar demais, faça uma outra coisa, para variar. LEIA TAMBÉM: Inteligência artificial para formular material das escolas públicas de SP: modernização ou risco de erros? Veja análise de especialistas Rotinas de skincare para adolescentes: como conversar com os filhos sobre os riscos da nova tendência das redes sociais Sem esforço, não há genialidade: a criatividade se treina 4. Mantenha-se ativo — e saia de casa GETTY IMAGES via BBC A atividade física regular é muito importante para melhorar o bem-estar e reduzir o estresse. Pode ser o que for mais conveniente para você: dar uma volta, correr ou praticar um esporte que você goste. Não deixe de fazer a atividade porque você acha que deveria estar apenas se preparando para a prova. Se você puder se exercitar ao ar livre, melhor ainda. Minha pesquisa com colegas mostrou que durante a pandemia de covid-19, mesmo sem os níveis habituais de interação e apoio social, o simples ato de passar um tempo em espaços verdes, como parques, teve um impacto positivo no bem-estar dos estudantes. 5. Encontre seus amigos A interação social é uma fonte realmente importante de bem-estar para os jovens. Você pode conversar com amigos online ao longo do dia, mas usar muito as redes sociais também pode ter um impacto negativo no bem-estar. É importante manter relações off-line: organize encontros com os amigos na época da preparação para a prova e aproveite o tempo na companhia de outras pessoas. As pausas regulares no estudo são a oportunidade perfeita para colocar algumas destas ideias em prática. Por que não encontrar um amigo para dar uma volta no parque ou no calçadão? 6. Faça escolhas saudáveis Pode ser tentador tomar uma bebida energética para poder continuar estudando até tarde da noite. Mas o consumo dessas bebidas pode levar a um pior desempenho acadêmico — assim como a ingestão de álcool e o uso de vapes (cigarro eletrônico). Em vez de tomar uma bebida energética, beba simplesmente água, ou escolha algo com teor nutritivo, como uma vitamina de frutas. E, em vez de ficar acordado até tarde para fazer uma revisão, priorize seu sono. A interrupção do sono pode aumentar nossa sensação de mau humor, de forma semelhante ao jet lag — e dormir uma boa quantidade de horas está associado a um melhor desempenho nas provas. 7. 'Personalize' estas dicas Estas dicas são respaldadas por evidências, e são um bom ponto de partida quando se trata de gerenciar o estresse em relação às provas. Mas você também deve refletir sobre o que sabe que funciona bem para você. Pense no que deixa você feliz e ajuda você a se acalmar quando se sente sobrecarregado: talvez escrever no diário ou ouvir seu álbum de música favorito? Combinar hábitos saudáveis ​​e atividades favoritas é uma receita para o sucesso, tanto em termos de desempenho nas provas, quanto de gerenciamento do estresse. *Emma Palmer-Cooper é professora de psicologia do Centro de Inovação em Saúde Mental da Universidade de Southampton, no Reino Unido. Este artigo foi publicado originalmente no site de notícias acadêmicas The Conversation e republicado aqui sob uma licença Creative Commons. Leia aqui a versão original (em inglês). VÍDEO: Mais de 30 estudantes brasileiros são barrados em aeroporto na Argentina Mais de 30 estudantes brasileiros são barrados em aeroporto na Argentina
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15/05 - Governo eleva proposta de reajuste a professores para até 31% até 2026; categoria ainda vai discutir
Ministério da Gestão apresentou elevação em faixas entre 13,3% e 31% nos salários da categoria. Discussão no sindicato e em assembleias deve ocorrer nos próximos dias. O governo federal apresentou uma nova proposta de reajuste salarial para professores de universidades e institutos federais. O aumento poderá chegar a 31% até 2026, mas só começa a ser pago – caso a proposta seja aceita – a partir do ano que vem. Os valores foram detalhados em reunião entre o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN) e o Ministério da Gestão nesta quarta-feira (15). Ministro da Educação fala sobre negociação para fim da greve das federais O comando nacional de greve do sindicato ainda vai discutir a proposta internamente. Portanto, ainda não há previsão de uma resposta ao governo. A oferta feita aos docentes é superior ao que foi apresentado na negociação de abril, quando o governo prometeu um reajuste para a categoria que variaria entre 12,8% e 16,1% até 2026, a depender do cargo ocupado pelo servidor. Dessa vez, a proposta prevê uma variação entre 13,3% e 31%, “uma boa proposta para os trabalhadores e trabalhadoras da educação”, segundo o secretário de relações de trabalho do Ministério da Gestão, Jose Lopez Feijóo. Grevistas trancaram portão da UFPA em ato. Reprodução/Redes Sociais O comando nacional de greve do ANDES-SN informou que ainda vai debater o assunto e vai preparar as orientações a serem encaminhadas às seções sindicais. “A rodada de assembleias para discussão da proposta deve acontecer nos próximos dias”, declarou em nota. “Se nós considerarmos o reajuste que foi concedido a todos os servidores e servidoras públicos federais no ano de 2023, de 9%, significa que o reajuste proposto agora para os docentes acumulará no período dos quatro anos, do mandato do governo Lula, um reajuste que vai variar entre 23% a 43%. Portanto, não só a recomposição de toda a inflação prevista para este mandato do governo Lula, que é de 15%, mas uma importante recuperação de perdas dos governos passados que sequer recebiam os trabalhadores e trabalhadoras para qualquer tipo de diálogo ou de negociação”, argumentou Feijóo. Reajuste de benefícios Feijóo também lembrou que, para 2024, o governo chegou a um acordo numa negociação ampla com servidores de todas as categorias que elevou os valores de benefícios: o reajuste foi de 52% no auxílio-alimentação dos servidores públicos federais, com o valor passando de R$ 658 para R$ 1 mil a partir de 1º de junho; aumento no auxílio saúde, de R$144,38 para cerca de R$ 215; o auxílio-creche passa de R$ 321 para R$ 484,90.
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15/05 - Mais uma vez, na lama: escolas em Muçum (RS), destruídas por chuvas em 2023, haviam sido reabertas pouco antes da nova inundação
Município gaúcho com 4,9 mil habitantes foi um dos mais afetados pelas tempestades do Vale do Taquari em setembro do ano passado. Obras de reconstrução da EMEF Castelo Branco, por exemplo, foram concluídas no fim de abril deste ano, dias antes da atual tragédia no estado. Em Muçum (RS), escolas públicas recém-inauguradas são novamente tomadas pelo lodo A EMEI Família Feliz, escola municipal de educação infantil em Muçum (RS), havia sido reaberta em 24 de fevereiro deste ano, em um sábado ensolarado. Nos cinco meses anteriores, desde as inundações que assolaram a cidade em 4 de setembro de 2023, voluntários e ONGs trabalharam para readquirir tudo o que havia sido danificado pela água – da parte elétrica até os livrinhos e brinquedos das crianças. Mas a reinauguração foi uma festa que durou pouco: em maio de 2024, a tragédia se repetiu. O colégio está, mais uma vez, coberto pela lama das enchentes históricas que atingem o Rio Grande do Sul desde o fim de abril. “Agora, tudo de novo, e ainda pior. Como vai ser? Vamos reformar tudo, para vir mais água? É desumano”, afirma ao g1 Alice Lorenzon, de 28 anos, diretora da EMEI. “É uma tristeza, um desespero de ver tudo o que foi conquistado de forma tão sofrida se perder.” A menos de 2 km dali, perto do encontro entre os rios Taquari e Guaporé, a EMEF Castelo Branco também tentava se recuperar das inundações de setembro. Fazia apenas duas semanas que as obras de reconstrução haviam terminado, quando novamente a água invadiu o local. “Quando o desastre começou, 18 alunos estavam na escola. Os mais velhos [o colégio atende crianças de até 10 anos], com lágrimas nos olhos, ajudaram a encaixotar algumas coisas. Duas meninas que moram na região foram até lá para salvar seus cadernos”, conta Ana Luísa Bettinelli, diretora da instituição. “A gente percebeu a dor de todos. Os pequenos, de 4 a 5 anos, sempre perguntavam se ‘era a enchente’. Desde setembro do ano passado, quando perdemos tudo, o medo passou a ser presente neles.” EMEF Castelo Branco, no centro da imagem (imóvel branco), novamente foi tomada pela inundação em Muçum (RS) Arquivo pessoal 🔴‘A dor nos ensinou’, diz diretora de escola Parquinho da EMEI Família Feliz está enlameado após fortes chuvas em maio de 2024 Arquivo pessoal Nas inundações de 2023, ninguém esperava que os estragos fossem tão grandes. Neste mês, depois de “a dor nos ensinar”, como disseram os professores, todos tentaram salvar o que fosse possível antes de a água subir. Alice, diretora da EMEI Família Feliz, conta que, desta vez, ao primeiro sinal de chuva forte, correu para a escola. Mesmo no 8º mês de gestação, juntou-se aos outros funcionários para encaixotar cadeirinhas de alimentação, livros e objetos menores. “Em 2023, a gente até chegou a erguer algumas coisas, mas a água cobriu tudo. Perdemos ar-condicionado, mesas, cadeiras, colchões, freezer, tudo”, diz. “Agora, conseguimos chamar um caminhão e salvar uma parte do material e as coisinhas que compramos com rifas. Mas a pintura, a estrutura… tudo foi arrancado. Só com maquinário que vai dar para tirar todo o lodo. É uma parte nossa que foi destruída.” Na Castelo Branco, a estratégia também foi tirar todos os itens possíveis da escola. O que sobrou de mobiliário e de objetos foi levado para o segundo piso, na esperança de que o nível da água não subisse tanto. O desastre, no entanto, foi maior do que o previsto: só o telhado não ficou submerso. “Perdemos armário, carteiras de madeira, datashows. Deu para salvar a impressora, pelo menos, que tínhamos perdido da outra vez”, conta Ana Luísa. Mapa das escolas de Muçum (RS) Luiza Rivas/Arte g1 🔴'Tudo foi bem mais agressivo agora': o medo de as crianças não voltarem Voluntários buscam retirar móveis da EMEI Família Feliz Arquivo pessoal ➡️Em setembro do ano passado, antes da inundação, eram 83 alunos matriculados na EMEI Família Feliz. Quando a escola foi reaberta, em fevereiro de 2024, passaram a ser apenas 52. “Caiu uma ponte que ajudava os pais a levarem as crianças, e ela não foi reconstruída. Fora todas as famílias que perderam suas casas e foram embora da cidade, né?”, explica a diretora. Sabrina Zamboni, presidente da associação de pais e alunos da Família Feliz, levava 3 minutos de carro para sair de Voca Sales, cidade vizinha onde morava, e chegar a Muçum. Sem a ponte, o trajeto passou a tomar 1 hora. “Estava levando minha filha [Ana Beatriz, de 1 ano e 11 meses] só 3 vezes na semana, porque ficava muito cansativo para ela”, conta. O temor é que a situação se repita após a tragédia atual – e que mais alunos deixem de frequentar a educação infantil. ➡️Segundo a Secretaria de Educação de Muçum, já que os danos causados pela chuva na “Família Feliz” foram severos, não há previsão de reabertura. Como da outra vez, os bebês e crianças serão atendidos na Pingo de Gente, a única outra EMEI do município (e que tem salas disponíveis). “Tudo foi bem mais agressivo agora: a parte estrutural, elétrica e hidráulica [foram prejudicadas]. Por isso que a gente nem tem como saber quando vai reabrir. É muita coisa para ser reconstruída; o pátio está intransitável de tanto lodo”, diz Jucéli Baldasso, secretária de Educação. A prioridade, segundo ela, será reabrir a Castelo Branco, onde estudam também alunos da pré-escola e do ensino fundamental que, por falta de espaço, dificilmente conseguiriam ser realocados na outra EMEF de Muçum (Jardim Cidade Alta). “Estamos focando na limpeza, mas ainda há a necessidade de reformas e de reposição do mobiliário”, explica a secretária. 🔴‘A parte material vai ser reconstruída, mas uma vida não será trazida de volta’ Cadeiras e mesas da EMEF Família Feliz foram danificadas em inundação Arquivo pessoal Sabrina fez parte da força-tarefa para reconstruir a EMEI Família Feliz após setembro. “A comunidade abraçou a ideia [de reerguer tudo], e demos a volta por cima. Os pais precisavam deixar as crianças lá para trabalhar. Agora, nem sei o tamanho do nosso prejuízo, porque estou isolada com a minha família [a estrada que leva a Muçum tem três trechos interrompidos]. Preciso esperar a chuva parar para o solo estabilizar e eu conseguir ir até a escola”, diz. A tarefa, segundo a presidente da associação de pais e mestres, vai muito além de reconstruir um prédio. “É um lugar com amor e carinho, muito especial para nós. Vamos, mais uma vez, reerguer tudo e dar qualidade para o espaço que faz parte da nossa vida. A Família Feliz vai voltar a ser como era”, diz Sabrina. Na Castelo Branco, a comunidade escolar também acredita no movimento coletivo para limpar o lodo e equipar o colégio mais uma vez. A dor maior, no momento, é pela perda de Ariel Soares, um aluno de 5 anos que morreu soterrado com a mãe, Silvane Soares, na comunidade Pinheirinho, em Roca Sales. “Vamos nos reconstruir; somos todos muito unidos. Mas a vida do Ariel não será trazida de volta. Não sabemos ainda como vamos dar a notícia para as crianças”, diz a diretora.
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14/05 - Enem 2024: resultados dos pedidos de isenção da taxa de inscrição estão disponíveis
Quem tiver o pedido negado pode entrar com recurso até sexta-feira (17). Inscrições do Enem (para isentos e não isentos) ficarão abertas 27 de maio e 7 de junho. Resultados das solicitações de isenção da taxa do Enem 2024 foram divulgados pelo Inep Reprodução/Redes Sociais Os resultados dos pedidos de isenção da taxa de inscrição (R$ 85) do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2024 foram divulgados na noite desta segunda-feira (13), segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). Tire suas dúvidas abaixo. 🙏Como saber se o pedido foi aprovado? O aluno deve entrar na Página do Participante (enem.inep.gov.br/participante/#! /) e digitar os dados de login. ☹️ O que fazer se o pedido for negado? É possível entrar com recurso até sexta-feira (17), também na Página do Participante. O candidato deve anexar documentos que comprovem seu direito à isenção. 🗓️ Quando saem os resultados dos recursos? Em 24 de maio. 💰 Quem tem direito à isenção? Participantes que estão no último ano do ensino médio de escolas públicas; alunos que estudaram durante todo o ensino médio na rede pública ou como bolsistas integrais da rede privada, desde que tenham renda familiar per capita igual ou inferior a 1,5 salário mínimo (R$ 2.118); cidadãos em vulnerabilidade social, com inscrição no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico). 🗂️ E quem estava isento no Enem 2023, mas não fez a prova? Nesse caso, é necessário entrar na Página do Participante, clicar na parte de "recurso" e justificar a ausência (anexando um atestado médico ou um boletim de ocorrência, por exemplo). Caso contrário, perderá o direito à isenção. 📝 Quem conseguir a isenção precisa se inscrever no Enem? Sim! Todos, isentos ou não, deverão fazer a inscrição entre 27 de maio e 7 de junho. 📆Quando acontecerá o Enem 2024? As provas serão aplicadas em 3 e 10 de novembro. O edital foi publicado nesta segunda-feira. LEIA TAMBÉM: Confira redações nota mil no Enem 2023 Cronograma completo do Enem 2024 Enem 2024: veja datas de inscrição e de aplicação das provas Inscrições: de 27/5 a 7/6/2024 Pagamento da taxa de inscrição: de 27/5 a 12/6/2024 Pedido de tratamento pelo nome social: de 27/5 a 7/6/2024 Solicitação de atendimento especializado: de 27/5 a 7/6/2024 Resultado das solicitações de atendimento especializado: 17/6/2024 Recurso para pedidos negados: de 17/6 a 21/6/2024 Resultado do recurso: 27/6/2024 Divulgação dos locais de prova: data a ser marcada Aplicação do Enem: 3 e 10/11/2024 Divulgação do gabarito: 20/11/2024 Divulgação do resultado: 13/1/2025 Vídeos Ministério da Educação define datas do Enem 2024
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13/05 - Encceja 2024: Inep divulga período de inscrição especial para candidatos do Rio Grande do Sul
Novo período começa nesta segunda-feira (13) e vai até 24 de maio. Objetivo é garantir que pessoas afetadas pela tragédia climática que atinge o estado tenham chance de realizar as provas. Encceja, exame em busca de certificação de ensino Rede Globo/Reprodução Pessoas que residem no Rio Grande do Sul e querem prestar o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) 2024 terão mais uma oportunidade de se inscreverem. O novo período começa nesta segunda-feira (13) e vai até 24 de maio. Para o restante do país, o prazo de inscrição foi encerrado em 10 de maio. A inscrição deve ser feita no site enccejanacional.inep.gov.br/encceja/#!/inicial. As provas serão aplicadas em 25 de agosto em todo o país. A decisão do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), autarquia responsável pelo exame, foi divulgada nesta segunda. Ela acontece diante dos temporais e cheias que atingem o estado desde o final de abril, e que já deixou 147 mortos, 127 desaparecidos e 806 feridos. O Encceja é uma prova voluntária e gratuita que serve para certificar jovens e adultos que não concluíram o ensino fundamental ou médio na idade apropriada. A certificação para o ensino fundamental é feita para estudantes acima de 15 anos. Para o ensino médio, é preciso ter mais de 18 anos. O certificado é o equivalente ao diploma de conclusão dessas etapas do ensino. Cronograma do Encceja 2024 Inscrições iniciais: 29 e abril a 10 de maio (encerrada). Inscrições específicas para o RS: 13 a 24 de maio. Provas: 25 de agosto. Divulgação do gabarito: os gabaritos oficiais das provas objetivas serão divulgados no Portal do Inep em até 10 dias úteis após a aplicação do exame. Resultados: 23 de dezembro. Sobre as provas O Encceja é composto por quatro provas objetivas, cada uma com 30 questões de múltipla escolha. Provas também incluem uma redação de até 30 linhas. O modelo é de texto dissertativo-argumentativo, o mesmo do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). As provas para certificado do ensino fundamental são: ciências naturais; matemática; língua portuguesa, língua estrangeira, artes, educação física e redação história e geografia; No ensino médio, são provas de: ciências da natureza e suas tecnologias; matemática e suas tecnologias; linguagens, códigos e suas tecnologias e redação; ciências humanas e suas tecnologias; Para obter o certificado, o participante deverá atingir no mínimo 100 pontos em cada uma das provas, em uma escala de 60 a 180. Na redação, é preciso ter nota igual ou acima de 5. VÍDEOS E PODCAST
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13/05 - Enem 2024 será em 3 e 10 de novembro; saiba quando se inscrever e veja todas as datas
Candidatos que obtiveram isenção da taxa de pagamento também precisam se inscrever. Quem não tem direito à gratuidade precisa pagar uma taxa de R$ 85. Enem 2024: veja datas de inscrição e de aplicação das provas O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2024 será aplicado em 3 e 10 de novembro. O cronograma completo foi divulgado no edital da prova, na edição desta segunda-feira (13) do Diário Oficial da União. Os candidatos deverão se inscrever entre 27 de maio e 7 de junho, de acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Abaixo, confira as principais informações do exame: 💻 Em que site fazer a inscrição? É só entrar na Página do Participante, em enem.inep.gov.br/participante. 💰 Qual é o valor da taxa de inscrição? Ela custa R$ 85 e deverá ser quitada de 27 de maio a 12 de junho. Somente após o pagamento, a inscrição estará confirmada. 💲 Quais as formas de pagamento? A taxa deve ser paga por boleto, PIX ou cartão de crédito. 🚨 Quem está isento da taxa precisa se inscrever no Enem? SIM! Mesmo quem conseguiu a isenção (como os alunos da rede pública) precisa se inscrever. Somente quem concluir a etapa de inscrição poderá fazer a prova. 🖊️ Para que serve o Enem? Ele é uma das principais portas de entrada para a educação superior no Brasil, utilizado por instituições públicas e privadas como critério de seleção, além de ser um requisito para programas governamentais de auxílio estudantil. Não há como se inscrever no Sisu, no Prouni e no Fies sem ter feito o Enem. 🗓️ Quando as provas serão aplicadas? Em 3 e 10 de novembro. LEIA TAMBÉM: REDAÇÕES NOTA MIL DO ENEM 2023 Dados necessários e etapas da inscrição Os principais passos para realizar a inscrição no Enem são: Informe seus dados pessoais: Durante a inscrição, você deverá informar o número do CPF e a data de nascimento. Preencha seus dados de contato: Forneça um endereço de e-mail único e válido, assim como um número de telefone fixo e/ou celular válido. O Inep poderá utilizar o e-mail cadastrado para enviar informações sobre o exame. Escolha onde quer fazer a prova: Indique o estado e município onde deseja realizar o exame. Língua estrangeira: Selecione a língua estrangeira (inglês ou espanhol) na qual realizará a prova. Crie seu cadastro e senha: Utilize o endereço https://sso.acesso.gov.br/ para criar um cadastro e senha de acesso que irá utilizar na Página do Participante. Anote a senha em um local seguro, pois você precisará dela para: gerar o boleto com a taxa, que o Inep chama de Guia de Recolhimento da União (GRU Cobrança); realizar alterações nos dados cadastrais; acompanhar a inscrição e obter resultados e outras funcionalidades. Verifique seus dados e anexe sua foto: Certifique-se de preencher corretamente todas as informações solicitadas, incluindo o Questionário Socioeconômico. Você também terá a opção de anexar uma foto atual, nítida e individual, seguindo as orientações fornecidas. Confirme os dados e acompanhe a situação da inscrição: Após concluir a inscrição, verifique se todos os dados estão corretos. Disciplinas e horários Como nos últimos anos, o Enem será aplicado em dois domingos. 1º domingo: 3 de novembro O candidato deverá fazer: 45 questões de linguagens (40 de língua portuguesa e 5 de inglês ou espanhol); 45 questões de ciências humanas; redação. 2º domingo: 10 de novembro A prova trará: 45 questões de matemática; 45 questões de ciências da natureza. Veja os horários de aplicação (no fuso de Brasília): Abertura dos portões: 12h Fechamento dos portões: 13h Início das provas: 13h30 Término das provas no 1º dia: 19h Término das provas no 2º dia: 18h30 Cronograma completo Inscrições: de 27/5 a 7/6/2024 Pagamento da taxa de inscrição: de 27/5 a 12/6/2024 Pedido de tratamento pelo nome social: de 27/5 a 7/6/2024 Solicitação de atendimento especializado: de 27/5 a 7/6/2024 Resultado das solicitações de atendimento especializado: 17/6/2024 Recurso para pedidos negados: de 17/6 a 21/6/2024 Resultado do recurso: 27/6/2024 Divulgação dos locais de prova: data a ser marcada Aplicação do Enem: 3 e 10/11/2024 Divulgação do gabarito: 20/11/2024 Divulgação do resultado: 13/1/2025 Governo anuncia Enem 2024 ainda sem adaptação ao novo Ensino Médio Vídeos e podcast
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13/05 - 6 brasileiros que lutaram pelo fim da escravidão no Brasil
O fim da escravidão no Brasil completa 136 anos hoje. Conheça a história de personalidades que tiveram papel importante neste processo. Batalha pela abolição já ocorria nas províncias brasileiras anos antes da assinatura da Lei Áurea, e reunia escravizados, negros libertos, pessoas da classe média e da alta sociedade André Valente/BBC O fim da escravidão no Brasil completa 136 anos em 13 de maio deste ano. Em 1888, a princesa Isabel, filha do imperador do Brasil Pedro 2º, assinou a Lei Áurea, decretando a abolição - sem nenhuma medida de compensação ou apoio aos ex-escravizados. A decisão veio após mais de três séculos de escravidão, que resultaram em 4,9 milhões de africanos traficados para o Brasil, sendo que mais de 600 mil morreram no caminho. Mas a abolição no Brasil está longe de ter sido uma benevolência da monarquia. Na verdade, foi resultado de diversos fatores, entre eles, o crescimento do movimento abolicionista na década de 1880, cuja força não podia mais ser contida. Abolição da escravatura: o que mudou no debate sobre o 13 de maio Entre as formas de resistência, estavam grandes embates parlamentares, manifestações artísticas, até revoltas e fugas massivas de escravizados, que a polícia e o Exército não conseguiam - e, a partir de certo ponto, não queriam - reprimir. Em 1884, quatro anos antes do Brasil, os Estados do Ceará e do Amazonas acabaram com a escravidão, dando ainda mais força para o movimento. A disputa continuou no pós-libertação, para que novas políticas fossem criadas destinando terras e indenizações aos ex-escravizados - o que nunca ocorreu. Calcula-se que Luís Gama tenha ajudado a libertar cerca de 500 escravizados Acervo da Biblioteca Nacional 13 de maio, Dia da Abolição da Escravatura: é para celebrar? Luís Gama, o ex-escravizado que se tornou advogado Luís Gonzaga Pinto da Gama nasceu em 1830, em Salvador, filho de mãe africana livre e pai branco de origem portuguesa. Quando o menino tinha quatro anos, sua mãe, Luísa, teria participado revolta dos Malês, na Bahia, pelo fim da escravidão. Uma reviravolta ocorreu quando Gama tinha dez anos: ficou sob cuidados de um amigo do pai, que o vendeu como escravizado. O menino "embarcou livre em Salvador e desembarcou escravizado no Rio de Janeiro", escreve a socióloga Angela Alonso no livro Flores, Votos e Balas, sobre o movimento abolicionista. Depois, foi levado para São Paulo, onde trabalhou como escravizado doméstico. "Aprendi a copeiro, sapateiro, a lavar e a engomar roupa e a costurar", escreveu o baiano. Aos 17 anos, Gama aprendeu a ler e escrever com um estudante de direito. E reivindicou sua liberdade ao seu proprietário, afinal, nascera livre, livre era. Em São Paulo, Gama se tornou rábula (advogado autodidata, sem diploma) e criou uma nova forma de ativismo abolicionista: entrava com ações na Justiça para libertar escravizados. Calcula-se que tenha ajudado a conseguir a liberdade de cerca de 500 pessoas. Gama usava diversos argumentos para obter a alforria. O principal deles era que os africanos trazidos ao Brasil depois de 1831 tinham sido escravizados ilegalmente. Isso porque naquele ano foi assinado um tratado de proibição do tráfico de pessoas escravizadas. Mais de 700 mil pessoas tinham entrado no país nessas condições. Apenas em 1850 o tráfico de escravizados foi abolido definitivamente. "As vozes dos abolicionistas têm posto em relevo um fato altamente criminoso e assaz defendido pelas nossas indignas autoridades. A maior parte dos escravos africanos (...) foram importados depois da lei proibitiva do tráfico promulgada em 1831", disse Gama na época. O advogado ainda entrou com diversos pedidos de habeas corpus para soltar escravizados que estavam presos, acusados, sobretudo, de fuga. Ainda trabalhou em ações de liberdade, quando o escravizado fazia um pedido judicial para comprar sua própria alforria - o que passou a ser permitido em 1871, em um dos artigos da Lei do Ventre Livre. Luís Gama morreu em 1882, sem ver a abolição. Seu funeral, em São Paulo, foi seguido por uma multidão. "Quanto galgara Luís Gama, de ex-escravo a morto ilustre, em cujo funeral todas as classes representavam-se. Comércio de porta fechada, bandeira a meio mastro, de tempos em tempos, um discurso; nas sacadas, debruçavam-se tapeçarias, como nas procissões da Semana Santa", relata Alonso. Na hora do enterro, alguém gritou pedindo que a multidão jurasse sobre o corpo de Gama que não deixaria morrer a ideia pela qual ele combatera. E juraram todos. Nesta pintura da sessão parlamentar que aboliu a escravidão no Ceará, em 1884, é possível ver diversas mulheres entre os homens Acervo da Biblioteca Nacional Maria Tomásia Figueira Lima, a aristocrata que lutou para adiantar a abolição no Ceará Filha de uma família tradicional de Sobral (CE), Maria Tomásia foi para Fortaleza depois de se casar com o abolicionista Francisco de Paula de Oliveira Lima. Na capital, tornou-se uma das principais articuladoras do movimento que levou o Estado a decretar a libertação dos escravizados quatro anos antes da Lei Áurea. Segundo o Dicionário de Mulheres do Brasil, ela foi cofundadora e a primeira presidente da Sociedade das Cearenses Libertadoras que, em 1882, reunia 22 mulheres de famílias influentes para argumentar a favor da abolição. Ao fim de sua primeira reunião, elas mesmas assinaram 12 cartas de alforria e, em seguida, conseguiram que senhores de engenho assinassem mais 72. As mulheres conseguiram, inclusive, o apoio financeiro do imperador Pedro 2º para a iniciativa. Juntamente com outras sociedades abolicionistas da época, elas organizaram reuniões abertas com a população, promoviam a libertação de escravizados em municípios do interior do Ceará e publicavam textos nos jornais pedindo a abolição em toda a província. Maria Tomásia estava presente na Assembleia Legislativa no dia 25 de março de 1884, quando foi realizado o ato oficial de libertação dos escravizados do Ceará, que deu força à campanha abolicionista no país. André Rebouças era adepto de uma reforma agrária que concedesse terras para os ex-escravizados Museu Afro Brasil André Rebouças, o engenheiro que queria dar terras aos libertos André Rebouças nasceu na Bahia, em 1838, em uma família negra, livre, e incluída na sociedade imperial. Quando jovem, estudou engenharia e começou a trabalhar na área. Foi responsável por diversas obras de engenharia importantes no país, como a estrada de ferro que liga Curitiba ao porto de Paranaguá. Conquistou posição social e respeito na corte. A Avenida Rebouças, importante via em São Paulo, é uma homenagem a André e a seu irmão Antonio, também engenheiro. Em uma das obras de que participou, outro engenheiro pediu que Rebouças libertasse o escravizado Chico, que era operário e tinha sido responsável pelos trabalhos hidráulicos. "Foi quando sua atenção recaiu sobre o assunto", escreve Angela Alonso, também em Flores, Votos e Balas. Chico foi, então, libertado. "Sou abolicionista de coração. Não me acusa a consciência ter deixado uma só ocasião de fazer propaganda para a abolição dos escravos, e espero em Deus não morrer sem ter dado ao meu país as mais exuberantes provas da minha dedicação à santa causa da emancipação", discursou certa vez Rebouças, na presença do imperador Pedro 2º. Na década de 1870, Rebouças se engajou na campanha pelo fim da escravidão. Participou de diversas sociedades abolicionistas e acabou se tornando um dos principais articuladores do movimento. Um de seus papéis foi fazer lobby - uma ponte entre os abolicionistas da elite e as instituições políticas, para quem executava obras de engenharia. As ideias de Rebouças incluíam não apenas o fim da escravidão. Ele propunha que os libertos tivessem acesso à terra e a direitos, para serem integrados, não marginalizados. "É preciso dar terra ao negro. A escravidão é um crime. O latifúndio é uma atrocidade. (...) Não há comunismo na minha nacionalização do solo. É pura e simplesmente democracia rural", proclamou Rebouças. O engenheiro também se opunha ao pagamento de indenização para os senhores de escravizados em troca da liberdade - para Rebouças, isso seria uma forma de validar que uma pessoa fosse propriedade da outra. Apoiador da monarquia e da família real brasileira, Rebouças foi ainda um dos responsáveis pela exaltação da Princesa Isabel como patrona da abolição. Como não há registros fotográficos de Adelina, a charuteira, ilustração foi baseada em fotografias de escravizadas que viviam no Maranhão na época André Valente/BBC Adelina, a charuteira que atuava como 'espiã' Filha bastarda e escravizada do próprio pai, Adelina passou a vender charutos que ele produzia nas ruas e estabelecimentos comerciais de São Luís (MA). Suas datas de nascimento e morte não são conhecidas. Seu sobrenome, também não. Como escravizada criada na casa grande, Adelina aprendeu a ler e escrever. Trabalhando nas ruas, assistia a discursos de abolicionistas e decidiu se envolver na causa. De acordo com o Dicionário da Escravidão Negra no Brasil, de Clóvis Moura (Edusp), Adelina enviava à associação Clube dos Mortos - que escondia escravizados e promovia sua fuga - informações que conseguia sobre ações policiais e estratégias dos escravistas. Aos 17 anos, Adelina seria alforriada, segundo a promessa que seu senhor fez a sua mãe. Mas, segundo o Dicionário, isso não aconteceu. Francisco José do Nascimento se recusou a transportar escravizados das praias de Fortaleza para navios negreiros André Valente/BBC Dragão do Mar, o jangadeiro que se recusou a transportar escravizados para os navios O jangadeiro e prático (condutor de embarcações) Francisco José do Nascimento (1839-1914), um homem pardo conhecido como Dragão do Mar, foi membro do Movimento Abolicionista Cearense, um dos principais da província, a primeira do Brasil a abolir a escravidão. Em 1881, o Dragão do Mar comandou, em Fortaleza, uma greve de jangadeiros que transportavam os negros e negras escravizados para navios que iriam para outros Estados do Nordeste e para o Sul do Brasil. O movimento conseguiu paralisar o tráfico negreiro por alguns dias. Com o comércio de escravizados impedido nas praias do Ceará, Nascimento foi exonerado do cargo, segundo o registro de Clóvis Moura. E se tornou símbolo da batalha pela libertação dos escravizados. Depois da abolição, ele tornou-se Major Ajudante de Ordens do Secretário Geral do Comando Superior da Guarda Nacional do Estado do Ceará e morreu como primeiro-tenente honorário da Armada, em 1914. Romance de Maria Firmina dos Reis é considerado o primeiro a trazer o ponto de vista de personagens negros no Brasil escravocrata André Valente/BBC Maria Firmina dos Reis, a primeira escritora abolicionista A maranhense Maria Firmina (1825-1917) era negra e livre, "filha bastarda", mas formou-se professora primária e publicou, em 1859, o que é considerado por alguns historiadores o primeiro romance abolicionista do Brasil, Úrsula. O livro conta a história de um triângulo amoroso, mas três dos principais personagens são negros que questionam o sistema escravocrata. A escritora assinava o livro apenas como "Uma maranhense", um expediente comum entre mulheres da época que se aventuravam no mercado editorial, e só agora começa a ser descoberto pelas universidades, segundo a professora de literatura brasileira da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Constância Lima Duarte. Maria Firmina também publicava contos, poemas e artigos sobre a escravidão em revistas de denúncia no Maranhão. De acordo com o Dicionário de Mulheres do Brasil: de 1500 Até a Atualidade (Ed. Zahar), ela criou, aos 55 anos de idade, uma escola gratuita e mista para crianças pobres, na qual lecionava. Maria Firmina morreu aos 92 anos, na casa de uma amiga que havia sido escravizada.
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12/05 - Famoso nas redes, menino de 3 anos que já sabe ler e escrever expõe dificuldades no acesso à educação especial
Bateria de testes apontaram um QI de 141 pontos em menino de São Bernardo do Campo (SP). A brincadeira preferida de Fernandinho é aprender palavras novas Arquivo Pessoal/Via BBC Fernandinho, como é chamado carinhosamente pelos pais, sempre apresentou interesse pela alfabetização, desde seu primeiro ano de vida. 🧠 Uma bateria de testes apontou que o menino tem um QI (Quociente de Inteligência, métrica que busca quantificar a capacidade intelectual de uma pessoa) de 141 pontos. Isso significa que ele é uma criança superdotada. Sua neuropsicóloga também está investigando sinais do transtorno do espectro autista grau 1. Em um ano, 200 mil alunos com autismo foram matriculados em escolas comuns; falta de apoio a professores ainda é obstáculo Vídeos compartilhados nas redes sociais recém-criadas pelos pais de Fernandinho têm chamado a atenção. Neles, o bebê aparece escrevendo palavras e frases, lendo e estudando apostilas como se estivesse no primeiro ano do ensino fundamental. No Instagram, ele já tem mais de 300 mil seguidores. No TikTok, acumula milhares de curtidas em uma conta do pai. Nascido em São Bernardo do Campo (SP), o menino prodígio, que completou três anos no dia 6 de maio, é tão atento à gramática que não esquece de colocar acento nas palavras ou concluir frases com pontos de interrogação ao fazer perguntas. “Ele sempre foi uma criança normal. Começou a falar com um aninho, mas foi aos dois que desenvolveu uma dicção melhor", diz o pai, Matheus de Almeida Gomes da Silva, de 28 anos. "Seu primeiro contato com a escrita foi com aqueles livrinhos de banho que ele brincava desde os quatro meses, e depois com um tatame de letrinhas que ganhou.” No entanto, embora o bebê demonstrasse interesse por livros ou objetos que tivessem a ver com a escrita, até então, a família não via nada de diferente. Um episódio em uma livraria, porém, chamou a atenção do pai. A família está em busca de uma bolsa de estudos em um colégio particular Arquivo Pessoal/via BBC 🔠 "Um dia fomos em uma livraria – ele estava com um ano e quatro meses – e nós queríamos mostrar os brinquedos, mas ele ficou numa mesinha que tinha que encaixar as letrinhas para formar algumas palavras pequenas, e não queria sair dali", lembra Matheus. "Eu achei aquilo muito estranho, mas pensei que ele tinha gostado porque era um brinquedo de montar. Depois, comprei uma igual para ele." Após esse episódio, o bebê começou a assistir vídeos de alfabetização infantil no YouTube. "Daí, ele viu como fazia o 'w', pegou um papel e começou a repetir. Isso com um ano e sem a gente falar nada. Aliás, antes mesmo de falar, ele já identificava todo o alfabeto", conta o pai. "Nós nunca precisamos pegar na mão e ensinar nada – ele tem uma coordenação muito fácil e simplesmente foi fazendo", acrescenta. O pai lembra que Fernandinho gostava muito do Blipp, personagem de um desenho do Youtube. "Um dia, a gente acordou e estava escrito Blipp numa folha de caderno em casa. Outro dia estava escrito 'Drogasil' [rede de farmácias]. Ele tem uma memória muito impressionante", relata o pai. As fases do desenvolvimento infantil De acordo com a médica pediatra Ana Paula Scoleze Ferrer, o desenvolvimento infantil tem diversas etapas, que são esperadas em determinadas fases. No entanto, é comum haver uma grande variabilidade entre elas. 👶 Por exemplo: alguns bebês começam a andar mais cedo do que outros, a falar primeiro, formar frases mais complexas, e assim por diante. Em geral, isso significa que todos terão a mesma sequência de desenvolvimento, mas a velocidade com que cada criança adquire essas habilidades varia, detalha a pediatra, coordenadora do Serviço de Pediatria do Desenvolvimento e Comportamento e do Ambulatório Geral de Crianças com Condições Crônicas e Necessidades Especiais de Saúde do ICr – HCFMUSP (Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo). "Há uma variação genética entre os indivíduos, mas, principalmente, existe uma variabilidade ambiental. O meio sociocultural em que a criança está inserida interfere muito", diz a especialista. Segundo ela, a genética determina 20% do desenvolvimento, mas 80% se deve a fatores contextuais e ambientais. "E quando falo em ambiente, estou falando de uma forma bem abrangente. Dependendo da cultura, essa criança pode ser mais ou menos estimulada para diferentes habilidades", explica Ferrer. Fernandinho, agora com 3 anos, adora brincar com letras Arquivo Pessoal/Via BBC Marcos do desenvolvimento 🚼 Segundo a pediatra, no primeiro ano de vida, o esperado é que a criança desenvolva mais intensamente os sentidos, como a visão e audição. "Essa etapa também é marcada pelo maior desenvolvimento das habilidades motoras, então a criança começa a pegar os objetos e manusear, começa a ficar de pé, andar. Isso é muito marcante nesse período", observa. Nessa primeira fase, a criança também começa a desenvolver a linguagem socioemocional, embora não seja esse o foco. "Nesse segundo ano de vida, o mais importante é a intensificação da linguagem, porque ela adquire um vocabulário mais amplo e tem uma capacidade de compreender ordens simples e complexas", descreve a pediatra. Depois, a criança entra no que os especialistas chamam de idade pré-escolar, entre dois e seis anos. O que marca essa fase é, principalmente, uma ampliação do desenvolvimento socioemocional e as chamadas funções executivas, que são a capacidade de controlar impulsos, de concentração, atenção e memória. "Isso tudo vai ser aprimorado entre os dois e seis anos de idade", destaca a especialista. Fernandinho ao lado do pai, Matheus Arquivo Pessoal/via BBC Família procurou especialista Surpresos com as habilidades do menino e também a pedido da creche, onde ele apresentava dificuldades de interação com as demais crianças, a família procurou no ano passado uma neuropsicóloga para entender o que estava acontecendo. Matheus conta que, até então, não tinha conhecimento de crianças superdotadas. Após passar por uma bateria de testes neuropsicológicos, Fernandinho atingiu um QI de 141 pontos. De acordo com o laudo médico, aos dois anos, o menino tinha o raciocínio de uma criança de seis anos. Isso explica, em parte, sua irritabilidade na creche com as crianças da sua idade. Pessoas consideradas superdotadas têm acima de 130 pontos de QI em testes utilizados no Brasil. Assim, Fernandinho está acima da média, mesmo para um superdotado. Mas os testes revelaram mais coisas. Ele fez 12 sessões com uma psicóloga para avaliar raciocínio, interação motora e social, com brincadeiras e outras atividades. O resultado, além da superdotação, apontou que ele tem traços autistas, por conta da dificuldade de interação social, conta o pai da criança. "Porém, não dá para fechar um diagnóstico e bater um martelo, porque ele ainda é muito novinho", diz Matheus. No entanto, mesmo sem um diagnóstico conclusivo, a criança já iniciou diversas terapias, inclusive, a comportamental no método ABA, que trabalha os comportamentos relacionados ao TEA (transtorno do espectro autista), além de fonoaudiologia, musicoterapias e afins. "A psicóloga disse que essa dificuldade de interação pode estar relacionada a essa superdotação ou pode ser que seja autismo nível 1. A gente vai precisar trabalhar mais com ele para saber ao certo", diz o pai. Agora, a família está buscando obter uma bolsa de estudos para o menino em um colégio particular, onde acreditam que suas particularidades serão mais bem trabalhadas. Pais de crianças como Fernandinho relatam dificuldade em encontrar esse tipo de atenção na rede pública, embora existam leis que assegurem o direito ao aprendizado especial. Superdotação pode ser confundida com autismo? Especialistas afirmam que sim. A princípio, a superdotação ou as altas habilidades podem ser confundidas com características presentes no TEA. Na verdade, há uma variedade ampla entre as crianças com Transtorno do Espectro Autista, explica a médica Ana Paula Scoleze Ferrer. "Muitas têm um desempenho cognitivo dentro do esperado, parte delas pode ter um déficit cognitivo, enquanto outras têm altas habilidades", afirma a pediatra. "Por isso, é muito difícil fechar um diagnóstico em uma criança de dois anos. Isso depende do surgimento de outras manifestações clínicas associadas que, normalmente, só aparecem ao longo do tempo", observa. Além disso, crianças superdotadas ou com altas habilidades podem ter muita dificuldade de lidar com outras da mesma idade, já que elas têm um raciocínio mais avançado, como é o caso de Fernandinho. "Todo mundo que foge do padrão esperado, seja para mais ou para menos, muitas vezes, tem dificuldade de estabelecer relações interpessoais", comenta a pediatra. Como identificar crianças superdotadas? Antes de mais nada, é preciso entender que sinais de precocidade não definem superdotação – que só pode ser confirmada após uma bateria de testes que visam entender a capacidade de processamento intelectual. A avaliação é feita por psicólogos, neuropsicólogos ou psicopedagogos e especialistas, e deve ser feita o mais cedo possível, a fim de diminuir impactos negativos no desenvolvimento da criança. As crianças superdotadas não identificadas precocemente podem mostrar-se desinteressadas na escola e podem ter problemas de conduta, devido à metodologia de ensino repetitiva da escola "tradicional" — que acaba irritando os pequenos com altas habilidades e fazendo com que eles não se desenvolvam academicamente. Algumas características apontadas pela Secretaria da Educação Especial do MEC (2006) podem indicar uma eventual superdotação. São essas: Curiosidade aguçada; Vocabulário avançado para a idade; Facilidade de aprendizagem e potencial intelectual muito elevado; Raciocínio rápido; Liderança e autoconfiança; Ótima memória; Criatividade; Habilidade para adaptar ou modificar ideias; Observações perspicazes; Persistência ao buscar um objetivo. "Crianças superdotadas podem ter interesse por letras, números, contas matemáticas, bichos e, normalmente, são alfabetizadas mais cedo, por terem gosto pela leitura e outras questões que não são comuns para a idade", explica Claudia Hakim, advogada especialista em direito educacional, neurociências e psicologia aplicada. "No entanto, não necessariamente todas os superdotados vão ter todas essas características", acrescenta. Altas habilidades vão muito além da capacidade excepcional na matemática, podendo se revelar na liderança, criatividade, música e esportes Getty Images/via BBC Há crianças que têm outros tipos de altas habilidades, que também podem se manifestar cedo e que precisam ser investigadas, diz a advogada, sócia do Instituto Brasileiro de Superdotação e Dupla Excepcionalidade. Isso porque a Política Nacional de Educação Especial (PNEE) considera como características de superdotação não somente as habilidades intelectuais e acadêmicas, mas também habilidades de liderança, criatividade, música e esportes, acrescenta ela, autora de diversos livros sobre o tema. Inclusão educacional não saiu do papel No Brasil, as crianças superdotadas têm o direito assegurado por lei de entrarem em um programa de inclusão educacional, a chamada educação especial, voltada a todos os indivíduos que possuem qualquer tipo de dificuldade (auditiva, visual, cognitiva) ou facilidade de aprendizagem (altas habilidades ou superdotação), em todas as fases de ensino. "Existem várias normas do Conselho Nacional de Educação [colegiado vinculado ao Ministério da Educação] e estaduais que tratam da superdotação, prevendo várias formas de atendimento e identificação dessas crianças", destaca a advogada. A educação especial é obrigatória nas redes pública e privada. No entanto, ela só pode ser concretizada se houver recursos. No caso das escolas públicas, esse atendimento também pode ser feito através de núcleos e centros especializados ou parcerias com instituições de ensino superior. "Legislação existe bastante, como a PNEE ou a LDB [Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional], mas as escolas, por não ter conhecimento, por não querer essa responsabilidade, ou mesmo por falta de capacitação profissional, não cumprem seu papel, e as crianças acabam sem atendimento", ressalta. "A lei diz que a escola deveria identificar essas crianças, o que não acontece na prática por uma série de questões. Na verdade, a culpa toda é do sistema educacional", defende a advogada. O Ministério da Educação foi contatado por e-mail e telefone para se posicionar, mas não respondeu aos questionamentos até o fechamento dessa reportagem. Fernandinho é apaixonado pelo cantor Thiaguinho e pelos pagodes que escuta com o pai Arquivo Pessoal/via BBC Enquanto aguarda a tão sonhada bolsa de estudos em um colégio particular, a família de Fernandinho segue estimulando ele como pode. O menino, assim como o pai, gosta muito do cantor Thiaguinho. Ele já ganhou um DVD do artista de presente, o que se tornou mais um incentivo para seu desenvolvimento. Isso porque, além de cantar, o menino também escreve o nome de suas músicas preferidas. "Pensei que ele copiava as letras e memorizava a sequência, mas que ainda não sabia ler. Até que uma vez ele leu o nome de uma música e eu fiquei um pouco assustado, mas acabou sendo um processo natural", diz Matheus. A partir daí, o menino começou realmente a ler, aos dois anos. "Depois ele começou a ler coisas no supermercado e agora já está lendo tudo muito rápido”, comenta o pai, já bem mais aliviado. Em um ano, 200 mil alunos com autismo foram matriculados em escolas comuns
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09/05 - Mais de 420 escolas estaduais foram danificadas nas inundações do Rio Grande do Sul
Balanço da Secretaria Estadual de Educação mostra que, até esta quinta-feira (9), quase 20% das instituições de ensino do RS sofreram prejuízos no mobiliário, nos equipamentos ou na estrutura geral. Desabrigados pelas chuvas em abrigo em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, em 8 de maio de 2024. Entre as escolas estaduais, 75 estão servindo de local de acolhimento das vítimas das inundações Nelson Almeida/ AFP Além de todas as moradias que terão de ser reconstruídas após as inundações do Rio Grande do Sul, outro desafio será enfrentado pelo estado: a reestruturação de pelo menos 426 escolas estaduais que foram danificadas pela água. 🖊️O governo estadual explicou ao g1 que, como o acesso às instituições de ensino está comprometido, a Secretaria de Obras Públicas não havia conseguido, até esta quinta-feira (9), fazer a vistoria para dimensionar os estragos. "Ainda não foi possível ter um detalhamento. Pode ser questão de mobiliário [danificado], equipamentos ou até obras [comprometidas]", informa a Secretaria de Educação Estadual. Até a mais recente atualização desta reportagem, também não havia uma estimativa do número de colégios municipais e privados impactados pelo desastre. De acordo com o Censo Escolar 2023, são 2.345 escolas estaduais no Rio Grande do Sul. Entre elas: 954 (40,7%) foram afetadas de alguma forma pelos temporais, em 236 municípios (estão com problemas de acesso ou foram danificadas); do grupo acima, 426 instituições de ensino (18,2% do total) sofreram especificamente danos físicos; 75 estão servindo de abrigo para as vítimas das inundações. 📖Mais de 330 mil alunos estão sem aula; em Porto Alegre, não há previsão de volta A Secretaria afirma também que, dos 738.749 estudantes da rede estadual, 331,2 mil (44,8%) estão com aulas suspensas. ➡️Nas regiões abaixo, não há previsão de retomada das atividades letivas: Porto Alegre; São Leopoldo; Estrela; Guaíba; Cachoeira do Sul; Canoas e Gravataí. ➡️Em Pelotas e Rio Grande, as aulas estão suspensas até pelo menos sexta-feira, 10 de maio. ➡️E nas áreas abaixo, já foi possível reabrir as escolas: Uruguaiana; Osório; Erechim; Palmeira das Missões; Três Passos; São Luiz Gonzaga; São Borja; Ijuí; Caxias do Sul; Santa Cruz do Sul; Passo Fundo; Santa Maria; Cruz Alta; Bagé; Santo Angelo; Bento Gonçalves; Santa Rosa; Santana do Livramento; Vacaria; Soledade e Carazinho. Inundações deixaram mais de 100 mortos O boletim da Defesa Civil do Rio Grande do Sul da manhã desta quinta-feira (9) afirma que o número de mortos subiu para 107. Há 136 desaparecidos e 374 feridos. Segundo os meteorologistas, os temporais que ocorrem no Rio Grande do Sul desde o fim de abril são reflexo de ao menos quatro fenômenos que ocorrem na região, agravados pelas mudanças climáticas: ☀️Uma onda de calor que atinge as regiões Sudeste e Centro-Oeste forma um bloqueio que impede a a chuva de "ir embora". 💨 No fim de abril, havia um cavado, que é uma corrente intensa de vento, agindo sobre o Rio Grande do Sul e contribuindo para que o tempo ficasse instável. 💧 Isso se somou a um corredor de umidade vindo da Amazônia, que aumentou a força da chuva. 🔥Estamos também vivendo as consequências do El Niño (que começou em agosto de 2023, teve um pico em janeiro e terminou em abril de 2024). Ele aqueceu a superfície do Oceano Pacífico, adicionou calor extra à atmosfera e aumentou as temperaturas globais. LEIA TAMBÉM Égua ilhada em Canoas é resgatada; veja vídeo Governo anuncia antecipação de Bolsa Família, auxílio gás e restituição do IR no estado Vídeos Imagens aéreas mostram cidades submersas no Rio Grande do Sul Secretarias e órgãos públicos estaduais organizam pontos de coleta de doações para o RS
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09/05 - 'Uma nova proposta vai ser apresentada na próxima semana', diz ministro da Educação sobre greve das federais; VÍDEO
No Bom Dia PE desta quinta-feira (9), ministro Camilo Santana também falou sobre a abertura de novos institutos federais em Pernambuco e sobre o programa 'Pé-de-meia'. Ministro da Educação fala sobre negociação para fim da greve das federais As negociações para acabar com a greve das universidades e institutos federais foi um dos assuntos abordados pelo ministro da Educação, Camilo Santana, em entrevista ao Bom Dia PE, na manhã desta quinta-feira (9). De acordo com ele, o governo federal deve apresentar uma nova proposta de negociação com os servidores na próxima semana (veja vídeo acima). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 PE no WhatsApp. "Estive discutindo uma nova proposta para ser apresentada na próxima semana e que a gente espera que possa chegar num consenso com transparência, com diálogo, reconhecendo o valor dos servidores da educação federal nesse país. Então, esperamos que a gente possa superar, até porque isso é um prejuízo para os alunos, para a academia, e a gente espera que a gente possa, após uma semana, chegar a um acordo e retornarmos aí as atividades nas unidades que foram suspensas", disse o ministro. Deflagrada no início de abril, a greve afetou, ao menos, 52 universidades, 79 institutos federais (IFs) e 14 campus do Colégio Pedro II. Na entrevista, Camilo Santana também falou sobre a implementação do programa "Pé-de-meia" em Pernambuco (entenda mais abaixo) e sobre a expansão de institutos federais no estado. Ministro da Educação Camilo Santana em entrevista ao Bom Dia PE, nesta quinta (9) Reprodução/TV Globo A última proposta oferecida pelo governo federal era de um reajuste de 9%, sendo 4,5% em 2025 e 4,5% em 2026. Ou seja, sem previsão de aumento para este ano. O ministro comentou a negativa da categoria e disse que o valor não é baixo, mas sim um reflexo da falta de investimentos na educação. "É preciso entender que ninguém pode recuperar tudo de uma só vez. Foram seis anos que o governo federal não deu nada, um centavo, de reajuste para o servidor federal. No primeiro ano [do governo Lula], em 2023, foi dado 9%; aí você chega a 18% nesse período, tentando corrigir o prejuízo causado pelos anos anteriores", disse. LEIA TAMBÉM: Professores da UFRPE estão em greve Veja situação em outras instituições federais em Pernambuco Na entrevista, o ministro também falou sobre os projetos para a criação de novos institutos federais em Pernambuco. "A gente acredita que o instituto federal é uma grande política assertiva e teve grande resultados para a educação técnica e profissional e o governo federal quer ampliar a matrícula de tempo integral, do ponto de vista técnico profissionalizante", contou. O projeto foi anunciado pelo presidente Lula em março e deve ter o investimento de R$ 150 milhões, com 8,4 mil novas vagas. As unidades estão previstas para as cidades do Recife, de Goiana (Mata Norte); Santa Cruz do Capibaribe, Bezerros, Águas Belas (Agreste); e Araripina (Sertão). Orçamento das universidades federais em PE teve redução de R$ 128 milhões em dez anos, dizem reitores Programa 'Pé-de-meia' O ministro veio a Pernambuco para o lançamento do programa "Pé-de-meia" no estado, na manhã desta quinta-feira (9), na Arena de Pernambuco, em São Lourenço da Mata, no Grande Recife. O programa irá oferecer incentivo financeiro para estudantes do ensino médio por meio de pagamento de bolsas ao longo dos anos da escola. De acordo com o ministro, cerca de 177 mil alunos serão beneficiados pelo programa em Pernambuco. No "Pé-de-méia", os estudantes terão uma conta aberta na Caixa Econômica Federal, onde serão depositados R$ 200 mensais. Os alunos podem sacar esse dinheiro a qualquer momento. Também serão feitos depósitos de R$ 1 mil ao final de cada ano letivo, mas esse valor só será recebido após a conclusão dos estudos. Pé-de-meia: MEC publica regras e calendário de pagamento da bolsa para alunos do ensino médio; confira Com esses aportes, o governo irá pagar até R$ 9,2 mil para os estudantes que concluírem os estudos. Inicialmente, o benefício era apenas para estudantes cadastrados no Bolsa Família, mas foi expandido para alunos que estão no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico). "O grande motivo do abandono escolar é a questão financeira. É aquela idade que chega que o jovem passa a trabalhar, a querer trabalhar, querer ajudar a família, e falta de expectativa com a escola. É uma política ousada e inovadora. Claro que ela vem se somar com outras políticas públicas que os estados e municípios estão implementando, mas exatamente é para dizer que nós não queremos perder nenhum jovem na escola pública brasileira", afirmou. ⬆️ Voltar ao início desta reportagem. Vagas em creches Ministro Camilo Santana em evento de abertura de 2 mil vagas em creches e pré-escolas no Recife Reprodução/TV Globo À tarde, o ministro participou de um evento de abertura de 2 mil vagas em creches e pré-escolas da rede municipal do Recife, que tem cerca de 4,5 mil crianças na fila por uma vaga. O evento aconteceu no Compaz Ariano Suassuna, no bairro do Cordeiro, na Zona Oeste do Recife. Ao todo, são 1,3 mil vagas em creches, para bebês e crianças de até 3 anos, e 700 em pré-escolas, para crianças de 4 e 5 anos. O acréscimo de 2 mil vagas será suficiente para atender a menos da metade do déficit na capital pernambucana, já que representa 44,4% da demanda. "Aqui no Recife, hoje, nós temos ainda uma fila de cerca de 4,5 mil crianças, em diversas etapas de ensino, ou seja, em diversas séries, em diversos momentos, que muitas vezes você tem a vaga disponível mas a mãe quer naquela localidade específica", afirmou o secretário de Educação do Recife, Fred Amâncio. De acordo com a gestão, as vagas serão preenchidas à medida que a prefeitura entrar em contato com os pais e responsáveis. As aberturas serão possíveis com a entrega, neste mês, da construção de uma nova unidade, no bairro do Monteiro, na Zona Norte, e quatro ampliações e obras, contemplando os bairros do Ibura e Jordão, na Zona Sul, e Guabiraba e Vasco da Gama, na Zona Norte. Além disso, serão abertas cinco novas vagas em creches em parceria com a prefeitura, distribuídas nos bairros de Areia, Jiquiá, Iputinga e Várzea, na Zona Oeste, e Córrego do Jenipapo, na Zona Norte. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias
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09/05 - Educa2030: Pacto Global da ONU e Unicef lançam iniciativa para incentivar investimento em educação e empregabilidade
Objetivo é estimular empresas a investirem em oportunidades para os funcionários, especialmente jovens e mulheres. Iniciativa conta com parceria estratégica do Ministério do Trabalho e Emprego e tem a Globo como embaixadora. Carlo Pereira, CEO do Pacto Global da ONU na Rede Brasil, em lançamento do Movimento Educa2030. Emily Santos/g1 O Museu de Arte Moderna (MAM) de São Paulo, no Parque Ibirapuera, recebeu na terça-feira (8) o lançamento do Movimento Educa2030, uma iniciativa em defesa da escolaridade e da especialização de mulheres, jovens e adultos, e do fortalecimento de oportunidades para os jovens. 📊 O Movimento Educa2030 faz parte da estratégia Ambição 2030 do Pacto Global da ONU, e quer estimular empresas a assumirem metas ambiciosas para o avanço da educação e empregabilidade no país, por meio de três pilares principais: aumento da escolaridade de funcionários e terceiros nas empresas; inclusão produtiva de jovens, com foco em Jovem Aprendiz; e desenvolvimento profissional de mulheres em áreas STEM (ciências, tecnologia, engenharia e matemática). 💡 Na prática, a ideia é convencer as empresas a pensarem em políticas internas e de organização para investir, inspirar e possibilitar a constante atualização de seus funcionários por meio da educação com foco no mercado de trabalho. Dessa forma, os profissionais estarão sempre se especializando alinhados com as funções que desempenham ou querem desempenhar profissionalmente. A iniciativa conta com o UNICEF e o Ministério do Trabalho e Emprego como parceiros estratégicos, e com a Globo e o Yduqs — grupo de educação superior que reúne marcas como Ibmec, Estácio e Wyden — como embaixadoras. De acordo com Carlo Pereira, CEO do Pacto Global da ONU na Rede Brasil, cada pilar do Movimento tem um motivo para estar ali, e é importante para o objetivo final. Segundo o especialista, a iniciativa nasceu da reflexão combinada sobre vários problemas do cenário nacional — como a falta de mão de obra especializada em empresas, o número exorbitante de jovens fora da escola e sem emprego, a ausência de mulheres em áreas STEM (campo do conhecimento composto por ciências, tecnologia, engenharia e matemática) — e da conclusão de como a atuação do setor empresarial poderia ajudar a corrigir este cenário. O Educa2030 vem nesse sentido de trazer as empresas para que capacitem seus funcionários, para que melhorem a escolaridade deles, para que tenhamos mais mulheres e jovens em cargos [de destaque] e também se capacitem em posições de tecnologia, além de garantir a inclusão produtiva dos jovens. Para Magno Lavigne, secretário de Qualificação e Fomento à Geração de Emprego e Renda do Ministério de Trabalho e Emprego, as empresas que se comprometerem com a iniciativa estarão fomentando a vontade de estudar entre seus funcionários e promovendo a valorização desses profissionais. Ele defende que é importante manter discussões como as propostas pelo Educa2030 porque o mercado de trabalho sempre passa por modificações, muitas delas permanentes. Assim, tanto o poder público quanto o setor privado precisam repensar e reconhecer suas responsabilidades. O Movimento é também uma oportunidade para o setor privado refletir sobre as próprias políticas, de acordo com Paulo Marinho, diretor-presidente da Globo. Além de destacar o orgulho de ter a empresa como embaixadora da iniciativa, ele diz entender o pacto como uma oportunidade para olhar não somente para ações externas voltadas para educação e empregabilidade, mas para estimular ações dentro da própria Globo. E, através disso, inspirar outras empresas.
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04/05 - Projeto de xadrez ensina história, matemática e até educação física para estudantes de escola pública no ES
Estudantes de colégio em São Mateus, no Norte do Espírito Santo, participam da projeto 'Xadrez na Escola', que relaciona o esporte com diversas disciplinas da grade curricular. Xadrez em sala de aula ajuda no desempenho de alunos em São Mateus 'Ajuda na nossa concentração e no nosso aprendizado. A gente passou a prestar mais atenção nas aulas'. Esta é a afirmação de Rhyane Coelho, aluna da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Doutor Arnóbio Alves de Holanda, localizada em São Mateus, no Norte do Espírito Santo. O colégio utiliza o esporte para ensinar narrativas de história, raciocínio lógico da matemática e até fundamentos básicos da educação física. Compartilhe no WhatsApp Compartilhe no Telegram Escola do Norte do ES relaciona xadrez com disciplinas da grade curricular. Reprodução/TV Gazeta O projeto 'Xadrez na Escola' foi implantado em 2024 e é destinados a alunos do 6º ao 9°. Ao todo, 40 estudantes participam das atividades que acontecem na biblioteca da escola. 📲 Entre para a comunidade do g1 ES no WhatsApp e receba nossas notícias Os gêmeos Daniel e Miguel Pereira participam do projeto desde o início. Segundo Daniel, o silêncio é fundamental para a prática do xadrez. "É muito cálculo. Se não tiver concentração, não tem como", comentou. Estudantes de escola do Norte do Espírito Santo disseram que melhoram o desempenho nas disciplinas após aulas de xadrez Reprodução/TV Gazeta Miguel afirmou que uma das melhorias que percebeu foi no próprio racíocinio lógico. "Eu tô gostando muito. O meu desempenho já melhorou ", destacou. Além das estratégias de jogo Xadrez cotribui para melhoria do desempenho de estudantes do escola do Norte do Espírito Santo Reprodução/TV Gazeta De acordo com o professor de história, Ytalo Pimenta, além do tempo dedicado a pensar nas estratégias de jogo, o xadrez já melhorou o desempenho dos adolescentes como estudantes. "Existe uma ideia de que o xadrez pertence somente a lógica da matemática, mas, na verdade, ele tem uma gama de conhecimentos vinculados à história. Se você reparar, o xadrez é um jogo feudal, com reis, rainhas, bispos e, através das aulas, os estudantes perceberam essa relação", explicou o professor. Estudantes de escola do Norte do Espírito Santo dizem que perceberam melhoria no raciocínio lógicc após aulas de xadrez Reprodução/TV Gazeta Ytalo, que também é coordenador de história, divide a instrução de xadrez para os alunos com o professor de educação física. É desta forma que o Cleber Caliman ensina sobre fundamentos de vitória e derrotas dentro da prática esportiva. "Você amadurece a partir do momento que você perde no xadrez. A gente aprender com os erros. Você perdeu por quê? Porque você errou. Então, o aluno consegue fazer uma avaliação para melhorar o próprio desempenho", disse o professor Caliman. Fundamentos da matemática com o xadrez Professora de Matemática de escola do Norte do Espírito Santo usa xadrez para ensinar conceitos da disciplina Reprodução/TV Gazeta O projeto também ensina fundamentos da matemática por meio do xadrez. De acordo com a professora Luysa Freitas, o esporte e a matéria caminham juntas e essa relação em sala de torna o aprendizado mais dinâmico. "A gente trabalha a concentração, o raciocínio lógico e os conceitos do conteúdos. Mas também tudo que a gente pode ensinar ao aluno que vai contribuir para a sua vida, como respeito ao próximo, a gente ensina", pontuou a professora. LEIA TAMBÉM: Escola no ES cria projeto de xadrez para melhorar notas de alunos Ampliação do projeto Demanda aumenta e escola do Norte do Espírito quer ampliar projeto de xadrez para mais estudantes Reprodução/TV Gazeta De acordo com a diretora Eliane Roncatto, a adesão dos alunos ao projeto 'Xadrez na Escola' cresce a cada dia e, por isso, o colégio já estuda a possibilidade de expandir a área em que os estudantes jogam. "A biblioteca já está ficando pequena. A demanda e o interesse dos alunos está aumentando a cada dia. As famílias também estão amando e apoiando o projeto na escola", disse Eliane. A secretária de Municipal de Educação Simone Cassini destacou que estudantes e familiares passaram a enxergar o projeto de forma diferente. "É uma atividade diferente que envolve uma disciplina da escola e também a família", comentou a secretária. Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo
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30/04 - Bater em crianças é crime? Entenda o que a lei prevê em casos de agressão
Qualquer tipo de castigo físico ou psicológico pode ser considerado crime. Penas podem variar de acordo com a gravidade da agressão. Menina de 11 anos apresentava hematomas nos braços e pernas após apanhar da mãe Reprodução/WhatsApp Qualquer tipo de agressão a crianças, seja física ou psicológica, pode ser considerado crime. De acordo com a Constituição Federal, crianças e adolescentes têm direito à dignidade e não podem ser expostos à violência, crueldade e opressão. No fim de semana, uma mulher foi presa preventivamente após agredir sua filha de 11 anos em Pernambuco. Na abordagem, a policial militar que atendeu a ocorrência foi filmada dando um tapa no rosto da mulher após ver as marcas de espancamento no corpo da criança. De acordo com Ariel de Castro Alves, advogado especialista em direto da infância e da juventude e ex-secretário nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, em casos como esse, o responsável pode responder até por crime de tortura. "A Constituição e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) asseguram a inviolabilidade da integridade física e psicológica das crianças e adolescentes. Eles não podem ser submetidos a nenhuma forma de violência", detalha o advogado. 👉 O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) é o conjunto de leis que estabelece os direitos e deveres das crianças e adolescentes no Brasil. O estatuto tem como objetivo proteger a integridade física e psicológica desse grupo, garantindo seu desenvolvimento. Além de proteger as crianças, o ECA também prevê medidas preventivas para casos de violência, além de orientação e penas para aqueles que praticam algum tipo de agressão contra crianças e adolescentes. O que diz a lei Iberê de Castro Dias, juiz da Vara da Infância e Juventude, explica que a Constituição sempre protegeu as crianças e adolescentes contra agressão. Mas uma legislação específica e a inclusão de leis sobre esse tema ajudaram a deixar mais claras as consequências para aqueles que protagonizam algum tipo de violência. "No passado, se tinha muito uma visão que os filhos são propriedade dos pais e eles podem fazer o que bem entenderem na educação das crianças, mas isso vem se modificando", analisa o advogado. Nesse contexto de mudança, a Lei Menino Bernardo, também conhecida como Lei da Palmada, é um marco importante. Promulgada em 2014, a lei altera o ECA para "estabelecer o direito da criança e do adolescente de serem educados e cuidados sem o uso de castigos físicos ou de tratamento cruel ou degradante". ⚖️ A lei especifica o que é considerado castigo físico e tratamento cruel ou degradante: Castigo físico: ação de natureza disciplinar ou punitiva aplicada com o uso da força física aplicada sobre a criança ou o adolescente que resulte em sofrimento físico ou lesão; Tratamento cruel ou degradante: conduta ou forma cruel de tratamento em relação à criança ou ao adolescente que humilhe, ameace gravemente ou ridicularize. Segundo Iberê, com essa lei houve pela primeira vez a explicitação da proibição desse tipo de violência, o que contribuiu para o maior debate do tema na sociedade, além de especificar as punições para esse tipo de situação. Ariel de Castro Alves, que também é membro da Comissão da Criança e do Adolescente da OAB-SP, ressalta que a lei traz alterações fundamentais no ECA, auxiliando na proteção desse grupo. "Ela [a lei] foi criada para enfrentar a cultura e tradição de violência contra crianças e adolescentes sobre o pretexto 'educacional', entendendo que quem sofre violência pratica violência", afirma. Casos de maus-tratos contra crianças e adolescentes crescem 21% no Brasil em 2021, mostra Anuário Educação positiva Os especialistas explicam que um dos principais motivos pelos quais a proibição desse tipo de violência existe é porque qualquer castigo físico ou psicológico contra crianças e adolescentes tem consequências maléficas diretas em seu desenvolvimento. 🧸 Irene Gaeta, membro da Associação Internacional de Psicologia Analítica (IAAP), lista que entre as principais consequências das agressões estão: Ansiedade Transtornos depressivos Baixo desempenho na escola Comportamento agressivo e violento Síndrome do pânico Quadros depressivos A psicóloga e professora Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Isabel Kahn, comenta que as agressões podem levar à reprodução desses comportamentos agressivos por parte dessas crianças e adolescentes em outras relações no futuro. "Eles podem repetir essa forma de domínio diante daqueles que se sentem mais fortes, é um padrão de agressividade que se reproduz para alguns", explica. As especialistas também lembram que os pais e cuidadores devem sempre estar cientes que suas experiências passadas influenciam suas atitudes frente à educação. Elas reforçam a necessidade dos pais e cuidadores serem firmes na educação, mas sempre tendo em mente a importância da escuta. "A comunicação é a base para estabelecer limites na educação dos filhos. Ao se comunicar de forma clara e calma, os pais podem criar um ambiente de entendimento e respeito mútuo", aconselha Irene Gaeta. Isabel ainda comenta que os limites vêm para proteger as crianças, e que escutar não significa fazer todas as suas vontades. "É preciso entender quais são seus princípios e seus valores e que não se pode fazer valer uma regra na base da força", afirma. Consequências para os agressores Além de explicitar a proibição do uso de violência na educação de crianças, o ECA também determina as punições que devem ser aplicadas nessas situações. "A rigor, o limite para se definir o que é ou não agressão é zero. Nenhuma agressão verbal ou física é permitida. Mas a forma como isso ecoa na criança vai determinar as consequências para aquele que promoveu a agressão", analisa Iberê Dias. 👨🏻‍⚖️ A lei prevê que os responsáveis que utilizarem castigos físicos ou psicológicos estão sujeitos às seguintes medidas, que serão aplicados de acordo com a gravidade do caso: Encaminhamento a programas oficiais ou comunitários de proteção à família; Encaminhamento a tratamento psicológico ou psiquiátrico; Encaminhamento a cursos ou programas de orientação; Advertência. A depender do nível da agressão, pode ser configurada nos crimes de tortura e maus tratos. Ambos preveem pena de detenção e multa e têm a pena aumentada quando a vítima é criança ou adolescente. "Só punir não resolve. É preciso educar mães, pais e responsáveis para que exerçam seu papel de educadores da maneira correta, com cuidado e sem violência", alerta Iberê Dias. Denúncia Os especialistas ainda ressaltam a importância da denúncia nos casos de violência contra crianças e adolescentes. Aqueles que presenciarem qualquer tipo de agressão contra esse grupo pode realizar uma denúncia anônima no Disque 100 (Disque Direitos Humanos). Além disso, é possível acionar o Conselho Tutelar, o Ministério Público e a Polícia Militar. PM bate em mulher que agrediu própria filha de 11 anos
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29/04 - Racismo na escola: acusados podem ser expulsos? Quais as consequências para os envolvidos?
Especialistas explicam que a instituição precisa investigar as denúncias e tomar as medidas cabíveis, que vão de suspensão a expulsão. Adolescentes e pais podem responder na Justiça. Colégio Vera Cruz, na Zona Oeste de SP, onde estudam as filhas da atriz Samara Felippo e do jogador Leandrinho. Montagem/g1/Reprodução/Instagram A atriz Samara Felippo denunciou, no fim de semana, que a filha de 14 anos foi vítima de racismo em uma escola particular de alto padrão na cidade de São Paulo. Samara diz que as agressoras são duas alunas da mesma escola, que escreveram ofensas de cunho racista no caderno da adolescente. A escola suspendeu por tempo indeterminado as alunas. O caso não é isolado. Em março, uma aluna da rede municipal de Novo Horizonte, no interior de São Paulo, foi agredida física e verbalmente por cinco alunos que a chamaram de "macaca", "cabelo de bombril" e "capacete de astronauta". Em 2023, mais 3 mil denúncias de racismo foram registradas apenas em escolas estaduais de São Paulo. No Brasil, a cada 10 pessoas que sofreram racismo, 4 foram vítimas da violência em escolas, faculdades ou universidades. Abaixo, entenda quais os direitos e deveres das vítimas, da escola e dos agressores diante de casos como estes: Racismo é diferente de bullying Bullying é um tipo de violência que é praticado no ambiente escolar (da educação básica ao pós-doutorado), em clubes ou em agremiações recreativas. Bullying não é o termo usado para definir a agressão física ou psicológica, xingamento, violência, ameaça ou exclusão contínuos que acontecem no trabalho. Em contrapartida, o racismo é uma agressão (física e/ou psicológica, recorrente ou não) com base em características de cor, raça ou etnia da vítima, que pode acontecer em qualquer lugar e ser praticado por qualquer pessoa. Segundo Elisa Cruz, professora da Escola de Direito do Rio de Janeiro da Fundação Getulio Vargas (FGV Rio), o racismo é um mecanismo de poder que pressupõe a inferiorização das vítimas, e, portanto, quem pertence a grupos majoritários de poder não podem ser vítimas desse mecanismo — o que inviabiliza a existência de um “racismo reverso”. Desde janeiro deste ano, a Lei 14.811 acrescentou ao Código Penal o crime de bullying e cyberbullying (quando o crime acontece no ambiente virtual), que prevê penas de reclusão de 2 a 4 anos, e multa. Já o racismo é um crime inafiançável previsto pela Lei 7.716, de 1989, e prevê pena de reclusão de 2 a 5 anos e multa. Quando o racismo acontece na escola Atualmente, não existe uma lei específica que pode ser aplicada quando os casos de racismo ocorrem no ambiente escolar. Nestes casos, segundo Elisa Cruz, podem ser usados o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). “Esses dois mecanismos legais dispõem tanto sobre o direito das crianças quanto sobre o sentido da educação e para que ela serve”, explica a especialista. Toda criança e adolescente tem o direito de conviver, seja na família ou nos espaços sociais, em um ambiente livre de violência. E, no âmbito educacional, ela precisa ter seu espaço respeitado e ter garantido o direito de estar em um local de experiências sociais e de aprendizado positivas. A partir do momento em que esses direitos são desrespeitados e o racismo acontece dentro da escola, o primeiro mecanismo de defesa deve ser da própria escola. “A administração escolar precisa entender o que está acontecendo e agir rapidamente para recompor o ambiente saudável para todos os alunos", explica Ana Paula Siqueira, doutoranda em direito pela PUC São Paulo. Neste caso, uma medida de precaução imediata pode ser a suspensão do estudante ou do grupo discente apontado como infrator. No entanto, essa não deve ser a única atitude tomada pela escola. Além de proteger a vítima, garantindo a ela um ambiente de aprendizagem seguro, também é dever da escola investigar o caso e definir as medidas disciplinares que serão tomadas. Durante a investigação, deve ser garantido aos suspeitos da infração o direito de se explicar. No processo de decisão, segundo Elisa Cruz, a escola precisa refletir sobre três perguntas fundamentais: O que foi praticado viola o código ético da própria escola? Favorece o processo educacional das pessoas envolvidas e do conjunto de alunos manter todo mundo na mesma escola? Como a vítima vai se sentir se tiver que conviver com seus agressores? As respostas para essas perguntas podem nortear a decisão da escola, que pode ser tanto pela reintegração dos alunos suspensos quanto pela expulsão dos infratores. No caso de uma ocorrência registrada em escola pública na qual a decisão da gestão seja pela expulsão do aluno agressor, deve ser mantido o direito do estudante à educação. Portanto, deve ser garantida a ele uma vaga em outra escola da rede. Racismo em ambiente escolar pode ser judicializado? Além de ser necessário que haja uma investigação e uma decisão pela administração escolar, os interessados no caso, sejam os pais da vítima ou a própria escola, podem fazer um registro de ocorrência na polícia ou uma denúncia no Ministério Público em razão do racismo. Caso os infratores tenham entre 12 e 18 anos, podem ser encaminhados para a delegacia de polícia para o registro de ato infracional análogo ao crime de racismo, ou análogo ao crime de injúria racial, a depender da conduta. Quando é racismo? Quando a violação é objetiva, ou seja, quando características de raça são utilizadas para causar violência em outra pessoa. Quando é injúria racial? Sempre que o elemento é subjetivo, quando a honra da vítima é ofendida. Em ambos os casos, se o Ministério Público entender que a denúncia é procedente, os infratores podem ser responsabilizados penalmente. O processo corre na Vara da Infância e Juventude, e os próprios infratores, mesmo que menores de idade, são responsabilizados. Os infratores ficam sujeitos a medidas socioeducativas como advertência, liberdade assistida, podendo chegar até mesmo em internação, que é uma versão penal [de reclusão] para adolescentes da Justiça Criminal dos adultos. O caso também pode ser processado no âmbito civil, cabendo a responsabilização dos pais, na ocasião de os infratores serem menores de 18 anos, podendo resultar na decisão de indenizar financeiramente a vítima. VEJA VÍDEO SOBRE O CASO: Samara Felippo quer a expulsão de alunas acusadas de racismo contra filha VÍDEOS E PODCAST DE EDUCAÇÃO
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29/04 - O abandono em massa das salas de aulas por professores na Venezuela
Baixos salários e condições precárias fazem com que muitos professores mudem de profissão, em busca de algo que lhes permita chegar ao fim do mês. Professores protestam por aumento salarial na Venezuela. Getty Images via BBC Com o dinheiro que recebe a cada 15 dias, Belkis Bolívar consegue comprar apenas uma dúzia de ovos. Nada mais. Com sorte, é suficiente para pagar a passagem de ida de ônibus. Belkis é professora do ensino fundamental. ✅ Clique aqui para seguir o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp A venezuelana, moradora de Caracas, exerce sua profissão há mais de 30 anos. Trabalha no turno da noite em uma escola pública e recebe 150 bolívares a cada quinze dias, totalizando 300 bolívares por mês, ou seja, menos de US$ 10 (ou cerca de R$ 50). "Tenho que fazer outras coisas durante o dia para complementar minha renda", conta à BBC News Mundo, serviço de notícias em espanhol da BBC. Como também é professora de línguas, dá aulas particulares de francês para ganhar um dinheiro extra. Mas também vende almoços, cachorros-quentes e pães recheados com presunto durante o Natal, além de chicha, uma bebida típica da América Latina feita a partir da fermentação de grãos ou frutas. "Aceito qualquer encomenda, qualquer coisa, sempre estou buscando algo diferente para fazer." Seu caso não é único. O baixo salário e as péssimas condições de trabalho estão fazendo com que cada vez mais professores na Venezuela abandonem a profissão. Cerca de 200 mil professores venezuelanos deixaram as salas de aula nos últimos anos, segundo estimativas de associações sindicais. Alguns se juntaram aos que emigraram do país, outros mudaram de profissão. Sem incentivos, isso está causando um esvaziamento das escolas. E, no lado mais vulnerável, estão os alunos, que viram suas horas de aula reduzidas, às vezes ministradas por pessoas que nem sequer estão qualificadas para isso. Sem aumento salarial Belkis Bolívar está considerando deixar o ensino devido aos baixos salários. Arquivo pessoal via BBC Belkis começou a procurar outras formas de ganhar dinheiro fora da docência em 2019, quando deixou de ver "a manteiga no pão". "Eu não vou mais lá [para a escola]. Dando aulas particulares me saio melhor. Só indo todos os dias de ônibus até lá, em uma semana gasto o salário quinzenal", diz. Já lhe propuseram dar aulas no ensino médio, mas o panorama é o mesmo que no ensino fundamental. O salário médio de um professor na Venezuela é de US$ 21,57 por mês (cerca de R$ 107), segundo o relatório do Centro de Documentação e Análise Social da Federação Venezuelana de Professores (Cendas-FVM). Em janeiro, a cesta básica familiar estava em US$ 535,63 (aproximadamente R$ 2.678), de acordo com a mesma instituição. Um professor precisa de quase 25 salários por mês para cobri-la. O último ajuste salarial do governo de Nicolás Maduro foi em março de 2022, e o salário base dos funcionários públicos é desde então de 130 bolívares por mês, o que equivale a cerca de US$ 3,6 (R$ 18). Em janeiro passado, Maduro anunciou o aumento do chamado "bônus de guerra econômica" e do ticket de alimentação para o equivalente a US$ 100 por mês (R$ 500). No entanto, nem todos recebem esse bônus. Para isso, é necessário ter o "carnê da pátria", que é obtido ao se registrar no "Sistema Pátria", uma entidade que, segundo setores críticos ao chavismo, é um mecanismo de controle da população. De professora a mototaxista Às vezes, Belkis considera deixar o ensino, mas ela diz que continua por vocação, "para não perder o contato com as crianças". Ao seu redor, muitos professores abandonaram as salas de aula. "Conheço professores que são mototaxistas, que fizeram cursos de gerenciamento de redes sociais, professoras que trabalham fazendo sobrancelhas, colocando cílios... Outros que fizeram um curso de massagem redutora e terapêutica, professores de ginástica que foram para academias. Eles estão em atividades mais lucrativas do que dar aulas em uma escola", explica. Yasser Lenin Sierra é um dos que ingressaram no sistema público de educação e agora trabalham, entre outras coisas, como mototaxistas. "A moeda não vale nada e a necessidade obriga. Com um horário de trabalho de 40 horas por semana e 12 turmas para dar aulas, eu ganhava cerca de US$ 5 por quinzena, e com o cestaticket [um vale alimentação] entre US$ 20 e US$ 25", conta Sierra à BBC Mundo. Este professor de educação física diz que em uma corrida longa de moto, de San José de Cotiza, no oeste de Caracas, até Petare, no leste, pode ganhar entre US$ 8 e US$ 10. "O dobro do que ganhava dando aula em apenas uma corrida. Quando vou ao banco e saco dinheiro para comprar comida, dói. E eu tenho que comer, tenho que ter energia para dar aula, devo vestir roupas adequadas para trabalhar confortavelmente e sem me lesionar", afirma. Além da moto, ele dá 4 horas de aula em uma escola particular, que paga em dólares, e faz "o que aparecer". "Em um bom mês, no total, consigo fazer cerca de US$ 200 a US$ 330. Entre quatro adultos, conseguimos cobrir os gastos da família", explica. Outros, como Belkis e Yasser contam, decidiram não apenas sair das salas de aula, mas deixar a Venezuela em busca de um futuro melhor. Eles se juntam à lista dos 7,7 milhões de pessoas que saíram de um país que continua em uma profunda crise econômica e política. Para conhecer o ponto de vista das autoridades sobre a grave crise do setor educacional na Venezuela, a BBC News Mundo entrou em contato com o Ministério da Educação do país para entrevistar algum de seus representantes, mas o pedido não foi atendido. A opção privada Em 2017, Tulio Ramírez era um dos que estava fazendo as malas para sair do país. Seu currículo era extenso: sociólogo, advogado com mestrado em Formação em Recursos Humanos, doutor em Educação, pós-doutorado em Filosofia e Ciências da Educação, com 38 anos de experiência como professor universitário. Ele lecionava em duas universidades públicas, mas seu salário não ultrapassava US$ 30 por mês. "Eu nem conseguia ir trabalhar porque não tinha como abastecer o carro com gasolina", relata. Ele nos conta isso de Caracas porque, no último momento, recebeu um convite da Universidade Católica Andrés Bello (Ucab), uma instituição privada que lhe ofereceu um salário em dólares. "Quando ouvi o valor, comecei a desfazer minhas malas." A oferta naquele momento era muito boa. Sete anos depois, com a inflação e o aumento do custo de vida na Venezuela, o valor de US$ 1.100 é "bastante decente", mas menor se comparado com outros colegas na América Latina. "Com minha experiência, títulos e classificação, os professores universitários na região ganham em torno de US$ 4.000 a US$ 5.000", diz. No Chile, o salário de um professor pode variar entre US$ 3.000 e US$ 4.500. Na Colômbia, está em torno de US$ 2.300 e no Equador, cerca de US$ 2.000, dependendo do cargo e da antiguidade. Ainda assim, Tulio sabe que é privilegiado. Ele está entre a minoria de educadores que ainda se dedica ao ensino na rede privada, de forma exclusiva e com um pouco mais de dinheiro no bolso. Na Venezuela, de cada dez instituições de ensino, 8 são públicas. A educação com "os 5 menos" Ramírez também é presidente da ONG Assembleia de Educação e vê com preocupação a situação atual. "Temos a educação dos 5 menos: menos professores, menos estudantes, menos investimento na educação pública, menos geração de reposição e menos qualidade na educação. Ela está se deteriorando e não há manutenção", explica. Ele relata que a Universidade Pedagógica Experimental Libertador (Upel), a principal instituição dedicada à formação de professores, tinha 106 mil estudantes em 2010. Em 2022, eram apenas 43 mil. "A educação não é atrativa para nenhum estudante do ensino médio. Para preencher as vagas, levaríamos cerca de 25 anos, e dependemos desses graduados. A situação é extremamente grave", destaca. A Ucab realizou um estudo sobre o estado da educação no país e Carlos Calatrava, diretor da Escola de Educação deste centro, nos diz que o mínimo necessário agora são cerca de 256 mil professores. "Você se perguntará quem cobre isso, quem está nas salas de aula", questiona Ramírez por videochamada. "Os jovens que trabalhavam no programa 'Emprego Juvenil', por exemplo. Ou pais e mães voluntários que sabem algo sobre uma determinada matéria que possam dominar. É assim que estamos indo", responde. Em outubro de 2021, o Ministério da Educação anunciou a incorporação de pelo menos 1.700 jovens do ensino médio do Programa Emprego Juvenil, que oferece empregos em posições de professores. Carlos Calatrava enfatiza o mesmo: "São pessoas sem formação em educação. Alguns o fazem como parte do trabalho social que deve ser feito no ensino médio e ensinam crianças do ensino fundamental. Não estou dizendo que isso seja errado, mas pelo menos deveria haver um professor adulto para orientar". Deixado para trás na lista de espera A outra face dessa situação são as carências enfrentadas pelas crianças, desde o ensino fundamental até o ensino médio e até mesmo nas universidades. Com a falta de professores nas instituições educacionais, há anos foi adotada a medida de os alunos irem para a escola um dia e meio ou dois dias por semana para condensar todas as aulas e disciplinas da semana. Isso é conhecido como "horário mosaico" e ocorre em todos os níveis educacionais, inclusive com o pessoal de manutenção e administrativo. "Nessas condições, como você constrói conhecimento? Como você mantém uma universidade com certa vida acadêmica se não há funcionários, trabalhadores? E você não pode obrigá-los a ir porque não há como, porque os salários de todo o pessoal não são suficientes", reclama Tulio Ramírez. A Venezuela não faz parte de programas de avaliação internacional como o relatório Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes). Mas também não realiza medições internas oficiais para avaliar o nível educacional e sua evolução. "Me deparo com alunos de Comunicação que não sabem escrever ou médicos que nunca viram um cadáver e, ainda assim, são médicos. Isso é perigoso", afirma Ramírez. A Ucab conduziu vários estudos para avaliar as habilidades acadêmicas dos alunos e, segundo Carlos Calatrava, "a cada ano elas estão diminuindo". "Pode parecer feio dizer isso, mas na Venezuela temos uma qualidade de educação baixa, nula ou regular. Nem sequer alcançamos o mínimo, dez pontos em 20". Eles também observaram uma tendência. Antes existia uma diferença entre a educação pública e privada, sendo esta última de um nível mais elevado. "Essa diferença não existe mais, há uma igualdade na queda", destaca Calatrava. Sem motivação e sem merenda Alguns optaram por montar uma sala de aula em suas próprias casas para obter dinheiro extra. Getty Images via BBC O outro problema dos que realmente frequentam as aulas não se resume apenas à falta de conhecimentos acadêmicos, reconhece Calatrava. "Há uma geração que não entende completamente, que não sabe como lidar emocionalmente com situações como quando um colega, sem querer, os empurra. Há um forte componente socioemocional, de socialização, que está se perdendo com o horário fragmentado." Calatrava observa ainda que há crianças excluídas do sistema "seja pela severidade da crise que estamos enfrentando, ou porque, devido à crise, essas crianças e adolescentes precisam ser incorporados ao trabalho o mais rápido possível". Em 2022, estimava-se que havia 1,5 milhão de crianças fora da escola, de acordo com a Pesquisa Nacional sobre Condições de Vida 2022 (Encovi) da Ucab. Hoje, esse número pode chegar a cerca de 3 milhões, estima Calatrava. "Essas crianças estão presas no ciclo vicioso da pobreza, não conseguem ter acesso à educação, se tornam pais cedo e esse ciclo se repete", observa. "Estamos jogando com o futuro do país". Dentre essas crianças que estão fora da escola, algumas entraram no sistema, mas acabaram desistindo. "O fato de você ir para a aula e não encontrar seu professor, aquele que você conhecia, porque ele renunciou ou saiu do país, e ninguém te atender... Isso desmotiva. Há muita evasão escolar", relata Belkis Bolívar. Além da falta de motivação, ela destaca as dificuldades econômicas enfrentadas por cada família. Belkis lembra de quando trabalhava em uma escola em uma área muito pobre em Antímano, a oeste de Caracas. Ela diz que poucas crianças não conseguiam trazer lanche, "mas sempre levava quatro arepas [bolinhos achatado feito de farinha de miho] prontas e dava para quem não trouxe". "Agora as crianças estão dormindo na sala de aula e não é por preguiça, é por fome. Elas desmaiam, estão desnutridas... E o salário do professor já não é suficiente para fornecer lanches para eles".
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28/04 - A misteriosa origem da palavra 'abracadabra' e seus vários usos ao longo da história
Muito antes de fazer coelhos saírem de cartolas, esta palavra era usada com fins muito diferentes, como espantar demônios e a morte. A palavra 'abracadabra' já foi usada para fazer desaparecer coisas mais sérias do que coelhos. BBC "Abracadabra" é uma palavra curiosa. Talvez você não se lembre precisamente de quando a terá ouvido pela primeira vez, mas provavelmente foi durante a infância. Alguém pode tê-la apresentado como uma palavra mágica, quando você começava a aprender o que é a magia. Logo se entendia que pronunciar essa palavra gera algo inesperado – coisas aparecem ou desaparecem, mudam de forma ou cor ou se movem sozinhas. Esta não é uma palavra de uso cotidiano. Mas, mesmo assim, ela se fixa na mente de inúmeras crianças em todo o mundo. "Abracadabra" faz parte do vocabulário de tantos idiomas que já se afirmou que ela é mais antiga do que a Torre de Babel da Bíblia. Mas o que certamente ninguém contou é o seu significado... Porque ninguém sabe com certeza. O Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, por exemplo, registra que "abracadabra" é uma "palavra cabalística a que os antigos atribuíam a virtude de curar moléstias". Mas não informa o seu significado exato. E esta não é a única questão. O Dicionário Oxford da Língua Inglesa, desde sua primeira edição, em 1884, indica que a palavra "abracadabra" tem origem "desconhecida". Mas isso não evitou que especialistas tentassem decifrar o mistério, elaborando diversas teorias ao longo dos séculos. Bíblia, divindade, constelação Diversas conjecturas consideram que a palavra "abracadabra" teve origem no início da tradição judaico-cristã. Esta palavra esotérica pode ter se derivado da frase hebraico-aramaica avra gavra. Ela se refere às palavras proferidas por Deus no sexto dia da criação, segundo o Antigo Testamento: "Criarei o homem." Mas esta é apenas uma dentre diversas possibilidades. Outra teoria defende que a palavra talvez provenha do aramaico avra c'dabrah ("acredito com a palavra") ou do hebraico abra kedobar ("aconteceu conforme anunciado"). Trata-se de "uma máxima talmúdica que expressa a crença de que a pessoa que fala tem o poder de fazer com que o mundo exista", segundo o rabino americano Alan Lew (1943-2009) no seu livro This Is Real and You Are Completely Unprepared ("Isso é real e você está completamente despreparado", em tradução livre). Ou seja, o mero ato de pronunciar a palavra ou nomear alguma coisa pode instigar a sua criação. Outros especialistas também acreditam que "abracadabra" venha do aramaico e do hebraico, mas eles consideram que seu significado é totalmente diferente – por exemplo, "desaparece como esta palavra" (abhadda kedkabhra) ou "lança o teu raio até a morte" (abreq ad habra). Existem outras buscas pelo significado, seguindo a hipótese de que "abracadabra" provenha dessas línguas semíticas. Mas também há teorias que se aventuram por caminhos diferentes. Entre as muitas hipóteses mencionadas pelo professor americano Craig Conley no seu livro Magic Words: A Dictionary ("Palavras mágicas: um dicionário", em tradução livre), uma delas defende que "abracadabra" era a divindade suprema dos assírios. Outra afirma que seria uma corruptela do nome do pai da álgebra, o matemático árabe do século IX Abu Abdullah abu Jafar Muhammad ibn Musa al-Khwarizmi. Já o astrônomo britânico Samson Arnold Mackey (1765-1843) garantiu em 1822 que "abracadabra" é uma frase formulada pelos antigos astrônomos para descrever a constelação de Touro. Existem ainda outras hipóteses, mas o debate não chega a um consenso. Afinal, como explica o Dicionário Oxford, "não foram encontrados documentos que respaldem nenhuma das diversas conjecturas". Mas o fato de que "abracadabra" tenha passado a ser "ininteligível para os herdeiros da tradição, frequentemente desconhecedores do seu sentido e idioma original" – como destacou o acadêmico Joshua Trachtenberg (1904-1959) – acabou se tornando uma virtude. "Existe tão pouca necessidade de que a palavra mágica tenha algum sentido inteligível que, na maioria das vezes, ela é considerada eficaz por ser estranha e sem significado, sendo particularmente preferidas palavras incompreensíveis em idiomas estrangeiros", escreveu o acadêmico Benno Jacob (1862-1945) no livro Im Namen Gottes ("Em nome de Deus", em tradução livre). Por isso, exótica e sem significado, mas talvez mais poderosa justamente por este motivo, "abracadabra" marca sua presença na história há séculos. E sempre se esperou muito desta palavra. Poder transcendental O uso atual da palavra 'abracadabra' é relativamente recente. Getty Images via BBC Muito antes de fazer coelhos saírem de cartolas, "abracadabra" era usada com fins muito diferentes, como espantar os demônios e a morte, além de enfrentar doenças. Seu primeiro uso conhecido aparece nos fragmentos que chegaram até nós do Liber medicinalis, do século III d.C., também conhecido como De Medicina Praecepta Saluberrima. Seu autor é Sereno Samônico. Não se sabe muito a seu respeito, mas ele foi médico do imperador romano Caracala (188-217) e era considerado sábio. Entre diversos outros tratamentos, remédios e antídotos, seu livro menciona um para "a febre mortal que os gregos chamavam de hemitritaion". "A palavra nunca foi traduzida para o latim, seja porque a natureza do idioma não o permite ou porque os pais, acreditando que traduzi-la seria prejudicial para seus filhos, não quiseram dar a ela um nome", escreveu Samônico. O médico se referia à doença conhecida hoje como malária, que devastou a Roma Antiga. Para curá-la, ele recomendava o seguinte: "Escreva em uma folha [de papiro] a palavra ABRACADABRA, repita-a omitindo a última letra, de forma que faltem cada vez mais letras individuais em cada linha [...] até que fique uma única letra como o vértice de um cone. Lembre-se de fixá-la ao pescoço com um fio de linho." A ideia era que a doença iria desaparecer aos poucos, como a palavra "abracadabra". Samônico também receitava untar o corpo com gordura de leão ou usar a pele de um gato doméstico adornada com joias para se proteger contra essa febre. Mas o que permaneceu foi o uso da curiosa palavra, que deixou seus rastros por diversos lugares e culturas. Ela aparece, por exemplo, gravada em algumas das pedras de Abraxas, que os basilidianos – membros da seita gnóstica do século II fundada por Basílides de Alexandria – usavam como talismãs. "Abracadabra" era parte de uma fórmula mágica para invocar a ajuda de espíritos benevolentes para combater doenças e ter boa sorte. A palavra também aparece na "Árvore do Conhecimento" (Etz ha-Da'at), um pequeno códice escrito por Eliseu ben Gad de Ancona, na Itália, no século XVI. O primeiro encantamento incluído no livro é uma "cura celestial" para "todos os tipos de febre". Ele começa dizendo: "Av avr avra avrak avraka avrakal avrakala avrakal avraka avrak avra avr av" Como destaca Zsofi Buda no blog da Biblioteca Britânica, é fácil descobrir neste feitiço a palavra mágica "abracadabra". Na Inglaterra, como em muitos outros lugares, "abracadabra" continuava oferecendo esperanças de cura ainda no século XVIII. A palavra é destacada no livro Um Diário do Ano da Peste (Ed. Artes e Ofícios, 2002), escrito em 1722 pelo autor de Robinson Crusoé, Daniel Defoe (1660-1731). O autor lamenta que as pessoas acreditassem em fraudes "como se a peste [bubônica] não fosse mais do que uma espécie de possessão de um espírito maligno", recorrendo a superstições para afastá-lo. Entre essas superstições, estavam "papéis amarrados com tantos nós; e certas palavras ou figuras neles escritas, particularmente a palavra 'abracadabra', em forma de triângulo ou pirâmide". As pessoas que confiavam nos talismãs continuavam seguindo as instruções fornecidas séculos antes por Sereno Samônico. Elas os usavam por nove dias e depois os descartavam, atirando-os sobre o ombro esquerdo antes do amanhecer em um riacho que fluísse de oeste para leste. Tudo em vão. "Quantos pobres foram depois levados em carros funerários e atirados em fossas comuns com esses pingentes infernais pendurados no pescoço", escreveu Defoe. Havia também quem carregasse amuletos com a pirâmide voltada para cima, para atrair boa sorte. No início do século XIX, com o surgimento da obsessão britânica pelo espiritismo, o famoso ocultista inglês Aleister Crowley (1875-1947) decidiu se apropriar da palavra mágica. Ele reconstruiu "abracadabra" por meio de uma reformulação cabalística que a transformou em "abrahadabra", na sua obra O Livro da Lei, que define os princípios básicos da sua nova religião, chamada Thelema. Para ele, "abracadabra" é "a Palavra do Éon, que significa a Grande Obra cumprida". Naquela época, a palavra já estava perdendo seu suposto poder de cura. Mas, ao mesmo tempo, já adquiria outro significado, quando foi incorporada pelos mágicos aos seus repertórios. Foi assim que, a partir das primeiras décadas do século XIX, "abracadabra" se transformou, como num passe de mágica, no encantamento que conhecemos hoje, desde a infância.
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28/04 - Greve das federais reflete década de desfinanciamento e demandas reprimidas
Após anos de expansão, orçamento de universidades sofreu grandes cortes nos governos Temer e Bolsonaro. Expectativa de aumento de verbas na atual gestão de Lula não se concretizou. Professores da Universidade Federal de Roraima entraram em greve na segunda-feira (22). Rayane Lima/g1 RR O mês de março foi simbólico para alunos, professores e funcionários do Campus dos Malês da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), instituição federal localizada no município de São Francisco do Conde, na região do Recôncavo Baiano (BA). Uma cerimônia no pátio marcou a retomada das obras das salas de aulas do campus, iniciadas em 2014 e jamais terminadas por falta de recursos. "Faz dez anos que funcionamos em locais cedidos pela prefeitura", explica a professora Clarisse Goulart Paradis, doutora em Ciência Política pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e vice-presidente do Sindicato dos Professores das Instituições Federais de Ensino Superior da Bahia (Apub). De lá para cá, embora a universidade tenha se tornado uma comunidade acadêmica vibrante de alunos negros, quilombolas e africanos dos países de língua portuguesa, com cursos de graduação e pós-graduação, os reflexos da falta de recursos são visíveis. "Não temos sala de aulas para nossos cursos de graduação e pós-graduação; muito antes da pandemia começamos a fazer um esquema híbrido e de rodízio de salas. Temos problemas muito concretos de falta de transporte público, falta de residência universitária, sendo que presença da universidade pressiona o preço dos imóveis", diz Paradis, dando exemplos do que ela chama de cadeia de efeitos do desfinanciamento. A retomada das obras dos dois prédios, que terão salas de aula e laboratórios previstos para ficarem prontos no ano que vem, é um dos primeiros sinais positivos de investimento após anos de retração. Entre 2014 e 2022, o valor investido por estudante pelo governo federal na Unilab caiu em 15,8%, de acordo com levantamento feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). A paralisação de professores e funcionários que acontece em ao menos 29 instituições federais de ensino superior desde 15 de abril, reflete a expectativa do segmento por uma recuperação de orçamento do setor, que viveu forte expansão nos dois primeiros governos de Luiz Inácio Lula da Silva, seguida de redução orçamentária prolongada, especialmente nas gestões dos presidentes Michel Temer e Jair Bolsonaro. O levantamento do Dieese aponta que, entre 2010 e 2022, o valor empenhado por estudante das universidades federais – ou seja, os recursos reservados pela União para investimento – encolheu em 68,7%. Os relatos entre professores, funcionários e alunos apontam um acúmulo de demandas: alunos pagando insumos de laboratório ou interrompendo pesquisas, técnicos substituídos por trabalho terceirizado, falta de residência estudantil e políticas de assistência que integravam a política de expansão das universidades para além dos grandes centros. Expansão interrompida Nascida no auge do Reuni, programa do governo Lula em que o governo federal adotou uma série de medidas para retomar o crescimento do ensino superior público e abrir oportunidades a grupos excluídos, como quilombolas e indígenas, a Unilab é uma das 69 instituições federais que amargaram uma década de investimentos decrescentes, segundo o Dieese. A partir de 2003, foram criadas 14 universidades federais, dez delas voltadas para a interiorização do ensino superior público. Em São Paulo, na Universidade Federal do ABC (UFABC), o valor real investido por estudante caiu 28,8% entre 2018 e 2022, no governo do presidente Jair Bolsonaro; já no período entre 2010 e 2021, a queda total foi de 72,7%. O número de alunos, aulas e serviços prestados, no entanto, não parou de crescer. Entre 2010 e 2021, a relação de alunos matriculados na UFABC por docente subiu de 10,2 para 21; em relação aos funcionários, saltou de 10,8 para 22. Em assembleia pública no dia 16 de abril, o professor Daniel Pansarelli, da Pró-reitoria de Planejamento e Desenvolvimento Institucional da UFABC disse que os custos da universidade dispararam em 2023, com a volta do funcionamento presencial e o reajuste das bolsas. A expectativa era de que o novo governo Lula retomasse o aumento das verbas, o que não aconteceu. "Recebemos para 2024 menos que o valor de 2023. A Lei Orçamentária Anual de 2024 não corrigiu as perdas que as universidades tiveram ao longo dos anos", diz Pansarelli. Fachada da UnB Divulgação/UnB Nem mesmo universidades tradicionais e consolidadas como a Universidade de Brasília (UnB) escaparam dos cortes. Entre 2018 e 2021, o valor real investido por estudante na UnB caiu 18,8%, segundo o Dieese. Em valores nominais, o orçamento total de investimento da UnB apresentou redução de 40%, passando de R$ 34,2 milhões, em 2023, para R$ 20,5 milhões, em 2024, conforme divulgou a universidade em fevereiro. "Este ano a situação é complicada. O orçamento para 2024 nos coloca no cenário de redução orçamentária e com recurso condicionado para a assistência estudantil", disse a decana de Planejamento, Orçamento e Avaliação Institucional, Denise Imbroisi. A estimativa é que haja um déficit de R$ 25,7 milhões no orçamento em 2024 para arcar com todas as despesas planejadas. Em reunião com o presidente Lula este mês, a diretoria da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), Márcia Abrahão Moura, defendeu a importância de valorização dos servidores técnicos-administrativos em educação e docentes, da retomada das políticas de assistência estudantil e destacou, nesse contexto, a autonomia das universidades federais seguindo o exemplo das universidades de São Paulo, onde há estabilidade orçamentária anual, além da garantia constitucional na nomeação de reitores. No encontro, o governo propôs reajuste de 9%, a partir de janeiro de 2025 e de 3,5%, em maio de 2026. Para 2024, o governo já havia formalizado, para todos os servidores federais, proposta de reajuste no auxílio-alimentação, que passaria de R$ 658 para R$ 1 mil (51,9% a mais), de aumento de 51% no auxílio-saúde e no auxílio-creche. Menos publicações, menos qualidade Tanta imprevisibilidade se reflete nos indicadores de qualidade. Segundo a Associação Brasileira de Editores Científicos (Abec), 29 universidades brasileiras caíram de posições na edição de 2023 do World University Rankings (CWUR). De acordo com a publicação, o principal fator para o declínio geral das instituições brasileiras é o desempenho em pesquisa, em meio à intensa competição global entre instituições bem financiadas. Com processos de seleção bastante exigentes tanto para alunos quanto para professores, as federais são referência de qualidade no ensino superior do Brasil. Dados do Índice Geral de Cursos (IGC) 2022, medido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e divulgados pelo Ministério da Educação (MEC), apontam que, entre as universidades com nota máxima, 72% são federais. "Quando são identificados problemas de financiamento nas universidades, toda a capacidade produzir pesquisa e conhecimento e de formar profissionais para o mercado de trabalho é comprometida", alerta a supervisora do escritório do Dieese no DF, Mariel Angeli Lopes. "As universidades estão tentando de todas as maneiras fazer a zeladoria da melhor maneira possível, por conta própria, mas com recurso cada vez menor", diz a economista. A falta de recursos interfere diretamente na capacidade de realizar publicações relevantes, explica a economista do Dieese. "Sem laboratório muitas vezes você não consegue fazer as pesquisas de ponta. Fora a incapacidade de dar bolsas para os alunos, investir em viagens para congressos. Tudo isso influencia". Como muitos representantes das federais, Paradis, da Unilab, reconhece a disposição do governo em olhar para o problema das universidades federais, um avanço em relação às gestões anteriores. Para ela, no entanto, é fundamental garantir que o plano de democratizar o acesso ao ensino superior no Brasil seja concluído. "É importante que a democratização seja acompanhada do aumento da qualidade da universidade, não pode ser uma democratização inconclusa". VÍDEOS DE EDUCAÇÃO
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27/04 - Quais são as 3 universidades da América Latina entre as 100 melhores do mundo
A lista de 2024 é liderada pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (EUA), mas há três representantes latino-americanos — um deles no Brasil. Praça do Relógio na USP Cecília Bastos/Usp Imagens Na lista das 100 melhores universidades do mundo, uma delas é brasileira e somente outras duas também são da América Latina. A lista de 2024 elaborada pela empresa de análise Quacquarelli Symonds (QS) é liderada mundialmente pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (EUA, o MIT), seguido pela Universidade de Cambridge e pela Universidade de Oxford, ambas no Reino Unido. 🎓O ranking QS é um dos mais prestigiados do mundo. O principal fator que ele leva em consideração é a reputação acadêmica, mas inclui também outras métricas como o número de docentes por aluno. 👩🏽‍🏫 Os avaliadores analisaram mais de 17 milhões de artigos acadêmicos e as opiniões de mais de 240 mil professores e especialistas para elaborar a lista, que é publicada há duas décadas. 👋🏼Este ano, incorporaram nas suas métricas as oportunidades de emprego proporcionadas pelas instituições acadêmicas e pelas redes internacionais de pesquisas que possuem. 10 melhores universidades do mundo Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos EUA Universidade de Cambridge, no Reino Unido Universidade de Oxford, no Reino Unido Universidade de Harvard, nos EUA Universidade de Stanford, nos EUA Imperial College de Londres, no Reino Unido Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (ETH), na Suíça Universidade Nacional de Cingapura (NUS), em Cingapura University College de Londres (UCL), no Reino Unido Universidade da California, em Berkeley, nos EUA As três universidades latino-americanas entre as 100 melhores do mundo 1. Universidade de São Paulo (USP) A Universidade de São Paulo (USP), fundada em 1934 após a unificação de diversas faculdades já existentes, é hoje a maior e mais prestigiada universidade do Brasil, com mais de 65,7 mil alunos, segundo o levantamento do QS World University Rankings. A USP, que ocupa o 85º lugar no ranking mundial, é uma universidade pública e gratuita, financiada principalmente pelo Estado de São Paulo, além de um grupo de empresas e parte do orçamento nacional. A universidade vem subindo posições na lista nos últimos anos, passando do 121º lugar em 2022 para o 85º este ano. A sua reputação acadêmica é uma das mais elevadas, assim como a sua rede internacional de pesquisa e os seus resultados em termos de colocação profissional. Em 2023, a USP lançou 50 bolsas de pós-doutorado exclusivas para pesquisadores negros, em um país onde 56% da população se identifica dessa forma, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além disso, aqui no Brasil, há mais de uma década existe o sistema de cotas que reserva metade das vagas para alunos provenientes de escolas públicas, o que tem sido considerado um marco nas mudanças no sistema educacional brasileiro. 2. Universidade Nacional Autônoma do México Alguns lugares abaixo, a Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) ocupa a 93ª posição, tendo também melhorado sua posição nos últimos anos. Fundada em 1910 como uma universidade nacional, seus quase 160 mil alunos – mais de 4,2 mil deles estrangeiros –, segundo dados do QS World University Rankings, a tornam a maior da América Latina e do mundo. A UNAM tem três vencedores do prêmio Nobel entre seus ex-alunos. 3. Universidade de Buenos Aires A Universidade de Buenos Aires (UBA), embora tenha caído em um ano do 67º para o 95º lugar, é uma das melhores universidades da América Latina. Fundada em 1821 na Argentina, é uma universidade pública gratuita onde se formaram cinco ganhadores do prêmio Nobel. Dos seus mais de 117.000 estudantes, 29.500 são estrangeiros, de acordo com o QS World University Rankings — a maior proporção de estudantes estrangeiros entre as instituições de ensino da região. A Universidade de Buenos Aires enfrenta uma situação delicada devido à decisão do governo argentino de estender o mesmo orçamento de 2023 para 2024 num país com uma inflação interanual de 276%. Na semana passada, o conselho superior da universidade declarou emergência orçamental e convocou uma manifestação em defesa da instituição acadêmica para o próximo dia 23 de abril. Ranking da educação: Brasil está nas últimas posições no Pisa 2022; veja notas de 81 países em matemática, ciências e leitura Ranking aponta a USP entre as 100 melhores universidades do mundo
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26/04 - MEC prorroga prazo para as convocações da lista de espera do Fies
17 de maio é a nova data para quem participa do processo seletivo para fechar contratos de empréstimo e pagar a graduação. Fies oferecerá 112.168 vagas nos dois processos seletivos de 2024. Marcello Casal Jr/ Agência Brasil O Ministério da Educação (MEC) anunciou nesta sexta-feira (26) que prorrogou até 17 de maio o prazo para as convocações da lista de espera do Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies) do primeiro semestre de 2024. A decisão foi anunciada após reclamações de estudantes, que alegam que erros do Ministério da Educação (MEC) no processo seletivo estão atrapalhando a convocação de novos alunos na lista de espera. Os estudantes — que disputam mais de 67 mil vagas para fechar contratos de empréstimo e pagar a graduação — relatam falhas técnicas, demora excessiva na fila de espera e outros problemas que, na visão deles, exigiriam uma ampliação do prazo de inscrições. Em resumo, as queixas do estudantes são as seguintes: 💻O sistema eletrônico pelo qual os estudantes enviam os documentos na matrícula tem problemas técnicos desde o início do processo, atrasando todas as etapas seguintes; 📋As listas de espera não estão "rodando" no ritmo esperado, por isso, milhares de alunos que não foram aprovados na 1ª chamada aguardam a convocação; 📝A mesma pessoa está sendo aprovada em mais de uma opção de curso (algo vetado pelo edital do Fies); 🗓️ O prazo final do Fies termina em 30 de abril e, mesmo com as falhas relatadas acima, a pasta afirma que "não vislumbra possibilidades de prorrogação”. Além disso: O edital do Fies 2024 foi publicado apenas em 7 de março, quase dois meses após a divulgação dos resultados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) — em 2023, o documento saiu em 27 de janeiro, antes das notas da prova. As inscrições do Fies terminaram em 18 de março, após algumas universidades já terem iniciado o ano letivo. Isso fez com que os aprovados, que ainda teriam todo o trâmite da pré-aprovação e da matrícula, perdessem as primeiras semanas de aula. Abaixo, entenda os detalhes dos problemas: 💻Problema 1: sistema de entrega de documentos com falhas 🔴Os alunos que foram pré-selecionados na 1ª chamada (divulgada em 28 de março) tinham de enviar, como é de praxe, uma série de documentos para a universidade. O sistema eletrônico usado pelas instituições de ensino, no entanto, apresentou problemas técnicos e atrasou esse processo. Por isso, o MEC aumentou o prazo para a etapa de conferência de dados pessoais. Segundo relatos enviados à reportagem, mesmo assim, as falhas não foram corrigidas e continuam atrasando as matrículas. "O sistema de acesso das faculdades oscilou muito, falhou e comprometeu os prazos. Foi uma correria gigante [desde o início]", explica Rogério*, coordenador de bolsas e financiamento de uma instituição de ensino privada. "É comum termos intercorrências no Fies, mas, neste ano, foram muitas mudanças [nas regras do programa] em pouco de espaço de tempo. É como trocar o pneu com o carro andando", diz. 📋Problema 2: a lista de espera não está 'rodando' Acontece, então, um efeito cascata: 🔴Quando um candidato que passou na 1ª chamada não efetiva a matrícula ou não entrega os documentos a tempo, a vaga é transferida para a lista de espera (todos os reprovados disputam essa segunda chance). Em geral, a lista "roda" várias vezes, e novos alunos vão sendo convocados. O período para essa "repescagem", segundo o edital, vai de 28 de março a 30 de abril. 🔴No entanto, jovens ouvidos pelo g1 afirmam que a lista de espera não está "rodando" como em anos anteriores. A primeira saiu em 28 de março, como era previsto, mas a segunda só foi divulgada em 18 de abril. Desde então, afirmam os estudantes, nenhum outro nome foi convocado. 🔴Provavelmente, o que explica essa lentidão é justamente o problema no sistema de entrega dos documentos. Forma-se um ciclo: os candidatos pré-selecionados não conseguem completar a matrícula -> o MEC prorroga o prazo para esses alunos entregarem os documentos --> as vagas ficam "represadas" e não são liberadas para as listas de espera. "Durante os 20 dias em que a lista não 'rodou', tive crises de ansiedade constantes, e não consegui ser produtiva nem no trabalho, nem nos estudos", conta Alice Rêgo, de 20 anos, de Xinguara (PA). Ela busca uma vaga em medicina. "Acho que o pessoal do MEC não tem noção do quão difícil é, porque isso mexe com um sonho gigante. Tento vestibular há 5 anos, e o Fies é minha esperança de realizar isso. Estão acabando com a minha saúde mental." Maria Eduarda Souza, de 24 anos, também está aflita com a lentidão das listas de espera. "Estou arrasada, porque só tem uma pessoa na minha frente [na 'fila']. Conversei com alguns alunos que foram convocados para essa mesma faculdade [em Maceió] e que não se matricularam, mas as vagas deles não foram disponibilizadas para mais ninguém depois", conta. 🔴Diante do problema nos mecanismos de matrícula, instituições de ensino estão com vagas do Fies ociosas: nem são ocupadas pelos convocados na 1ª chamada, nem vão para a lista de espera. "Se continuar dessa forma, muitas vagas não serão preenchidas e muitos vão perder a oportunidade de estudar e conseguir concretizar um direito fundamental e garantido pela Constituição Federal de 1988", escreveram candidatos em um e-mail enviado ao MEC. "Precisamos ter uma prorrogação no prazo final para divulgação das listas de espera." A pasta respondeu aos estudantes, em mensagem obtida pelo g1, que “não vislumbra possibilidades de prorrogação”. Jhessyka Neves, de 33 anos, afirma que ficou desnorteada com esse retorno. "A gente fica aguardando, paga cursinho, não sabe se vai pra frente ou pra trás, e a lista não roda. Estou vendo pelo site que tem vaga ociosa, que não tá sendo preenchida", conta a candidata a medicina. 📝Problema 3: aprovação dupla de um mesmo candidato Na segunda lista de espera divulgada pelo MEC, há elementos que não respeitam determinadas regras do programa. O Fies permite que cada candidato se inscreva em até 3 opções (A, B e C) de curso/faculdade, em ordem de preferência. Se, na 1ª chamada, a pessoa for convocada para a alternativa C, por exemplo, não terá o direito a concorrer na lista de espera para a A ou a B. ➡️Resumindo: passou em alguma das suas opções de graduação? Você pode se matricular nela ou abrir mão do Fies neste semestre. Não há chance de disputar a "repescagem" nas suas outras alternativas. Essa regra existe justamente para dar mais chance a todos os alunos que disputam o financiamento. No entanto, o sistema falhou: há registros de candidatos que já tinham sido aprovados na primeira chamada e que, ainda assim, foram selecionados novamente na lista de espera. É o caso de Marina*, que passou "direto" em uma vaga de medicina pelo Fies, mas não quis se matricular e, por isso, nem entregou os documentos para o financiamento. Automaticamente, ela já deveria ter sido excluída do processo seletivo. Só que... seu nome apareceu novamente na lista de espera do Fies, em outra opção de graduação. Ou seja: foi aprovada duas vezes. "Quando vi o e-mail com essa segunda convocação, fiquei preocupada e nervosa, porque sabia de um monte de gente que precisava da vaga e que estava apreensiva. Confrontei a faculdade, já que isso não poderia ter acontecido pelas regras do Fies. Confirmaram que meu nome estava entre os selecionados [de novo]. Enquanto isso, outras pessoas estão tentando se matricular", conta ao g1. * A pedido dos entrevistados, os nomes verdadeiros foram trocados por fictícios. Vídeos Estudantes relatam problemas no processo seletivo do Fies
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26/04 - Enem 2024: prazo para pedir isenção da taxa de inscrição termina nesta sexta; saiba quem tem direito e como solicitar
Candidatos que tiveram isenção no Enem 2023 e não compareceram à prova precisam justificar a ausência para ter direito ao não pagamento em 2024. Pedidos de isenção para o Enem 2024 devem ser feitos até 26 de abril. Na imagem, parcitipante acessa página do Enem Divulgação/Depositphotos Esta sexta-feira (26) é o último dia para candidatos do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2024 solicitarem a isenção do pagamento da taxa de inscrição. Como, até a mais recente atualização desta reportagem, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) ainda não havia publicado o edital da prova, não é possível saber quanto será cobrado de quem não obtiver essa gratuidade. Na edição de 2023, assim como em anos anteriores, a quantia era de R$ 85. 👉 Os pedidos de isenção devem ser feitos na Página do Participante (enem.inep.gov.br/participante), com o login da conta "gov.br". No X (antigo Twitter), o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, citou o novo álbum da cantora Anitta para convocar os alunos: Initial plugin text Abaixo, confira as respostas para as principais dúvidas sobre o Enem 2024. 💰 Quem tem direito à isenção da taxa de inscrição? Podem pedir a isenção os candidatos que: estiverem no 3º ano do ensino médio de escolas públicas em 2024; estudaram durante todo o ensino médio na rede pública ou como bolsistas integrais da rede privada, desde que tenham renda familiar per capita igual ou inferior a 1,5 salário mínimo (R$ 1.980); sejam membros de família de baixa renda com inscrição no Cadastro Único para programas sociais do governo federal (CadÚnico). 💻 Como solicitar a isenção? É preciso entrar na Página do Participante e informar o CPF, a data de nascimento, o e-mail e um número de telefone válido. ☹️ E quem estava isento no Enem 2023, mas não fez a prova? Neste caso, é necessário entrar na Página do Participante e justificar a ausência (anexando um atestado médico que comprove que o candidato estava doente no dia da prova ou um boletim de ocorrência que prove algum imprevisto, por exemplo). Caso contrário, perderá o direito à isenção. ✉️ Quando sairão os resultados da isenção? Em 13 de maio. Caso o pedido seja negado, é possível entrar com recurso entre 13 e 17 de maio. 📝 Quem conseguir a isenção precisa se inscrever no Enem? Sim. Todos, isentos ou não, deverão fazer a inscrição no Enem 2024, no período que ainda vai ser divulgado pelo Inep. Datas do período de isenção e justificativa 15 a 26 de abril: justificativa de ausência no Enem 2023 e solicitação de isenção do Enem 2024. 13 de maio: resultado da justificativa de ausência no Enem 2023 e solicitação de isenção do Enem 2024. 13 a 17 de maio: recurso da justificativa de ausência no Enem 2023 e solicitação de isenção do Enem 2024. 24 de maio: resultado do recurso da justificativa de ausência no Enem 2023 e solicitação de isenção do Enem 2024. Redação nota mil no Enem: alunos de escola pública que atingiram pontuação dão dicas Vídeos
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26/04 - O aristocrata francês que entendeu a evolução 100 anos antes de Darwin
Se você ainda não ouviu falar dele, ficará surpreso, pois com suas observações ele compreendeu muito do que ainda consideramos ciência de vanguarda. Na imagem, ilustração de Louis Leclerc, francês que pautou a evolução antes de Darwin. Leclerc diferenciou-se por suas contribuições ao cálculo infinitesima. Getty Images (via BBC) Charles Darwin publicou sua obra-prima A Origem das Espécies em 1859, na qual descreveu um mundo antigo em que a vida mudava gradualmente de uma forma a outra sem a necessidade de intervenção sobrenatural. E quando a fúria desencadeada por suas ideias radicais ainda não estava apaziguada, o naturalista começou a ler um livro de um sujeito chamado Georges-Louis Leclerc, um aristocrata francês cujo título de nobreza era conde de Buffon. 👉🏽 Ele havia morrido cerca de 80 anos antes e, quando despertou o interesse do pioneiro da teoria da evolução, já não era tão conhecido. Darwin ficou muito surpreso. "Páginas inteiras (do livro de Buffon) são ridiculamente parecidas com as minhas", escreveu ele a um amigo. "É surpreendente ver o seu ponto de vista nas palavras de outro homem." Tal foi o impacto que em edições posteriores de A Origem das Espécies, Darwin reconheceu Buffon como uma das "poucas" pessoas que tinham compreendido, antes dele, que as espécies mudam e evoluem. "E mais: no 100º aniversário de Darwin, houve uma série de homenagens em que se disse que o trabalho de Darwin não pode ser subestimado, mas que cada ingrediente necessário para a teoria da evolução já estava presente nas idéias de Buffon", disse o escritor Jason Roberts à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC. Uma conquista enorme, mas que Buffon não podia apresentar abertamente em seu tempo: ele tinha que disfarçar, observou Roberts, que investigou a vida e obra de Darwin para o livro Every Living Thing ("Cada Ser Vivo", em tradução livre), "Vários historiadores dizem que (Buffon) sabia que não era o momento adequado para divulgar essas informações, pois o tempo todo ele tinha problemas com a igreja. "Foi Buffon quem disse pela primeira vez que a Terra tinha talvez bilhões de anos, e a escala de tempo era tão grande que a vida poderia ter evoluído a partir de um único ancestral." Dizer algo assim o expôs e fez com que fosse chamado de herege, por apontar que a Terra era mais antiga do que dizia a Bíblia. "Ele sabia que era radical. Por isso, assim que escreveu, acrescentou um parágrafo dizendo: 'Mas esta é, claro, uma especulação ridícula, porque o Livro de Gênesis nos diz o contrário'." Não foi a única vez que ele usou essa estratégia de expor suas idéias e depois atenuá-las em suas obras, particularmente em sua magistral História Natural, Geral e Particular (1749-88). São ideias que surpreendem hoje tanto quanto surpreenderam Darwin há mais de um século e meio, pois a compreensão do cientista francês ia muito além da teoria da evolução. Da mudança climática... Jason Roberts escreveu livro sobre as visões opostas de Buffon e Carl Linneo. Na imagem, a capa do livro ao lado de uma foto do autor. Divulgação (via Getty Images) Embora Buffon seja lembrado como um aristocrata, ele só recebeu seu título de nobreza aos 65 anos, além de um lugar fixo na intelectualidade francesa como um matemático, escritor e erudito brilhante. Sua origem, na verdade, era muito mais humilde: era filho de um cobrador de impostos na Borgonha rural, e a expectativa era que também se tornasse um funcionário público menor. "Mas quando seu tio-avô morreu, deixou-lhe uma fortuna. De repente, aos 11 anos, seu mundo mudou, e ele foi criado para ser um aristocrata presunçoso, embora tenha acabado com muito mais interesse na aristocracia da mente, das ideias." E dedicou grande parte de sua fortuna a criar o que Roberts descreve como "a primeira reserva ecológica". Ela comprou 40 hectares de terra, plantou árvores e preparou-se para observar não só como elas cresciam, mas também quais espécies surgiam. "Foi talvez a primeira pessoa a estudar a natureza no seu contexto, em vez de espécimes mortos isolados, e, como sabia que tudo demoraria a amadurecer, quando tinha 27 anos, impôs-se um rigoroso regime físico para se manter na melhor forma possível durante o maior tempo possível." Aparentemente, surtiu efeito porque "viveu mais de 80 anos, e as pessoas diziam que até morrer parecia ser 20 anos mais jovem". Foi também em sua propriedade onde ocorreu um experimento conhecido: ele aqueceu e deixou em vermelho vivo bolas sólidas de ferro de diferentes tamanhos e observou quanto tempo demoravam para esfriar. 💡 Com os dados que obteve, extraiu uma equação sobre a relação entre o tempo de resfriamento e o volume, e usou-a para calcular a idade da Terra. Seu resultado foi sem sentido, mas tinha lógica: se, como tinham indagado pensadores como Isaac Newton, a Terra poderia ter começado como um pedaço de ferro vermelho brilhante, talvez um remanescente da colisão de um cometa com o Sol, quanto tempo teria demorado para que esfriasse até que pudesse ser habitada, no ponto em que a água não evaporasse? "Nunca ficou totalmente claro se ele realmente fez essa experiência, ou se foi uma experiência hipotética para que as pessoas entendessem o conceito. Ele chegou à conclusão de que foi um tempo muito longo", diz Roberts. "E, escrevendo na década de 1750, ele disse que a mudança climática era uma realidade, que os humanos estavam mudando indelevelmente o meio ambiente do planeta. Ele não previu especificamente o aquecimento global, porque era uma era pré-industrial, mas advertiu que pensássemos mais profundamente sobre por que estávamos explorando recursos e nos assentando em grande escala sem ser necessário." ... até o DNA Como se isso não bastasse, suas observações o levaram a intuir a existência do DNA, o ácido nucleico que contém as informações genéticas usadas no desenvolvimento e funcionamento de todos os organismos vivos, responsável pela transmissão hereditária. "O conceito de Buffon era que, se toda a vida tinha evoluído a partir de um ancestral único, isso significava que os componentes básicos da vida eram os mesmos, que havia moléculas orgânicas que se montavam para criar organismos", conta Roberts. "Então ele disse, basicamente, 'tem que haver algo no processo de reprodução que mudou com o tempo, de maneira que as regras de montagem tenham sido diferentes'." "Se fosse esse o caso, ele questionou, então fazia sentido que houvesse algum tipo de matriz interna, um 'molde' ou um conjunto de instruções que dessem aos organismos sua forma particular." Como no caso de Darwin, que sem dúvida merece o crédito pela teoria da evolução, Gregor Mendel merece o crédito por ter resolvido os aspectos das regras da genética na herança vegetal. "Mas Buffon lançou a ideia. E não podemos afirmar com certeza que tenha inspirado Mendel, embora tenhamos o livro que ele leu quando começou a experimentar e ele contenha uma passagem sobre Buffon que está sublinhada", afirma o escritor. Todas essas ideias, por mais que as disfarçasse, levaram Buffon a ser oficialmente censurado por instituições da Igreja Católica e pela Universidade da Sorbonne, que na época era controlada pela igreja. "Ameaçado apresentar acusações formais contra ele se não renegasse suas afirmações. Ele escreveu uma declaração dizendo: 'Eu me cubro de pó e cinzas e renego qualquer coisa no meu livro que seja contra os ensinamentos da igreja'. Ele pegou essa carta e a colocou na próxima edição de sua obra, e não mudou uma palavra. E disse: 'É melhor ser recatado do que ser enforcado'." Os motivos do esquecimento Tendo feito tudo isso e muito mais, por que Buffon não é mais conhecido? "Ele era", diz Roberts. "Quando Buffon morreu, ela era uma das pessoas mais famosas do mundo. Em Paris havia uma enorme estátua em sua homenagem e cerca de 20 mil pessoas saíram às ruas em seu funeral. Seus escritos foram tão populares que durante o século seguinte seguiu sendo o autor francês mais popular." Estátua do naturalista Georges-Louis Leclerc de Buffon (1707-1788), no Jardin des Plantes, em Paris. Getty Images (via BBC) As razões para o esquecimento são várias, incluindo o fervor anti-aristocrático da Revolução Francesa. Mas, acima de tudo, a rivalidade com outro pioneiro científico que foi seu contemporâneo e também se dedicou à tarefa de explorar a vida: o sueco Carl Linneo, pai da taxonomia. Era seu oposto, inclusive na maneira de encarar sua vida pública. Linneu cultivava a admiração (chamava seus pupilos de "apóstolos"), enquanto Buffon enxergava elogios públicos como "um espectro vão e enganoso". No entanto, o que mais favoreceu Linneu foi uma competição ideológica póstuma incomum na qual sua visão de mundo estava mais em sintonia com as aspirações das potências europeias. "Linneo foi o grande classificador e taxônomo que quis categorizar e rotular tudo. Com a ascensão do colonialismo global, o conceito de apagar os nomes indígenas para as espécies, ou qualquer conhecimento prévio sobre a vida, e essencialmente colonizar conceitualmente através da concessão de novos 'nomes científicos', que muitas vezes imortalizavam quem 'descobria', apelava à mentalidade da época", explica Roberts. "Isso, e a ideia de que a própria natureza poderia ser domesticada." Buffon concordou que o conceito de espécie era necessário para se garantir que se falava do mesmo animal. Mas não era necessário colocar tudo em hierarquias ordenadas, pois isso implicava impor à natureza uma ordem que não existia, explica Roberts. "Ele disse: 'não finjamos que estamos domesticando a natureza colocando essa estrutura artificial sobre ela'." A discordância entre os dois não se reduzia à natureza que rodeava os humanos, mas a eles próprios. Linneu acreditava que os humanos deveriam ser classificados de acordo com os valores europeus. É por isso que lhe é atribuído ter estabelecido categorias raciais para as pessoas. Ele colocou os europeus brancos claramente no topo. O Homo europaeus, como ele o chamava, era loiro, de olhos azuis, "gentil, agudo e inventivo". O Homo africanus era escuro e "lento, malicioso e negligente" enquanto o Homo americanus era de pele vermelha e "inflexível e alegre", e o amarelo Homo asiaticus, "severo, altivo, ganancioso". Buffon rejeitou essa hierarquia racial. "As diferenças são meramente externas", escreveu ele em 1758. "As alterações da natureza são superficiais." "Além disso, pensava que os humanos provavelmente evoluíram para sua forma atual não na Europa, a crença comum, mas sim em algum próximo ao (à linha do) Equador, e certificou-se de que incluísse o norte da África e a China. Isso quando se assumia que os brancos eram o homem original e todos os outros eram uma cópia ruim", afirma Roberts. "Muitos cientistas no século XIX incomodavam-se com a abordagem de Buffon." É por isso que ele foi relegado para o segundo plano. Mas, pouco a pouco, desde o século XX, a visão de Buffon e a importância das suas ideias começaram a ser redescobertas. Com o avanço da ciência, foi-se confirmando o quão pertinente muito do que o aristocrata francês escreveu, e cada vez mais se reafirma o lugar que merece na história. VÍDEOS DE EDUCAÇÃO
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25/04 - VÍDEO: Professora da rede pública do RJ viraliza ensinando pontuação para os alunos com música
Vídeo de Carliene Gerald, de Volta Redonda, foi publicado em 15 de abril e já tem mais de 20 milhões de visualizações. Professora conta que a ideia é facilitar o aprendizado dos alunos. Professora da rede pública viraliza ensinando pontuação para alunos com música Uma professora da rede pública de Volta Redonda, no interior do Rio de Janeiro, viralizou nas redes sociais ao mostrar como ensina pontuação através da música para os seus alunos do 3° ano do ensino fundamental. O vídeo, publicado no Instagram no dia 15 de abril, já soma mais de 20 milhões de visualizações (veja acima). Carliene Gerald tem 29 anos e é professora há mais de uma década. Desde 2021, ela dá aula na Escola Municipal Fernando de Noronha, no bairro Vila Brasília. A ideia de juntar música e educação vem de muito tempo, quando a professora ainda cursava magistério. "Eram muitos conteúdos. Eu já transformava os conteúdos em música e eu aprendia com maior facilidade. Na hora de realizar as provas, era mais fácil", explicou. Na escola em que trabalha, antes de assumir o ensino fundamental, passou pela educação infantil. E a música sempre esteve presente. Carliene Gerald Arquivo pessoal "Desde a educação infantil, eu já canto com as crianças. Quando eu vim para o fundamental, eu vim com esse hábito. Eu resolvi permanecer com esse jeito de cantar com as crianças, essa relação mais afetiva com as crianças", explicou Carliene. A professora está com a mesma turma há três anos. Desde o 1° ano do fundamental, quando passou a dar aula para os alunos, continuou usando a música como ferramenta de aprendizado. Como deu certo, optou por manter a didática. "Eu comecei a perceber que eles começaram a gostar muito dessas musiquinhas. Acompanhei essa turminha do primeiro ano para o segundo, permanecemos assim, do segundo para o terceiro, permanecemos também com as músicas. Chega no terceiro ano o conteúdo fica um pouco mais complexo e é assim: do primeiro para o segundo o conteúdo vai aumentando e do segundo para o terceiro é a mesma coisa, já entendendo que, afinal, é o fim do ciclo da alfabetização", explicou ela. Initial plugin text Carliene afirmou que a ideia principal não é apenas cantar, e sim passar "um momento lúdico onde as crianças possam memorizar o conteúdo com mais facilidade". "Eu sempre canto as músicas com gestos. Não são músicas isoladas. Sempre tem gestos, sempre tem muita brincadeira. Para que quando a criança se lembre daquele conteúdo, ela se lembre daquela música que era uma música legal, uma música alegre. E além de facilitar a memorização, a música tem esse poder, a melodia tem esse poder", comentou. "Às vezes, a gente passa num lugar, escuta uma musiquinha e aquilo fica gravado na nossa cabeça. Com as crianças, é a mesma coisa. Eles escutam tanta coisa, né, tantas músicas, e aí eu achei que tava dando certo. Deu certo trazer esses conteúdos que são um pouco mais complexos não só da língua portuguesa, mas também de outras matérias, como ciências, histórias e geografia", completou. Carliene Gerald Arquivo pessoal Repercussão Com mais de 20 milhões de visualizações e mais de 1 milhão de curtidas, o vídeo de Carliene chegou à atriz Nanda Costa, que a definiu como "maravilhosa". O post tem ainda outros milhares de comentários elogiando a didática da professora. Ela afirmou que não esperava toda essa repercussão. "Eu não acreditei. Foi um susto, porque o meu número de seguidores cresceu muito. Quando eu postei o vídeo tinha 26 mil seguidores. Em dois dias, eu já tinha batido mais de 150", afirmou ela. O número só foi subindo. No momento da publicação desta reportagem, Carliene já tinha mais de 225 mil seguidores no Instagram. Na escola, logo após o viral, a professora foi recebida pelos seus alunos em êxtase e com uma série de perguntas. "As crianças já vieram com uma enxurrada de perguntas: 'Tia, como foi? Eu vi você. E aí, como é que foi? Foi legal. Conta pra gente. Nós vimos você", relembrou. O momento foi gravado e, claro, divulgado no Instagram da professora (assista abaixo). Initial plugin text O carinho recebido por Carliene ultrapassou os muros da escola. Os familiares dos alunos ficaram encantados e valorizaram o trabalho da professora. "Os familiares das crianças começaram a ver, mandaram pras famílias, e eles ficaram assim, nessa euforia. As mães sempre me apoiando, minha família sempre me apoiando, as professoras aqui da minha escola, minha diretora, todo mundo sempre me apoiando, me incentivando", completou Outro viral Initial plugin text Esse não foi o primeiro vídeo da professora que viralizou nas redes sociais. No dia 23 de fevereiro, Carliene publicou um outro dando sugestão para professoras de como trabalhar o combate à dengue com alunos da educação infantil e ensino fundamental por meio da música. O vídeo já soma mais de 720 mil reproduções. A professora contou que não acreditou quando percebeu o tamanho da repercussão. "Eu chorei muito. Chorei muito, porque eu comecei a ver outras crianças de outras escolas cantando. Eu pensei: 'Meu Deus do céu! Como assim uma musiquinha que eu fiz há tantos anos atrás os alunos de outras escolas estão cantando?'. Foi uma sensação de algo que eu compartilhei que tá dando certo pelo Brasil. As escolas começaram a postar nos stories e me marcavam. Aí, eu chorava, chorava, chorava, chorava...", relembrou ela. Trajetória na educação Carliene concluiu o magistério em 2012. Atualmente, ela está cursando pedagogia, com previsão de se formar no final deste ano. Em 2013, começou no seu primeiro emprego como professora. Foi auxiliar de educação em uma creche particular, onde ficou por quatro meses. "Dava muito banho nas crianças. Amava! Ficava com os bebês, ficava com os pequenininhos, tirava a criança de natação, colocava a criança para natação", relembrou. Depois, Carliene assumiu sua primeira turma em uma escola particular, ficando nela por nove anos. Saiu da instituição em 2021, quando começou a dar aula na Escola Municipal Fernando de Noronha. Ela foi convocada pela prefeitura dois anos após ter sido aprovada em um concurso público. "Amo a escola pública. Quando você entende realmente as propostas, o que ela se dispõe a fazer, você se apaixona. Aqui nessa mesma escola onde eu estou, eu já atuei também na gestão, fui convidada pela minha diretora. Trabalhei na parte de gestão da escola por seis meses. Nesse ano, eu estou só com a minha turma de manhã e no projeto sábado na escola, aos sábados", disse a professora. Importância da música Carliene cantando na igreja Reprodução/Arquivo pessoal Neta de maestro, e filha e irmã de professores de música, Carliene cresceu no meio musical. Ela canta na igreja junto com o marido e percebeu que essa arte casaria muito bem com a educação. "Eu enxergo a música como uma ferramenta, uma ferramenta para os professores. A música tem o poder de gerar em nós vários sentimentos. Tem música que a gente escuta que a gente fica triste. Tem música que a gente escuta que a gente fica feliz, que a gente fica animado. E usando essa ferramenta dentro de sala de aula, eu sinto que eu consigo alcançar um número maior de alunos", contou. Siga o g1 no Instagram | Receba as notícias no WhatsApp VÍDEOS: as notícias que foram ao ar na TV Rio Sul
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25/04 - Professores temporários deveriam ser 'exceção' nas redes estaduais, mas estudo mostra situação inversa
Dados analisados pelo Todos pela Educação apontam que 43,6% dos temporários atuam há ao menos 11 anos na profissão. Estratégia garante corpo docente regular com precarização dos contratos de trabalho. Sala de aula no DF; unidade da federação é uma das que teve aumento no quadro de temporários e redução dos contratados. TV Globo/Reprodução O Brasil nunca teve um número tão baixo de professores concursados atuando nas redes estaduais: eram 505 mil em 2013 (68,4% do total), efetivo que caiu para 321 mil no ano passado (46,5%), aponta levantamento do Todos pela Educação. A queda ocorre paralelamente à consolidação de outro tipo de contratação nos estados, os professores temporários. ⛔ "Esse tipo de contratação deveria ser uma exceção, a ser utilizada em casos específicos previstos na legislação, mas o que vemos é que ela tem se tornado a regra nas redes estaduais de ensino", afirma a Ivan Gontijo, gerente de Políticas Educacionais do Todos Pela Educação. Os dados analisados pelo Todos, extraídos da base do Ministério da Educação, apontam que quase metade (43,6%) dos temporários trabalha há ao menos 11 anos na profissão. "(Isso indica) que esse tipo de contratação tem sido utilizado não apenas para suprir uma demanda pontual, mas também para compor o corpo docente fixo de algumas redes de ensino", analisa o Todos em seu relatório. 👨🏼‍🏫 🧑🏼‍🏫 Segundo levantamento do Todos, o total de temporários supera o de concursados desde 2022. "Em 2023, as redes contavam com 356 mil temporários (alta de 55% em uma década), contra 321 mil professores efetivos (queda de 36% no mesmo período)", analisa o levantamento. SP tem 57% de professores não concursados na rede estadual de ensino, aponta Censo Escolar 2023 🏫 Ao longo destes 10 anos, o total de professores em atuação (concursados ou temporários) teve uma redução de 57 mil docentes, o que o Todos pela Educação aponta estar alinhado com a diminuição de matrículas da educação básica, uma consequência da dinâmica demográfica brasileira, do aumento das taxas de aprovação e da redução da evasão escolar. A quantidade de professores temporário e efetivos também varia bastante de acordo com a Unidade Federativa. O levantamento mostra que, em 2023, 14 estados e o Distrito Federal possuíam mais efetivos do que temporários. Nesse cenário, Minas Gerais é o estado com maior porcentagem de temporários na rede estadual, com cerca de 80% dos professores sendo contratados nessa modalidade. A porcentagem também supera os 70% em estados como Tocantins, Acre, Espírito Santo e Santa Catarina. (veja no gráfico abaixo) Já o Rio de Janeiro é o estado com a maior taxa de professores efetivos (96%). Na Bahia, Pará e Rio Grande do Norte, as porcentagens também são elevadas, superando os 90%. Precarização do trabalho O modelo de contratação de temporários significa custos menores para estados: na remuneração, há 15 redes em que o salário dos professores temporários, calculados por hora, é menor que o de professores efetivos em início de carreira, chegando a uma diferença de até 140%, no caso de Pernambuco. Nas outras 10 redes analisadas, não há diferença. 💵"Essa diferença pode ser, inclusive, um dos motivos relacionados ao aumento no número de professores temporários, que podem ser menos onerosos para o estado, já que estes docentes não estão dentro da carreira e, ao se aposentar, não entram na previdência estadual. Além disso, em algumas redes, é comum que professores temporários não tenham os mesmos direitos trabalhistas e benefícios dos efetivos", analisa o estudo do Todos. A precarização do trabalho aparece ainda no tempo de contrato: em nove redes estaduais, o tempo de contrato de professores temporários é de apenas 24 meses, o que obriga que os professores enfrentem um processo de seleção a cada 2 anos, sem garantia de remuneração no intervalo entre os contratos. "É essencial avançar a discussão em duas frentes: aumentar a frequência de realização de concursos e, sobretudo, a qualidade deles, com a melhoria dos instrumentos de seleção e a inclusão de provas práticas; e o investimento em políticas de valorização e profissionalização dos docentes temporários”, afirma Gontijo.
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24/04 - Foguete de garrafa PET pode atravessar mais de 4 estádios de futebol; veja VÍDEO com teste
Alunos de escolas públicas e particulares participam anualmente da Mostra Brasileira de Foguetes (Mobfog), uma olimpíada na qual vencem os modelos mais eficientes. Inscrições vão até 1º de maio. Foguete de garrafa PET pode atravessar mais de 4 estádios de futebol; veja VÍDEO com teste Centro de massa, 3ª Lei de Newton, ação e reação, pressão, aletas… Você se lembra desses conceitos? Acredite: fabricar e lançar um foguete de garrafa PET pode ser uma forma de relembrar (ou aprender) tudo isso (veja o vídeo acima). Mas não pense que vai dar para soltar o objeto na sua sala, viu? Ele é potente: atinge uma velocidade de mais de 100 km/h e já alcançou distâncias superiores a 480 metros. 🚀Desde 2007, alunos do ensino fundamental e do ensino médio participam dessa experiência — e tentam quebrar recordes — na Mostra Brasileira de Foguetes (Mobfog), uma olimpíada organizada pela Sociedade Astronômica Brasileira (SAB) e pela Agência Espacial Brasileira (AEB), com apoio de entidades como a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). 🥇Os vencedores, além de receberem troféus e medalhas, ainda podem ganhar uma viagem ao Rio de Janeiro, em Barra do Piraí, para participar da Jornada Brasileira de Foguetes. “Como não tem prova escrita e é um trabalho manual, observamos que mesmo os alunos que tiram notas ruins em matemática podem ir bem na Mobfog — e aí, passam a se interessar pelo assunto e a se sentirem mais confiantes”, explica João Canalle, professor-adjunto da UERJ, astrônomo e presidente da Mobfog. Mais abaixo, entenda como uma garrafa PET pode alcançar uma distância de mais de 400 metros e veja as histórias de dois vencedores da olimpíada: um jovem que foi aprovado na USP e que participará da maior competição mundial de foguetes; e uma aluna com deficiência visual que saiu de um pequeno município na Bahia para mostrar seu experimento no Rio de Janeiro. 🌠Como um foguete de garrafa PET pode ter um alcance tão grande? Foguete feito de garrafa PET funciona a partir da pressão gerada no interior do recipiente Arte/g1 A palavra mágica que faz com que uma garrafa PET, movida por ar comprimido, alcance mais de 400 metros de distância é: “pressão”. Veja a explicação do professor João Canalle abaixo: Antes de encaixar a garrafa à base de lançamento, você deve enchê-la com água (preenchendo ⅓ do volume total). Depois, quando seu foguetinho já estiver pronto para a “viagem”, com a base bem presa ao solo, é hora de “jogar mais ar” lá dentro, usando uma bomba de encher pneu de bicicleta. Cabe a você escolher qual a pressão que vai ser exercida no interior da garrafa. Em pneus de carro, costuma ser de 30 PSI. No foguete, pode ser bem mais do que isso: de 100 PSI, por exemplo. Quanto maior a pressão lá dentro, maior a força com que a água vai ser empurrada para fora. É como se ela não conseguisse mais ficar lá (o mesmo fenômeno que observamos ao estourar um champanhe e ver a rolha escapar). Quando puxamos a corda que está amarrada à garrafa, a água é expulsa “para trás” (ação). Como bem nos ensina a 3ª Lei de Newton, a reação vai acontecer no sentido exatamente oposto: ou seja, a garrafa vai ser disparada “para frente”, como um foguete. O voo vai depender de variáveis como: velocidade do vento, ângulo da garrafa em relação ao chão, formato do foguete e posição das aletas (aquelas abinhas que funcionam como um leme de barco, dando o direcionamento correto). A trajetória vai ser uma parábola com a concavidade voltada para baixo. 🌎Da Mobfog à maior competição de foguetes do mundo Pedro participou do Latin American Space Challenge 2023 e se prepara para mais uma competição internacional Arquivo pessoal Para os jovens que já gostavam de exatas, participar da competição pode literalmente levá-los longe. Pedro Balduci, por exemplo, de 21 anos, foi medalhista da Mobfog quando estava no ensino médio, e agora, como estudante de engenharia da Universidade de São Paulo (USP), prepara-se para a maior competição de foguetes do mundo: a Spaceport America Cup, disputada em junho nos Estados Unidos. O grupo de Pedro concorrerá com o “Pacífico”, que pesa bem mais que uma garrafa PET: 40 kg. “É um foguete com motor sólido, movido por uma mistura de açúcar com nitrato de potássio. Pode chegar ao apogeu [pico de altura] de 3 km”, diz. “Foi a Mobfog que me apresentou a esse mundo. Antes dela, não sabia ainda se queria estudar engenharia, mas participar da olimpíada me deu certeza. Passei a procurar quais universidades tinham grupos de foguetemodelismo, por isso que cheguei à USP [a instituição tem o Projeto Júpiter]”, diz. 👨‍🚀'Tenho deficiência visual, mas tudo foi adaptado para mim', diz vencedora de olimpíada Professor Canalle, da Mobfog, entregou o troféu à aluna Yasmim, que tem deficiência visual Arquivo pessoal Em geral, são os professores de matemática e de física que incentivam os alunos a participar das olimpíadas científicas. Em Tanhaçu (BA), por exemplo, o docente Clébio Almeida, do projeto social “Ciência Para Todos”, foi quem apresentou a competição para Yasmin Silva, de 16 anos. Ela tem deficiência visual e conseguiu, após fazer o reconhecimento tátil de cada peça, construir o foguete e lançá-lo na Mobfog. Como a equipe dela teve um dos melhores desempenhos, ainda foi convidada a ir para a Jornada de Foguetes no Rio. “Essas experiências me ajudaram a aprender os conteúdos, criar mais responsabilidade e ser mais independente. Eu nunca tinha viajado sozinha antes! Foram 26 horas de ônibus. Conheci pessoas novas e dei o primeiro passo para o meu futuro acadêmico”, conta. Lançamento de foguete de garrafa PET realizado pelo g1 Rafael Leal/g1 🔴Como funciona a Mobfog? Na Mobfog, os alunos precisam construir e lançar foguetes de forma oblíqua, a partir de uma base de lançamento. Cada equipe é formada por um professor e um, dois ou três alunos. Há diferentes níveis de competição: 🚀Os foguetes mais simples, elaborados por crianças do 1º ao 5º ano do ensino fundamental, são feitos de canudo ou de papel e impulsionados por ar comprimido. 🚀E os mais complexos, para alunos a partir do 6º ano, são fabricadas a partir de garrafas PET. Para quem já estiver no ensino médio, o que muda é a forma de propulsão: em vez de usarem ar comprimido, os foguetes feitos de garrafa passam a ser movidos pela reação química entre vinagre e bicarbonato de sódio. Os lançamentos acontecem na escola de cada aluno. Cabe ao professor responsável medir o alcance de cada foguete e passar os resultados para a Mobfog. E atenção: se você for montar um foguetinho, escolha obrigatoriamente um espaço amplo, sem circulação de pessoas. Cronograma da Mobfog Inscrições das escolas e dos alunos: até 1º de maio de 2024 Lançamento dos foguetes nas escolas: até 17 de maio de 2024 (os professores ficam responsáveis por medir o alcance e passar os dados para os organizadores da competição) Jornada de Foguetes: 2º semestre de 2024 (em data a ser definida) Contato para dúvidas: oba.secretaria@gmail.com e +55 (21) 2018-5506 (Whatsapp e ligação) Vídeos
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23/04 - Problemas no Fies: candidatos relatam atrasos na lista de espera e aprovações 'duplas'; MEC diz a alunos que vai manter prazos
Resposta do Ministério da Educação foi enviada diretamente aos estudantes e obtida pelo g1. Alunos afirmam que estão desesperados e ansiosos diante da possibilidade de não serem selecionados até 30 de abril, quando o processo seletivo termina. Estudantes relatam problemas no processo seletivo do Fies Candidatos que se inscreveram no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) do 1º semestre de 2024 afirmam que erros do Ministério da Educação (MEC) no processo seletivo estão atrapalhando a convocação de novos alunos na lista de espera. Os estudantes — que disputam mais de 67 mil vagas para fechar contratos de empréstimo e pagar a graduação — relatam falhas técnicas, demora excessiva na fila de espera e outros problemas que, na visão deles, exigiriam uma ampliação do prazo de inscrições. Ainda assim, a pasta afirmou a esse grupo, por e-mail, que não mudará as datas do programa. Até a mais recente atualização desta reportagem, o MEC não havia respondido às perguntas enviadas pelo g1. Em resumo, as queixas do estudantes são as seguintes: 💻O sistema eletrônico pelo qual os estudantes enviam os documentos na matrícula tem problemas técnicos desde o início do processo, atrasando todas as etapas seguintes; 📋As listas de espera não estão "rodando" no ritmo esperado, por isso, milhares de alunos que não foram aprovados na 1ª chamada aguardam a convocação; 📝A mesma pessoa está sendo aprovada em mais de uma opção de curso (algo vetado pelo edital do Fies); 🗓️ O prazo final do Fies termina em 30 de abril e, mesmo com as falhas relatadas acima, a pasta afirma que "não vislumbra possibilidades de prorrogação”. Além disso: O edital do Fies 2024 foi publicado apenas em 7 de março, quase dois meses após a divulgação dos resultados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) — em 2023, o documento saiu em 27 de janeiro, antes das notas da prova. As inscrições do Fies terminaram em 18 de março, após algumas universidades já terem iniciado o ano letivo. Isso fez com que os aprovados, que ainda teriam todo o trâmite da pré-aprovação e da matrícula, perdessem as primeiras semanas de aula. Abaixo, entenda os detalhes dos problemas: 💻Problema 1: sistema de entrega de documentos com falhas 🔴Os alunos que foram pré-selecionados na 1ª chamada (divulgada em 28 de março) tinham de enviar, como é de praxe, uma série de documentos para a universidade. O sistema eletrônico usado pelas instituições de ensino, no entanto, apresentou problemas técnicos e atrasou esse processo. Por isso, o MEC aumentou o prazo para a etapa de conferência de dados pessoais. Segundo relatos enviados à reportagem, mesmo assim, as falhas não foram corrigidas e continuam atrasando as matrículas. "O sistema de acesso das faculdades oscilou muito, falhou e comprometeu os prazos. Foi uma correria gigante [desde o início]", explica Rogério*, coordenador de bolsas e financiamento de uma instituição de ensino privada. "É comum termos intercorrências no Fies, mas, neste ano, foram muitas mudanças [nas regras do programa] em pouco de espaço de tempo. É como trocar o pneu com o carro andando", diz. 📋Problema 2: a lista de espera não está 'rodando' Acontece, então, um efeito cascata: 🔴Quando um candidato que passou na 1ª chamada não efetiva a matrícula ou não entrega os documentos a tempo, a vaga é transferida para a lista de espera (todos os reprovados disputam essa segunda chance). Em geral, a lista "roda" várias vezes, e novos alunos vão sendo convocados. O período para essa "repescagem", segundo o edital, vai de 28 de março a 30 de abril. 🔴No entanto, jovens ouvidos pelo g1 afirmam que a lista de espera não está "rodando" como em anos anteriores. A primeira saiu em 28 de março, como era previsto, mas a segunda só foi divulgada em 18 de abril. Desde então, afirmam os estudantes, nenhum outro nome foi convocado. 🔴Provavelmente, o que explica essa lentidão é justamente o problema no sistema de entrega dos documentos. Forma-se um ciclo: os candidatos pré-selecionados não conseguem completar a matrícula -> o MEC prorroga o prazo para esses alunos entregarem os documentos --> as vagas ficam "represadas" e não são liberadas para as listas de espera. "Durante os 20 dias em que a lista não 'rodou', tive crises de ansiedade constantes, e não consegui ser produtiva nem no trabalho, nem nos estudos", conta Alice Rêgo, de 20 anos, de Xinguara (PA). Ela busca uma vaga em medicina. "Acho que o pessoal do MEC não tem noção do quão difícil é, porque isso mexe com um sonho gigante. Tento vestibular há 5 anos, e o Fies é minha esperança de realizar isso. Estão acabando com a minha saúde mental." Maria Eduarda Souza, de 24 anos, também está aflita com a lentidão das listas de espera. "Estou arrasada, porque só tem uma pessoa na minha frente [na 'fila']. Conversei com alguns alunos que foram convocados para essa mesma faculdade [em Maceió] e que não se matricularam, mas as vagas deles não foram disponibilizadas para mais ninguém depois", conta. 🔴Diante do problema nos mecanismos de matrícula, instituições de ensino estão com vagas do Fies ociosas: nem são ocupadas pelos convocados na 1ª chamada, nem vão para a lista de espera. "Se continuar dessa forma, muitas vagas não serão preenchidas e muitos vão perder a oportunidade de estudar e conseguir concretizar um direito fundamental e garantido pela Constituição Federal de 1988", escreveram candidatos em um e-mail enviado ao MEC. "Precisamos ter uma prorrogação no prazo final para divulgação das listas de espera." A pasta respondeu aos estudantes, em mensagem obtida pelo g1, que “não vislumbra possibilidades de prorrogação”. Jhessyka Neves, de 33 anos, afirma que ficou desnorteada com esse retorno. "A gente fica aguardando, paga cursinho, não sabe se vai pra frente ou pra trás, e a lista não roda. Estou vendo pelo site que tem vaga ociosa, que não tá sendo preenchida", conta a candidata a medicina. 📝Problema 3: aprovação dupla de um mesmo candidato Na segunda lista de espera divulgada pelo MEC, há elementos que não respeitam determinadas regras do programa. O Fies permite que cada candidato se inscreva em até 3 opções (A, B e C) de curso/faculdade, em ordem de preferência. Se, na 1ª chamada, a pessoa for convocada para a alternativa C, por exemplo, não terá o direito a concorrer na lista de espera para a A ou a B. ➡️Resumindo: passou em alguma das suas opções de graduação? Você pode se matricular nela ou abrir mão do Fies neste semestre. Não há chance de disputar a "repescagem" nas suas outras alternativas. Essa regra existe justamente para dar mais chance a todos os alunos que disputam o financiamento. No entanto, o sistema falhou: há registros de candidatos que já tinham sido aprovados na primeira chamada e que, ainda assim, foram selecionados novamente na lista de espera. É o caso de Marina*, que passou "direto" em uma vaga de medicina pelo Fies, mas não quis se matricular e, por isso, nem entregou os documentos para o financiamento. Automaticamente, ela já deveria ter sido excluída do processo seletivo. Só que... seu nome apareceu novamente na lista de espera do Fies, em outra opção de graduação. Ou seja: foi aprovada duas vezes. "Quando vi o e-mail com essa segunda convocação, fiquei preocupada e nervosa, porque sabia de um monte de gente que precisava da vaga e que estava apreensiva. Confrontei a faculdade, já que isso não poderia ter acontecido pelas regras do Fies. Confirmaram que meu nome estava entre os selecionados [de novo]. Enquanto isso, outras pessoas estão tentando se matricular", conta ao g1. * A pedido dos entrevistados, os nomes verdadeiros foram trocados por fictícios. Vídeos Estudantes relatam problemas no processo seletivo do Fies
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22/04 - Pé-de-Meia: Lula diz que governo vai estender programa a inscritos no CadÚnico e incluir mais 1,2 milhão de beneficiários
Previsão anterior contemplava apenas beneficiários do Bolsa Família, segundo Lula. Aumento prevê aporte de R$ 3 bilhões ao ano na iniciativa. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta segunda-feira (22) que decidiu modificar a "linha de corte" do programa Pé-de-Meia para incluir mais 1,2 milhão de estudantes na iniciativa. Lula explicou que o governo estenderá o pagamento a alunos que integram famílias inscritas no Cadastro Único (CadÚnico) dos programas sociais do governo. Antes, conforme o presidente, a linha de corte estava nas famílias que recebem Bolsa Família – o universo de inscritos no CadÚnico é maior do que o de inscritos no Bolsa Família. Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o aumento no número de beneficiários do programa prevê aporte de R$ 3 bilhões ao ano. "Quando nós anunciamos o Pé de Meia, a linha de corte era o cadastro do Bolsa Família. Ficou de fora o cadastro do Cad [Único, cadastro dos programas sociais do governo federal]. Nós resolvemos aumentar e colocar a linha de corte no cadastro do Cad e vai entrar, parece, que mais 1,2 milhão meninos e meninas no Pé-de-Meia", disse Lula. Pé-de-meia: governo divulga valores de bolsa para alunos do ensino médio O Pé-de-Meia é um programa do governo federal que, por meio do Ministério da Educação, fornece incentivo financeiro para estudantes de baixa renda regularmente matriculados no ensino médio da rede pública, como forma de combater a evasão escolar. A mudança, segundo Lula, consta na medida provisória assinada nesta segunda para criar o programa Acredita. A nova ação prevê, entre outros pontos, renegociação de dívidas de microempreendedores individuais (MEIs), micro e pequenas empresas, o "Desenrola Para Pequenos Negócios". O Pé-de-Meia contempla alunos dos 14 aos 24 anos. À época da regulamentação do programa, o MEC informou que a prioridade para receber o benefício era dos estudantes que integram famílias que recebem o Bolsa Família. Os valores são repassados da seguinte forma: incentivo para matrícula, no valor anual de R$ 200; incentivo de frequência, no valor anual de R$ 1.800; incentivo para conclusão do ano, no valor anual de R$ 1.000; incentivo para o Enem, em parcela única de R$ 200.
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22/04 - Por que o descobrimento do Brasil nem sempre foi celebrado em 22 de abril
Até 1817, muitas pessoas acreditavam que a data do “descobrimento” era 3 de maio. Desembarque dos portugueses em Porto Seguro, conforme obra de Oscar Pereira da Silva, de 1904 Domínio Público A ideia — ou o conhecimento — de que o território brasileiro recebeu os colonizadores portugueses pela primeira vez em 22 de abril de 1500 não era sabida ou divulgada até o início do século 19. Até 1817, a maior parte daqueles que se importavam com isso julgava ser a data do “descobrimento” o 3 de maio daquele mesmo ano. Há explicações para essa hipótese. E também para o fato de a data correta ter permanecido desconhecida por tanto tempo. É um enredo com nuances que envolvem sigilo estatal, liturgia católica e guerras napoleônicas. 👉 Então vamos ponto a ponto. Hoje é sabido que os portugueses aportaram à costa brasileira em 22 de abril de 1500 por causa de um documento que se tornou praticamente a certidão de nascimento do Brasil: a carta escrita por Pero Vaz de Caminha (1450-1500), integrante da comitiva de Pedro Álvares Cabral (1467-1520), para comunicar ao rei lusitano dom Manuel 1º (1469-1521) o “achamento” de novas terras. Isto fica claro a partir de trechos da carta. Caminha diz que “na terça-feira […], que foram 21 dias de abril, […] topamos alguns sinais de terra”. No outro dia, “quarta-feira seguinte, pela manhã topamos aves a que chamam furabuchos” e “neste dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra!”. Era o 22 de abril do descobrimento. “Primeiramente dum grande monte, mui alto e redondo; e doutras serras mais baixas ao sul dele; e de terra chã, com grandes arvoredos: ao monte alto o capitão pôs nome — o Monte Pascoal. E åa terra — a Terra de Vera Cruz”, descreve ele. Segundo o relato de Caminha, no dia seguinte houve o desembarque. “E à quinta-feira, pela manhã, fizemos vela seguimos direitos à terra”, conta. Ou seja: pelo relato do escrivão oficial da empreitada, os navegantes avistaram sinais de terra no dia 21, tiveram a certeza de estarem próximos a um território no dia 22 e desembarcaram no dia 23. A carta de Pero Vaz de Caminha foi escrita relatando os acontecimentos da viagem de forma cronológica, a partir do dia 9 de março daquele ano até o dia 2 de maio. “[Foi] escrita entre os dias 26 de abril e 1º de maio de 1500” e teve [como objetivo informar ao rei de Portugal, dom Manuel 1º, o descobrimento e apresentar-lhe o que aí se encontrou”, explica o livro "Cronistas do Descobrimento", organizado pelo jornalista Antonio Carlos Olivieri e pelo historiador Marco Antonio Villa. Considerando este documento, não era para restar dúvida: oficialmente poderia se considerar o tal “descobrimento” como tendo ocorrido em qualquer uma das três datas consecutivas, 21, 22 ou 23 de abril. Isto parece óbvio, se a carta tivesse sido publicizada na época. No entanto, a monarquia lusa determinou sigilo. “A escrita da carta de Pero Vaz de Caminha foi concluída em 2 de maio de 1500, sendo o primeiro registro oficial português sobre o encontro do território do atual Brasil”, contextualiza à BBC News Brasil o historiador André Figueiredo Rodrigues, professor na Universidade Estadual Paulista (Unesp). Pintura de Francisco Aurélio de Figueiredo e Melo feita em 1900 ilustra Pero Vaz de Caminha lendo sua carta a Pedro Alvares Cabral Domínio Público Endereçada ao rei, a carta foi enviada a Portugal pelo navegador Gaspar de Lemos, “em navio separado da esquadra de Pedro Álvares Cabra”, pontua Rodrigues, “que se dirigia para as índias, a fim de cumprir sua missão inicial e consolidar uma rota marítima ao Oriente, contornando a África”. Ao chegar a Portugal, o documento ficou guardado nos arquivos da Secretaria de Estado, pois o rei dom Manuel o classificou como secreto, mandando que o documento não fosse divulgado para evitar que o encontro do Brasil fosse transmitido aos espanhóis, para evitar possíveis invasões e conquistas de terras no território que lhe cabia pelo Tratado de Tordesilhas. Da Secretaria de Estado, a carta acabou sendo encaminhada ao Arquivo Nacional, instalado na Torre do Tombo do castelo de Lisboa. “O silêncio atribuído ao documento o fez ser esquecido nos emaranhados papéis constantes naqueles dois órgãos portugueses”, acrescenta Rodrigues. ➡️ Vale ressaltar que, naqueles séculos de Brasil colônia, não havia nenhuma preocupação em referendar uma data oficial, já que o propósito não era criar símbolos nacionais ou mesmo a ideia da criação de uma nação deste lado do Atlântico. O território brasileiro era apenas um adendo, um anexo, uma fonte de matérias-primas e riquezas para a a metrópole portuguesa. Sobre o escrivão Pero Vaz de Caminha, pouco se sabe. Ele teria nascido no Porto, onde chegou a ocupar o posto de vereador, alguns anos antes de integrar a esquadra de Cabral. Em 1476, herdou do pai o cargo de mestre da balança da Casa da Moeda, um cargo de responsabilidade que seria como escrivão e tesoureiro oficial. Fé na Santa Cruz Se o sigilo estatal explica o desconhecimento público da data, é preciso explicar por que outra acabou sendo aquela entendida como o dia do descobrimento: 3 de maio. Sabia-se que Cabral havia chamado o território de Ilha de Vera Cruz e, depois, de Terra de Santa Cruz. Ora, a interpretação foi religiosa. No calendário litúrgico da época, a comemoração da Santa Cruz era em 3 de maio — a data foi transferida para 14 de setembro depois do Concílio Vaticano 2º, ocorrido entre 1962 e 1965. “Há um grande consenso entre os historiadores e muitos colocam isso como fato de que o nome de Vera Cruz estava associado a uma data religiosa, 3 de maio”, diz à BBC News Brasil o historiador Victor Missiato, pesquisador na Unesp e professor no Colégio Presbiteriano Mackenzie Tamboré. “Durante muito tempo o 3 de maio representou a chegada dos portugueses ao Brasil.” Fac-símile de página da carta Domínio Público Rodrigues explica que a origem dessa interpretação remete ao historiador português Gaspar Correia (1492-1561) que, ao narrar o descobrimento do Brasil, “chegou a essa conclusão devido aos nomes dados às novas terras, que foram batizadas como Ilha de Vera Cruz, em 1500, Terra de Vera Cruz, em 1503, Terra de Santa Cruz, também em 1503 e Terra de Santa Cruz do Brasil, em 1505, possivelmente em homenagem ao Dia de Santa Cruz, então celebrado em 3 de maio”. Devido a essa associação entre o território recém-encontrado e os nomes que reportavam à celebração da Santa Cruz, passou-se a acreditar ter sido nesse dia a chegada de Cabral ao futuro território denominado Brasil. A carta de Caminha permanecia preservada na Torre do Tombo. Preservada e praticamente incógnita. “Estava arquivada ali junto à Coroa Portuguesa mas, de fato, não se dava muita atenção a ela, permanecia sem grandes estudos e referências”, diz å BBC News Brasil o sociólogo Paulo Niccoli Ramirez, professor na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) e da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). Mas, conforme pontua Rodrigues, algum diretor do arquivo português determinou que fosse feita uma cópia, entendendo o seu valor. Sua ideia era preservar o conteúdo, fazendo uma espécie de backup. Mesmo relegada à uma certa insignificância, a carta tinha sua existência sabida — apenas não era valorizada e utilizada como ponto de pesquisa. “Era conhecida desde sempre”, enfatiza à BBC News Brasil o historiador Paulo Henrique Martinez, professor na Unesp. A biblioteca de dom João Avancemos para o início do século 19. No episódio que ficaria conhecido como a fuga da corte portuguesa da invasão das tropas napoleônicas, dom João 6º (1767-1826) transferiu a corte para o Rio de Janeiro. Mas não veio apenas ele e aqueles que lhe eram próximos. Trouxe também todo o aparato estatal e uma riquíssima biblioteca. Conforme frisa Rodrigues, veio “Trazendo consigo a biblioteca real, livros e vários documentos”. Entre eles, a tal cópia “da dita carta, entre os documentos trasladados”. “O documento original permaneceu em Portugal e até hoje está no arquivo da Torre do Tombo, que é o Arquivo Nacional de Portugal”, conta o historiador. “Já a cópia que foi trazida para o Brasil foi parar no acervo do Arquivo da Marinha Real, no Rio de Janeiro.” “Esses documentos chegaram ao Brasil e começaram a ser estudados, de forma que nove anos depois da chegada da família real descobriu-se de fato a existência da carta, alterando aí a data de origem da descoberta do Brasil”, diz Ramirez. Isto porque este material caiu no colo de um sacerdote católico que também atuava como geógrafo e historiador, o padre Manuel Aires de Casal (1754-1821). “Ele teve acesso [à missiva] e tornou público seu conteúdo em 1817”, resume Rodrigues. Capa do livro de Aires de Casal, publicado em 1817 Domínio Público "O padre fez isso no livro Corografia Brazilica". Corografia significa “descrição particular de uma nação ou de uma área geográfica” e esta foi a primeira obra do tipo impressa no território brasileiro. Até a divulgação da carta pelo padre Aires de Casal, a data do 22 de abril como sendo a da ‘descoberta’ oficial do Brasil pelos portugueses era desconhecida. Para Martinez, o episódio simbolizou a “convocação de um documento que comprovasse uma determinada posição de Portugal na história europeia e na história da colonização”. E isso era extremamente importante naquele início de século 19, em que o antigo poderio português havia sido bastante reduzido frente à potência inglesa e à aliança entre França e Espanha. Missiato observa que é interessante notar “o fato de esse documento estar vinculado à monarquia portuguesa e nunca ter sido utilizado [antes], até em termos de reconhecimento da história”. “[A carta] não tinha uma validade histórica tão importante para Portugal e acabou ganhando importância no Brasil quando foi relida a partir de uma nova releitura da história”, analisa ele. Sobre o padre Aires de Casal, poucas informações biográficas são conhecidas. Ele provavelmente nasceu em Portugal — embora alguns historiadores afirmem que ele tenha nascido na Bahia — e acabou vindo à colônia para exercer as funções sacerdotais. Atuou na então província do Ceará e, quando a família real se transferiu para o Rio, aproximou-se da corte com o objetivo de esmiuçar os arquivos como pesquisador. “Eu diria que a importância histórica dele se deve mais à eficiência do trabalho, o fato de ter elaborador a ‘Corografia’, do que a qualquer outra atividade que ele tivesse realizado anteriormente”, avalia Martinez. Essa proximidade com a corte o habilitou a retornar à Portugal juntamente com a comitiva de dom João 6º, em 1821. Os lugares que marcaram o encontro entre povos originários e colonizadores portugueses Criação de uma identidade nacional A nova data, o 22 de abril de 1500, acabaria sendo reforçada após a Independência, a partir de 1822, porque então passou a ser visto como necessária a criação de uma identidade nacional. “O documento foi recuperado dentro de um espírito de valorização política da monarquia portuguesa no contexto pós-napoleônico, com o mundo reorganizado, a partir de 1815, lançando Portugal e outras pequenas nações a uma posição muito vulnerável e secundária diante de uma ordem internacional da Europa polarizada de um lado pela Inglaterra e, de outro, pela aliança entre França e Espanha”, argumenta Martinez. “A publicação da carta de Caminha tem essa motivação: enfrentar o medo e a incerteza das pequenas nações diante do novo cenário de relações de poder que estava se desenhando na Europa pós-napoleônica”, conclui. Era uma maneira de fincar os pés no cenário internacional, ressaltando a relevância de Portugal na vida política. Missiato ressalta que a obra de Aires de Casal, por exemplo, acabou sendo base de diversos estudos do século 19, já que “marcou o início de uma historiografia brasileiro no período”. “Isto foi relevante em um país que ainda não tinha tradição nessa produção”, comenta. “Por fim, esse documento passou a ser representado dentro de um conjunto de documentos oficiais importantes por conta da tentativa de formar uma origem nacional para o Brasil, de criar uma continuidade, um passado histórico, um sentimento de descoberta”, explica Missiato. “Tudo isso é passado pela monarquia do século 19.” A valorização da descoberta da chegada dos portugueses à América e o estabelecimento da colonização, o registro afetivo e devocional e de lealdade à monarquia que estão contidos no texto da carta de Caminha reforçam essa intenção tão necessária no início do século 19: a de criar uma identidade nacional, um patriotismo em Portugal alimentado pela obra de colonização. Essa valorização no cenário internacional era alimentada por idealizações e simbolismos e, como diz o historiador, “a criação de um um mundo, um imaginário, uma identidade baseada em valores simbólicos, morais e políticos”. Além disso, a mudança da data pode ser vista como um lembrete de que, para a história, nenhum conhecimento deve ser encarado como definitivo. “Na historiografia se diz que o passado não é estático, está sempre em movimento, é sempre reinterpretado. De modo que o passado é sempre uma interpretação feita a partir do presente, e eventualmente podem ser que surjam outros documentos para explicá-lo”, explica Ramirez. VÍDEO: Réplica de navio mostra como eram as embarcações dos portugueses que chegaram ao Brasil
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21/04 - Estudantes brasileiros conquistam vitória inédita no maior torneio de robótica do mundo
Time 'Los Atômicos', de São Paulo, conquistou o título na categoria de 9 a 16 anos, uma das mais importantes do evento, realizado em Houston, nos Estados Unidos. Brasil conquista prêmios inéditos em mundial de robótica Um grupo de estudantes brasileiros conquistou um título inédito no maior torneio de robótica do mundo. Realizado em Houston, nos Estados Unidos, o torneio reuniu mais de 15 mil jovens de mais de 50 países para quatro dias de desafios e criatividade. O time "Los Atômicos", de São Paulo, conquistou o título na categoria de 9 a 16 anos, uma das mais importantes do evento. A tarefa do grupo era encontrar uma solução para um desafio contemporâneo. O resultado foi um projeto focado na inclusão e na acessibilidade infantil: um tabuleiro de xadrez controlado por comandos de voz. O Brasil saiu vitorioso com um total de nove medalhas. O torneio valoriza o esforço de estudantes com idades entre 6 e 19 anos, que, em equipes, devem construir e operar robôs, além de desenvolver projetos de ciência e tecnologia para beneficiar suas comunidades. Neste ano, o Brasil foi representado pela maior delegação até então: 144 competidores de escolas públicas e privadas, provenientes de 10 estados diferentes. LEIA TAMBÉM: Inteligência artificial para formular material das escolas públicas de SP: modernização ou risco de erros? Veja análise de especialistas Rotinas de skincare para adolescentes: como conversar com os filhos sobre os riscos da nova tendência das redes sociais Sem esforço, não há genialidade: a criatividade se treina
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21/04 - Rotinas de skincare para adolescentes: como conversar com os filhos sobre os riscos da nova tendência das redes sociais
Especialistas explicam que hábito pode reduzir a saúde da pele, além de alimentar padrões de beleza que causam adoecimento mental. Orientar os pequenos é a principal aposta para combater os riscos. Reprodução/Freepik Como conversar com os filhos sobre os riscos de skincare para adolescentes. Reprodução/Freepik "Pressão estética nessa idade não é algo aceitável." Foi isso que a skatista e influenciadora Karen Jonz escreveu em uma publicação no Instagram na qual pede para que pais, blogueiras e marcas reflitam sobre o impacto da indústria dos cosméticos em crianças. A publicação acompanha um vídeo que mostra a animação da filha de Karen, Sky, de 8 anos, ao entrar em uma loja de cosmético. A tetracampeã mundial do skate falou ainda sobre como os conteúdos das redes sociais e as embalagens, cores, brilhos e desenhos nos cosméticos chamam a atenção dos pequenos. E fez um alerta: os produtos não são para crianças. A publicação de Karen é um outro lado de uma tendência que tem tomado conta das redes sociais nos últimos meses: a de skincare (rotina de cuidados com a pele por meio de produtos) realizada por crianças e adolescentes. Nos diversos vídeos publicados nas redes sociais, produzidos principalmente dos Estados Unidos, meninas de 14 anos ou menos compartilham rotinas complexas de cuidado com a pele, compostas por tônicos, água micelar, esfoliantes, hidratantes faciais e até ácidos e produtos antienvelhecimento. Segundo Elisete Crocco, coordenadora do setor de cosmiatria da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SDB), esse novo hábito é inspirado nas rotinas de skincare sul-coreanas. Ela e a doutora em psicologia clínica pela PUC-Rio e especialista em doenças da beleza, Joana Novaes, avaliam que essa tendência mostra uma adultização precoce, estimula o consumismo e naturaliza a utilização de produtos impróprios para crianças — produtos estes que podem, inclusive, piorar a saúde da pele. Não existe uma lógica real ou uma justificativa clínica para esse movimento. O que vemos são crianças tendo acesso a produtos que elas muito provavelmente não precisam, usando de forma indiscriminada e sem recomendação ou acompanhamento. É impossível prever os prejuízos à longo prazo, mas teremos que lidar com eles daqui a 20 anos. Rotina de beleza sul-coreana transforma cosméticos do país em febre mundial Tendência é perigosa Apesar de não ser possível prever os prejuízos longínquos dessa nova tendência, Elisete Crocco, da Sociedade Brasileira de Dermatologia, diz que os danos de curto prazo já acontecem cada vez mais frequentemente. "Uma criança que tem a pele normal e começa a usar ácidos que promovem renovação celular acaba alterando a barreira de proteção cutânea, aquela primeira camada de proteção da pele, deixando-a com microfissuras e mais porosa. Com isso, a pele não consegue manter a água para hidratação e acaba ficando ressecada", explica a especialista. Em casos mais drásticos, a falta de orientação adequada e o uso indiscriminado de alguns produtos podem sensibilizar a pele e até causar manchas e queimaduras. Além disso, esse comportamento deixa também danos psicológicos. (Veja mais abaixo.) Com isso em mente, a especialista explica que até o começo da adolescência, apenas beber bastante água para manter a pele hidratada e usar um protetor solar deve ser o suficiente para manter a saúde da pele desde que não haja nenhuma condição dermatológica evidente. Com exceção desses cuidados, qualquer outra rotina de skincare deve ser definida com auxílio de um dermatologista. Elisete diz ainda que, em geral, as primeiras consultas dermatológicas acontecem durante a adolescência, quando o paciente começa a apresentar acne ou mudança na textura da pele. Então, o médico monta uma proposta de tratamento personalizada que leva em conta o tipo e as necessidades da pele. Orientação dos pais Para a psicóloga Cíntia Gouvea, que estuda o impacto das redes sociais na formação da personalidade, os pais devem, sempre que possível, intermediar ou, pelo menos, estar cientes dos conteúdos acessados por menores de 16 anos na internet. Segundo a pesquisadora, além de evitar o consumo de conteúdo impróprio, isso é importante para que os pais saibam quando e como orientar os filhos. "Os pais precisam refletir também se eles são passivos ou ativos em cenários como esse da nova tendência. Tanto estimular esse comportamento quanto fazer vista grossa pode trazer riscos para o filho", alerta a psicóloga. Como educar filhos (e filhas) antimachistas: veja 4 dicas essenciais A especialista em doenças da beleza da PUC, Joana Novaes, avalia que há certa influência do mercado publicitário dos dermocosméticos, que convence os pais de que facilitar o acesso a estes produtos seria cuidar da filha. No entanto, ela diz que é preciso pensar criticamente. Se as crianças veem esses produtos na internet e passam a querê-los, precisamos entender como elas têm acesso a eles. São os pais ou as próprias filhas que compram? Os pais sabem o que as filhas estão comprando e usando? Sabem por que elas querem estes produtos e para que eles servem? Todas essas perguntas devem ser feitas de um lugar de curiosidade genuína, partindo da vontade de ajudar. É a partir das respostas dessas perguntas que os pais podem entender seu papel neste cenário e definir a melhor maneira de orientar os filhos. Essa orientação pode vir tanto dos próprios pais — que podem se informar sobre o assunto, explicar os riscos, descobrir o que está por trás da relação das filhas com estes produtos —, como podem também recorrer à uma dermatologista. "Às vezes, o pai e a mãe não conhecem aquele produto, não sabem para que serve ou como orientar os filhos. Nessas horas, vale sempre procurar um especialista que entende do assunto para explicar de maneira simples do que se trata", explica Elisete Crocco, coordenadora do setor de cosmiatria da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SDB). Mercado da tendência Joana Novaes, especialista em doenças da beleza da PUC, sinaliza que essa tendência é fruto de uma mudança do mercado que impulsionou uma mudança de comportamento. “Antes, as crianças eram vistas como um possível público-alvo futuro. Hoje, elas já movimentam um nicho e já são entendidas como público-alvo atual.” Para a especialista, uma série de coisas alimenta essa tendência, como a apresentação de produtos em embalagens chamativas e infantilizadas e a oferta indiscriminada de conteúdo não especializado nas redes sociais. “Imagine uma criança que usa as redes sociais sem fiscalização dos pais, e que dá de cara com um vídeo de uma jovem de 20 anos testando um produto com uma embalagem fofa, e falando sobre como aquele produto melhorou sua pele. Alguém com 12 anos pode se reconhecer naquilo e achar que precisa usar o produto também." Segundo a especialista, a partir daí, cria-se um comportamento parecido com o que já era observado em outras gerações, mas com o agravante da precocidade. Surge, então, uma geração que consome indiscriminadamente sem considerar seriamente a necessidade daquele produto, baseando-se apenas no desejo de fazer parte daquele movimento, e sem pensar também nos possíveis riscos de aplicar desde tão cedo produtos cosméticos na pele. Outro perigo alertado pela especialista é o da criação de uma falsa imagem pelas crianças da própria aparência, já que boa parte dos conteúdos de beleza disponíveis na internet tendem a reforçar um ideal de beleza que nunca é alcançável e que sempre mudam, criando um ciclo vicioso. Como "desenhar" para os pais o que é a carga mental das mães.) 'É preciso estar disposta a conversar' Karen Jonz, que propôs a reflexão sobre a indústria da beleza e dos cosméticos na rede social, contou ao g1 que fez a publicação porque aquele já era pensamento que carregava consigo como mãe e como internauta. "Só recentemente que comecei a frequentar lojas de maquiagens e cosméticos e lembro de ficar muito confusa, perdida. Aos poucos, fui pesquisando e aprendendo o que priorizar e o que comprar, mas, tendo minha filha comigo naquele ambiente, me liguei de que deveria ser ainda mais confuso para ela", disse. Acho que estamos em um momento comercial de cosméticos diferente, com muita oferta, com muita com muita influência e, ao mesmo tempo, com muita desinformação. E precisamos entender esses fenômenos para conversar e orientar as crianças. Karen diz que já conversou com a filha sobre pressão estética e padrão de beleza, e permite que Sky use maquiagem apenas de forma lúdica, para expressar sua criatividade durante as brincadeiras. Ela pondera que, futuramente, a filha pode ter outra relação com a maquiagem e com sua imagem pessoal. Mas, até lá, se propõe a conversar com Sky para que ela internalize que, independentemente de sua escolha, seja guiada pela própria vontade, e não porque os outros fazem, ou porque os outros esperam que ela faça. A skatista diz que não quer ser regra para outros pais, mas sente que tem cumprido bem seu papel, agindo de maneira que contempla sua relação com a filha. E o segredo não é tão secreto: "o importante é oferecer outras experiências, tirar o foco da internet, e deixar ela ser a criança que ela é". VÍDEOS DE EDUCAÇÃO
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21/04 - Sem esforço, não há genialidade: a criatividade se treina
Os grandes avanços na ciência, na arte e na tecnologia são geralmente atribuídos à genialidade, mas isso ignora todo o trabalho que há por trás. A criatividade, em suma, é uma luta constante na qual é preciso estar muito alerta Divulgação Mozart queixou-se, em uma carta, de ser considerado um prodígio, quando a verdade era que, segundo ele, ninguém no mundo tinha trabalhado mais a técnica musical do que ele. Em outra carta, ele destacou sua predisposição para trabalhar em vez de ficar ocioso e lamentou ter ficado 14 dias sem escrever uma única nota. "Não por preguiça ou descuido, mas porque era impossível para mim." Isso vindo de um dos compositores mais prolíficos e criativos da história da música. Mas então, o que é criatividade? "É criar, criar algo novo", diz o artista Cristóbal Toral, para quem "a criatividade vem de uma vocação". Uma vocação inicial que "é um mistério" e que, no seu caso, foi a pintura. Você precisa de habilidades e de preparação, mas isso não é suficiente, afirma ele em entrevista à DW. "Porque você pode pintar muito bem, mas não contribuir com nada." "A criatividade, em suma, é uma luta constante na qual é preciso estar muito alerta" e "com vontade de inovar e de se renovar", resume. Toral, um dos mais reconhecidos pintores espanhóis em atividade, também viveu "momentos de bloqueio e momentos difíceis". "Mas é claro que isso se resolve pintando, pintando e cometendo erros na tela, e é assim que as coisas surgem... Como disse Picasso, a inspiração deve pegar você trabalhando." "Lembro-me de quando Botero, que era um grande amigo, convidou-me para ir ao seu barco no verão. Um dia eu disse a ele: 'Mas Fernando, você viu o barco maravilhoso que você tem, o desenho dele...? Uma beleza, uma obra de arte!'... E ele riu", lembra, embora o escultor colombiano recentemente falecido tenha concordado com ele. "Quero dizer com isso que a criatividade se expressa não só na arte, mas em uma infinidade de coisas", diz Toral, declarando-se um "apaixonado por design" e citando exemplos que vão de calotas de carros a cafeteiras. A principal pesquisadora da criatividade é a psicóloga americana Teresa Amabile, que não leciona em escola de artes, mas na Harvard Business School, a escola de negócios de maior prestígio do mundo. A sua investigação, que abrange mais de 40 anos de experiências clínicas e observações em setores como as novas tecnologias, centra-se atualmente em como aumentar a criatividade no ambiente de trabalho. Empresas como Pixar ou Apple a convidaram para explicar suas ideias, assim como o Fórum de Davos. Não lhe faltam referências ilustres. Não é brincadeira, é bullying: entenda comportamentos que configuram crime Por que estudar em escola particular no Brasil não é garantia de bom desempenho em exame internacional Por que os japoneses usam palavras de origem portuguesa? Mais de mil invenções e mais de mil tentativas Para ilustrar o surgimento de uma ideia, geralmente usa-se uma lâmpada. Não é por acaso. Foi uma invenção de Thomas Alba Edison, que registrou mais de mil patentes ao longo de sua vida profissional. Quando apresentou a invenção, em 1879, já a pesquisava há mais de um ano e disse ter feito mais de mil tentativas. Perguntaram-lhe se ele não havia desanimado depois de tanto fracasso e ele respondeu que não houve fracasso, que simplesmente aprendeu mil maneiras de como não fazer uma lâmpada. "Grande parte dos freios à criatividade surge das convenções sociais, de preconceitos e estereótipos, aprendizados anteriores, sistemas educacionais repetitivos e mecânicos, tendência ao conformismo, insegurança e medo da rejeição, do fracasso ou do ridículo", enumera o psicólogo Guillermo Ballenato Prieto. "A crítica costuma ser uma grande inimiga da criatividade, é aconselhável reduzi-la nas organizações, bem como limitar ao máximo as sanções quando se comete um erro”, aconselha, em entrevista por e-mail à DW. Thomas Edison, por exemplo, além de possuir outros truques criativos, procurou estimular a criatividade de seus funcionários e impôs em sua oficina uma cota de uma descoberta menor a cada dez dias e uma grande a cada seis meses. É um dos exemplos que Ballenato dá nos cursos para desenvolver a criatividade que oferece na Universidad Carlos III de Madrid. O objetivo de Edison era que todos os seus funcionários aceitassem o desafio. Um de seus alunos mais avançados, Henry Ford, aprendeu com suas técnicas organizacionais e acabou se tornando um dos industriais mais importantes dos Estados Unidos como fundador da empresa automobilística Ford. "Sentir que podemos superar as adversidades nos ajuda a superá-las", afirma Ballenato. Ford expressou isso em outras palavras em uma de suas declarações mais citadas. Amabile diz que, quando começou a abordar a criatividade como objeto de estudo, as pesquisas se concentravam na personalidade do gênio e não no trabalho por trás dele, mas que, na realidade, as pessoas comuns também podem ser criativas, incluindo as crianças. Ballenato segue essa linha. "É possível treinar a mente para desenvolver a criatividade", afirma. "É uma ginástica mental que pode incorporar diversas estratégias. Entre elas destaco o valor de quebrar hábitos, dar voto de confiança ao absurdo, olhar além do aparente, ampliar a perspectiva, investigar e enriquecer a mente com novas informações, manter um registro das ideias..." Assim como Amabile, Ballenato destaca a importância da motivação e da colaboração em equipe. "Com a troca de ideias ocorre uma fecundação cruzada que se nutre de novas informações, perspectivas, relações e associações de ideias", afirma. Também faz diferença a organização do trabalho: "Estruturas mais horizontais e igualitárias tendem a potencializar mais a criatividade do que hierarquias excessivamente verticais", resume. "Paralelamente, é preciso premiar iniciativas, contribuições e ideias", acrescenta. "O bom ambiente de trabalho e a alta motivação são excelentes catalisadores" da criatividade, afirma. Ele também recomenda desconectar-se e o ócio para superar bloqueios. Nesses casos, Cristóbal Toral procura inspiração na natureza e na sua diversidade ilimitada. "Não existem dois verdes iguais nem duas folhas iguais", diz o pintor com admiração. "Criatividade implica inconformismo, abertura à mudança, 'ir além' do convencional. É um estado de consciência e, em última análise, uma atitude perante a vida" conclui Ballenato. Os riscos de crianças consumirem conteúdos gerados por Inteligência Artificial
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21/04 - Inteligência artificial para formular material das escolas públicas de SP: modernização ou risco de erros? Veja análise de especialistas
Secretaria de Educação de São Paulo admite, após documento interno 'vazar', que existe projeto-piloto para usar plataformas digitais na revisão e na atualização de slides exibidos nas aulas. Entenda quais os benefícios e riscos envolvidos na estratégia. Ferramentas de inteligência artificial são avaliadas por governo de SP Michal Jarmoluk/Pixabay A Secretaria de Educação do Estado de São Paulo prevê usar uma plataforma de inteligência artificial (IA) para formular e atualizar os slides mostrados pelos docentes nas aulas do ensino fundamental II e do ensino médio. ➡️Segundo o órgão, é um “projeto-piloto” que não vai elaborar o conteúdo “do zero”: partirá do que já foi escrito por professores curriculistas (especialistas na formulação de materiais) para “inserir novas atividades, exemplos de aplicação prática do conhecimento e informações adicionais que enriqueçam as explicações de conceitos-chave de cada aula”. ❓Até a mais recente atualização desta reportagem, a Secretaria de Educação de São Paulo não havia confirmado qual será o tipo de ferramenta empregada – não sabemos, portanto, se o governo adotará uma plataforma formulada especificamente para o uso educativo ou se escolherá algo mais generalista, semelhante à versão 3.5 do ChatGPT. Nesta sexta-feira (19), o Ministério Público cobrou explicações do governo paulista e um maior detalhamento do projeto. O g1 conversou com docentes da educação básica e do ensino superior, pesquisadores, autores de materiais didáticos e especialistas em tecnologia para debater: quais os riscos de os materiais apresentarem erros ou limitarem a dinâmica das aulas; de que forma os professores serão impactados pela mudança (terão mais trabalho ou economizarão tempo?); que vantagens e desvantagens existem na adoção de IA na preparação dos slides; quais cuidados são essenciais para que não haja prejuízo aos alunos. Não é a primeira vez que o governo de São Paulo apresenta um projeto de uso da tecnologia na educação e gera discussão entre docentes e pesquisadores. Há oito meses, o governador Tarcísio de Freitas havia tentado abrir mão dos livros impressos e substituí-los somente por materiais didáticos digitais nas salas de aula – o plano foi cancelado após sofrer críticas de especialistas. Antes de entender, mais abaixo, as possíveis consequências do uso de IA na formulação dos slides, veja o que já se sabe sobre o projeto do governo paulista: A ferramenta adotada deve formular a primeira versão da “modernização da aula”, com cerca de 18 slides. Tomará como base os temas pré-definidos pela secretaria estadual e as referências passadas pelo órgão. Um profissional contratado analisará esse conteúdo e fará as adaptações pedagógicas e correções necessárias. Um time interno da secretaria fará uma revisão do material e poderá, se necessário, enviá-lo de volta para o profissional da etapa anterior. Os recursos didáticos (como mapas e imagens) serão colocados nas apresentações. As aulas serão validadas. Cada profissional “revisor” terá dois dias úteis para entregar três aulas. 🔴Inovação ou atitude precipitada? Beatriz Alqueres, gerente-executiva no Instituto Ayrton Senna, acredita que usar a ferramenta de inteligência artificial na revisão dos slides será “formalizar algo que já está acontecendo”. “Todos nós já estamos usando o ChatGPT, por exemplo, para agilizar nossos trabalhos ou fazer pesquisas rápidas. A absorção disso é um ‘foguete’; muito orgânica e fácil. Pode parecer [um ponto de vista] romantizado, mas a IA tem um potencial enorme. Se vamos conseguir explorar adequadamente isso, aí já é incerto.” Esta perspectiva de defender a “modernização” também é defendida por Lucas Rodrigues, mestre em data science pela Universidade de Paris e CEO do Clipping, startup de educação especializada em inteligência artificial. “O governo, ao adotar essa medida, traz uma inovação e começa já a se preparar para o futuro que está vindo. E é uma linguagem que os próprios alunos também vão adotar”, diz. Já Paulo Blikstein, professor de tecnologias da aprendizagem na Universidade Columbia (EUA), afirma que não seria o momento de implementar em sala de aula uma tecnologia considerada por ele tão incipiente. “Não temos experimentos suficientes para saber da taxa de acerto dessas ferramentas. É muito temeroso e problemático usá-las na rede pública. É como ter uma técnica nova de cirurgia, que ainda não foi testada, e aplicá-la no SUS [Sistema Único de Saúde]”, diz. “O governo está agindo de forma apressada, trazendo para alunos algo que precisaria ter sido testado amplamente na academia. Só está indo na onda de inovação tecnológica, colocando em risco a educação das crianças e jovens.” Ele sugere que, antes de haver esse projeto em São Paulo, o governo participasse de um consórcio com pesquisadores de universidades estrangeiras, por exemplo, para elaborar testes mais precisos. 🔴Maior eficiência ou sobrecarga de trabalho dos professores? Rodrigues, da área de data science, vê o uso das ferramentas digitais como uma forma de poupar tempo dos 90 professores curriculistas da rede paulista. “Há um ganho de produtividade, porque, como vemos na proposta, [o conteúdo gerado pela IA] ainda vai passar por uma revisão humana. Uma pessoa que antes gastaria uma semana para escrever [ou atualizar] um conteúdo deve poder conseguir revisar em apenas um dia”, diz. “Isso vai universalizar mais o acesso à educação e dar uma escala maior ao aprendizado.” Para Bernardo Soares, pesquisador em formação docente, educação e tecnologia, e autor de livros didáticos, o efeito pode ser exatamente o oposto: sobrecarregará tanto os professores que revisarão os materiais quanto aqueles que aplicarão os slides no dia a dia. “Já é difícil revisar uma aula feita por outro professor; imagina só a feita por um computador. É o docente que sabe alinhar o conteúdo às necessidades do currículo paulista e da base curricular. Ele vai ter bem mais trabalho [para corrigir tudo]”, diz. Blikstein, da Universidade Columbia, concorda que haverá uma sobrecarga dos docentes. “Um material didático necessita de precisão de 100%. A gente sabe que tipos de erro os humanos costumam cometer, mas e os que a inteligência artificial cometem? São falhas mais difíceis de detectar. É obrigatório revisar os dados, as sequências, os detalhes, as informações. No mundo, já estão percebendo que, em muitos casos, essa revisão demora mais do que elaborar o material ‘manualmente’”, afirma o professor. ➡️A dinâmica de aprimoramento das ferramentas de inteligência artificial depende dos próprios usuários. Quanto mais a plataforma for usada, mais ela “aprende”. Veja um exemplo abaixo: O g1 pediu para o ChatGPT formular slides para alunos do 5º ano sobre funções trigonométricas. Em menos de um minuto, havia um esquema com o que deveria ser abordado em cada tela. No entanto, em vez de chamar um dos elementos do triângulo de “cateto”, o sistema usou o termo “lado”: Resposta do ChatGPT usa o termo "lado", em vez de "cateto" (que seria o mais correto). Reprodução Depois de corrigido, o “robozinho” admitiu que não havia escolhido a melhor palavra da primeira vez: ChatGPT é "corrigido" pelo g1. Reprodução A partir de exemplos como esse, Daniel Cara, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), afirma que os professores curriculistas acabarão trabalhando “gratuitamente” para as empresas de tecnologia donas dessas ferramentas. “Treinar uma ferramenta é um trabalho a mais para o docente. Ele já tem conhecimento da BNCC [Base Nacional Comum Curricular] e do currículo, tem experiência em sala de aula. Não vejo como isso possa acrescentar algo positivo.” 🔴Dar mais autonomia para o professor ou ‘engessar’ as aulas? A Secretaria de Educação de São Paulo já fornece atualmente os slides que os professores devem usar nas aulas. É um material que passa atualmente por revisão de humanos e que, mesmo sem a intervenção da inteligência artificial, já é criticado por parte dos professores da rede. “Em geografia, que é a minha disciplina, eu recebo os slides prontos, sem uma sequência didática lógica. Às vezes, são 20 ou 30 que eu preciso passar em 45 minutos de aula. Se não der tempo, não posso voltar a eles na aula seguinte, porque a coordenação e a direção fazem esse controle [do cronograma]”, conta uma docente que preferiu não se identificar. “A direção chega a praticar assédio moral se o professor não usar todo o material.” O g1 questionou a Secretaria de Educação de SP sobre essa denúncia, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. Beatriz Alqueres, do Instituto Ayrton Senna, diz que o uso das ferramentas digitais precisa ser associado a uma reflexão sobre as práticas escolares. “Até o uso do livro didático, que já está impresso, pode ‘engessar’ a aula. O ‘pulo do gato’ é pensar na relação dos professores com o material adotado. Como podemos associar tudo para fortalecer a aprendizagem dos alunos?”, questiona. 🔴Ter novas ideias ou correr o risco de errar mais? Alqueires diz que, com a plataforma digital, “os professores vão poder ter apoio para pensar em formas de interdisciplinaridade”. “A ferramenta ajuda a integrar mais os conteúdos de diferentes áreas, sem exigir que o professor domine todos os assuntos. O docente de matemática pode ter sugestões de como associar sua disciplina aos assuntos de física e história”, afirma. “É mais rápido usar a ferramenta de IA do que fazer o professor se apropriar de todos esses conhecimentos.” O pesquisador Soares preocupa-se com a limitação das plataformas digitais em produzir conteúdos – não só no sentido de poder apresentar erros conceituais ou ultrapassados, mas também de restringir a perspectiva do aluno sobre determinado fato histórico. “Li outro dia, nas redes sociais, que usar a IA vai ser o fim da doutrinação política nas escolas. Mas a questão é que, dependendo do modo como a pessoa vai dar o comando para a plataforma, o resultado pode ser ainda mais enviesado. O ChatGPT, por exemplo, vai usar os termos do comando digitado para pesquisar a resposta na rede. Ou seja, vai chegar a resultados que confirmem uma visão específica de algo.” Rodrigues também enfatiza que há esse risco. “Se for usada uma palavra preconceituosa, os resultados podem refletir a mesma ideia. Claro que se diminui o risco com a revisão humana, mas talvez não completamente, porque a informação é replicada [pelo ‘robô’] de forma cada vez mais sutil.” Como o governo não divulgou a ferramenta que usará no projeto, não é possível ainda mensurar os riscos de gerar erros nos materiais. “Espero que não seja algo tão limitado. Já tentei usar o ChatGPT, por exemplo, para dar aula de redação. Pedi sugestões de livros sobre um tema, mas vários que ele me passou sequer existiam”, conta o professor Soares. Quais medidas são essenciais para minimizar riscos no uso de IA? ChatGPT não tem a informação atualizada sobre a presidência do Brasil (busca feita em 19 de abril de 2024). Reprodução A seguir, veja um resumo dos cuidados necessários no uso da IA na formulação do material didático, segundo os especialistas entrevistados pelo g1. Atenção às informações desatualizadas. O ChatGPT 3.5 (versão gratuita), por exemplo, usa uma base de dados ultrapassada e não consegue dizer quem é o presidente atual do Brasil. A checagem de tudo é absolutamente essencial. As ferramentas geram textos que, por serem escritos corretamente, passam a ilusão de sempre estarem corretos. Se o professor não prestar atenção, pode haver erros graves. Os direitos autorais devem ser respeitados. É comum que essas plataformas não citem a fonte original da informação. O profissional que fará a pergunta ou dará o comando para a ferramenta precisará de um treinamento específico. A orientação não deverá ser só pedagógica, mas também técnica. Que termos usar para gerar os resultados esperados? A inteligência artificial não conhece o aluno. Ela produzirá apenas conteúdos objetivos. Cabe à rede direcionar quais são as demandas específicas de cada turma ou escola. Deve haver investimento em tecnologia. Relatos colhidos pelo g1 apontam que, em algumas escolas estaduais, equipamentos como TV e projetor estão quebrados. O professor acaba improvisando uma aula na lousa normal. Por que a Suécia desistiu da educação 100% digital? Vídeos
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19/04 - Governo propõe reajuste maior em 2025 para tentar encerrar greve nas universidades federais e institutos
Nova rodada de negociações termina com Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos reafirmando que não há margem no orçamento para reajuste ainda em 2024. Registros da 4a. Reunião da Mesa Específica e Temporária com o MGI, com representação da entidades dos Técnico-Administrativos da Educação, FASUBRA e SINASEFE. Divulgação/FASUBRA Na tentativa de pôr fim à greve que atinge mais de 50 universidades e 79 institutos federais no país, o governo federal apresentou nesta sexta-feira (19) uma nova proposta com um reajuste maior para professores e técnicos administrativos. De acordo com o secretário de Relações de Trabalho José Lopez Feijóo, o ministério se compromete com a concessão de 9% de aumento em janeiro de 2025 e mais 3,5% em maio de 2026. Na primeira oferta do governo, o reajuste seria de 9% de aumento, sendo 4,5% em 2025 e 4,5% em 2026. Para este ano, não havia previsão de aumento. A nova proposta prevê 9% em janeiro de 2025 e mais 3,5% em maio de 2026, totalizando 12,5%. Não há também previsão de aumento para 2024. "Em relação à proposta que apresentamos na reunião anterior, praticamente dobramos a proposta, inclusive do ponto de vista de impacto orçamentário", afirma o secretário. Na visão de Feijó, a proposta para os docentes foi bem recebida, não houve acordo para o fim da greve, mas o governo entende que a negociação evoluiu positivamente. Para os docentes, a reestruturação de carreira foi um assunto com menos força do que a mesa dos técnicos em educação, no caso dos docentes são demandas para alterar algumas portarias. "Nós atendemos a um pleito muito antigo da categoria, que é a luta pela reestruturação da carreira. Nesta reivindicação, eles tinham 12 pontos, dos quais nove nós atendemos. O que significa um ganho efetivo salarial e uma rapidez na ascensão na carreira. Servidores e servidoras que antes para chegar ao topo da carreira precisariam de 22 anos e meio, agora poderão chegar ao topo em 18 anos, uma redução de quatro anos e meio, o que significa um importante ganho de remuneração", afirma Feijóo. A Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-administrativos em Educação das Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (FASUBRA) e Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (SINASEFE) disseram que a proposta apresentada pelo governo é insuficiente e a greve continua. Sem espaço fiscal em 2024 O secretário-executivo-adjunto do Ministério da Educação (MEC), Gregório Grisa, argumentou não haver espaço fiscal neste ano para reajuste salarial, apenas para os auxílios alimentação, saúde e creche. Para compensar, o governo, em outro aceno aos grevistas, decidiu contemplar aposentados e pensionistas no reajuste desses benefícios, o que não estava previsto inicialmente. O texto que o governo colocou na mesa reajusta já a partir de maio deste ano: o auxílio alimentação de R$ 658 para R$ 1 mil a assistência à saúde complementar per capita média (auxílio saúde) de R$ 144 para R$ 215 a assistência pré-escolar (auxílio creche) de R$ 321 para R$ 484,90 Histórico da greve O movimento de paralisação começou em março, mas ganhou fôlego nesta semana, quando as tentativas de negociação com o governo federal para reajustar salários e aumentar o orçamento da educação não trouxeram os resultados esperados pelos grevistas. Os níveis de adesão ao movimento grevista são diferentes em cada instituição de ensino — nem sempre todos os setores das universidades e dos institutos estão paralisados. Em algumas universidades, parte dos professores não aderiu à greve; em outras, só os técnicos interromperam as atividades. 🔴 Demandas dos grevistas Além da recomposição salarial, professores e servidores das instituições reivindicam: reestruturação das carreiras; revogação de normas relacionadas à educação que foram aprovadas nos governos Temer (2016-2018) e Bolsonaro (2019-2022), como o novo ensino médio; reforço no orçamento das instituições de ensino e reajuste imediato de auxílios estudantis. 🔴 Impacto para os estudantes Professores do IFPI deflagram greve Eric Souza/g1 Milhares de estudantes já avaliam quais serão os impactos da paralisação. Mesmo compreendendo as reivindicações dos funcionários, estudantes entrevistados pelo g1 relatam, em resumo, as seguintes preocupações: perda de conteúdo pedagógico, especialmente entre quem cursa o ensino médio nos institutos federais e já carrega defasagens do período da pandemia; "calendário corrido" depois do fim da greve, com reposição de aulas nas férias e excesso de matéria ensinada em um período curto após a normalização; incerteza sobre a data da formatura, incluindo o risco de atrasar a inserção no mercado de trabalho formal; demora maior em receber o diploma e possibilidade de ficar de fora dos processos seletivos para universidades no ano que vem, como Sisu e Prouni (caso de quem está cursando no ensino médio nos institutos federais); ansiedade com gastos extras e problemas na alimentação, já que restaurantes/bandejões universitários, que oferecem pratos a menos de R$ 1, estão fechados em alguns locais; prejuízo em projetos de pesquisa, porque há instituições que limitaram o funcionamento das bibliotecas ou interromperam as mentorias dos Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC); atraso na concessão de novos auxílios estudantis, devido à paralisação do setor administrativo; risco de evasão dos alunos mais vulneráveis, caso a greve se estenda por muitos meses. 🔴 Quando aconteceram as últimas greves nas federais? Segundo o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), o histórico de greves em universidades e institutos federais nos últimos 20 anos foi o seguinte: 2005: 112 dias de paralisação pelo reajuste de salários (40 universidades aderiram); 2008: 112 dias de paralisação pela reivindicação de verba para o orçamento (39 universidades aderiram); 2012: 125 dias de paralisação pelo reajuste de salários e de planos de carreira (60 universidades aderiram); 2015: 139 dias de paralisação pelo reajuste de salários (39 universidades aderiram); 2016: 26 dias de paralisação para impedir a aprovação da emenda constitucional 95 (44 universidades aderiram). Educação em greve: 48 universidades e 71 institutos federais aderiram à paralisação
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19/04 - Sem paralisar aulas, professores da UFRJ protestam por melhores condições de trabalho
Docentes apoiam reivindicações, mas tentam diálogo para evitar a greve que atinge mais de 50 universidades federais. O grupo se reuniu na entrada do prédio do Ministério da Fazenda, no Centro do Rio, nesta sexta-feira (19). Com o lema “Eu amo a UFRJ”, o ato cobra por reajuste de salários e investimento em bolsas de pesquisas. Professores da UFRJ protestam por melhores condições de trabalho para evitar greve na instituição Reprodução Professores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) realizaram um protesto nesta sexta-feira (19), em frente ao prédio do Ministério da Fazenda, no Centro do Rio de Janeiro. No local, os docentes se manifestaram por melhores condições de trabalho, como reajustes salariais e maior investimento em bolsas de pesquisa na instituição federal. Na última quinta-feira (18), 52 universidades e de 79 institutos federais entraram em greve. Além dessas instituições, 14 campus do Colégio Pedro II também anunciaram adesão ao movimento grevista. Greve nas universidades e institutos federais deixa alunos sob a incerteza de impactos na rotina e nos planos Com o lema “Eu amo a UFRJ”, os professores esperam que a mobilização do grupo possa sensibilizar os gestores da educação no país. Eles acreditam que uma resposta positiva do Governo Federal possa evitar a paralisação das atividades na UFRJ. "Vivemos uma redução contínua do orçamento e o resultado é visível nos corredores, salas, laboratórios, bibliotecas e museus da UFRJ. Mesmo assim seguimos produzindo conhecimento, gerando inovações e servindo com excelência à sociedade brasileira. Queremos condições dignas para seguir nessa trajetória", cobrou Mayra Goulart, presidente da Adufrj, a Associação de Docentes da UFRJ. Servidores da educação de mais de 40 universidades e institutos federais estão em greve A manifestação contou com a participação de cientistas, pesquisadores, estudantes e até do reitor da universidade Roberto Medronho, que estendeu as cobranças também ao Ministério da Educação. "A missão da UFRJ é produzir conhecimento, mas sobretudo conhecimento que seja fundamental para a vida de quem mais precisa, das comunidades carentes nas regiões metropolitanas e nos rincões do nosso país. E não existe produção de conhecimento sem investimento". "Nossa luta aqui não é apenas por mais repasses. Isto é o mais urgente, para a universidade não parar. Mas nossa luta é por mais investimentos também na educação do nosso país", comentou Medronho. Para Tatiana Roque, professora do Instituto de Matemática, sem os repasses do governo, os alunos mais humildes serão os mais afetados. "Com a redução dos repasses a gente não vai conseguir manter estes alunos. A gente precisa de assistência estudantil, de bandejão, de alojamento, sob o risco de perder estes alunos. Não podemos permitir este retrocesso. Educação não é gasto. É investimento", disse Tatiana Roque.
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19/04 - Dia dos Povos Indígenas: valorizar professores é desafio para educação bilíngue e intercultural nas aldeias
Apesar de ser um direito garantido na Constituição Federal, a educação escolar indígena sofre com a formação docente e a falta de estrutura adequada. Crianças na Escola Indígena Sakruiwe, localizada em território Xerente Márcio Vieira/Governo do Tocantins Embora o direito dos povos indígenas à educação escolar seja garantido pela Constituição Federal de 1988, ainda hoje existe uma diversidade de desafios para assegurá-lo na prática, afirmam especialistas nesta sexta-feira (19), quando é celebrado o Dia dos Povos Indígenas. Um dos problemas que preocupam é a falta de valorização de professores indígenas. 👉🏾 De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996, a educação escolar indígena deve ser bilíngue e intercultural para que haja a recuperação e a valorização da memória histórica dos povos indígenas, de suas línguas e ciências, e a reafirmação das identidades étnicas, além do acesso a informações e conhecimentos não indígenas. Os povos indígenas são, de maneira geral, educadores dentro de sua comunidade. Mas, quando olhamos para o aspecto da educação escolar, existe um abismo nas políticas públicas que os deixa à margem do cenário educacional do país. O que é a educação escolar indígena A educação escolar indígena nada mais é do que a institucionalização dos saberes sociais e coletivos dos povos originários somada a uma versão adaptada da educação formal não indígena. “Não se trata de tentar eurocentrizar a educação de estudantes indígenas, levando-os para as escolas, mas de incluí-los e compartilhar com eles saberes da sociedade não indígena, ainda respeitando a individualidade de cada povo e garantindo a sobrevivência de seu modo de vida”, explica Helenice Ricardo. Para Gersem Baniwa, doutor em antropologia pela Universidade de Brasília (UnB) e membro do povo Baniwa, do Amazonas, garantir a educação escolar indígena nos moldes previstos na Constituição e na LDB é fundamental para dar aos povos indígenas protagonismo em suas formações. Existem escolas em territórios indígenas desde o século 16. O que precisamos é que essas escolas tenham professores indígenas, gestores indígenas, que consigam formar e liderar os estudantes indígenas. Segundo o especialista, que dá aulas no Departamento de Antrolpologia da UnB, permitir aos jovens indígenas a oportunidade de serem educados em suas línguas maternas, por professores integrantes de povos indígenas — enquanto aprendem sobre temas da realidade indígena, mas também sobre assuntos externos a eles — pode ajudá-los a compreender diferentes realidades a partir das próprias. Escola indígena em Rondônia Governo de Rondônia/Divulgação Formação de professores indígenas Um ponto importante para a garantia da aplicação da educação escolar indígena é a formação de professores indígenas com licenciatura, pedagogia ou magistério, capacitados para ensinar estudantes de educação básica. Hoje, já existem licenciaturas interculturais que passsaram a ser ofertadas graças à pressão de movimentos dos povos originários. Esses movimentos acompanharam o aumento da escolarização indígena no século 20 e exigiram o direito a uma educação especializada, ministrada por seus pares. 📚 A ideia desses cursos é que os estudantes indígenas concluam o ensino médio em suas próprias comunidades e tenham a oportunidade de virarem professores licenciados para ensinar as próximas turmas de jovens indígenas. Cursos como esses são financiados por um fundo específico do Ministério da Educação, o Programa de Apoio à Formação Superior e Licenciaturas Indígenas (Prolind). Segundo o MEC, em 2023, o repasse de verbas para o programa foi de R$ 8,6 milhões. Uma das licenciaturas que integran o Prolind é dada pelo Departamento de Educação Escolar Indígena da UFAM, que é ofertada desde 2008 e já formou 370 professores indígenas, segundo Helenice Ricardo. Começamos com uma demanda do Povo Mura e depois atendemos mais sete turmas. Passamos pelos Sateré-Mawé, Munduruku e, a partir de 2011, começamos a atender territórios etnoeducacionais com múltiplos povos. Em 2024, pela primeira vez, uma turma de licenciatura intercultural está se especializando diretamente da sede da UFAM, em Manaus. Antes, as formações aconteciam em pólos da universidade, no interior do estado. "Essa é uma conquista importante não só para os indígenas em formação, que estão ocupando um espaço que lhes pertence, mas também para os demais estudantes não indígenas, que vão aprender de maneira prática que quanto mais múltiplo e diverso é o ambiente universitário, mais saudável ele é", avalia Helenice. 📆 Na UFAM, a licenciatura para professores indígenas dura 4 anos e meio e começa com uma formação geral básica. No terceiro ano do curso, a turma é dividida em três áreas (linguagens, ciências da natureza e ciências humanas e sociais), e volta a ser unificada no final da formação. Segundo Helenice, que integra o departamento responsável pelo curso, essa estrutura está longe do ideal de uma formação bem direcionada, mas explica que, muitas das vezes, um daqueles professores pode ser o único a lecionar o ensino médio em sua aldeia, então, precisa saber um pouco sobre cada área. Vácuos da educação indígena E é isso mesmo que acontece. De acordo com levantamento da ONG Todos Pela Educação obtido com exclusividade pelo g1, em 2023, cada escola indígena de educação infantil tinha menos de dois professores. O levantamento revela que houve aumento no número de escolas, mas queda na média de professores por instituição em comparação a 2021. 2021: 2.035 escolas indígenas de educação infantil, e 4.301 professores atuando nessas instituições. 2023: 2.257 escolas, e 3.869 professores atuantes. Essas mesmas escolas também sofriam com falta de fornecimento de energia elétrica e de material pedagógico infantil e indígena, além de problemas estruturais em 2023. Imagina sair de sua comunidade, de sua região, para estudar e se especializar, e voltar para trabalhar em um local despreparado, impróprio para suprir as necessidades. São meses fora de casa para estudar, recebendo nenhum ou quase nenhum auxílio financeiro, apenas para testemunhar o descaso das redes de ensino. Outros problemas enfrentados pelos professores indígenas são a desvalorização salarial e profissional, e o cenário de incerteza no trabalho, segundo o antropólogo. "Muitos professores que trabalham em escolas indígenas rurais têm contratos temporários, não tem vínculo empregatício com as redes de ensino e acabam trabalhando por baixos salários, correndo o risco de serem demitidos na primeira oportunidade", explica. Segundo o especialista, diante deste cenário, muitos profissionais formados optam por não trabalhar como professores ou escolhem fazer concursos em zonas urbanas em busca de estabilidade profissional. ‘Temos que decolonizar a educação' Gersem Baniwa acredita que garantir a valorização dos professores indígenas é um passo importante para que a educação escolar indígena aconteça da maneira descrita em lei. E ele defende que nem só os povos originários se beneficiariam disso. "Quem foi educado nos moldes da educação tradional tem dificuldade de entender que educação não é uma experiência única, composta dos mesmos elementos. Mas é algo fluido que muda e precisa mudar a partir da realidade de cada um. E isso que é a educação indígena, uma forma de educar adequada aos povos indígenas, mas tão válida e correta quando o ensino formal das cidades", diz. Helenice Ricardo concorda que a partir do exemplo da educação indígena, as escolas brasileiras não indígenas podem aprender muito. Podemos aproveitar essa experiência para criar novas epistemologias e metodologias para nossa educação como um todo, aceitando e permitindo as influências do povo brasileiro, dos afrodescendentes e dos indígenas, oferecendo, assim, uma educação decolonial, diferente do que fazemos há séculos. Para ela, essa é a única forma de expandir a educação de uma maneira inclusiva e mais parecida com a diversidade brasileira. VÍDEOS E PODCAST DE EDUCAÇÃO
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18/04 - Greve nas universidades e institutos federais deixa alunos sob a incerteza de impactos na rotina e nos planos
No ensino médio, alunos temem atraso no diploma e defasagem de conteúdos cobrados no Enem. Já no ensino superior, interrupção de serviços de assistência estudantil pode prejudicar especialmente os mais pobres, afirmam entrevistados. Servidores da educação de mais de 40 universidades e institutos federais estão em greve Milhares de alunos de 51 universidades e de 79 institutos federais já avaliam quais serão os impactos da greve de professores e técnicos deflagrada nestas instituições. Mesmo compreendendo as reivindicações dos funcionários (entenda mais abaixo), estudantes entrevistados pelo g1 relatam, em resumo, as seguintes preocupações: perda de conteúdo pedagógico, especialmente entre quem cursa o ensino médio nos institutos federais e já carrega defasagens do período da pandemia; "calendário corrido" depois do fim da greve, com reposição de aulas nas férias e excesso de matéria ensinada em um período curto após a normalização; incerteza sobre a data da formatura, incluindo o risco de atrasar a inserção no mercado de trabalho formal; demora maior em receber o diploma e possibilidade de ficar de fora dos processos seletivos para universidades no ano que vem, como Sisu e Prouni (caso de quem está cursando no ensino médio nos institutos federais); ansiedade com gastos extras e problemas na alimentação, já que restaurantes/bandejões universitários, que oferecem pratos a menos de R$ 1, estão fechados em alguns locais; prejuízo em projetos de pesquisa, porque há instituições que limitaram o funcionamento das bibliotecas ou interromperam as mentorias dos Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC); atraso na concessão de novos auxílios estudantis, devido à paralisação do setor administrativo; risco de evasão dos alunos mais vulneráveis, caso a greve se estenda por muitos meses. Os níveis de adesão ao movimento grevista são diferentes em cada instituição de ensino — nem sempre todos os setores das universidades e dos institutos estão paralisados. Em algumas universidades, parte dos professores não aderiu à greve; em outras, só os técnicos interromperam as atividades. Na Universidade Federal Fluminense (UFF), por exemplo, todos os docentes estão trabalhando, mas o restaurante universitário ficou fechado por três semanas (agora, abre apenas no jantar, de 3ª a 5ª feira). Luísa Cattabriga, aluna da instituição, diz que não tem mais dinheiro para pagar pelas refeições. "Sou aluna pobre e estava contando com R$ 0,70 cobrados no restaurante da faculdade. Agora, estou tendo de gastar o que não tenho para poder me alimentar, sendo que fico o dia inteiro tendo aula, das 9h às 22h. Tem gente que nem está conseguindo comer. Sou a favor da greve, mas falta empatia com a situação dos estudantes", afirma. A presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Manuella Mirella, preocupa-se exatamente com os alunos mais vulneráveis. "Quanto mais o governo demorar para apresentar uma proposta para atender demandas, maior vai ser o risco de evasão dos estudantes, porque fica difícil de se manterem. A gente defende uma reforma completa e entende as reivindicações, mas a universidade precisa voltar a funcionar." Mais abaixo, nesta reportagem, leia depoimentos de alunos afetados pela greve. 🔴O que querem os grevistas? O movimento de paralisação começou em março, mas ganhou fôlego nesta semana, quando as tentativas de negociação com o governo federal para reajustar salários e aumentar o orçamento da educação não trouxeram os resultados esperados pelos grevistas. "Se eu chegasse para vocês e dissesse que a greve não traz prejuízos, seria cinismo da minha parte. Mas estamos tentando ao máximo dialogar com o governo para resolver isso o mais rápido possível. E as reitorias devem congelar o calendário para cumprir depois o número obrigatório de dias letivos", afirma David Lobão, coordenador geral da Sinasefe (sindicato nacional dos servidores federais da educação). "Não é a greve que causa o maior prejuízo, e sim a falta de investimentos. Precisamos da recomposição orçamentária [na educação]. Antes, os filhos dos trabalhadores chegavam [aos institutos federais] e eram aprovados nas melhores universidades depois. Era um nível de excelência que se perdeu nos últimos anos", diz Lobão. Durante o governo Bolsonaro, as universidades e institutos federais enfrentaram sucessivos cortes e congelamentos orçamentários. Em novembro de 2022, por exemplo, essas instituições sofreram um bloqueio de R$ 366 milhões. Segundo Lobão, os grevistas esperam que o governo Lula esteja mais aberto ao diálogo com os trabalhadores. "Não votamos nele para agora ficarmos parados em casa. Os avanços até agora foram tímidos; queremos disputar o que é 'disputável' no orçamento", afirma. ➡️O Ministério da Educação (MEC) afirma que "está atento às demandas e segue em diálogo franco e respeitoso em busca de acordo". "Equipes da pasta trabalham com o governo para apresentar proposta de reestruturação da carreira de técnicos e construir alternativas de valorização dos quadros de servidores públicos das instituições, participando de todas as rodadas nas mesas de negociação", diz o MEC. Uma reunião nesta sexta-feira (19) discutirá as possíveis soluções. 🔴'Posso perder uma vaga de emprego se o calendário acadêmico for alterado', diz jovem Alunos ouvidos pelo g1 se dividem entre reconhecer a necessidade de valorizar professores e funcionários e o desejo de concluir a graduação sem prejuízos. Fernando Bisi, de 22 anos, por exemplo, estuda publicidade e propaganda na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e conta que não é contrário à greve, mas fica preocupado com "as incertezas". "Se for uma greve de uma semana, duas ou três, eu não vejo com um problema. O problema é se ela se estender por meses, [porque] eu teria de adiar minha formatura", diz. "Eu me inscrevi em um processo seletivo de uma vaga de empresa em que preciso estar formado até o meio do ano. Posso perder [a oportunidade] se o calendário acadêmico for alterado." Yasmin Santos, de 18 anos, aluna do 4º ano do ensino médio no Instituto Federal da Paraíba (IFPB), também se preocupa com o atraso do cronograma. "É um terror psicológico ficar em casa sem saber quando vamos voltar. Estamos perdendo conteúdos e, se as aulas forem repostas só no ano que vem, não vamos ter o diploma nem poder entrar na faculdade. Vai ter sido um ano inteiro estudando para o Enem jogado no lixo", conta. Professores do IFPI deflagram greve e UFPI ainda define data; Eric Souza/g1 🔴'Depois, vai ser aquela pressa para passar os conteúdos', teme estudante Rayanderson Silva, de 18 anos, estuda design de moda na Universidade Federal do Ceará (UFCE) e diz que está com receio do ritmo que as aulas terão após a greve. "Sei que os professores veem a greve como algo necessário para chamar a atenção do governo, mas, querendo ou não, isso causa malefícios no aprendizado dos alunos. Já que não estamos tendo conteúdos, nem aulas e nem nada, tudo vai ficar para depois da greve, e vai ser muito corrido, tudo em cima da hora", conta. Ele mora em Horizonte, a 55 km do campus de Fortaleza, onde estuda. "Minha rotina era acordar às 3h30 manhã, pegar o ônibus às 5h e voltar pra casa às 21h. Meu maior receio é quando voltarem as aulas, porque vai juntar essa rotina cansativa com a pressa dos professores em aplicar conteúdos e passar seminários", relata. Anabelle de Amorim, estudante do curso de história da Universidade Federal de Brasília (UnB), também faz a mesma ponderação: ressalta que os incômodos são um efeito colateral de uma reivindicação justa dos profissionais, mas se incomoda com o impacto no acúmulo de atividades. "A greve acaba bagunçando bastante a nossa vida. O calendário acadêmico tinha finalmente sido normalizado depois dos atrasos devido à pandemia e a universidade estava voltando ao ritmo normal. Agora vamos voltar a ter um calendário mais corrido, o que atrapalha bastante nossos estudos e outras atividades, como a pesquisa e a extensão", comenta Anabelle. Antônio Guimarães, estudante de engenharia de produção da mesma universidade, diz que os diferentes níveis de adesão à greve também atrapalham a organização do cronograma. "A greve vem me afetando principalmente do ponto de vista de rotina, porque alguns professores mantiveram as aulas e outros suspenderam. Quando forem repor as aulas terei de ir novamente apenas para algumas matérias, tendo um gasto maior com transporte", conta. 🔴'Não consigo usar a biblioteca', afirma estudante de instituto federal Álvaro Dantas, de 18 anos, está no 4º ano do ensino médio do IFPB e precisa entregar o TCC. A biblioteca, no entanto, está funcionando apenas para a devolução de livros, e não para empréstimos, segundo ele. "Não consigo acessar os arquivos e estou sem a mentoria do TCC. Ficamos de mãos atadas. Precisamos dos professores e de aulas de qualidade. Alguns ainda conseguem pagar um cursinho por fora para ter o conteúdo, mas e os mais pobres, que precisam exclusivamente do ensino público? Vão ficar prejudicados no Enem?", questiona. 🔴Quando aconteceram as últimas greves nas federais? Segundo o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), o histórico de greves em universidades e institutos federais nos últimos 20 anos foi o seguinte: 2005: 112 dias de paralisação pelo reajuste de salários (40 universidades aderiram); 2008: 112 dias de paralisação pela reivindicação de verba para o orçamento (39 universidades aderiram); 2012: 125 dias de paralisação pelo reajuste de salários e de planos de carreira (60 universidades aderiram); 2015: 139 dias de paralisação pelo reajuste de salários (39 universidades aderiram); 2016: 26 dias de paralisação para impedir a aprovação da emenda constitucional 95 (44 universidades aderiram). 🔴Entre os grevistas, há divergências nos percentuais de reajuste Professores e servidores das instituições reivindicam: reestruturação das carreiras; recomposição salarial; revogação de normas relacionadas à educação que foram aprovadas nos governos Temer (2016-2018) e Bolsonaro (2019-2022), como o novo ensino médio; reforço no orçamento das instituições de ensino e reajuste imediato de auxílios estudantis. Os percentuais de reajuste estão em debate. Na UNB, os professores pedem recomposição salarial com reajuste de 22,71%, divididos em três parcelas: 2024: 7,06% 2025: 7,06% 2026: 7,06% O governo federal, por meio do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), propôs um reajuste de 9% dividido em duas parcelas: 2024: sem reajuste 2025: 4,5% 2026: 4,5% O governo também apresentou uma proposta de reajuste dos auxílios alimentação, saúde e creche que não contempla aposentados e pensionistas. O texto que o governo colocou na mesa reajusta já a partir de maio deste ano: o auxílio alimentação de R$ 658 para R$ 1 mil (alta de 51,9%) a assistência à saúde complementar per capita média (auxílio saúde) de R$ 144 para R$ 215 a assistência pré-escolar (auxílio creche) de R$ 321 para R$ 484,90 Ministério da Gestão anunciará proposta Em nota, o Ministério da Gestão informou que apresentará, na sexta-feira (19), uma "proposta convergente" com o relatório do grupo de trabalho formado por representantes dos Ministérios da Educação e da Gestão, das universidades e instituições de ensino, além de entidades sindicais representantes dos servidores do Plano de Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em Educação (PCCTAE). "A reestruturação de carreiras na área de Educação é um compromisso prioritário do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos. (...) O Ministério da Gestão segue aberto ao diálogo com os servidores da área de educação e de todas as outras áreas", informou o ministério. Educação em greve: 48 universidades e 71 institutos federais aderiram à paralisação
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17/04 - Ferramenta de inteligência artificial do governo paulista já corrigiu mais de 400 mil redações desde dezembro
Dados obtidos via Lei de Acesso à Informação mostram ainda que a Secretaria Estadual da Educação prevê gastar R$ 900 mil por mês pela ferramenta de 'assistente de correção virtual' da plataforma Redação Paulista. Inteligência artificial está sendo testada para produzir material didático Implementada em 30 de novembro de 2023, uma ferramenta de assistência virtual de correção de redações criada pela Secretaria Estadual da Educação de São Paulo (Seduc-SP) já corrigiu, até 25 de março, 405.410 redações escritas por estudantes da rede e inseridas na plataforma Redação Paulista. Pelo menos 23.375 professores em 4.210 escolas estaduais usaram a ferramenta no mínimo uma vez. Os dados foram obtidos pelo SP2 via Lei de Acesso à Informação (LAI), e mostram que o governo prevê gastar uma média de R$ 900 mil por mês pelo uso do "assistente de correção virtual", ou cerca de R$ 10 mil em todo o ano de 2024. Em dezembro de 2023, primeiro mês de operação da ferramenta, foram gastos R$ 350 mil. LEIA MAIS: Governo de SP avalia utilizar inteligência artificial para 'aprimorar' conteúdo digital nas escolas estaduais IA da Seduc corrige, professor revisa A ferramenta funciona na plataforma Redação Paulista, que já existia antes da adoção de inteligência artificial. Segundo dados da própria secretaria, "mais de 2,4 milhões de estudantes submeteram 3,5 milhões de redações" apenas no segundo semestre de 2023. Com a assistente virtual, a pasta afirmou, em dezembro, que a ideia é agilizar e facilitar essas revisões. A Seduc-SP informou, via LAI, que a "correção é apresentada apenas para o professor, que pode editar os comentários e a nota apresentada". A TV Globo procurou a Seduc para saber se a revisão é obrigatória para todas as redações. Por meio da assessoria de imprensa, a secretaria atualizou os números informados via Lei de Acesso à Informação e disse que "com o encerramento do 1º bimestre, 1,9 milhão redações foram corrigidas com o apoio do assistente". A pasta disse ainda que "realizou formações virtuais e presenciais com os professores" e que a plataforma Redação Paulista realiza automaticamente uma correção ortográfica e gramatical do texto de cada estudante antes que ele seja enviado, "que servem para alertar o aluno a forma correta da escrita". "Para fazer as mudanças necessárias no texto, o estudante precisa reescrever a palavra e, só aí, fica liberada a função de envio do texto para o professor. Quando o docente recebe o texto, a plataforma aponta automaticamente se foram seguidos os critérios avaliativos obrigatórios, como coerência, argumentação e adesão ao tema. Cada um desses tópicos deve ser validado pelo professor, a quem cabe, após o uso do recurso, a avaliação final quanto a intepretação textual e a correta adesão ao tema da redação, até atingir a completa correção e nota", explicou a Seduc. Professora de 'redações nota mil' ainda não adotou IA Sharlene Leite, professora que se especializou em aulas de redação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), afirmou ao SP2 que está estudando como usar tecnologias como a inteligência artificial no processo pedagógico de corrigir e avaliar os textos de seus alunos, mas ainda não adotou nenhuma delas. "Não nós estamos usando a inteligência artificial, embora já estejamos estudando todos esses processos", afirmou ela, que atualmente é diretora de Redação do Grupo Fleming Educação, um curso pré-vestibular com unidades em Brasília, Curitiba, Santa Catarina e Porto Alegre. Atualmente, ela coordena uma equipe de 100 professores que corrigem uma média de 4 mil redações por semana. E já deu aulas para cinco estudantes que obtiveram a nota mil na redação do Enem. De professora de redação a candidata do Enem: após ter duas alunas com nota mil na redação do Enem, Sharlene Leite, de Brasília, decidiu fazer a prova para se colocar no lugar de seus alunos Arquivo pessoal/Sharlene Leite Os motivos para essas revisões ainda serem feitas manualmente envolvem o próprio estado atual da tecnologia, que ainda não atingiram um grau de autonomia suficiente para economizar o tempo dos corretores, mas garantir o aprimoramento específico dos estudantes nessa habilidade. "A inteligência artificial ainda apresenta muitas inconsistências, principalmente na interpretação mais fina. Ela já tem sido muito eficiente no que diz respeito a questões objetivas, cujas respostas estão fechadas", explica a especialista. "A redação é a única parte da prova [de vestibulares como o Enem] na qual o aluno consegue colocar alguma subjetividade. Então, a inteligência artificial ainda não está apta a interpretar com tanta acurácia as especificidades da nota, principalmente considerando que a redação pode equivaler até 33% da aprovação de um estudante pelo Enem", avalia Sharlene Leite, professora especialista em redação. E completa: "Uma correção mais genérica pode ser eficiente em larga escala, de repente. Mas uma correção com aprimoramento específico a inteligência artificial ainda não entrega". A conclusão da professora vem de várias ferramentas que ela tem testado. "Várias plataformas já oferecem, a gente já fez vários testes. Mas, para a alta performance, nós não conseguimos substituir a correção de um professor pela correção do robô", disse Sharlene. "E outro ponto relevante é que, se o professor tem de fazer uma revisão, ele precisa ler esse texto. Então acaba ficando um retrabalho dentro desse contexto de revisão." IA para produzir material didático O governo estadual também pretende adotar ferramentas de inteligência artificial na produção do material didático digital, as aulas em slides introduzidas em 2023 pela gestão de Renato Feder à frente da pasta. A informação foi revelada nesta quarta-feira (17) pelo jornal Folha de S. Paulo. A TV Globo teve acesso, na tarde desta quarta, ao documento que, segundo fontes ouvidas pela reportagem, ainda tinha circulação restrita à coordenação pedagógica, e ainda não havia sido distribuída para as diretorias regionais de ensino e às escolas. Uma captura de tela do documento mostra que se trata da produção de aulas digitais com "em torno de 18 slides de conteúdo, excetuando slides padrão (capa, referências etc.)". O trabalho deve ser feito por cerca de 90 professores chamados de "curriculistas", que elaboram o material posteriormente distribuído aos docentes que atuam em sala de aula. Ainda de acordo com o documento, o processo de trabalho seria feito em cinco etapas: A primeira etapa é a "versão original" da aula. Segundo o documento, uma "ferramenta de IA gera a primeira versão da aula com base nos temas pré-definidos e referências concedidas pela Secretaria". Depois há uma etapa de "edição". O texto diz ao professor que ele é "responsável por avaliar a aula gerada e realizar todos os ajustes necessários para que ela se adeque aos padrões pedagógicos e de qualidade definidos no Guia de premissas pedagógicas e de padronização". O processo não termina aí. Uma terceira etapa é a "revisão técnica", na qual outra equipe interna da Secretaria "revisa o material e realiza os ajustes necessários", podendo devolver ao professor curriculista para que ele adeque o conteúdo. A quarta etapa é de "pré-produção": uma vez que o conteúdo seja considerado adequado, ele passa por "revisão linguística, formatação e produção de recursos didáticos inéditos (como gráficos, tabelas, infográficos entre outros)". Por fim, vem a etapa final, de "aprovação", realizada mais uma vez pelo "time interno da Secretaria, que valida a aula para ser divulgada para a rede de escolas estaduais". O projeto-piloto, ainda de acordo com o documento, tem previsão de início na próxima segunda-feira (22), com uma semana de formações e treinamentos on-line. E a previsão é que os professores participantes entreguem três aulas a cada dois dias úteis, e sejam contratados como prestadores de serviço à secretaria. Em nota ao g1, a Seduc negou que substituiria os professores por inteligência artificial. "É o professor que vai transmitir esse conhecimento para o aluno", explicou, no fim da tarde, o secretário-executivo da pasta, Vinicius Neiva, em informações encaminhadas à TV Globo. "O que a gente pretende com isso é simplesmente aperfeiçoar esse processo, e trazer um processo mais interativo, um processo mais ágil, mais eficiente e que seja voltado para o aprendizado do aluno, de uma forma mais interessante e mais estimulante para ele." (Vinicius Neiva, secretário-executivo da Seduc-SP) *Sob supervisão de Ana Carolina Moreno *Com supervisão de Ana Carolina Moreno.
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17/04 - Greve nas universidades: servidores de instituições federais marcham na Esplanada dos Ministérios, em Brasília
Ao menos 51 universidades e 79 institutos estão em greve no Brasil por reestruturação de carreira. Servidores cobraram Ministério da Gestão, que disse que apresentará proposta até final da semana. Servidores de universidades e institutos federais protestam em Brasília Servidores públicos de universidades e institutos federais se reuniram, na manhã desta quarta-feira (17), em Brasília, para uma marcha em direção ao Ministério da Gestão, na Esplanada dos Ministérios (veja vídeo acima). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. Ao menos 51 universidades e 79 institutos federais estão em greve no Brasil por reestruturação de carreira, recomposição salarial e orçamentária, e revogação de normas aprovadas nos governos Temer e Bolsonaro, segundo levantamento feito pelo g1. Na manifestação desta quarta-feira, os servidores carregavam faixas com as principais reivindicações dos docentes, e cobraram um resposta do governo federal. Procurado pelo g1, o Ministério da Gestão disse que a reestruturação de carreiras na área da educação é um "compromisso prioritário" da pasta e que vai apresentar uma proposta até sexta-feira (19) (veja íntegra mais abaixo). “Não vamos aceitar que a nossa categoria seja dividida em classes, e que uma ganhe mais que a outra. Queremos reajuste para todos, ativos, aposentados e pensionistas", disse um representante da Federação de Sindicatos de trabalhadores técnico-administrativos em educação das instituições de ensino superior públicas do Brasil (Fasubra). Os docentes da Universidade de Brasília (UnB) estão em greve desde segunda-feira (15), por tempo indeterminado (veja detalhes abaixo). Os servidores técnico-administrativos da universidade estão paralisados desde o dia 11 de março. Greve na UnB Professores da UnB votam pela greve na universidade Fernanda Bastos/g1 O início da greve dos professores da UnB foi aprovado por 257 votos a favor e 213 contra em Assembleia Geral Extraordinária convocada pela Associação de Docentes da UnB (Adunb) no dia 8 de abril. A ação é motivada pela falta de reajustes salariais e nos auxílios alimentação, saúde e creche. Os professores pedem, além da recomposição salarial, a equiparação dos benefícios e auxílios com os servidores do Legislativo e do Judiciário ainda em 2024 e também a revogação de atos normativos criados durante governos anteriores que impactam a carreira dos docentes (entenda abaixo). Segundo o MEC, no ano passado, o governo federal promoveu reajuste de 9% para todos os servidores. "Equipes da pasta vêm participando da mesa nacional de negociação e das mesas específicas de técnicos e docentes instituídas pelo MGI, e da mesa setorial que trata de condições de trabalho", diz a pasta. Reivindicações dos professores Os professores da UnB pedem recomposição salarial com reajuste de 22,71%, divididos em três parcelas: 2024: 7,06% 2025: 7,06% 2026: 7,06% O governo federal, por meio do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), propôs um reajuste de 9% dividido em duas parcelas: 2024: sem reajuste 2025: 4,5% 2026: 4,5% O governo também apresentou uma proposta de reajuste dos auxílios alimentação, saúde e creche que não contempla aposentados e pensionistas. O texto que o governo colocou na mesa reajusta já a partir de maio deste ano: o auxílio alimentação de R$ 658 para R$ 1 mil (alta de 51,9%) a assistência à saúde complementar per capita média (auxílio saúde) de R$ 144 para R$ 215 a assistência pré-escolar (auxílio creche) de R$ 321 para R$ 484,90 O que diz o Ministério da Gestão "A reestruturação de carreiras na área de Educação é um compromisso prioritário do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos. Na sexta-feira (19/5) o governo apresentará uma proposta convergente com o relatório do Grupo de Trabalho formado por representantes dos Ministérios da Educação e da Gestão, das universidades e instituições de ensino, além de entidades sindicais representantes dos servidores do Plano de Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em Educação (PCCTAE). O Ministério da Gestão segue aberto ao diálogo com os servidores da área de educação e de todas as outras áreas." LEIA TAMBÉM: GREVE NA EDUCAÇÃO: quase 300 campi de institutos federais estão sem aula VOTAÇÃO A FAVOR DA GREVE: Professores da UnB decidem entrar em greve Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.
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17/04 - Entenda por que o SUS Paulista pode causar déficit de R$ 55 milhões para o HC da Unicamp
Projeção foi feita pela própria universidade e exposta para deputados estaduais no início do mês. Segundo diretor-executivo da área da saúde, hospital já está subfinanciado. Hospital de Clínicas da Unicamp, em Campinas (SP) Reprodução/EPTV1 Uma mudança na forma de remuneração pelos serviços prestados via Sistema Único de Saúde (SUS) no Estado de São Paulo, batizada de Tabela SUS Paulista, pode causar um déficit financeiro de R$ 55 milhões para o Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp em 2024. Entenda todos os detalhes abaixo. 👇 📲 Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp 📈 A projeção foi feita pela direção da área da saúde da universidade em Campinas (SP) no início de abril. O HC, localizado no campus da Unicamp, já vive as primeiras consequências da alteração dos repasses. "A nossa necessidade é para hoje. Nós estamos subfinanciados neste mês em mais de R$ 7 milhões", revela Oswaldo Grassiotto, diretor-executivo da área da saúde da universidade. 👀 Nesta matéria, você vai ver: O que mudou? Por que a mudança prejudica a Unicamp? O que é alta complexidade? O que é a Tabela SUS Paulista? Por que a Unicamp não é beneficiada pelo SUS Paulista? Como o HC funciona mesmo subfinanciado? Por que o HC não fecha o pronto-socorro? O que deve ser feito para solucionar o problema? O que mudou? 🤔 Como era antes? Antes, o financiamento dos hospitais pelo SUS em São Paulo era feito a partir de um teto estabelecido em R$ 186 milhões anuais, aproximadamente R$ 15,4 milhões mensais. Esse valor era fixo: independentemente de quantos procedimentos o HC realizasse, eles recebiam esse pagamento. 👉 Ou seja, quando a Unicamp relata um subfinanciamento de R$ 7 milhões no mês de março, isso quer dizer que o HC está operando com aproximadamente metade dos recursos que ele costumava receber. 🤔 Como é agora? Com o SUS Paulista, o pagamento é baseado nos procedimentos feitos. Simplificando, isso significa que se o hospital realizar mais procedimentos, ele recebe mais dinheiro. No entanto, os valores são estabelecidos com base na complexidade dos procedimentos realizados, e isso é justamente o fator que prejudica o HC da Unicamp. Mutirão de pacientes da fila de cirurgias do SUS para avaliação pré-operatória no HC da Unicamp Elaine Ataide Por que a mudança prejudica a Unicamp? O HC atende muitos casos de urgência, e a maioria destes casos são de baixa remuneração e geralmente resultam em internações prolongadas. Isso ocupa os leitos do hospital e dificulta a realização de procedimentos mais complexos e mais bem remunerados, que seriam, em teoria, a principal função do HC Unicamp. 🤔 E por que o HC atende esses casos? A unidade é do tipo "porta aberta", ou seja, que está sempre disponível para receber pacientes. Independentemente do horário, condição médica, agendamento ou encaminhamento médico, o hospital oferece serviços de emergência e pronto-socorro que operam ininterruptamente. Esses casos de urgência ocupam 80% dos leitos e geram superlotação, mas não era para ser assim, segundo a diretoria da área de saúde. Tanto porque o HC foi idealizado para atender casos de alta complexidade quanto porque a maioria dos casos poderia ser resolvidos em outras unidades de saúde. 🩺 "Na chegada, a gente vê que três a cada quatro casos que chegam de urgência não precisariam vir para a Unicamp. Poderiam ter sido resolvido em um hospital pequeno, lá na cidade de origem do paciente", diz Grassiotto. "Mas chegou na urgência, você vai ter que atender, vai ter que dar algum destino". HC da Unicamp enfrentou mais um dia de superlotação Heitor Moreira/EPTV 🤔 O que é alta complexidade? São procedimentos que exigem um alto nível de especialização técnica, estrutura adequada e, muitas vezes, tecnologia de ponta. Alguns exemplos: cirurgias no coração, cirurgias em bebês e transplantes de órgãos. O que remediava a situação do HC era justamente o financiamento do SUS pelo teto de R$ 186 milhões anuais. 💊 O contrato anterior permitia que a Unicamp realizasse até 80% dos procedimentos de baixa e média complexidade sem afetar o repasse de verbas. O que é a Tabela SUS Paulista? Segundo o governo do Estado de São Paulo, a Tabela SUS Paulista é uma iniciativa inédita cujo objetivo é aumentar o atendimento na rede pública de saúde e reduzir filas de espera. Ela foi implementada em 1º de janeiro de 2024. 📆 ⏩ Para isso, além de mudar critérios para o repasse das verbas, a estratégia da Secretaria Estadual de Saúde é complementar o valor encaminhado pelo Ministério da Saúde pelos procedimentos hospitalares. O governo estadual defende que isso possibilita que as unidades de saúde recebam até cinco vezes a tabela adicional do SUS. Veja exemplos de procedimentos reajustados no gráfico abaixo. 👇 https://public.flourish.studio/visualisation/17589738/ A iniciativa, segundo o governo, visa corrigir uma subvalorização destes procedimentos mais simples, já que os valores da tabela federal do SUS não são reajustados há, pelo menos, dez anos. O governo também afirma que o sistema de remuneração deve beneficiar 354 hospitais em todo o estado, entre eles Santas Casas, entidades filantrópicas e autárquicas, que representam 50% do atendimento hospitalar na rede pública paulista. 🏥 Hospital de Clínicas (SP) da Unicamp Reprodução/EPTV Por que a Unicamp não é beneficiada pelo SUS Paulista? O complemento de verba estadual sobre o valor do SUS federal beneficia hospitais privados filantrópicos e alguns hospitais públicos específicos, os autárquicos. No caso do HC, mesmo tendo um grande volume de atendimento, ele não se enquadra nesses critérios. Hospitais filantrópicos são instituições sem fins lucrativos que recebem incentivos do governo para prestarem serviços de saúde à população carente. Já os hospitais autárquicos são unidades públicas com autonomia administrativa, muitas vezes ligadas a órgãos governamentais. 🚫 No entanto, no caso da Unicamp, o HC é parte integrante da universidade e do governo estadual. Por isso, ele não se enquadra nos critérios estabelecidos para receber o benefício adicional do SUS Paulista. "A Unicamp ter um déficit, do que ela poderia receber, comparado com o que ela está recebendo, de no mínimo R$ 50 milhões, porque nós vamos continuar trabalhando. Nós não vamos fechar leitos, não vamos diminuir o pronto-socorro, simplesmente porque não dá pra fazer. Mas nós estamos sendo punidos duas vezes", afirma Grassiotto. Essa dupla punição a que Grassiotto se refere ocorre pelos seguintes motivos: pelos atendimentos que o HC presta via pronto-socorro, que aumenta a realização de procedimentos de baixa e média complexidade e são menos remunerados, pelo fato do HC ser um hospital público ligado ao governo estadual, sem uma fundação que administre a unidade de saúde — o que o caracterizaria como hospital autárquico. Em nota enviada ao g1, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) informou que o HC da Unicamp tem o orçamento vinculado à Secretaria de Ciência e Tecnologia. Além disso, a SES também informou que as pastas de Saúde, Ciência e Tecnologia e a reitoria da Unicamp vêm estudando maneiras de complementar a receita utilizando a Tabela SUS Paulista, com recurso estadual. (Veja a nota na íntegra no fim da reportagem.) 💰 Caso a Unicamp fosse contemplada pela tabela SUS Paulista, segundo a projeção da própria universidade, ela deveria receber R$ 264 milhões anuais, R$ 78 milhões a mais que o teto de gastos previsto pelo contato anterior. 👉 Isso permitiria que o HC seguisse realizando os procedimentos de baixa e média complexidade e operando o pronto-socorro com um equilíbrio financeiro bom o suficiente para, inclusive, melhorar o atendimento e desfazer filas de espera por cirurgias. Fila para atendimentos via SUS no HC da Unicamp, em Campinas Reprodução/EPTV Como o HC funciona mesmo subfinanciado? 💲 O diretor-executivo da área de saúde da Unicamp explica que para cada R$ 1 que o SUS investe no HC, a universidade investe R$ 3. Pelo menos 20% de todos os recursos repassados para a instituição de ensino é direcionado ao Hospital de Clínicas. Esse investimento da Unicamp, segundo Grassiotto, é o que paga salários, compra insumos e financia outras atividades essenciais para o funcionamento do HC. No ano passado, segundo o diretor, a universidade investiu R$ 550 milhões apenas em procedimentos de média e alta complexidade. 🩺 "Funcionamos assim, meio apertado do ponto de vista financeiro, mas passamos o ano de 2023 e a Unicamp não mexe no recurso que ela coloca, apenas corrige todos os anos conforme as receitas que vem do governo do Estado", explica. No entanto, esses 20% de recursos investidos na área de saúde pela Unicamp — é uma espécie de 'ponto de honra' para a universidade nunca deixar o orçamento abaixo deste índice, segundo Grassiotto — é dividido em 12 parcelas mensais, tal qual uma mesada. O problema é que com o subfinanciamento via SUS, essa reserva tem meses contados. 📅 "Nós estamos gastando a parcela de dezembro nesse momento. Com a falta de dinheiro tão grande em janeiro, fevereiro e março, nós tivemos que antecipar as parcelas. A Unicamp está adiantando a mesada e quando chegar agora no mês de maio, junho, nós estaremos sem dinheiro da universidade para tocar o HC. Nós vamos tocar com aquele dinheiro do SUS que está com um déficit de R$ 7 milhões a cada mês", lamenta o diretor. O diretor executivo da Área da Saúde da Universidade, Oswaldo Grassiotto durante apresentação dos dados aos deputados estaduais Antônio Scarpinetti Por que o HC não fecha o pronto-socorro? Grassiotto diz que o HC da Unicamp é a 'ponta da linha de urgência-emergência'. Em outras palavras, quem chega até lá é porque não conseguiu atendimento em outros lugares e foi encaminhado para o hospital. E esse é o principal motivo pelo qual não é possível fechar o pronto-socorro do HC. 🏥 🥼 O diretor da área de saúde do HC explica que a região de Campinas não tem capacidade ou não está organizada para fazer atendimentos de média complexidade ou de urgência-emergência, e por isso os tratamentos que poderiam, em tese, serem feitos em hospitais menores ou Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), vão para a Unicamp. "Isso vem acontecendo desde que se tem um pronto-socorro aberto, e sempre que a gente tenta corrigir e fechar o pronto-socorro, como a rede regional não dá conta de atender porque ela não está organizada, a Unicamp recebe uma pressão muito forte para reabri-lo no dia seguinte. Essa pressão é irresistível, porque vem prefeito, governador, autoridades em geral falar 'doutor, abre e depois nós vamos dar uma solução pra isso'", relata Grassiotto. Mas a solução não vem, e o HC da Unicamp segue superlotado de casos de baixa e média complexidade. No fim, isso gera dois efeitos negativos: a superlotação e o baixo retorno financeiro via SUS. "Isso desloca muito a nossa capacidade de produzir a alta complexidade, que é reduzida, e aumenta muito a nossa produção na baixa e média complexidade. O resultado disso é que o valor financeiro do que nós fazemos é pequeno", resume Grassiotto. O que deve ser feito para solucionar o problema? Os representantes do HC Unicamp expuseram esse problema aos deputados estaduais durante uma reunião com 12 políticos no campus de Barão Geraldo, em Campinas, no início de abril. A universidade defende que o SUS Paulista seja ampliado para contemplar mais hospitais para garantir um atendimento adequado a todos os pacientes. "O paciente não quer saber se ele está sendo atendido em um hospital filantrópico ou autárquico, ele quer que a saúde dele seja cuidada como um cidadão brasileiro com direito ao SUS. É pra não ter esse tratamento diferenciado e negativo para o usuário da Unicamp que a gente vem se movimentando", afirma Grassiotto. Além da inserção do HC na Tabela SUS Paulista, outra pauta que a Unicamp levanta há tempos é a reorganização do sistema de saúde regional, sendo necessário, segundo a universidade, a construção de um hospital regional em Campinas dedicado ao atendimento de urgência. A expectativa é que a construção deste hospital regional permita que o HC se concentre em procedimentos de alta complexidade. "A Unicamp dá o terreno e opera o hospital. Ela só não financia o hospital porque ela já está financiando o nosso", diz Grassiotto. Além disso, enquanto a construção do hospital regional não acontece, a Unicamp sugere que seja criada uma infraestrutura mínima de atendimento de urgência, como a abertura UPAs ou a utilização de pequenos hospitais regionais com leitos disponíveis para desafogar o HC. Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde informou que está comprometida com a busca de uma solução que não traga impactos para o atendimento da população. Veja, abaixo, o texto na íntegra. ⏬ A Secretaria de Estado da Saúde (SES) informa que a Tabela SUS Paulista, implantada em janeiro de 2024, foi criada para aumentar os repasses aos hospitais filantrópicos, em razão da defasagem na tabela federal do Ministério da Saúde. O HC de Campinas, diferente dos outros hospitais universitários , é ligado à Unicamp cujo orçamento é vinculado à Secretaria de Ciência e Tecnologia. As pastas de Saúde, Ciência e Tecnologia e a reitoria da Unicamp vêm estudando maneiras de complementar a receita utilizando a Tabela SUS Paulista, com recurso estadual. A SES está comprometida com a busca de uma solução que não traga impactos para o atendimento da população. VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias da região no g1 Campinas
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17/04 - Por que os japoneses usam palavras de origem portuguesa?
No Japão, há muitas palavras que são parecidíssimas com as de mesmo significado em português — e não é por acaso. Obra de artista japonês anônimo retrata o martírio de São Paulo Miki, samurai que se tornou catequista, e seus companheiros, em Nagasaki Domínio Público As línguas são vivas e, longe de serem estáticas, sofrem a influência de seus falantes, transformando-se com o passar do tempo e por meio do intercâmbio com outros idiomas e outras culturas. No Japão, há muitas palavras que são parecidíssimas com as de mesmo significado em português. E isso não é por acaso. Quase cinco séculos atrás, os japoneses incorporaram ao seu vocabulário termos específicos, muitos utilizados até hoje. Por exemplo: pan para designar pão, biroodo para veludo, tabako para tabaco e karuta para carta de baralho. Mas 11 mil quilômetros separam Lisboa de Tóquio e, aparentemente, não há nada em comum entre essas duas culturas, uma forjada na Europa medieval, outra carregada do tradicionalismo oriental nipônico. A explicação está na religião. Mais especificamente, nos esforços empreendidos pela Companhia de Jesus — mesma ordem religiosa que, por meio de José de Anchieta (1534-1597) e tantos outros, encarregou-se de catequizar indígenas brasileiros durante a colonização, e mesma ordem religiosa do argentino Jorge Bergoglio, o Papa Francisco. Esta história pode ser resumida no fato de que os portugueses foram pioneiros no contato frequente entre europeus e nipônicos. Mas suas nuances culturais e religiosas estão no cerne de uma fascinante troca linguística. E está em evidência por causa da série Xógum: A Gloriosa Saga do Japão, que estreou em fevereiro e é baseada no romance Shōgun, escrito pelo britânico James Clavell (1924-1994) e publicado originalmente em 1975. Os primeiros portugueses a chegar ao Japão foram alguns comerciantes, em 1541 ou 1542. Desenvolveu-se, a partir dessa altura, uma importante atividade comercial que, com base em Macau, transportava produtos, principalmente seda e prata, entre a China e o Japão. Gonçalves é ex-reitor da Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, e diretor da revista La Civiltà Cattolica. Conforme conta à reportagem a professora de japonês Monica Okamoto, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), isso ocorreu precisamente em Tanegashima, uma pequena ilha ao sul do Japão. “Foi o primeiro encontro do povo japonês com o ocidente”, relata. “Na época, o Japão estava sob o domínio do xogunato, um sistema de governo militar, e os xoguns ficaram impressionados com algumas tecnologias apresentadas pelos portugueses, sobretudo a arma de fogo do tipo mosquete.” “Assim, num primeiro momento, os xoguns permitiram a entrada dos portugueses com a intenção de conhecer outras inovações ocidentais nos campos militar e naval”, acrescenta Okamoto. “Os portugueses, por outro lado, iniciaram suas missões de catequização, introduzindo o catolicismo no Japão por meio da instalação de escolas, santas casas e igrejas. Desse intenso e curto período de relações internacionais entre Japão e Portugal [até por volta de 1630], muitas palavras portuguesas acabaram sendo incorporadas ao vocabulário japonês.” Padroado O fumi-e, em ilustração do alemão Philipp Franz von Siebold, datada de 1850 Domínio Público “O primeiro jesuíta a chegar ao Japão foi [o missionário] São Francisco Xavier [(1506-1552)], em 1549. Era navarro [na atual Espanha] e fez parte do grupo que, com Santo Inácio de Loyola [(1491-1556)], fundou a Companhia de Jesus”, contextualiza Gonçalves. Teria sido o próprio Loyola quem havia decidido enviar Xavier para o oriente, “a pedido do rei de Portugal, dom João 3º [(1502-1557)], que pretendia desenvolver a atividade missionária nos territórios alcançados pelos navegadores portugueses”, conta o padre. Uma curiosidade é que no mesmo ano em que Xavier desembarcou no Japão, chegou à colônia portuguesa que daria origem ao Brasil o primeiro grupo de jesuítas, cujo superior era o padre Manuel da Nóbrega (1517-1570). A chegada de Xavier foi o começo de um movimento que, ao longo dos anos, levaria dezenas de padres jesuítas ao Japão. Segundo o padre jesuíta Nilson Maróstica, ex-reitor do Santuário Nacional São José de Anchieta, dos 95 membros da Companhia de Jesus que trabalharam no Japão até 1600, 57 eram portugueses, 20 eram espanhóis e 18, italianos. O que os levava, segundo afirma Maróstica à BBC News Brasil, era “a esperança de levar o cristianismo e o catolicismo para o Japão”. Mas se as nacionalidades eram um tanto difusas, a missão jesuíta no oriente tinha comando lusitano. Isto porque esses sacerdotes atuavam no âmbito do chamado padroado português. Era um acordo selado em meados dos anos 1400, início do processo conhecido como expansão marítima, em que a Santa Sé delegou à Coroa de Portugal o poder exclusivo de organização e financiamento de todas as tarefas religiosas nos domínios e nas terras conquistadas pelos portugueses. Gonçalves comenta que o mecanismo consistia de “um conjunto de privilégios e obrigações concedidos por sucessivos papas aos reis de Portugal”. Pelo padroado, a Coroa tornou-se a principal responsável pela missionarização nos territórios alcançados pelos navegadores portugueses. Em alguns desses territórios, estabeleceu-se uma administração portuguesa estável. Foi o caso de Goa, Malaca ou Macau, no oriente. “Em outros territórios, existia apenas uma presença baseada nos interesses comerciais recíprocos, sem qualquer dominação política ou militar. Esse foi o caso do Japão, onde os protagonistas da presença europeia foram os comerciantes e os missionários.” “Inicialmente, apenas missionários jesuítas. Mais tarde, também franciscanos e dominicanos”, completa Gonçalves. Maróstica define o padroado “como iniciativa dos reis católicos de implantarem em suas terras recém-descobertas a igreja de seus reinos”. “Os jesuítas recebiam normalmente verbas anuais para instalarem religiosos, quase sempre 18 padres, em um colégio ou em uma igreja. Ou seja, eram os reis que contratavam as congregações religiosas para instalarem a fé católica nas novas posses de seus reinos”, explica. 300 mil cristãos japoneses Ilustração de autoria desconhecida de uma missa cristã no Japão, provavelmente do século 17 Domínio Público Conforme apontam pesquisas, os jesuítas foram bem-sucedidos no trabalho de evangelização, fazendo com que o país chegasse a ter cerca de 300 mil cristãos no período. “[Os missionários] conseguiram rapidamente muitas conversões”, ressalta Gonçalves. “Por isso, tem-se afirmado que a chegada de Xavier […] marca o início do ‘século cristão do Japão’”. Essa expressão foi cunhada pelo historiador britânico Charles Boxer (1904-2000), autor de, entre outros, ‘The Christian Century in Japan, 1549-1650’. A metodologia missionária dos jesuítas era chamada de “acomodação”. Adotaram os costumes locais, estudaram a língua e escreveram catecismos e outras obras em japonês. Adaptaram, sempre que possível, a prática cristã às tradições culturais japonesas. Um modus operandi muito parecido com o aplicado no território colonial brasileiro. De acordo com os registros, o primeiro japonês tornado católico foi um homem chamado Anjiro (1511-1550) — de cuja biografia pouco se sabe. Ele havia cometido um homicídio e, quando encontrou os jesuítas, acabou sendo contratado como tradutor. Maróstica afirma que, por ter sabido “do perdão dos pecados [conforme prega o cristianismo], ele se interessou em abraçar esta fé para livrar sua consciência”. Depois de batizado, ele ganhou nome português. Tornou-se Paulo de Santa Cruz. Xavier ganhou alguém para atuar ao seu lado na comunicação com os locais. “[Anjiro] o conduziria a outros japoneses e lhe ensinaria os rudimentos da cultura”. Os missionários jesuítas dedicaram-se ao estudo do idioma e, depois de pouco tempo, já conseguiam ler textos cristãos em japonês nas praças públicas. O interesse era instigado. Em carta da época, Xavier escreveu que “esses japoneses são tão curiosos que, desde a nossa chegada, não se passou um só dia sem que tivesse vindo ter conosco bonzos [monges budistas] e leigos, desde a manhã até a noite, para nos fazerem perguntas de toda espécie”. Segundo Maróstica, como “nenhum habitante” daquelas terras havia feito ainda “a travessia do mar”, a chegada dos europeus “despertou muita curiosidade neles”. “Essa euforia da multidão japonesa despertou o interesse do daimio [algo como senhor, uma autoridade da época] local, Shimazu Takahisa [(1514-1571)], que mandou um dos funcionários [até os jesuítas] para que eles fossem trazidos ao palácio”, relata o religioso. Conta-se que Xavier foi recebido com presentes e toda a pompa da corte. O jesuíta presenteou a autoridade japonesa com uma encadernação da Bíblia. “E o único presente que aceitou dele foi a liberdade para poder pregar pelas cidades daquela região. O damio concedeu com alegria. E se interessou em saber o conteúdo do livro sagrado dos cristãos”, acrescenta. Mas se os religiosos eram movidos pelo divino, Portugal tinha olhares mais terrenos. “O interesse dos portugueses nesta aproximação era puramente comercial”, resume Maróstica. “Ao chegar, encontraram uma cultura e civilização estabelecida há milhares de anos e, assim, começaram a trocar mercadorias. Sempre em silêncio, pois nenhum falava a língua do outro, até a chegada de Francisco Xavier, como eu disse, que aprendeu rapidamente o idioma.” “Da parte dos japoneses, o daimio, governador ou senhor local, tinha interesse nas mercadorias trazidas pelos portugueses, mas principalmente em conhecer a língua, a cultura e os conhecimentos dos europeus”, comenta o jesuíta. “Nesse período, os reinos do Japão não viviam com muita paz. Eram tempos intranquilos. E os japoneses eram ávidos por conhecimento.” O padre conta que eles “queriam conhecer especialmente as armas de fogo”. Por outro lado, os lusos “pagavam muito bem pelas especiarias e mercadorias de fabricação japonesa”. A cristianização japonesa deixou de ser um movimento localizado e logo se expandiu por outras regiões. “Até o final do século 16 era possível encontrar pessoas batizadas em praticamente todas as províncias do Japão, muitos deles organizados em comunidades. Mesmo sem a presença de sacerdotes, eles se organizavam em comunidades leigas”, conta Gonçalves. Cruz proibida Pintura de autoria desconhecida retrata o martírio de cristãos no Japão Domínio Público Mas a lua de mel foi gradualmente terminando. “Estima-se que, no seu auge, tenha chegado a haver cerca de 300 mil cristãos no Japão. Mas a intromissão estrangeira em um país em fase de unificação incomodou as autoridades locais. Logo, o catolicismo foi progressivamente reprimido e martirizado em várias partes do país, até ser proibido”, diz Maróstica. “A expulsão dos missionários e a proscrição do cristianismo foi acompanhada de violentas perseguições”, ressalta Gonçalves. “Muitos foram condenados à morte e martirizados, testemunhando com a dádiva da própria vida a fé que professavam.” Fizeram parte desta história alguns nomes japoneses que, mais tarde, se tornaram beatos ou santos da Igreja, como é o caso de São Paulo Miki (1562-1597), samurai que se tornou catequista e tinha fama de exímio pregador. Apesar dos esforços dos missionários para se adaptarem à cultura local, o cristianismo foi visto pelos dirigentes japoneses como uma religião estrangeira. Além disso, a presença dos missionários, no final do século 16 e princípio do século 17, coincidiu com um período de centralização e unificação política no Japão. Essa unificação incluía também uma dimensão religiosa que não era propícia à aceitação de uma religião importada. “Espalhou-se também o receio de que os missionários fossem a guarda-avançada de uma tentativa de domínio militar e político por parte das potências europeias”, completa ele. Era soft power. Como diz Gonçalves, “estas razões de política interna e o desejo de preservar a própria autonomia levaram ao encerramento do Japão à influência exterior”. Os missionários foram expulsos em 1614. “E, pouco tempo depois, o próprio cristianismo foi proibido”, diz o padre. Essa expulsão foi formalizada por documento elaborado pelo monge Konchi’in Sūden (1569-1633), encarregado de questões religiosas e relações exteriores no governo do xogum Tokugawa Hidetada (1579-1632). “Foi considerada a primeira declaração oficial e completa de proibição dos cristãos [no Japão]”, explica Maróstica. “Tempos de martírio vieram: as torturas físicas e psicológicas foram usadas contra os cristãos. As autoridades criaram o fumi-e, que consistia em obrigar os cristãos a pisar na imagem de Cristo ou da Virgem [Maria], apostatando-se de sua fé”, conta o jesuíta. O ponto emblemático dessa virada de mesa foi o episódio conhecido como rebelião de Shimabara, iniciada em 1637. Calcula-se que cerca de 40 mil japoneses, em boa parte católicos, tenham se revoltado contra a proibição da fé cristã no país. O movimento foi sufocado pelas tropas do governo. A partir dali, os cristãos remanescentes passaram a celebrar na clandestinidade. Eram os chamados kakure kirishitan — “cristãos escondidos”. “Apesar da proibição, pequenos grupos de cristãos japoneses, sem a presença de clero ou missionários, mantiveram-se em comunidades escondidas”, salienta Gonçalves. Palavras portuguesas 👉 Os portugueses foram expulsos, mas ficaram as palavras em português. “Há muitas palavras japonesas que têm origem no vocabulário português. E uma boa parte dela foi introduzida no século 16”, diz a professora Okamoto. “Algumas palavras em português foram introduzidas para o japonês, para dar nomes a coisas novas que não tinham antes no país. Entraram objetos novos e então tiveram a necessidade de dar os nomes a cada uma das novidades. Havia também palavras relacionadas ao cristianismo que eram inseridas entre os fiéis e escritos nas publicações dos jesuítas”, explica à BBC News Brasil a professora Junko Ota, que leciona língua e literatura japonesa na Universidade de São Paulo (USP). “Foi inevitável que palavras, nomes substantivos que chegaram pela primeira vez ao Japão no século 16, fossem incorporados à língua local. Estas palavras se referem a produtos que lá não havia e costumes que não pertenciam àquela cultura”, complementa Maróstica. Botan é botão. Pan é pão. E há muitos outros exemplos, como: tabako, cigarro; kirishitan, cristão; bateren, padre; birôdo, veludo; biidoro, vidro; karuta, jogos de carta. “Em geral, [são palavras que] correspondem a objetos ou costumes introduzidos pelos portugueses”, pontua Gonçalves. “Antes dessa influência portuguesa, algumas dessas palavras não tinham um correspondente para o japonês porque esses elementos não existiam no Japão”, concorda Okamoto. “Por exemplo, o pão e o bolo castela [tipo de pão-de-ló, chamado de pão de Castella e, em japonês, ‘kasutera’].” Ota relativiza, contudo, a influência dos religiosos europeus no léxico japonês. “Os jesuítas portugueses tiveram um número bastante grande de fiéis, mas isso causou a repressão bastante forte por parte da força dominante da época, resultando na retirada deles do país”, comenta. “Assim, as publicações deles caíram no esquecimento dos japoneses por séculos. Só mais tarde descobriram o valor, do ponto de vista linguístico, por exemplo, do dicionário Japonês-Português compilado no início do século 17.” “Há uma lista enorme de palavras japonesas de origem portuguesa resultante da chegada ao Japão dos portugueses em 1543, sendo os primeiros europeus a aportar e a estabelecer um fluxo contínuo e direto de comércio entre o Japão e a Europa”, afirma Maróstica. “Os portugueses também trouxeram novos alimentos, plantas e produtos para o Japão, como o tabaco e o pão.” O linguista Caetano Galindo, professor na UFPR e autor de, entre outros, Latim em Pó, explica à BBC News Brasil como ocorre esse tipo de influência de um idioma em outro. A história do contato linguístico é a história do contato de culturas, de povos. E o vocabulário, muito especificamente, é a área mais suscetível a esse tipo de influência. “Costumo dizer que o vocabulário é a epiderme da língua, é a área dos toques, onde os contatos se dão com mais facilidade”, diz. “No caso da presença portuguesa no território japonês, isso foi prolongado e algo material. Não foi só um livro que chegou. Foram pessoas, foi uma leva cultural, um processo de interpenetração cultural que deixou marcas e essas marcas vão estar na cultura japonesa assim como as marcas da imigração japonesa vão estar na cultura brasileira e a gente continua comendo sushi e usando esta palavra.” Mas dentre as influências mais curiosas, ele lembra do tempurá, uma fritura de vegetais que se tornou prato clássico da culinária nipônica. “Isso tende a demonstrar um contato mais profundo entre as culturas”, comenta ele. Essa comida não existia no Japão, mas quando os missionários portugueses lá estiveram acabaram criando esse prato para o período da quaresma, em que tradicionalmente católicos praticantes se abstêm do consumo de carne. Não há um consenso para a origem do nome, se oriunda da palavra “tempero” ou da expressão latina ad tempora quadragesimae — justamente a que designa o período da quaresma. Em texto publicado originalmente em 1975, o pesquisador Tai Whan Kim, ligado à Universidade de Coimbra, identificou que a maioria dos termos emprestados do português ao Japão são aqueles relacionados à prática religiosa cristã. Kurusu, por exemplo, é cruz; inheruno, inferno; e anjo ficou exatamente igual. Kim também observou que a maior parte das palavras relacionadas à cultura material ocidental acabaram ficando obsoletas e hoje são consideradas arcaicas — foram substituídas por termos mais modernos. É o caso de boro, para bolo; amendo, para amêndoa; konpradoru, para comprador; e sabon, para sabão. “Uma quantidade de palavras portuguesas sobrevivem nos dialetos de Kyushu, particularmente em Nagasaki, que foi o centro do trabalho missionário católico e das relações comerciais no século cristão”, acrescenta Kim. Exemplos são bobura, para abóbora; banco para banco; e baranda, varanda. “A palavra mais frequentemente usada pelos japoneses, que é totalmente portuguesa, é o nosso famoso cacoete ‘né?’”, comenta Maróstica. Impactos culturais De acordo com o jesuíta Maróstica, a influência cultural dos portugueses sobre o Japão foi além do vocabulário. “Por exemplo, o costume de jejuar nos tempos das grandes solenidades do cristianismo”, afirma. “Foi muito bem aceito pelos japoneses.” Os jesuítas também levaram e traduziram para o japonês obras clássicas da literatura ocidental, como as fábulas de Esopo e as cartas de Sêneca. “E ensinaram aos japoneses o canto gregoriano e a música polifônica, bem como o uso de instrumentos musicais como o órgão, o violino e a flauta”, diz o religioso. “Os japoneses adaptaram esses instrumentos e estilos à sua própria tradição, criando gêneros como o krishitan ongaku, a música cristã.” Não à toa, órgão em japonês é orugan. “Os portugueses introduziram no Japão alimentos como o açúcar, o pão, o trigo, a batata-doce e a fritura em óleo”, acrescenta. “Finalmente, a influência portuguesa no Japão também se fez sentir na área econômica. Os portugueses foram os primeiros a abrir o comércio entre o Japão e o resto do mundo, trazendo consigo produtos valiosos como a seda, as especiarias, o açúcar e o ouro.”
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17/04 - Ministério da Educação estuda criar universidade indígena
Portaria criou grupo de trabalho para analisar viabilidade técnica e orçamentária da instituição. Proposta semelhante já foi discutida em 2014. Candidatos durante vestibular indígena da Unicamp Antoninho Perri O Ministério da Educação (MEC) criou um grupo de trabalho para estudar a criação da "Universidade Indígena". Uma portaria com a medida foi publicada na edição do Diário Oficial da União desta quarta-feira (17). Essa não é a primeira vez que uma equipe é formada pelo governo federal para discutir o assunto. Em 2014, durante a gestão de Dilma Rousseff, o MEC criou um grupo de trabalho para debater uma proposta semelhante. Em dezembro de 2023, representantes dos povos indígenas participaram de uma audiência pública na Câmara dos Deputados onde pediram a criação de uma universidade própria. Durante a audiência, os líderes de povos originários defenderam a implementação de uma instituição com políticas educacionais voltadas para os povos indígenas. Atualmente, países como Bolívia e México possuem universidades indígenas. A unidade mexicana, por exemplo, oferece cursos como Direito, Biotecnologia e Sistemas Computacionais, além de mestrados e doutorados. Ao menos 51 universidades federais e 79 institutos estão em greve O grupo de trabalho A equipe criada pelo MEC terá como objetivo fazer estudos para subsidiar a criação da instituição e implementar a universidade. Um relatório deve ser apresentado em um prazo de até 180 dias. Além de estudos técnicos, o grupo também terá de: analisar o impacto orçamentário da criação da universidade; fazer um relatório que aponte a viabilidade técnica da instituição; avaliar se existem riscos na implementação da unidade. Serão nomeadas seis pessoas para fazer parte do grupo de trabalho, incluindo um representante da Secretaria de Educação Superior e outro do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). Além disso, a portaria autoriza que a equipe convide representantes de entidades indígenas e indigenistas para participar das reuniões. VÍDEOS: mais assistidos do g1
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16/04 - Youtubers ensinam como lucrar com uso de inteligência artificial para criar vídeos e livros infantis 'em minutos'
Produtos infantis feitos em massa preocupam especialistas por baixa qualidade pedagógica. 'Basta ter cores chamativas', diz um influencer em um dos vídeos. Youtubers ensinam a lucrar com uso de inteligência artificial para criar vídeos e livros Em vídeos com milhares de visualizações, youtubers ensinam como criar vídeos e livros infantis com uso de inteligência artificial (IA). "Inteligência artificial insana, que cria livros infantis em segundos, e tem conexão para você vender direto na Amazon e começar a ganhar dinheiro aqui na internet. E quer mais? Grátis", diz um dos vídeos. 🚨 No entanto, produtos infantis feitos em massa preocupam especialistas. Baixa qualidade pedagógica, ponto de vista enviesado e pouca diversidade (refletida, por exemplo, na ausência de personagens negros) são alguns dos problemas apontados. (Veja mais abaixo.) Além disso, os canais ou conteúdos criados muitas vezes não informam ao público quando houve uso de inteligência artificial. 'Simples de criar e que monetiza rápido', diz canal Os tutoriais foram publicados no último ano, após o surgimento e popularização de ferramentas de inteligência artificial. Os vídeos mais vistos passam de 300 mil visualizações. Neles, os youtubers explicam, em minutos ou até segundos, como o espectador pode criar um ebook (livro digital) ou um vídeo para o público infantil – na maioria das vezes gratuitamente. Um dos vídeos mais acessados sobre o assunto tem como título: "Ganhe dinheiro no YouTube com esse canal dark simples de criar e que monetiza rápido". Nele, o youtuber diz: "Se você sonha em ter um canal dark no YouTube, este é o caminho! Canais semelhantes estão ganhando dinheiro no youtube e você não pode perder essa chance de começar a transformar suas ideias em sucesso". 🎥 O termo "dark" é usado para chamar os canais em que o youtuber não aparece. Ou seja, a página possui apenas conteúdos como animação, gravação de tela do computador, etc. 🤑 Os produtores de conteúdo ensinam como criar os vídeos e também como ganhar dinheiro com eles. Em um vídeo publicado em agosto de 2023 e que já passa de 60 mil visualizações, o dono do canal @ganhandonoautomatico alega que o conteúdo criado tem "conexão" com a Amazon. O canal @ReinaldoeMayara tem três livros digitais feitos com IA a venda na Amazon, com valor médio de R$ 67,03 (veja imagem abaixo). Desde junho, eles publicaram 42 vídeos voltados para a criação de conteúdo com inteligência artificial, sendo sete desses direcionados para crianças. O g1 entrou em contato com os youtubers para saber quantos livros foram vendidos desde que foram anunciados – dois deles em dezembro e um janeiro de 2024 –, mas não teve retorno até a publicação desta reportagem. Livros anunciados na Amazon feitos por inteligência artificial Reprodução/Amazon 'Basta ter cores chamativas', orienta um dos tutoriais ✏️ Na maioria dos vídeos, os youtubers explicam comandos que os espectadores precisam seguir, como pedir ao ChatGPT para que escreva a história. 🎨 Além das diretrizes tecnológicas, os youtubers também apontam detalhes específicos que devem existir no conteúdo infantil, como a locução e as cores. "Galera, lembrando que como é canal e vídeo infantil basta ter cores chamativas, músicas animadas e movimento que já vai fazer sucesso, não precisa ser tão detalhista ta?". Sobre a locução, eles indicam que o espectador utilize uma voz infantil para captar a atenção das crianças. Uma das tecnologias sugeridas pelos youtubers é o Kreado.AI – a tecnologia oferece 140 idiomas, mais de mil tipos de vozes e reproduz 800 caracteres em áudios. Quanto às cores, eles ressaltam que é preciso ser chamativo para reter a atenção da criança. O g1 entrou em contato com o YouTube para confirmar quantos vídeos infantis são produzidos com o uso de inteligência artificial e quantos vídeos que ensinam sobre como criar esse tipo de conteúdo existem na plataforma, mas a rede social não se posicionou até a publicação desta reportagem. Vídeos no YouTube que ensinam a fazer conteúdos para crianças com IA Reprodução/YouTube Falta de representatividade e moral da história repetida Apesar da facilidade e rapidez tecnológica, os conteúdos para crianças feitos com IA são criticados por especialistas, especialmente por dois motivos: personagens em sua maioria brancos e moral da história sempre igual. Os personagens criados por IA são na maioria das vezes muito parecidos e pouco diversos. E, segundo os especialistas, isso ajuda na predisposição das crianças desenvolverem algum preconceito. “Se você procurar uma imagem de princesa, provavelmente receberá personagens brancas, loiras e de olhos claros. Dificilmente aparecerá outras etnias ou raças”, explica Agnaldo Arraio, professor de faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). Por exemplo, no vídeo: "Criar vídeos animados digitando texto com inteligência artificial gratuita", com 61 mil visualizações, do canal @chamadatech, a IA criou uma menina branca, sendo que o youtuber pediu apenas que a personagem tivesse "cabelos cacheados cor de mel e olhos que brilhavam como estrelas". No último ano, este canal publicou 21 vídeos ensinando como criar conteúdos infantis. Em outro canal, do @thiagofelizola, o vídeo: "Como criar desenhos animados usando IA & ChatGPT [Grátis]" mostra que a tecnologia criou um menino branco, sendo que não havia nenhum pedido específico sobre o tom de pele. (veja imagens abaixo). Procurados pelo g1, o dono do canal, Thiago Felizola, afirmou que não pensa na cor de pele dos personagens para criar os vídeos. "Peço de maneira genérica e (a inteligência artificial) me mostra isso mesmo". Já o @chamadatech não respondeu até a publicação desta reportagem. "Na prática, esses personagens (sempre brancos) podem induzir crianças a padrões que não as ajudem a reconhecer ou valorizar outras culturas", diz o professor de pedagogia da USP. "Mas ele ressalta que, a depender de como a tecnologia é usada, (os pais e as crianças) podem ter experiências diferentes na educação. Mas é preciso usar a IA com pensamento crítico". Personagens brancos nos conteúdos criados por IA para crianças @chamadatech e @thiagofelizola/YouTube Outro problema pedagógico apontado é que os textos produzidos pela inteligência artificial são muito semelhantes – ou seja, a "moral da história" é muitas vezes a mesma, prejudicando o aprendizado infantil. Em uma nota divulgada em 2021, a diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Audrey Azoulay, afirmou que ler muitos livros – consequentemente, com diferentes narrativas – ajuda explorar várias ideias e culturas. No vídeo do @chamadatech, o ChatGPT criou uma história sobre Sofia, uma garota que encontra uma árvore mágica e pede para que seu animal comece a falar para poderem brincar juntos, e o desejo é realizado. A história, segundo o vídeo, tem a moral de que o amor e o companheirismo não têm barreiras. O tema foi abordado de forma parecida no vídeo do @thiagofelizola. O youtuber pediu apenas que a inteligência artificial criasse uma história "infantil e emocionante" com aproximadamente 200 palavras. A tecnologia produziu a história de um menino chamado Leo, que sonhava em tocar as estrelas. Então, uma estrela-cadente caiu em suas mãos, e ele a ajudou, "com amor e companheirismo" a fazer com que ela voltasse para o céu. "Ensinamos a criar histórias morais de amor e amizade, bem melhor do que muitos desenhos que ensinam sobre bruxas fantasmas, etc", diz o canal @ReinaldoeMayara, que também explica como fazer conteúdo infantil com IA aos seus espectadores. O g1 entrou em contato com o ChatGPT para entender por que as histórias sugeridas são parecidas, mas não teve retorno até a publicação desta reportagem. Conteúdos não informam que foram criados com IA Além de problemas pedagógicos, os especialistas destacam outra desvantagem – e dessa vez focado nos pais: a falta identificação de quais livros digitais ou vídeos foram criados por IA. Isso porque ainda não há regras específicas para desenhos infantis na Amazon ou no YouTube, por exemplo. Os três livros digitais do canal @ReinaldoeMayara disponíveis na Amazon não informam que são feitos por inteligência artificial. Os youtubers apenas disseram em um dos vídeos disponíveis no YouTube que usaram IA para criar os ebooks. E para o livro digital não ser detectado como feito por IA, o canal ressalta que: "(Depois que pedir para o ChatGPT criar o conteúdo), você deve reescrever a sua história, (e então) usar a plataforma Smodin, para detectar se o texto foi gerado por humanos ou não. Você pode ir trocando as palavras, mudando alguns sentidos", diz a youtuber, no vídeo "Como Criar um livro de história infantil corretamente para vender na Amazon KDP". A Amazon solicita que o autor apenas informe se o produto foi totalmente gerado por IA. Segundo o documento de diretrizes da empresa, caso as ferramentas tecnológicas tenham sido usadas para auxiliar na escrita ou edição, por exemplo, não há necessidade da comunicação do uso da ferramenta. O g1 entrou em contato com a empresa para entender se existe alguma perspectiva de mudança nas regras, mas não teve retorno até a publicação desta reportagem. Print do vídeo "Ganhe dinheiro no YouTube com esse canal dark simples de criar e que monetiza rápido" Reprodução/YouTube/@CanalClaYOliveiraOficial O YouTube, por sua vez, criou em março um selo que obriga o youtuber a informar se houve o uso de IA apenas em determinadas situações, como a troca do rosto de uma pessoa por outra ou a representação realista de eventos fictícios. "O objetivo é fortalecer a transparência com os espectadores e construir confiança entre os criadores e seu público", informou a empresa em nota. Porém, até o momento, a plataforma de vídeos não exige que os criadores informem se a inteligência artificial foi usada na etapa de produção, como a geração de roteiros, ideias de conteúdo ou quando a mídia for irrealista – como um desenho infantil.
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16/04 - Preconceito, baixa qualidade e mais: entenda riscos de conteúdos gerados por inteligência artificial para crianças
Influenciadores divulgam dicas de como produzir (e lucrar) com vídeos e livros criados com base em conteúdos gerados por ferramentas como o ChatGPT. Os riscos de crianças consumirem conteúdos gerados por Inteligência Artificial Cada vez mais populares nas redes sociais, conteúdos gerados por inteligência artificial (IA) voltados para o público infantil viraram motivo de alerta entre especialistas. Baixa qualidade pedagógica, ponto de vista enviesado e pouca diversidade (refletida, por exemplo, na ausência de personagens negros) são alguns dos problemas apontados. Esse nicho tem sido impulsionado por influenciadores que ensinam como produzir, em questão de minutos, livros digitais e animações para crianças – além de explicarem como fazer dinheiro com esses produtos. Os vídeos mais assistidos no YouTube, por exemplo, chegam a bater 300 mil visualizações. O uso de ferramentas de IA, como o ChatGPT, da empresa OpenAI, é relativamente novo. Tanto que adultos ainda enfrentam dificuldade para lidar com os conteúdos gerados por esses softwares – se determinada informação é verdadeira ou falsa, como os casos de deepfake. Quando se trata de crianças, então, a situação exige ainda mais cuidados. É o que explica Débora Cardoso, professora de pedagogia da Universidade Presbiteriana Mackenzie. As crianças são pessoas em desenvolvimento e funcionam como esponjas. O que elas consumirem pode interferir no desenvolvimento delas. Ela pondera, no entanto, que as crianças do século 21 já nasceram na era digital, então é preciso encontrar um equilíbrio para o uso da tecnologia na infância. Além do consumo de conteúdos gerados por IA, a popularização da tecnologia abre espaço para que as crianças utilizem essas ferramentas – e isso também é motivo de preocupação para especialistas. Veja, abaixo, quais são os problemas para as crianças que podem ser agravados em decorrência dessa tecnologia. 🧠 Preguiça mental Segundo Álvaro Machado Dias, professor livre-docente da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o uso excessivo e ferramentas de IA e o consumo de conteúdos de baixa qualidade produzidos por meio dessas ferramentas podem deixar o cérebro preguiçoso. como identificar: para o professor, os pais conseguem identificar que a criança está usando IA se passou a ter mais tempo livre. Por exemplo, passou a fazer as lições de casa em menor tempo. riscos: se esses vídeos estão sendo usados para otimizar o tempo, reduzindo os esforços cerebrais, a criança pode desenvolver um "enferrujamento mental", alertam os especialistas. Além disso, elas podem até desenvolver uma dificuldade cognitiva de prestar atenção em mais de um assunto. o que fazer: Tirar o acesso ao computador pode até ser uma solução fácil, mas pouco funcional, alerta o especialista. O ideal é motivar o aprendizado da criança e, se for usar inteligência artificial, que seja ao lado dos responsáveis. A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) recomenda que crianças com menos de 13 anos não acessem ferramentas de IA. A OpenAI, dona do ChatGPT, também indica a mesma idade. Porém, não há restrição etária para acessar. 📖 Manipulação A criança tem poucas experiências de vida e repertórios que a ajudem ter pensamentos críticos. Por isso, os vídeos feitos por IA podem atrapalhar o discernimento sobre o que é certo ou errado, assim como o processo de tomada de decisões. Como identificar: para a professora do Mackenzie, a criança manipulada demonstra mudanças de comportamento – podem ficar mais agressivas ou tristes, sentimentos que antes não eram comuns. Esses sentimentos, segundo a especialista, podem aflorar se, por exemplo, a criança pedir para os pais comprarem um brinquedo que sempre aparece em um vídeo feito por IA e não conseguir o que quer. riscos: Agnaldo Arraio, professor de faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), ressalta que entre os riscos está o entendimento do que é certo ou errado. "Se diariamente nos deparamos com adultos sendo manipulados pela desinformação, que supostamente já são escolarizados e teriam as competências para discernir o que é real e o que é manipulado, imagine uma criança muito pequena que ainda não teria essa possibilidade de discernimento". o que fazer: Arraio sugere acompanhar as crianças durante o uso da IA pode ser um dos melhores caminhos. “Proibir não funcionaria, pois elas [crianças] poderiam acessar escondido e longe da possibilidade de acompanhamento de adultos”, afirma. 🧑🏾 Estereótipos e preconceito A criança pode desenvolver algum tipo de preconceito a depender do conteúdo consumido. Isso porque, segundo especialistas, a tecnologia pode apresentar personagens dentro de padrões de raça e gênero, por exemplo, prejudicando o acesso às diferenças, criando bolhas e falta de repertório em termos de diversidade. Como identificar: segundo os especialistas, observar a criança é a melhor saída: se fala algo preconceituoso, se faz alguma piada ou tira sarro de outro colega, seja pela cor ou por algum problema físico, por exemplo. Além disso, indicam observar se os conteúdos produzidos por IA e consumidos pelas crianças têm tons pejorativos. riscos: o principal risco é a criança continuar com pensamentos preconceituosos e estereotipados, podendo chegar a praticar bullying com colegas de sala, por exemplo. o que fazer: Débora Cardoso, professora do Mackenzie, afirma que o primeiro contato que a criança pode ter com falas preconceituosas é no âmbito familiar. Dessa forma, os pais precisam ficar atentos aos discursos e conversas que a criança escuta. Além disso, precisam ficar em contato com a escola para ver se o filho está convivendo com colegas que também tenham falas problemáticas. 🫂 Problemas na socialização: O uso excessivo de tecnologia pode inibir a criança de ter vontade de conviver com colegas de sala. Assim como pode, desde cedo, colocá-las em uma bolha virtual, limitando suas oportunidades de ter contato com novas culturas. como identificar: Crianças gostam de ficar sozinhas, ressalta a professora do Mackenzie Débora Cardoso. Porém, é necessário ficar atento se estão gastando mais tempo no celular do que com os colegas de sala, por exemplo. E se a criança está conversando apenas sobre o universo da internet ou consegue falar sobre outros assuntos. riscos: de acordo com o professor da USP Agnaldo Arraio, a forte presença das máquinas no cotidiano das crianças pode desumanizar qualquer pessoa – ou seja, “o risco de deixar a criança exposta apenas às máquinas é quase que tirar o direito de acesso às diferenças que existem no mundo”. o que fazer: os especialistas recomendam que os pais tentem controlar o tempo que o filho fica no celular. Não é preciso tirar o aparelho da criança, mas ficar de olho no conteúdo que é consumido. Além disso, é indicado que os responsáveis ofereçam mais tempo ao filho, para conseguirem se divertir juntos, sem internet. Como esses conteúdos são produzidos Vídeos que ensinam a fazer conteúdos com IA para crianças Reprodução/YouTube O conteúdo para crianças feitos com IA também são criticados pelos especialistas, especialmente por dois motivos: "moral da história" sempre igual e personagens em sua maioria brancos. No primeiro caso, a criança fica presa a apenas uma visão de mundo; no segundo caso, elas podem desenvolver algum tipo de preconceito Segundo especialistas, os textos de IA não são diversos – ou seja, a moral é muitas vezes a mesma, prejudicando o aprendizado infantil. Em uma nota divulgada em 2021, a diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Audrey Azoulay, afirmou que ler muitos livros – consequentemente, com diferentes narrativas – ajuda explorar várias ideias e culturas. As imagens desses conteúdos, por sua vez, retratam personagens na maioria das vezes muito parecidos, sem contemplar a diversidade. E, segundo os especialistas, isso ajuda na predisposição das crianças desenvolverem algum preconceito. “Se você procurar uma imagem de princesa, provavelmente receberá personagens brancas, loiras e de olhos claros. Dificilmente aparecerá outras etnias ou raças”, explica Arraio, professor da USP. ""Na prática, esses personagens (sempre brancos) podem induzir crianças a padrões que não as ajudem a reconhecer ou valorizar outras culturas". Por exemplo, no vídeo: "Criar vídeos animados digitando texto com inteligência artificial gratuita", com 61 mil visualizações, do canal @chamadatech, a IA criou uma menina branca, sendo que o youtuber pediu apenas que a personagem tivesse "cabelos cacheados cor de mel e olhos que brilhavam como estrelas". Em outro canal, do @thiagofelizola, o vídeo: "Como criar desenhos animados usando IA & ChatGPT [Grátis]" mostra que a tecnologia criou um menino branco, sendo que não havia nenhum pedido específico sobre o tom de pele. (veja imagens abaixo). Personagens brancos nos conteúdos criados por IA para crianças @chamadatech e @thiagofelizola/YouTube Procurados pelo g1, o dono do canal @thiagofelizola, Thiago Felizola, afirmou que não pensa na cor de pele dos personagens para criar os vídeos. "Peço de maneira genérica e (a inteligência artificial) me mostra isso mesmo". Já o canal @chamadatech não respondeu até a publicação desta matéria.
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15/04 - Ao menos 52 universidades federais e 79 institutos estão em greve
Servidores federais reivindicam reestruturação de carreira, recomposição salarial e orçamentária, e revogação de normas aprovadas nos governos Temer e Bolsonaro. Professores do Instituto Federal do Piauí aderem à greve. Andressa Lopes/Rede Clube Ao menos 52 universidades, 79 institutos federais (IFs) e 14 campus do Colégio Pedro II estão em greve, de acordo com um levantamento realizado pelo g1. Professores e servidores das instituições reivindicam reestruturação de carreira, recomposição salarial e orçamentária, e revogação de normas aprovadas nos governos Temer e Bolsonaro. Os níveis de paralisação variam. Em algumas instituições, professores e técnicos-administrativos aderiram à greve. Em outros casos, apenas os professores, ou apenas os técnicos, estão paralisados. Procurado pelo g1, o Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe), que representa os professores e demais servidores federais, informou que, apesar de se reunir desde 2023 com o Governo Federal, nenhuma proposta que contemple as reivindicações dos servidores foi apresentada. Já o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes) não respondeu aos questionamentos até a publicação da reportagem. O Ministério da Educação declarou, por meio da assessoria de imprensa, que "vem envidando todos os esforços para buscar alternativas de valorização dos servidores da educação, atento ao diálogo franco e respeitoso com as categorias". A pasta diz ainda que vem participando das mesas de negociação que trata de condições de trabalho dos servidores que atuam nas instituições de educação. Abaixo, confira como está a situação pelo país. Norte Acre: servidores da Universidade Federal do Acre (Ufac) e do Instituto Federal do Acre (Ifac) estão em greve. Amapá: servidores do Instituto Federal do Amapá (IFAP) e da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP) aderiram à paralisação. Pará: as federais do Pará (UFPA), do Oeste do Pará (Ufopa), Federal Rural da Amazônia (Ufra), e o Instituto Federal do Pará (IFPA) e a Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) também estão em greve. Rondônia: a Universidade Federal de Rondônia (Unir) e o Instituto Federal de Rondônia também estão paralisados. Tocantins: técnicos da Universidade Federal do Tocantins (UFT) e um campi do Instituto Federal do estado estão em greve. Nordeste Alagoas: tanto a Universidade Federal de Alagoas (UFAL) quanto o Instituto Federal de Alagoas (IFAL) estão paralisados. Bahia: 17 campi do Instituto Federal da Bahia também entraram em greve. Técnicos da Universidade Federal do Recôncavo Baiano também aderiram ao movimento. Ceará: estão em greve a Universidade Federal do Ceará (UFC) Universidade Federal do Cariri (UFCA) Universidade Federal da Integração Luso-Afro Brasileira (Unilab) e o Instituto Federal do Ceará (IFCE). Maranhão: técnicos e professores da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) também aderiram à paralisação. Paraíba: estão em greve os técnicos da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), e professores e técnicos do Instituto Federal da Paraíba (IFPB). Pernambuco: a greve afeta pelo menos a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e o Instituto Federal de Pernambuco (IFPE). Piauí: dois campi do Instituto Federal do Piauí e a Universidade Federal do Piauí (UFPI) Campus Teresina estão em greve. Rio Grande do Norte: o Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), a Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa) e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) aderiram à paralisação. Sergipe: estão paralisados o Instituto Federal de Sergipe (IFS) e a Universidade Federal de Sergipe (UFS). Sul Rio Grande do Sul: a Universidade Federal de Pelotas (UFPel), a Universidade Federal do Rio Grande (FURG), a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e três campi do Instituto Federal do RS estão paralisados. Paraná: a Universidade Federal do Paraná (UFPR), a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) e o Instituto Federal do Paraná (IFPR) também estão em greve. Santa Catarina: estão em greve servidores da Universidade Federal de SC (UFSC), da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), do Instituto Federal Catarinense (IFC) e do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) Sudeste Espírito Santo: tanto o Instituto Federal do Espírito Santo (IFES) quanto a Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) estão em greve. Minas Gerais: estão em greve a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), a Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ), a Universidade Federal de Viçosa (UFV), a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), o Centro Federal de Educação Tecnológica (Cetef), quatro campi do Instituto Federal de Minas Gerais, quatro do IF do Sul de Minas e o Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM). Universidade Federal de Alfenas (Unifal) e Universidade Federal de Lavras (Ufla) também aderiram. Rio de Janeiro: os técnicos-administrativos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), da Universidade Federal Fluminense (UFF), da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), e da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) estão em greve; no Colégio Pedro II os professores estão em greve. Docentes e técnicos-administrativos do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ) também aderiram. São Paulo: seis campi do Instituto Federal de São Paulo e a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) foram afetados pela paralisação dos servidores. Centro-Oeste Distrito Federal: a Universidade de Brasília (UnB) está paralisada. Mato Grosso: 18 campi do Instituto Federal do Mato Grosso também aderiram à paralisação, assim como a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Mato Grosso do Sul: o Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS) e a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) estão em greve. Goiás: servidores administrativos da Universidade Federal de Goiás (UFG), da Universidade Federal de Catalão (UFCat), e da Universidade Federal de Jataí (UFJ), e dois campi do Instituto Federal de Goiás também estão em greve. G1 no DF1: Professores da UnB decidem entrar em greve VÍDEOS DE EDUCAÇÃO
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15/04 - Enem 2024: prazo para pedir isenção da taxa começa nesta segunda; saiba quem tem direito e como solicitar
Candidatos que tiveram isenção no Enem 2023 e não compareceram nos dias das provas precisam justificar a ausência para ter direito ao não pagamento em 2024. Pedidos de isenção para o Enem 2024 devem ser feitos até 26 de abril. Na imagem, parcitipante acessa página do Enem Divulgação/Depositphotos O prazo para solicitar a isenção de pagamento da taxa de inscrição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2024 começa nesta segunda-feira (15). O Inep, órgão responsável pelo exame, ainda não divulgou o valor da inscrição. Na edição de 2023, assim como em anos anteriores, o valor para quem não tinha isenção foi de R$ 85. 👉 Os pedidos de isenção devem ser submetidos na Página do Participante (enem.inep.gov.br/participante) com o login do gov.br até 26 de abril. Abaixo, confira as respostas para as principais dúvidas sobre o benefício e sobre o Enem 2024. 💰 Quem tem direito à isenção de taxa? Participantes que estão no 3º ano do ensino médio de escolas públicas; alunos que estudaram durante todo o ensino médio na rede pública ou como bolsistas integrais da rede privada, desde que tenham renda familiar per capita igual ou inferior a 1,5 salário mínimo (R$ 1.980); cidadãos em vulnerabilidade social, membros de família de baixa renda com inscrição no Cadastro Único para programas sociais do governo federal (CadÚnico). 💻 Como solicitar a isenção? É preciso entrar na Página do Participante e informar o CPF, a data de nascimento, o e-mail e um número de telefone válido. ☹️ E quem estava isento no Enem 2023, mas não fez a prova? Nesse caso, é necessário entrar na Página do Participante e justificar a ausência (anexando um atestado médico ou um boletim de ocorrência, por exemplo). Caso contrário, perderá o direito à isenção. ✉️ Quando saem os resultados da isenção? Em 13 de maio. Caso o pedido seja negado, é possível entrar com recurso entre 13 e 17 de maio. 📝 Quem conseguir a isenção precisa se inscrever no Enem? Sim. Todos, isentos ou não, deverão fazer a inscrição no Enem 2024, no período que ainda vai ser divulgado pelo Inep. Datas do período de isenção e justificativa 15 a 26 de abril: justificativa de ausência no Enem 2023 e solicitação de isenção do Enem 2024. 13 de maio: resultado da justificativa de ausência no Enem 2023 e solicitação de isenção do Enem 2024. 13 a 17 de maio: recurso da justificativa de ausência no Enem 2023 e solicitação de isenção do Enem 2024. 24 de maio: resultado do recurso da justificativa de ausência no Enem 2023 e solicitação de isenção do Enem 2024. Redação nota mil no Enem: alunos de escola pública que atingiram pontuação dão dicas Vídeos
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11/04 - Por que estudar em escola particular no Brasil não é garantia de bom desempenho em exame internacional
Resultado de escolas particulares no Brasil ficou abaixo da média internacional na última edição do Pisa. Especialistas listam fatores para entender a questão. Desempenho escolar do Brasil está abaixo na média, e não somente no sistema público DW/N. Pontes Muitas famílias brasileiras buscam em escolas particulares um caminho para garantir melhor oportunidade de educação para seus filhos, mas nem sempre essa alternativa é uma garantia de aprendizado. Avaliações internacionais recentes confirmaram que o desempenho escolar geral do país está abaixo da média não somente no sistema público, mas também no privado. Os números da edição mais recente do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) mostraram que, embora o Brasil tenha conseguido passar pela pandemia sem piorar suas notas em matemática, leitura e ciências, os alunos brasileiros ficaram estagnados em níveis bastante insuficientes de aprendizado e bem abaixo da média internacional. A avaliação realizada em 2022 indicou um desempenho abaixo da média em todos os recortes de renda: nem mesmo os alunos mais ricos ou as escolas particulares alcançaram a média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Por que estudar em escola particular no Brasil não é garantia de bom desempenho em exame internacional DW Será que isso significa pagar pela educação – sacrifício e meta para tantas famílias brasileiras que buscam mobilidade social – não é garantia de qualidade? A DW consultou especialistas e listou cinco fatores que ajudam a entender a questão. 1. O que o Pisa mostra sobre as escolas particulares Realizado de três em três anos com estudantes na faixa dos 15 anos em 81 países membros e parceiros da OCDE, o Pisa traça um painel mundial da aprendizagem de estudantes na educação básica. Na edição de 2022, o foco foi em matemática. 👉🏽 O objetivo é avaliar se, aos 15 anos de idade, próximos do fim da escolaridade obrigatória em muitos países, os estudantes já aprenderam o suficiente para serem cidadãos plenos. No Brasil, 10.798 alunos de 599 escolas passaram pela avaliação; destes, 1437 (ou 14,2%) eram de escolas privadas. A maioria dos participantes brasileiros representados no Pisa 2022 era da rede pública: estadual, (73,1%), seguida de municipais (10,3%) e federais (2,5%). Enquanto a média geral de pontos do Brasil foi de 379 em matemática, 93 pontos abaixo da média da OCDE de 472, as escolas particulares fizeram 456 pontos. Melhores que a média do país, mas ainda abaixo da internacional. Nem os alunos mais ricos no Brasil alcançaram a média da OCDE em matemática. Foram piores que estudantes de perfil parecido em países como Turquia e Vietnã, que fizeram mais de 500 pontos. Brasil está nas últimas posições no Pisa 2022; veja notas de 81 países em matemática, ciências e leitura 2. Pandemia atrapalhou As escolas particulares detêm uma fatia relativamente pequena da educação básica no Brasil. Das 47,3 milhões de matrículas registradas em 2023, 9,4 milhões (19,9%) eram no sistema privado. No ensino médio, as particulares representam 13%. A baixa representatividade talvez ajude a explicar a escassez de trabalhos acadêmicos sobre a qualidade do ensino privado: a grande maioria das pesquisas se refere ao ensino público. O pesquisador Ocimar Munhoz Alavarse, doutor em educação pela Universidade de São Paulo (USP), é exceção: há décadas dedica-se a interpretar as estatísticas de avaliações de ensino, como o Pisa e o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), para compreender o que está além das médias de indicadores. Coordenador do Grupo de Estudos e Pesquisas em Avaliação Educacional da Faculdade de Educação da USP, Alavarse diz que o atual Pisa reflete os alunos fora da escola na pandemia. "Impactou todo mundo, mas as escolas privadas continuam tendo resultado, nas médias, superiores." Nem as famílias de classes média e alta, diz o professor, estavam prontas para a educação remota. "Muitas também não tinham em suas casas dois, três computadores, quando o pai e mãe também trabalhavam em casa", diz, pontuando que, obviamente, a situação era mais grave para as famílias de baixa renda. As escolas também estavam despreparadas. "Uma coisa é recorrer eventualmente a esses recursos [tecnológicos]; outra coisa é transferir algo que há 200 anos se faz, que é o ensino presencial, para o computador", afirma Alavarse. 3. Influência de fora da escola A estrutura do Pisa permite comparar alunos do mesmo nível socioeconômico de vários países. Segundo a OCDE, o status socioeconômico foi responsável por 15% da variação no desempenho em matemática no Pisa 2022 no Brasil, mesmo nível da OCDE. "Todas as pesquisas reafirmam: quanto maior o nível socioeconômico do aluno, maior tende a ser o desempenho", diz Alavarse. Escolas de bairros de alta renda, por exemplo, tendem naturalmente a ter desempenho melhor do que territórios de vulnerabilidade social. Não por mérito, mas por injustiça social. Os alunos com melhores condições já partem do início da "corrida" com vantagens: o nível de escolarização da mãe, o engajamento da família nos estudos, os livros e estímulos que a criança tem em casa, as condições de alimentação, saúde: tudo o que colabora ou atrapalha o aluno nos estudos, por exemplo. 4. Escolas particulares são bem diferentes entre si Diferentemente do que pode supor o senso comum, não dá para tratar todas as escolas particulares como um mesmo grupo. "Uma coisa são as escolas de elite das principais capitais, que custam R$ 5 mil, R$ 6 mil, R$ 15 mil por mês. E existem escolas que chamamos de escola de bairro, que atende um público entre C e D, e elas acabam ficando num limbo", explica a pedagoga e mestre em educação Beatriz Cortese, diretora do Cenpec, organização sem fins lucrativos que promove equidade e qualidade na educação pública. "Por um lado, elas não seguem a regulação e o cuidado das escolas públicas, que o governo acompanha, e por outro não têm a mesma estrutura das particulares", acrescenta Cortese. Pedro Flexa, diretor da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep), diz que "de fato os resultados do Pisa atestam que fatores extraescolares têm grande peso". Ele destaca, no entanto, o impacto positivo que as escolas particulares podem ter para famílias mais pobres, contribuindo para a sociedade. José Antonio Figueiredo Antiório, presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo, diz que há muitas escolas de mensalidade muito baixas que não são sequer regularizadas. "Um problema muito sério que estamos tentando resolver", ressalta. 5. Muitos alunos aprendem menos Mesmo que a "foto" do ensino particular seja mais bonita, não significa que a maioria dos alunos aprendam. Alavarse cita dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) para mostrar que, embora as escolas privadas tenham em média um resultado melhor que as públicas, há uma grande parcela de alunos que saem da escola despreparados. Ele cita o Saeb 2021, que mostra que, entre alunos do 9º ano avaliados em matemática, 50% não aprenderam o que era esperado. Na mesma comparação, nas escolas municipais esse percentual era de 87%, segundo o especialista. "Moral da história: se eu olhar para resultados [do Pisa e Saeb], sim: os resultados são superiores do que das escolas públicas. Mas também tem uma quantidade gigantesca, metade dos alunos, que não atinge o que seria esperado", diz. Comparando ao padrão europeu almejado no Pisa, ele estima que a média das escolas privadas do Brasil equivaleria à média dos níveis socioeconômicos mais baixos da OCDE. Mas é fato que, para o topo dos alunos de melhor desempenho, o padrão é melhor. "Tem uma pequena parcela dos alunos da escola privada que têm desempenho parecido com o da Suíça", afirma o professor da USP. Embora diga que o conceito de qualidade da escola pode variar de acordo com a família – uns querem desempenho no Enem, outros mais habilidades emocionais, por exemplo –, Alavarse alerta que, a depender da escola e dos sonhos de cada um, muitas podem não estar obtendo o que é esperado ao pagar a mensalidade. VÍDEOS E PODCAST
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09/04 - Ônibus escolares atolam e prejudicam estudantes de escolas públicas na capital do país; veja imagens
Ao todo, cinco escolas são atendidas pelo transporte que circula na zona rural do Gama, onde fica estrada. Administração responsabiliza chuvas pelo problema. Ônibus escolar atola na zona rural do Guará, no Distrito Federal. Por mais cedo que saiam de casa para pegar o ônibus escolar, os estudantes da zona rural do Gama, em Brasília, têm que resolver uma questão no caminho para o colégio: a que horas vão chegar? Por conta dos buracos e da lama, os motoristas dos ônibus fazem zigue-zague para vencer o caminho. No entanto, nem sempre dá certo (veja vídeo acima). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. O ônibus escolar leva meninos e meninas para cinco escolas públicas do Distrito Federal. Nos últimos dias, por duas vezes o ônibus atolou na estrada e eles chegaram atrasados. Ônibus atola no Gama e motorista tenta tirar o veículo da Lama. Reprodução/TV Globo Nesta segunda-feira (8), as crianças tiveram que esperar por um outro veículo. Na semana passada foi preciso usar um trator para retirar o ônibus escolar do atoleiro (veja vídeo abaixo). Em nota, a Administração do Gama, onde fica a estrada, respondeu que "por conta do período de chuvas, a estrada sofreu danos após reparos". Já a Novacap, responsável pelas obras, diz que "atua mediante demandas das administrações regionais". As escolas afetadas são todas do Gama: Centro de Ensino Fundamental 3 Escola Classe 3 Centro de Ensino Fundamental 6 Escola Classe 21 Centro de Ensino Médio 1 Um trator retirou ônibus atolado na região rural do Gama. LEIA TAMBÉM: VÍDEO: Criança desce de ônibus correndo e é atropelada por outro ônibus no DF ATROPELAMENTO DE CICLISTAS: Justiça mantém prisão de motorista que atropelou 5 ciclistas no DF; uma vítima está em estado grave Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.
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09/04 - Imagens de eclipse solar total 'multiplicado' no chão chamam a atenção; ciência explica fenômeno
Segundo especialistas, efeito conhecido como 'pinhole' acontece quando a luz de um objeto atravessa por um espaço pequeno e é projetada em uma superfície. Vídeo mostra projeção do eclipse solar 'multiplicado' no chão; ciência explica fenômeno Pequenos círculos, com o centro escuro e as bordas claras, se movimentam pelo chão. Imagens que mostram esse efeito curioso do eclipse solar total, visto nesta segunda-feira (8), na sombra das árvores chamaram a atenção nas redes sociais. Segundo especialistas, o fenômeno é real e explicado pela física. Um vídeo foi feito no México nesta segunda-feira e compartilhado na internet. (Veja o vídeo acima) 🍃🍃🍃 O que acontece é que a passagem de luz através das folhas das árvores projeta a imagem do eclipse no chão, agindo como uma "câmera pinhole" (na tradução literal do inglês, "buraco de alfinete") -- semelhante àquele experimento comum nos anos iniciais da escola, feito com uma caixa e um pequeno buraco, para projetar a imagem do outro lado. Nesse modelo, a luz de um objeto atravessa um espaço pequeno, que pode ser um buraco em uma folha de papel ou caixa, por exemplo. Com isso, a imagem é projetada do outro lado. Nas imagens que circulam na internet, as árvores agiram como o "filtro" e causaram a projeção do eclipse no chão. Eclipse foi refletido no chão por fenômeno pinhole Arte/g1 Através das folhas das árvores, temos pequenas passagens de luz e, como elas estão a uma distância suficiente, elas permitem ver a imagem do eclipse projetada por entre as folhas. Isso acontece pela forma como a luz se propaga por entre as folhas, como no pinhole. ➡️ O modelo era uma das formas indicadas como segura pela própria Nasa, agência espacial norte-americana, para visualizar o eclipse. Isso porque não se pode olhar diretamente para o sol porque é um risco para a saúde dos olhos. Turista na Flórida observa eclipse solar através de pinhole Tampa Bay Times/AP O efeito pinhole registrado na segunda-feira já havia sido visto em outros eclipses, como nessa imagem de 2012 abaixo. Imagem feita em 2012 durante eclipse Reprodução/Redes Sociais Segundo o pesquisador Jaziel Coelho, pesquisador do Departamento de Física da Ufes, essas imagens são muito comuns durante um eclipse solar total. "É um fenômeno físico que é conhecido como 'buraco de alfinete' (câmera pinhole). As imagens são lindas e impressionantes. As sombras projetadas pelas folhas da árvore durante o eclipse solar podem ter uma aparência crescente devido a esse efeito (da imagem da Lua cobrindo o Sol)", explica. Efeito pinhole: projeção do eclipse solar total através das folhas das árvores Reprodução/Nasa Langley Research Center Eclipse total do Sol O eclipse solar total mais recente pôde ser visto apenas do México, Estados Unidos e Canadá. 🌑🌒🌓 Um eclipse solar ocorre quando a Lua se posiciona entre o Sol e a Terra de uma maneira que ela acaba lançando uma sombra sobre a Terra. Quando a Lua bloqueia toda a luz do Sol, temos o chamado eclipse solar total. Apesar de acontecer uma ou duas vezes por ano, é considerado raro porque somente as pessoas que estão em uma determinada faixa do planeta conseguem ver o eclipse total. A faixa de visibilidade tem no máximo 270 quilômetros de largura, o que limita a visualização do fenômeno. No caso do eclipse desta segunda, a faixa abrangeu parte da América do Norte. Vídeo mostra como foi o eclipse solar total Eclipse solar total; FOTOS do fenômeno visto no México, EUA e Canadá
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08/04 - Professores da UnB decidem entrar em greve
Decisão foi tomada em assembleia na tarde desta segunda-feira (8), em Brasília, e greve será iniciada na próxima segunda (15). Professores pedem recomposição salarial com reajuste de 22,71%; servidores técnico-administrativos da universidade estão em greve desde 11 de março. Professores da UnB votam pela greve na universidade Fernanda Bastos/g1 Os professores da Universidade de Brasília (UnB) decidiram entrar em greve durante assembleia realizada na tarde desta segunda-feira (8). Os servidores técnico-administrativos da universidade estão em greve desde o dia 11 de março. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. A greve dos professores foi aprovada por 257 votos a favor e 213 contra. Também por meio de votação, a categoria decidiu que a paralisação se inicia na próxima segunda-feira (15). O prazo foi dado para a mobilização dos professores e para a organização do movimento, segundo a Associação de Docentes da UnB (Adunb). A última paralisação dos professores foi em 2012. O Ministério da Educação e o Ministério da Gestão disseram que as negociações com os professores continuam (veja notas completas abaixo). Reivindicações dos professores Professores durante assembleia convocada pela Adunb na UnB Divulgação/Comunicação Adunb Os professores da UnB pedem recomposição salarial com reajuste de 22,71%, divididos em três parcelas: 2024: 7,06% 2025: 7,06% 2026: 7,06% O governo federal, por meio do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), propôs: 2024: sem reajuste 2025: 4,5% 2026: 4,5% O governo também apresentou uma proposta de reajuste dos auxílios alimentação, saúde e creche que não contempla aposentados e pensionistas. Os professores pedem, além da recomposição salarial, a equiparação dos benefícios e auxílios com os servidores do Legislativo e do Judiciário ainda em 2024 e também a revogação de atos normativos criados durante governos anteriores que impactam a carreira dos docentes. O que diz o Ministério da Educação "O Ministério da Educação (MEC) vem envidando todos os esforços para buscar alternativas de valorização dos servidores da educação, atento ao diálogo franco e respeitoso com as categorias. No ano passado, o governo federal promoveu reajuste de 9% para todos os servidores. Equipes da pasta vêm participando da mesa nacional de negociação e das mesas específicas de técnicos e docentes instituídas pelo MGI. E, ainda nessa semana, conduzirão reunião da mesa setorial que trata de condições de trabalho". O que diz o Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos "Em 2023 o Ministério da Gestão viabilizou, a partir de negociação com as entidades representativas dos servidores federais, reajuste linear de 9% para todos os servidores, além do aumento de 43,6% no auxílio alimentação. Esse foi o primeiro acordo para reajustes fechado entre o governo e servidores em oito anos. Também foi formalizada proposta, para este ano de 2024, de reajuste no auxílio-alimentação de R$ 658 para R$ 1 mil (51,9% a mais); de aumento em 51% nos recursos destinados à assistência à saúde suplementar (“auxílio-saúde”); e, ainda, de acréscimo na assistência pré-escolar (“auxílio-creche”) de R$ 321 para R$ 484,90. Como parte do processo de debates sobre reajustes para o ano de 2024, foram abertas mesas específicas para tratar de algumas carreiras. Dez mesas já chegaram a acordos e oito estão em andamento, sendo que com as entidades representativas das carreiras educacional, os Ministérios da Gestão e o da Educação criou um Grupo de Trabalho (GT) para tratar da reestruturação do Plano de Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em Educação (PCCTAE). O relatório final do GT, entregue no dia 27/3 à ministra Esther Dweck, servirá como insumo para a proposta do governo de reestruturação da carreira, que será apresentada aos servidores na Mesa Específica de Negociação. O Ministério da Gestão segue aberto ao diálogo com os servidores da área de educação e de todas as outras áreas." LEIA TAMBÉM INSTITUTOS FEDERAIS: Com greve de professores e funcionários, quase 300 campi estão sem aula ÍNDICE DE ANALFABETISMO: DF tem menor índice de analfabetismo do país Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.
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08/04 - Greve de professores e funcionários: quase 300 campi de institutos federais estão sem aula
Trabalhadores reivindicam reestruturação de carreira, recomposição salarial e orçamentária, e revogação de normas aprovadas nos governos Temer e Bolsonaro. Categoria estudantil está dividida entre apoiar ou não o movimento. Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), um dos que aderiu à greve IFMT/Divulgação Professores e funcionários técnico-administrativos de quase 300 campi de institutos federais estão em greve nesta segunda-feira (8), sem previsão de retorno às atividades normais. A paralisação começou, na maior parte das unidades, em 3 de abril. 📝 *Campi é o plural de campus. Do latim, campus significa terreno e edifícios de uma universidade ou outra escola. Apesar de campi ser o plural recomendado pelo Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp), a versão aportuguesada câmpus também já é usada por instituições federais. Também aderiram ao movimento: o Colégio Pedro II, o Instituto Nacional de Educação de Surdos, o Instituto Benjamin Constant e a Cefet-RJ, no Rio de Janeiro, além de escolas e colégios federais vinculados ao Ministério da Defesa. De acordo com o Sisasefe (sindicato nacional que representa os servidores), todos os alunos dessas instituições estão sem aula. ➡️Quais as reivindicações dos trabalhadores? Os grevistas requerem: reestruturação das carreiras; recomposição salarial; revogação de normas relacionadas à educação que foram aprovadas nos governos Temer (2016-2018) e Bolsonaro (2019-2022), como o novo ensino médio; reforço no orçamento das instituições de ensino e reajuste imediato de auxílios estudantis. ➡️O que diz o governo? O Ministério da Gestão afirma que viabilizou, em 2023, um reajuste linear de 9% no salário dos servidores e de 43,6% no auxílio-alimentação. Segundo a pasta, foi o primeiro acordo firmado com as categorias nos últimos 8 anos. Para 2024, o governo diz que apresentou uma proposta de: elevar o auxílio-alimentação de R$ 658 para R$ 1 mil; aumentar 51% dos recursos de assistência à saúde; subir o auxílio-creche de R$ 321 para R$ 489,90. Esses itens estão sendo debatidos com as entidades educacionais em mesas específicas, segundo o que o Ministério da Gestão disse ao g1. Um relatório final com o plano de reestruturação das carreiras será apresentado em 27 de março à ministra Esther Dweck. O Sisasefe confirma que o diálogo dos sindicatos com o governo federal começou em junho de 2023, mas "o governo não mostrou um atendimento compatível às demandas da categoria até o momento". "A partir da reunião de 18/12/2023, os servidores federais da Educação Profissional, Científica e Tecnológica passaram a debater a possibilidade de construir uma greve — a qual foi aprovada em 27/03 com deflagração para 03/04", afirma a entidade de trabalhadores. ➡️Há previsão de retorno às atividades? Não. ➡️Qual é o posicionamento dos alunos? A categoria estudantil está dividida: a maioria, segundo fontes afirmaram ao g1, é contrária à paralisação. Vídeos Abaixo, veja o que mudou no Novo Ensino Médio após aprovação do texto na Câmara: Entenda o novo Ensino Médio
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08/04 - Nº de alunos com TEA matriculados em escolas estaduais de Piracicaba cresce 61% desde 2022
Em 2022, as escolas somavam 139 alunos. Até abril deste ano, são 244 estudantes, segundo dados da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP). Cidades da região da Piracicaba emitem 680 carteiras de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista; veja como fazer Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SEDPcD)/ Governo do Estado de São Paulo O número de estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) na rede estadual de ensino em Piracicaba (SP) aumento 61% desde 2022, quando as escolas somavam 139 alunos. Até abril deste ano, são 244 estudantes. Os dados são da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP). 📲 Receba no WhatsApp notícias da região de Piracicaba Em 2023, o número de alunos com TEA que frequentam a escolas da rede estadual de ensino na cidade era de 188, de acordo com levantamento mais atualizado disponibilizado a pedido do g1 Piracicaba e região nesta sexta-feira (5). Na última terça-feira (2) foi celebrado o Dia Mundial da Conscientização do Autismo, data criada pela Organização das Nações Unidas (ONU). Nesse dia, o Governo de São Paulo publicou um decreto que permite aos pais e responsáveis de alunos no Transtorno do Espectro Autista (TEA) ou com deficiência intelectual contratarem ou disponibilizem auxiliar pessoal para a criança na sala de aula. O serviço fica por conta dos familiares. A medida, conforme reportagem publicada no g1, no última quinta-feira (4), não isenta o Estado da obrigação com os alunos da rede pública de São Paulo, porém beneficia quem tem condições financeiras ou disponibilidade de tempo para adotar a medida. Especialistas apontam que a nova legislação representa um tímido avanço, mas que famílias econômica e socialmente vulneráveis continuam desamparadas mesmo com a nova legislação. Leia mais aqui. Carteirinha A Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SEDPcD) informou, nesta que, desde a implantação da Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (CipTEA) em abril de 2023, foram emitidas mais de 580 em Piracicaba. 🪪Saiba o que é preciso para solicitar a carteira, no final da reportagem👇 O número representa aumento de 40,7% na quantidade de documentos disponibilizados no ano passado, quando a cidade somava 412 identificações. “Deste total, mais de 68% são do sexo masculino, 31% do sexo feminino e 1% de outros”, especifica a secretaria. Idade escolar Dos cadastrados, a faixa etária que mais domina os pedidos de emissão da Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (CipTEA) é a equivalente a idade escolar na cidade. A maioria das emissões do documento abrange crianças com idades entre 0 e 10 anos, com cerca de 363 documentos. Na sequência, está o grupo de pessoas com idades entre 11 e 20 anos, sendo 120 emissões da carteirinha na cidade. Entre os jovens com 21 e 30 anos, há 40 documentos registrados em Piracicaba (SP). A cidade soma mais de 30 carteirinhas feitas para pessoas com faixa etária entre 31 e 40 anos. O número de emissões começa a diminuir a partir dos 40 anos, segundo levantamento da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Entre pessoas com idades de 41 a 50 anos, há 20 registros do documento em Piracicaba e 10 emissões para pessoas com mais de 50 anos. A emissão é realizada de forma digital, pelo portal ciptea.sp.gov.br, desenvolvido pela Prodesp, ou presencialmente nos mais de 240 postos do Poupatempo, nos serviços eletrônicos. “Hoje, 26 unidades no Estado possuem salas sensoriais para atendimento de pessoas com TEA, entre elas o posto no município de Piracicaba”, afirma a (SEDPcD) Benefícios Os cadastros servem para alimentar a base de dados dos municípios e do Estado com informações úteis ao aprimoramento de políticas públicas voltadas às necessidades da pessoa com transtorno do espectro autista. Segundo a SEDPcD, o documento permite que pessoas com TEA tenham atendimento integral, prioritário e humanizado nos serviços públicos de todo Estado de São Paulo. "A carteira, e o cordão de girassol também, são essenciais para o respeito aos direitos das pessoas com TEA, sejam elas jovens, crianças ou adultos. São elementos para garantir atendimento prioritário e inserção social pela identificação, sem que se precise falar ou provar mostrando um laudo", afirma a especialista Jussara Rosolen. Famílias Familiares e especialistas listam os benefícios e a importância de se fazer o pedido da Ciptea para garantir atendimento prioritário e facilitar acessos resguardados. O advogado Frederico Cosentino fez o cadastro para emissão da carteira da identificação do filho Leonardo, de sete anos, diagnosticado dentro do espectro. "A Ciptea é uma importante ferramenta para fazermos valer nossos direitos. Quanto mais nos fizermos presentes aos olhos do poder público e da sociedade, melhor a qualidade de vida dos indivíduos que estão dentro do espectro, dos familiares e da sociedade num todo", considera o pai. Frederico e Leonardo Cosentino Arquivo pessoal Necessidades ocultas A professora, psicopedagoga e mestra em Educação e Ciências pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Jussara Rosolen, explica que tanto a Ciptea quanto o Cordão de Girassol - que é outro elemento de identificação - são ferramentas importantes para que os direitos da pessoa com TEA sejam reconhecidos e resguardados. "Se a pessoa porta a carteirinha ou está com o cordão verde com o girassol, ela não precisa passar por nenhuma situação, às vezes, até de constrangimento, para assegurar o direito ocupar lugar em fila ou vaga preferencial ou estacionar em vaga especial, por exemplo, uma vez que no caso do TEA, às necessidades são ocultas", analisa. Estímulos sensoriais e TEA A especialista salienta que a pessoa diagnosticada com transtorno do espectro autista, muitas vezes, é muito sensível a estímulos sonoros, espaciais, de movimento, olfativos, entre outros. O cordão, identificado pelo girassol, e a carteira garantem visibilidade à condição e, com isso, facilita acessos a atendimentos prioritários "Excesso de estímulos sensoriais, a exemplo de cheiros ou sons, podem desencadear crises e, por isso, a carteira e o cordão são importantes para indicar a necessidade do respeito ao atendimento prioritário devido a existência de uma deficiência oculta. Na mais justo que atender a isso", especifica. LEIA MAIS: Carteirinha de identificação da pessoa com Transtorno do Espectro Autista pode ser emitida Autismo: o que é camuflagem social, que dificulta diagnóstico em meninas Cordão de girassol: desenho identifica pessoas com deficiências ocultas ou não aparentes Jussara trabalha com crianças com necessidades educacionais especiais há cinco anos e é especialista em Análise do Comportamento Aplicada (ABA, do inglês, applied behavior analysis). A especialista lembra que, a Lei nº 12.764, de 2012, definiu o Transtorno do Espectro Autista (TEA) como uma deficiência. A medida foi resultado da luta de Berenice Piana, mãe de uma criança autista. "Berenice lutou por diversas leis de inclusão social para pessoas com TEA, entre elas a inserção escolar das crianças e jovens com a condição", relata. Região de Piracicaba tem cerca de 300 documentos emitidos desde abril deste ano Frederico Cosentino/Arquivo pessoal Deficiência oculta: olhares atravessados À reportagem, Frederico Cosentino relacionou, pelo menos, duas razões pelas quais considera importante buscar pelo documento. "O autismo, diferentemente de muitas deficiências, nem sempre é facilmente identificada por terceiros. Todas as vezes em que precisei fazer uso da fila preferencial, recebi olhares atravessados, pois visualmente meu filho não apresenta uma deficiência", destaca. Base de dados e políticas públicas Além disso, o advogado também pontua que o cadastro com pedido de emissão da Ciptea também é importante alimentar a base de dados da cidade e do Estado e, com isso, fornecer informações que sejam incorporadas a possível aperfeiçoamento e/ou criação de novas ações. "Para que possam aprimorar políticas públicas direcionadas às nossas necessidades", acrescenta. Consentino ressalta que a apresentação da carteira facilita e otimiza o acesso a direitos resguardados por lei em qualquer lugar ou situação. Ele comenta situações vividas antes e depois de ter o documento em mãos. "Frequentemente, exigiam a apresentação de laudo médico, atestando o diagnóstico do TEA. Nem sempre lembramos de ir passear com um laudo médico. Com o Ciptea isso facilita bastante, pois apresento o documento e está tudo certo", observa. Ao telefone, Leonardo, o Leo, manda o recado: "Eu acho a minha carteira Ciptea muito legal", opina. Cordão de girassol. AGÊNCIA SENADO/DIVULGAÇÃO A carteira de identificação do TEA A Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (Ciptea) está prevista na Lei Federal nº 13.977, de 8 de janeiro de 2020, conhecida como a Lei Romeo Mion. A versão paulista da Ciptea começou a ser disponibilizada em abril de 2023, após decreto do governador Tarcísio de Freitas. Desde então, o serviço de emissão é feito, exclusivamente, pela unidade do Poupatempo no Canindé, na capital paulista. De acordo com a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SEDPcD), há um estudo para ampliação do oferecimento em outros postos. Apesar de não emitir a carteirinha, os Poupatempos das cidades, auxiliam os moradores a como obter o documento por meio do Portal Ciptea. 👨‍💻Como solicitar a carteira de identificação da pessoa com TEA? O documento deve ser solicitado pela internet, por meio do portal Ciptea criado pela Prodesp. Para acessar,👉clique aqui. 📌Quais são os passos? Basta preencher o cadastro disponível no site e anexar os documentos solicitados. 🪪Quais são os documentos solicitados? Foto de rosto e laudo médico. 🖨️É possível imprimir a carteirinha em casa? Sim. Quando aprovada, a carteirinha ficará disponível para download e impressão. 🗓️Em quanto tempo a Ciptea fica pronta? Em média, em 40 dias entre cadastro, análise e emissão. VÍDEOS: Tudo sobre Piracicaba e região Veja mais notícias da região no g1 Piracicaba
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07/04 - QUIZ: quantas perguntas rápidas sobre eclipse você é capaz de acertar?
Eclipse solar poderá ser visto (com a devida proteção, claro!) nesta segunda-feira (5), nos Estados Unidos, no Canadá e no México. Responda a 8 questões sobre o assunto e veja se seu sucesso será parcial ou total (🥁). Eclipse solar total é visto no Oregon, nos Estados Unidos, em foto de 21 de agosto de 2017. NASA/Aubrey Gemignani Aqui no Brasil, não conseguiremos ver o eclipse total que acontecerá nesta segunda-feira (8) — o privilégio de presenciar esse fenômeno vai ser exclusivo de quem estiver no México, nos Estados Unidos e no Canadá. Mas nem por isso vamos ficar de fora do assunto, né? Além de acompanhar a transmissão ao vivo aqui no g1 (a partir das 12h30, no horário de Brasília), você também pode testar seus conhecimentos sobre eclipse nas perguntas abaixo. 🌟🌟Quantas estrelas sua memória merece? Será que dá para garantir o alinhamento perfeito das suas ideias e ganhar a coroa (solar)? Veremos a seguir. O conteúdo do quiz foi formulado pelo g1 e revisado por Carlos Marmo, professor de física do Curso Anglo (SP).
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